SPONHOLZ |
DE
ONDE VÊM AS PALAVRAS:
DAR
UMA DE “JOÃO-SEM BRAÇO”
Por Deonísio
da Silva (*)
Blog
do Augusto Nunes
A
expressão “joão-sem-braço” designa o preguiçoso, o omisso ou o trapaceador.
Originalmente,
o pedinte amarrava sob a roupa um dos braços ou os dois, fingindo ser mutilado
de guerra para obter a esmola pretendida, dando uma de joão-sem-braço.
Mas
havia outros sinceros joões-sem-braços, muitos dos quais eram atendidos pelas
Santas Casas de Misericórdia, a primeira das quais foi fundada em Portugal, no
século XV, pela rainha Dona Leonor, a “princesa perfeitíssima”.
No
Rio, a Rua dos Inválidos atesta a tradição. Ela ainda conserva o mesmo nome que
tinha em fins do século XVIII, por ter sido edificado ali um asilo para
militares reformados, isto é, aposentados. Eles estavam temporariamente
impedidos de trabalhar. E muitos iam para a rua mendigar.
A
expressão tem fundas raízes históricas. Portugal formou-se e consolidou seu
poder por meio de sucessivas guerras, travadas no próprio território ou em suas
colônias, produzindo muitos mutilados de guerra.
Deonísio da Silva é professor,
escritor e etimologista
dc.clickrbs.com.br
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