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| FERNANDO HOLIDAY/GOOGLE |
POR
QUE A ESQUERDA NÃO CONSEGUE
DIGERIR
FERNANDO HOLIDAY
Militantes
menos sofisticados da esquerda costumam achar
que só eles defendem os pobres,
os negros e os gays.
Por isso não conseguem entender
o mais jovem vereador de
São Paulo
Por
Leandro Narloch
VEJA.ABRIL.COM.BR
Em 07/10/2016
às 14:15
“Como
pode um homem gay, negro e pobre ser de direita?”
A
esquerda voltou a se debater com essa pergunta desde a vitória de Fernando
Holiday na eleição em São Paulo. Aos 20 anos, o rapaz foi o 13º candidato mais
votado a vereador.
Há
respostas das mais variadas. “Ele encarnou um capitão do mato, é um negro
contra os negros”, diz a explicação mais comum. Um daqueles sites patrocinados
pelo governo Dilma solucionou a questão com uma sacada criativa: concluiu que o
rapaz, na verdade, não é negro, pois “ser negro não é uma condição dada, a
priori. É um vir a ser”. Pronto, um problema a menos, Fernando Holiday é
branco!
A
esquerda não consegue entender a existência de Holiday porque acredita ter o
monopólio da defesa dos negros, pobres e “oprimidos” em geral. Se um negro luta
contra a esquerda, então há algo de errado com ele. Ou não seria realmente
negro ou teria algum problema psicológico, uma anomalia que o faria agir contra
a própria identidade. Oras, se a
esquerda está do lado do povo, por que o povo estaria contra a esquerda?
Militantes
mais embrutecidos acreditam também que para beneficiar os pobres é preciso
prejudicar os ricos (com impostos sobre fortunas, por exemplo). Por isso um
negro e pobre jamais se alinharia a partidos dos ricos. Mas Fernando Holiday,
um liberal, é contra a ideia do conflito irreconciliável entre as classes.
Acredita que a prosperidade beneficia tanto pobres quanto ricos, e que ideias
econômicas de esquerda prejudicam todos, incluindo gays e negros.
Há
ainda um terceiro motivo. Assim como a direita mais tacanha, a esquerda menos
sofisticada gosta de achar que seus adversários se resumem a estereótipos
ridículos ou políticos radicais. A direita seria apenas a senhora racista da
praia do Rio de Janeiro, o empresário engomado que se incomoda com pobres no
aeroporto, o deputado-pastor contrário ao casamento gay.
É
mais confortável, para militantes da esquerda, ignorar a existência de
adversários com mais nuances. O rosto de Fernando Holiday, um gay, negro, defensor
de privatizações e antipetista radical, não poderia ser mais indigesto.
| NARLOCH É JORNALISTA E ESCRITOR/GOOGLE |

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