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O
QUE O FUTURO RESERVA AO PT?
Enfraquecido
em baixo, não tem o PT como fortalecer-se em cima. Isso restará provado em 2018
quando ele disputar as próximas eleições gerais, de presidente da República,
governadores, assembleias e Congresso
Por
Ricardo Noblat
Em 04/10/2016
- 04h47
O
“nós contra eles”, que tanto marcou o discurso do PT nos últimos 14 anos e
dividiu a opinião pública brasileira, está com seus dias contados a levar-se em
conta o resultado da primeira fase das eleições municipais deste ano. Ao PT
deixará de interessar. E também aos que sempre se opuseram ao PT por divergir
ideologicamente dele e temê-lo.
Funcionou
para o PT enquanto ele foi majoritário no campo da centro-esquerda e controlou
o governo federal, fonte em grande parte de sua vitalidade. De certa forma
funcionou também para os adversários do PT, empenhados em arrebanhar forças
capazes de desalojá-lo do poder. Uma vez que os dois objetivos se esgotaram,
perdeu o sentido.
O
resultado do primeiro turno da eleição do último domingo mostrou que o PT
desceu a ladeira para um dos níveis mais baixos que já ocupou. O partido quase
foi dizimado. Não conseguiu eleger prefeitos sequer na metade dos municípios
que dominava. Elegeu um único de capital (Rio Branco). Disputará em uma única
capital o segundo turno (Recife).
Nove
partidos elegeram mais prefeitos do que o PT – entre eles, até o DEM, que
parecia ameaçado de extinção. O PSB, partido de médio porte e antigo parceiro
do PT, elegeu mais prefeitos do que ele. Partidos que sempre estiveram na
órbita do PT afastaram-se dela e preferiram ir cuidar de sua própria
sobrevivência.
Enfraquecido
em baixo, não tem o PT como fortalecer-se em cima. Isso restará provado em 2018
quando ele disputar as próximas eleições gerais, de presidente da República,
governadores, assembleias e Congresso. Desde já, o PT admite apoiar o candidato
a presidente de outro partido. Dificilmente contará com Lula. E, sem ele, não
terá outro nome viável.
Ou
o PT se isola, correndo o sério risco de virar uma legenda de gueto, ou
modestamente, e abdicando do protagonismo, tenta se juntar com os partidos que
ainda aceitam sua companhia. O “nós contra eles” em nada o ajudará. Só lhe
restará o esforço desesperado para ampliar o “nós” sem desprezar
necessariamente o “eles”.
Não
será uma tarefa fácil. Para executá-la com êxito, o PT será obrigado a
reconhecer seus erros, a refletir sobre eles, a mudar de comportamento, a
reconciliar-se com valores que desprezou, a renovar-se enfim, e a ter
paciência. Muita paciência. Recuperar-se de queda é mais difícil do que
ascender. Em menos de 40 anos, o PT subiu e afundou.
Quando
Getúlio Vargas, em 1950, voltou ao poder como presidente eleito e não mais como
ditador, os partidos que o apoiaram, PTB e PSD os maiores deles, pareciam
destinados a ter vida longa. O PTB ainda existe agora sob a direção de Roberto
Jefferson. Gilberto Kassab preside um PSD que nada tem a ver com o PSD
original.
A
UDN que se opunha a Getúlio desapareceu. Assim como desapareceu o Partido
Comunista italiano, o mais poderoso do mundo ocidental nos anos 70 do século
passado. O Partido Comunista português ainda existe, mas não passa de uma
pálida sombra do que foi um dia.

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