terça-feira, 19 de junho de 2018

QUASE HISTÓRIAS




DIÁLOGOS PERTINENTES

- Você sabe por que não temos manteiga nem margarina no pão? Você sabe por que não nos servem frutas nem sobremesas? Por que em vez de café tomamos chá?

- Não, não sei.

- Devia saber. Você é metido a sabichão.

- Ora, não seja besta. A clínica não nos serve nada disso para economizar. É evidente.

- Engano seu. Não é nada disso.

- Então, o que é?

- Aqui, eles seguem uma pedagogia da hora. É para que a gente valorize o que tinha em casa e não dava bola. Entendeu?

- Claro que sim. Vai ver que é por isso que ainda não tenho – depois de vinte dias de internação – travesseiro, fronha e coberta. Vai ver que é por isso que a comida que nos servem tem um jeitão de lavagem.

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OS MELHORES AMIGOS

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Ilustração: Clip Art

São os de quem gosto, apesar de seus defeitos e vícios. São muitos? São poucos? São velhos? São novos? São reais? São virtuais? Que importa? São os de quem gosto, apesar de seus vícios e defeitos. A maior parte deles só existe na minha imaginação. E isso já me basta.

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O DAN ERA MENINO

E o velho sábio descascava laranjas sem quebrar a casca. Contava histórias, tirava a pele sem ferir o gomo, retirava as sementes, aguçava o apetite. Fazia aquilo por puro prazer. Com a calma de monge. O pequeno Dan se deliciava. E nós também. Aquilo tinha gosto de pomar.



segunda-feira, 18 de junho de 2018

A ÉTICA DO CRUZ-CREDO: A MERENDEIRA

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Foto: Arquivo Google


A vida de Ivani mudou da noite para o dia. Hoje, não há espaço vazio na pequena despensa de sua casa. Dá gosto de ver. A geladeira também está sempre cheia. Os pequenos, três, estão bem gordinhos, quase obesos. Ela e Nonô também engordaram um bocado. Ivani agradece a Deus todos os dias por ter lhe arrumado um emprego de merendeira na escola do bairro. O salário é coisa miúda, mas vale a pena. Vejam lá. Ela não perde muito tempo entre a casa e a escola nem paga condução. Motoristas de ônibus podem fazer greve que ela não está nem aí. Vai a pé. E nunca volta de mão abanando.

No início, ela ficava constrangida de levar para casa parte dos alimentos destinados às crianças da escola, todas pobrezinhas. Mas, depois de muito refletir, chegou às seguintes conclusões:

1.    Ora, se as crianças da escola são miseráveis, seus filhos também o são, também carecem de boa alimentação.

2.    Não foi ela quem tomou a iniciativa de surrupiar os alimentos da escola. Muita gente já fazia isso – e há muitos e muitos anos.

3.     Sozinha, não tem condições de impedir a lambança. Ao contrário. Ante sua recusa inicial de carregar os mantimentos, os colegas de trabalho e furto começaram a vê-la como uma espécie de dedo-duro em potencial.

4.    Se todo mundo faz, porque ela não faria? Ninguém é completamente abestalhado.

5.    E mais: safado mesmo é o responsável pelo setor. Ele põe a assinatura num papelucho que diz ter sido entregue um tanto de mercadorias, quando, na verdade, chegou pouco mais da metade.

6.    Por fim, sempre que o prazo de validade está prestes a vencer, Ivani faz questão de vender para os vizinhos os produtos por 20% do preço cobrado pelo mercadinho da esquina. É uma forma de ajudar os necessitados. Quando, por descuido, deixa vencer o prazo de validade, dá os produtos de graça à vizinhança.

Devota de São Francisco acredita que é dando que se recebe. Sente orgulho de ajudar os que mais precisam.

Orlando Silveira
Junho de 2018


domingo, 17 de junho de 2018

QUASE HISTÓRIAS: O FÍGADO É PÉSSIMO CONSELHEIRO

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Foto: Arquivo Google

Foi uma bonita história de amor. Claro, houve momentos ruins – momentos de tensão, tédio, agressões verbais e de tudo mais que, cedo ou tarde, passam a fazer parte de qualquer relacionamento longevo. Lua de mel não dura para sempre. Quem diz o contrário mente. Ou nunca conviveu com um (a) companheiro (a) por muito tempo. O desgaste é inexorável.

