sexta-feira, 26 de maio de 2017

IMAGENS: ANITA MALFATTI



BAILARINA


CASAL COM VIOLÃO


O BATIZADO


FESTA SÃO JOÃO NA VILA

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Anita Malfatti 
(São Paulo, 2 de dezembro de 1889 – São Paulo, 6 de novembro de 1964), 
foi pintora, desenhista, gravadora, ilustradora e professora. 

RAPIDÍSSIMAS



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IMAGEM: TRIPADVISOR




MORRO ABAIXO

Bons tempos aqueles de sobe e desce ladeira. Na pior idade, a mão é única.

JAPA D’ORO

Ora, ora, quem diria? Com um pintinho daqueles era o garanhão do bairro.

FRUTAS

Há quem apodreça antes de amadurecer.

FARPAS

Querido: esse mau humor constante lhe rouba a beleza que você nunca teve.

SÓ ASSIM

Os puritanos pecam muito em pensamento. Azar deles.

BIOGRAFIA

Escrever história com lápis e borracha é jogar fora a verdade possível.

BONS TEMPOS

Em que o inferno era o limite.

ESTAR SEMPRE CERTO?

Bobagem. Presunção de gente besta.


AS CHARGES DO DIA



Charge (Foto: Antonio Lucena)
ANTONIO LUCENA - BLOG DO NOBLAT


Charge (Foto: Chico Caruso)
CHICO CARUSO - O GLOBO


AMARILDO



PAIXÃO - GAZETA DO POVO (PR)


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SPONHOLZ



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 ALPINO - YAHOO NOTÍCIAS


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SPONHOLZ



Charge do dia 26/05/2017
RONALDO - JORNAL DO COMMERCIO (PE)



BENETT - GAZETA DO POVO (PR)

quinta-feira, 25 de maio de 2017

CRÔNICA: WALCYR CARRASCO


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UM NOVO ESTILO DE VIDA

Às vezes me sinto como um caramujo com uma casa
gigante nas costas. Quero ser mais prático e simples

Por Walcyr Carrasco
Época digital – 12/05/2017

Jantei com uma amiga famosa: a atriz e jornalista Marília Gabriela. De uns anos para cá, ela mudou radicalmente o estilo de vida. Já não compra roupas como antes, a não ser eventualmente uma peça que lhe chame bastante a atenção. Vendeu o apartamento em Nova York e a casa em Campos do Jordão. Em trabalho, só faz aquilo que gosta, que lhe é visceral. Atualmente faz a peça Constelações, de Nick Payne, com o ator Caco Ciocler, no teatro Tucarena, em São Paulo. Gabi, como é conhecida, já teve uma ofuscante vida social. A mudança, hoje, não é devida a problemas financeiros. Ela vai muito bem, obrigada. Mas a uma nova postura de vida. Não se trata de uma vida espartana. Mas da busca da felicidade fora do consumismo. Li recentemente uma reportagem, na revista GQ americana, em que o jornalista Sean Hotchkiss conta que teve um encontro de uma noite, após uns drinques. De manhã, ela pareceu estranha. Perguntou por quê. A resposta:

– Como você tem mais roupas que qualquer garota que eu conheço? E nenhuma TV?!

Ela foi embora, deixando uma estranha sensação. O rapaz observou seu closet gigante. Iniciou uma transformação. Gosta de ser fashion e mantém isso. Mas com menos. Vendeu e doou roupas antigas. Passou a usar só preto, cinza, branco e azul. Assim, todas as peças combinam. Finalmente... mudou-se para um apartamento sem closet! Eu também sinto essa necessidade de restringir. Há anos criei uma necessidade feroz de comprar roupas. Até recentemente, eu era o delírio dos vendedores. Bastava eu entrar na loja, e já comemoravam. Iam bater a meta.

O mais estranho nesse tipo de comportamento é acreditar inteiramente no vendedor, como se aos olhos dele eu me transformasse no Brad Pitt! Ao provar a peça, ele sempre me dirá:

– Ficou ótimo.

