| Ricardo Cammarota/Editoria de Arte/Folhapress |
QUEM
DIZ QUE NÃO EXISTE PREGAÇÃO
NAS
ESCOLAS MENTE OU É DESINFORMADO
Um
professor de uma escola cara de São Paulo pediu
um
trabalho cujo tema era "Fora Temer, golpista"
Por Luiz
Felipe Pondé
UOL –
12/09/2016 02h00
Quem
disser que não existe pregação política socialista ou afins nas escolas e nas
universidades mente ou é, simplesmente, desinformado. Chega-se ao cúmulo do
ridículo quando se nega isso em público. Só se repete essa mentira em público
porque a maior parte da audiência – feita de professores, alunos e gente
"do ramo"– concorda com a pregação petista.
Já
disse isso aqui, mas, como num mundo ruidoso como o nosso sempre precisamos
repetir o óbvio, vamos lá: quase todo professor de humanas prega descaradamente
em sala de aula a cartilha marxista, requentada ou não. E, assim, formará
outros professores, artistas, cineastas, profissionais de TV e rádio,
publicitários, advogados, jornalistas, enfim, um monte de gente que será massa
de manobra de partidos como o PT e PSOL.
Entretanto,
não sou a favor de uma lei que crie espaço para ainda mais censura na sala de
aula. Por outro lado, se pais, professores menos alienados na cartilha marxista
e alunos menos manipulados por essa cartilha não botarem a boca no trombone,
continuaremos a ter a reprodução infinita de esquemas de "bullying"
intelectual e institucional contra professores e alunos que se distanciarem
desse quadro de "comissários petistas do povo".
Nesta
semana recebi de uma leitora uma foto de uma lousa numa sala de aula de uma
dessas escolas caras da zona oeste de São Paulo, que prima por ser a mais rica
da cidade e com mais gente 'mimimi', na qual o professor ou professora pedia um
trabalho cujo tema era "Fora Temer, golpista" (sei qual é a escola,
mas não vou dar o nome dela aqui para poupá-la da saia justa).
A
foto foi tirada por uma aluna, como é de hábito hoje em dia fazer quando o
professor escreve algo na lousa, em vez de copiar no caderno. A intenção da
atividade didática era levar os alunos a pesquisar e refletir sobre o
"golpe" e as formas de enfrentamento dele.
"Et
voilà", diriam os franceses quando mostram algo óbvio. Poderíamos
acrescentar que, na pós-graduação, professores dedicam parte de suas aulas para
falar mal de vídeos e textos de colegas que criticam seu "ópio" mais
amado: o caminho da roça conhecido como crença marxista.
Mas,
como toda gente militante acaba por ficar meio "tosca", ao fazer isso
eles provam a tese de quem os acusa de pregar o "ópio dos
intelectuais" em sala de aula.
Sobre
isso, aliás, indicaria o grande clássico recém lançado no Brasil pelo selo Três
Estrelas, "O Ópio dos
Intelectuais" do filósofo e sociólogo francês Raymond Aron (1905 -
1983). O livro foi lançado nos anos 1950 e de lá para cá nada mudou: os
intelectuais e associados continuam a viver dos mesmos mitos políticos do
socialismo.
E
nada vai mudar se você não se mexer (claro, se você não for um dos integrantes
da seita retrógrada): seus filhos serão petistas e dirão que, sim,
"podemos roubar e calar a boca dos outros, em nome da revolução". A
ideia de uma lei contra a escola com partido não vai adiantar nada, vai apenas
criar condições para os "pastores do ópio dos intelectuais"
continuarem sua pregação, com a cara mais lavada do planeta. Usarão de recursos
retóricos do tipo "queremos apenas formar alunos críticos", ou a
"direita quer censurar o pensamento na sala de aula". Risadas? Esse
papinho só cola para os ouvidos mal informados.
Já
existe censura na sala de aula. Recebo continuamente e-mails de professores e
alunos em palpos de aranha porque não rezam na cartilha dos "pastores do
ópio dos intelectuais".
Em
escolas como a daquela lousa petista, mesmo se os alunos quiserem convidar os
professores ou intelectuais que não rezam na cartilha do "ópio dos
intelectuais", terão sua iniciativa negada.
Isso
acontece da forma mais descarada que você pode imaginar. Portanto, não acredite
quando ouvir muitos desses intelectuais ou professores (não são todos, mas,
sim, são a maioria) dizerem que são a favor do "diálogo" ou do
"debate". É uma piada. Não existe diálogo ou debate na universidade
ou na escola. É mais fácil você achar diálogo e debate numa igreja evangélica.
Juro por Deus! Aleluia, irmãos!
Luiz
Felipe Pondé (1959, Recife) – filósofo, escritor e ensaísta, pós-doutorado em
epistemologia pela Universidade de Tel Aviv – discute temas como comportamento,
religião, ciência. É colunista da Folha de S. Paulo
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