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| OTÁVIO NUNES É JORNALISTA |
PESCADOR DE SONHOS
(Por Otávio Nunes) Sentei-me
à beira do rio e comecei a arrumar meus apetrechos: vara, anzol, linha, bóia,
chumbada, molinete, suporte e isca. Tudo pronto para pescar o que mais eu
desejava na vida, um sonho. Sim, alguém me disse que naquele rio eu seria o
pescador de sonhos. Por que não?
O
primeiro sonho que peguei foi uma bolsa cheia de dólares. Quase um milhão.
Aliás, a valise estava tão bem fechada que as notas ainda continuavam
sequinhas. Achei pouco, meu sonho era ainda maior. Fechei a bolsa e a devolvi
às águas. Mudei a isca para fisgar outro sonho e arremessei o anzol no meio do
rio. Minutos depois, a boia afundou, sinal que algo estava a beliscar a isca,
lá no fundo das águas, então puxei com força. Era tanto o peso, que a vara
envergou e ficou em forma da letra U. Puxei com dificuldade e veio o meu sonho:
um automóvel esportivo Ferrari, mais vermelho que papo de peru.
Admirei
bastante meu sonho pescado até que percebi que ainda não era o que desejava.
Joguei o carro às águas, mudei novamente a isca e arremessei mais forte, de
modo a ultrapassar a metade do rio. Quando fisgado, o peixe se mostrou ser o
mais pesado até então. Puxei o bicho, um avião enorme e já com o tanque cheio.
Não era, porém, ainda o meu sonho.
No
arremesso seguinte, trouxe sem dificuldade uma tilápia de mais ou menos um
quilo. Tirei o peixinho do anzol e o devolvi às águas. Ele afundou feliz e
liberto. Já cansado e com fome, pois beira de rio sempre atiçou meu apetite,
fui embora. Se eu tiver outro sonho, pescá-lo-ei amanhã.

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