Mesmo que me engorde!

Quando a fatura do meu cartão de crédito bateu nas alturas, resolvi fazer algo a respeito (e nunca vou parecer o Brad Pitt, ok?). Optei por um tratamento com um coach (um tipo de consultor pessoal) para diminuir meu impulso consumista. Resultado surpreendente. Após algumas sessões com a Madalena, minha coach, algo mudou. No final do ano, fui comprar camiseta e bermuda brancas para o Réveillon. Entrei numa loja de uma das grifes que mais gosto. Só na volta, percebi: não me interessara pelos casacos e outras peças. Havia me concentrado na camiseta. E parei de consumir de forma devastadora. Até hoje vendedores me convidam para “tomar um café”. Respondo que estou tentando zerar meu cartão de crédito. Insistem:

– Só um café...

Estratégia. Tenho meus problemas psicológicos, meus traumas. Mas minha carência não chega a tanto. Não confundo tentativa de venda com amizade. Um grande amigo que também é vendedor costumava, entre mensagens normais, enviar fotos das peças novas, pelas quais eu podia me interessar. Pedi:

– Agora você vai decidir se é meu amigo ou está trabalhando. Se o interesse é pessoal, pare de enviar fotos de roupas!

“É um novo estilo de vida, em expansão. Resume-se
a uma simples frase: ter menos, para possuir mais”

Essas percepções e atitudes estão me ajudando a economizar bastante. Ainda não resolvi a questão dos livros. Sou voraz. Compro mais do que leio. Chegarei lá, já comecei a fazer belas doações a bibliotecas. Uma delas fica numa comunidade paulistana. Já levou caixas e caixas de livros.

Para que tanto, afinal?

Às vezes me sinto como um caramujo carregando uma casa gigantesca nas costas. Há uma questão de status. Quando se começa a buscar menos, as pessoas acham que se está em má situação financeira. E daí? Não estou em crise. Mas se estivesse não seria vergonha nenhuma. Daqui a pouco seleciono meus casacos e vendo pela internet. Ou doo. Ser prático e simples, eis a questão.

A pioneira dessa atitude de vida foi Danuza Leão, que além de escritora exerceu inúmeras atividades, todas com sucesso. Ainda lembro que em um de seus livros aconselhava a servir a mesa com copos diferentes. Óbvio. É quase impossível ter um jogo de taças em que uma não quebre, outra não lasque. Melhor assumir e misturar, do que gastar grana na caça de mais outro e outro. Como simplificar a vida é uma bandeira nos livros de Danuza.

Um amigo meu, suíço, Pierre, produtor de cinema, mudou-se para um apartamento de dois quartos. Poderia viver em lugar bem maior. Simplesmente, assim é mais prático para cuidar.

– Eu vivo com o necessário.

É um novo estilo de vida, em expansão. Resume-se a uma simples frase: ter menos, para possuir mais.

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LEIA TAMBÉM

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MORRO ABAIXO: Bons tempos aqueles de sobe e desce ladeira. 
Na pior idade, a mão é única. 
Por Orlando Silveira, em "Rapidíssimas". No blog.
http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/2017/05/rapidissimas.html#comment-form

CHÁ DAS CINCO: MARIO QUINTANA




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QUEM AMA INVENTA

Quem ama inventa as coisas a que ama...
Talvez chegaste quando eu te sonhava.
Então de súbito acendeu-se a chama!
Era a brasa dormida que acordava...
E era um revoo sobre a ruinaria,
No ar atônito bimbalhavam sinos,
Tangidos por uns anjos peregrinos
Cujo dom é fazer ressurreições...
Um ritmo divino? Oh! Simplesmente
O palpitar de nossos corações
Batendo juntos e festivamente,
Ou sozinhos, num ritmo tristonho...
Ó! meu pobre, meu grande amor distante,
Nem sabes tu o bem que faz à gente
Haver sonhado... e ter vivido o sonho!


