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| SPONHOLZ |
CAETANO
E CHICO:
DÁ
PARA ENTENDÊ-LOS?
Sei,
é claro, que ambos se consideram de esquerda,
mas
ideologia é uma coisa, tolice e infantilidade são outra
Por
Bolívar Lamounier
Isto
É – 30/09/2016
Causa-me
espanto e não pouca tristeza ver artistas como Chico Buarque e Caetano Veloso
engajados nessa campanha inglória contra o impeachment de Dilma Rousseff e até
contra o enérgico combate que a Justiça vem dando à corrupção. Tal combate,
como ninguém ignora, é o responsável principal pelo enorme avanço político e moral
que o Brasil está vivendo. Ver o grande Chico Buarque com aquela cara amassada,
ao lado de Lula, no dia da votação final do impeachment, francamente, foi de
doer. E dias depois, a demagogia de Caetano Veloso convocando o auditório para
o “fora Temer”, num de seus últimos shows – outra dose para leão.
Tenho
em vão tentado compreender por que embarcaram nessa canoa. Sei, é claro, que
ambos se consideram de esquerda, mas ideologia é uma coisa, tolice e
infantilidade são outra. Acaso saberão algo que a Lava Jato, a Polícia Federal
e a esmagadora maioria dos brasileiros não sabem? Creem mesmo que o lulopetismo
se sustenta como filosofia de governo e que Lula nada roubou nem deixou roubar?
“Dá
para imaginar Chico e Caetano entregues a uma visão fanática,
justamente
agora que o Brasil começa a se livrar do fanatismo político?”
Minha
hipótese, como antecipei, tem a ver com a ideologia. O celebrado jurista e
sociólogo italiano Giovani Sartori sugere uma distinção a meu ver muito útil.
Ideologia é um fato normal e até saudável; em qualquer país, as camadas sociais
de nível educacional alto tendem a ver o mundo de uma forma organizada,
concatenando determinadas premissas, valores e objetivos. Assim compreendida,
ideologia é um modo de pensar – ou um sistema, se se prefere. Assim como há
ideologias de esquerda, também as há de direita, liberais, conservadoras etc.
Ideologismo é outra coisa. É o que acontece quando uma pessoa se aferra
fanaticamente a seu sistema de ideias, a ponto de bloquear toda informação que
pareça contrariá-lo.
Mas
dá para imaginar Chico e Caetano entregues a uma visão fanática, justamente
agora que o Brasil começa a se livrar do fanatismo político? A se livrar, mais
que isso, da idolatria populista que levou milhões de cidadãos a comprar gato
por lebre, endeusando um séquito de trapaceiros como nunca antes se vira no
País? Permaneço, sinceramente, sem uma resposta satisfatória, só com minha
perplexidade e minha tristeza.
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Bolívar Lamounier é sociólogo,
cientista político
e sócio-diretor da Augurium Consultoria


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