segunda-feira, 18 de abril de 2016

BRUNO NEGROMONTE

RELEMBRANDO... NILTON PAZ


 Nilton em sua primeira gravação
estourou no carnaval de 1939

Dando continuidade a preservação da memória de nossa música popular brasileira, hoje trago outro nome que não tenho visto com a notoriedade que merecia. Trata-se do cantor Nilton Paz, que deu início à sua carreira fonográfica no finalzinho da década de 1930, quando aos vinte anos registrou a canção "Pirolito", uma marcha de autoria do saudoso João de Barro (Braguinha) e do cantor e compositor carioca Alberto Ribeiro. 

Tal registro fonográfico ocorreu no início de janeiro (bem em cima da folia de momo) e foi lançada praticamente às vésperas do carnaval pela Columbia (disco 55013-A, matriz 120) e mesmo havendo esse lançamento as vésperas do carnaval, a canção acabou tornando-se uma das campeãs da festividade daquele ano. Esse enorme sucesso fez a composição atravessar diversas décadas no gosto popular (tanto que até os dias atuais é lembrada). Um fato curioso sobre essa gravação é a omissão do nome da cantora Emilinha Borba (que à época, aos dezesseis anos, participava dos vocais de gravações distintas em busca de dar início ao ofício que a consagraria nas décadas seguintes). 

Outro registro válido é que tal canção foi feita para o longa-metragem musical "Banana da Terra" (produzido por Wallace Downey com roteiro do autor João de Barro e de Mário Lago, além da direção de Ruy Costa). Este filme além de contar com esse grande sucesso registrado por Nilton também traz diversos outros números musicais nas vozes de alguns dos maiores sucessos da época, tais quais Carlos Galhardo, Dircinha e Linda Batista, Alvarenga, Orlando Silva, entre outros. Ainda é válido o registro de que este longa é responsável por uma das mais emblemáticas parcerias de toda a história de nossa música: o encontro entre Dorival Caymmi e Carmen Miranda, que no filme interpreta a canção "O que é que a baiana tem?", de autoria do mestre baiano que entrou no longa em substituição a canção "Boneca de piche", de autoria de Ary Barroso e Luiz Iglesias. Tal composição, mesmo fora do filme, alcançou grande sucesso com Carmem Miranda e Emilinha Borba.

Depois deste arrebatador sucesso como intérprete, Nilton Paz (então com vinte anos), fez ao longo dos anos posteriores diversos outros registros, tais quais "Quem é essa morena?" (Francisco Malfitano e Frazão), "Que rei sou eu" (Herivelto Martins e Waldemar Ressurreição), o hino "Alegria do nosso Brasil", e as marchas "Meu Barraco" "Havaiana". Vale registrar que paralelo à carreira de intérprete, o artista incursionou também pelo cinema, o que o fez acreditar em uma possível carreira internacional (o que acabou fazendo-o optar por mudar-se para os Estados Unidos afim de dar continuidade a este desejo). Apesar da experiência em películas brasileiras (a exemplo do filme "Pif-Paf") e a tentativa da Metro Goldwyn Mayer em torná-lo ator, a sua carreira no cinema norte-americano não vingou. Dentre as curiosidades existente nessa incursão de Nilton Paz pelo cinema, há uma história curiosa sobre o intérprete: Desde a gravação de "Pirolito", o intérprete começou um flerte com a jovem Emilinha Borba. Nos anos seguintes o flerte acabou por tornar-se um "namorico". Linda, Emilinha acabou por chamar a atenção do diretor de cinema norte-americano Orson Welles, que estava no país para gravar tomadas do filme “It’s All True”. Neste período, o diretor não arredava pé do Cassino da Urca, e apesar de estar mantendo um caso amoroso com Linda Baptista, não deixava de dar diversas investidas na então "namorada" do Nilton, que não gostou nem um pouco dessa situação. Reza o folclore que cantor brasileiro, incomodado com os bilhetes endereçados a Emilinha, interpela o cineasta de 2 metros de altura, que auto denominando-se "Rei do Café", dizendo-lhe que se ele, Orson Welles, era o "Rei do Café", então, ele, Nilton Paz era o "Rei das Porradas". O recado foi muito bem apreendido por Welles pelos relatos da época.

Ficam aqui dois registros do saudoso cantor. A primeira trata-se de "Pirolito", a sua primeira gravação já citada ao longo do texto:




Já a segunda vem a ser "Quem ver cara", uma composição de Francisco Malfitano e Erastótenes Frazão com acompanhamento de Benedito Lacerda e seu conjunto. Assim como a canção anterior, esta também foi lançada em 1939:




Nenhum comentário:

Postar um comentário