PALAVRAS & EXPRESSÕES: DEONÍSIO DA SILVA



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VAI CATAR COQUINHO!

O brasileiro anda muito raivoso. A causa principal
pode ser a aliança nefasta entre políticos e empresários

Por Deonísio da Silva
14/05/ 2017

O presidente Michel Temer reiterou que “precisamos pacificar o país” e lamentou “uma certa raivosidade que permeia a consciência nacional”, lembrando que somos conhecidos por nossa cordialidade.

A palavra é nova, mas, como tantas outras ainda por vir, jazia em estado virtual ou latente. Raiva e raivoso já eram conhecidas e usadas, mas raivosidade…

Por ínvios caminhos, o presidente acertou em cheio: o brasileiro anda muito raivoso. Provavelmente nunca sentiu tanta raiva quanto hoje. E a causa principal pode ser a aliança nefasta entre políticos e empresários, cujas trapaças a mídia e o judiciário nunca deixaram tão claras quanto hoje.

A tecnologia deu — ou melhor, vendeu — meios e modos para o povo inteirar-se do que antes ocorria “no escurinho do cinema”, quando eles “chupando dropes de anis” ficavam “longe de qualquer problema” e “perto de um final feliz”, que, aliás, para eles sempre veio. Para o povo, não!

Continuando com Rita Lee e Roberto de Carvalho, “mas de repente o filme pifou/ e a turma toda logo vaiou/ acenderam as luzes, cruzes!/ que flagra, que flagra, que flagra!”.

A língua portuguesa falada e escrita no Brasil tem várias frases ou locuções para expressar a raiva, como abaixo transcritas para deleite dos nossos leitores. Expliquemos uma, pelo menos, a do título.

VAI CATAR COQUINHO é mais antiga do que parece. Provavelmente nasceu da ordem maluca de Calígula, o insensato imperador romano, assassinado aos 28 anos de idade, no século I de nossa era.

Comandando o poderoso exército romano na campanha da Britânia, ele, num daqueles ataques de raiva que tanto o caracterizaram, ordenou que seus soldados catassem conchinhas na praia.

Conchinha é conchula em latim. Conchinha numa língua pouco afeita à escrita durante tantos séculos, vinda do Latim vulgar, mais falado do que escrito, foi substituída por coquinho na expressão.

Lendária a explicação? Lendário também o registro, pois ao cruel soberano foram atribuídas tantas coisas que se tornou difícil dizer quais são verdadeiras, quais são falsas. Mas o certo é que, em momentos de raiva, quando alguém enche nossa paciência, só nos resta, em vez de prosseguir com argumentos que a pessoa não quer entender, mandá-la catar coquinho, isto é, fazer algo inútil, mas, que tem o condão de parar de nos incomodar.

Abaixo, outras expressões em momentos de raiva: perder a esportiva, mandar pentear macacos, ficar de cara amarrada, subir nas tamancas ou nos tamancos, sair do sério, perder a linha, erguer uma tromba no nariz, ficar bicudo, tocar fogo no circo, cansar a beleza, chamar nas esporas, colocar o dedo na ferida, estrilar, ficar de cabeça quente, dar nos nervos, mandar às favas, perder as estribeiras, afogar as mágoas, pegar no pé, tornar-se uma pilha de nervos, ficar com os nervos à flor da pele, ficar puto da vida, ficar com cara de quem comeu e não gostou, ficar com cara de poucos amigos, ficar com a moléstia, ferver o sangue nas veias, cuspir ou soltar fogo pelas ventas, atravessar alguma coisa na garganta, mandar plantar (ou descascar) batatas e virar o bicho, entre muitas outras.

Só não registro aqui também as obscenas porque estas são um capítulo à parte, uma vez que recorrer às funções excretoras e sexuais é estratégica universal nestas horas, em todas as línguas. E, neste particular, o Português é goleado por línguas como o Alemão, o Francês e o Inglês. Cada uma delas tem muito mais palavrões do que a nossa.

Deonísio da Silva é professor, escritor e etimologista