Após duas décadas de relacionamento, Joana estava para lá de farta dos defeitos e vícios de Alceu, que, a bem da verdade, não eram poucos. Alceu, por sua vez, já não tolerava mais as manias de Joana (vícios ela nunca teve) nem aquela sua presunção de estar sempre com razão, independentemente do tema em discussão. As rusgas viraram bola de neve. Tudo era motivo para alterações.

Um dia, após duas discussões meio pesadas, Joana recolheu suas coisas, fez as malas e se mandou para a casa de um dos filhos. Deixou Alceu a ver restos de navios – navios que ela queimara para não cair na tentação de voltar atrás. Sim, porque antes de picar a mula, movida sabe-se lá por quais sentimentos, Joana fez questão de espalhar para a família, amigos e vizinhos os vícios e defeitos de Alceu. Ora, quem conta um conto sabe-se... Os vícios e defeitos de Alceu, que já não eram parcos, tornaram-se enormes.

Alceu não deixou por menos. Queimou todas as pontes que estavam ao seu alcance. Falou mal de Joana para fulano, beltrano, sicrano e para todos os que se dispusessem a ouvi-lo. Segundo ele, era a única forma de se defender das calúnias, difamações e ira da ex-mulher.

Ambos, no fundo, sabiam que haviam exagerado nas críticas, que tinham raciocinado com o fígado. Afinal, se os dois fossem tão ruins assim, o casamento não teria durado tanto. Lesos eles não eram. Como negar que, ao longo do tempo, desfrutaram de muitos e bons momentos? Familiares, amigos e vizinhos poderiam atestar isso –, muito embora os vizinhos, amigos e familiares prefiram, ainda que inconscientemente, reter na memória e na língua os piores momentos da vida alheia.

Com o passar do tempo, Joana e Alceu, cada qual no seu canto, passaram a se corresponder diariamente, via WhatsApp. Falavam de amenidades, dos filhos, dos netos, do cachorrinho traquinas que a nora tratava como se fosse criança de colo. Às vezes, Joana e Alceu ensaiavam falar do que, de fato, importava. Não iam além de insinuações. O fato é que Joana ainda gosta de Alceu. A recíproca é verdadeira. Mas como voltar, se cada um a seu modo – ela queimando navios, ele destruindo pontes – fez estrago medonho na imagem do outro? O que dirão os familiares, amigos e vizinhos? No mínimo, que os dois não têm vergonha na cara. Joana e Alceu seguem infelizes. Cada qual no seu quadrado. Mas com vergonha na cara.

Orlando Silveira
Junho de 2018



sábado, 16 de junho de 2018

RAPIDÍSSIMAS

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Ilustração: Depositphotos


CAFÉ NO BULE
Bem quentinho é como lampião de gás. Quantas lembranças ele nos traz.

PAI E MÃE
Eles sempre deixam saudade medonha. Um dia chega a hora de partir. E eles partem. Sem nos deixar endereço ou telefone. Não há tempo nem idade que aplaquem a dor no peito – dor que vai e volta, feito ioiô de porre.

NA DÚVIDA
Fique calado, esboce um sorriso enigmático, faça cara de conteúdo. O único risco é que o tomem por gênio.

INADIMPLÊNCIA
Aqui se faz. Aqui se paga. Quando sobra dinheiro para pagar, claro.

APARÊNCIAS
Não bastava ser honesta. A mulher de César tinha que parecer honesta. Por aqui, infelizmente, a maioria dos nossos "representantes" não parece honesta. Nem é.

SÁBIOS
Defuntos dispensam choros, velas, flores e caixão de qualidade superior. Não estão nem aí com essas coisas mundanas.

SE FOR VERDADE
Tudo bem, tudo bem. Só os incautos levam a sério falação de político. De qualquer forma, nunca é demais lembrar que muitos deles batem no peito e dizem em alto e bom som: "O Congresso é a cara do povo". Se isso for verdade, a conclusão é inescapável: Somos uma m...

PRÉ-CONDIÇÕES
Para viver no Brasil, não basta ter nervos de aço e paciência de Jó. É preciso ter um saco imenso.

MENINAS: REAJAM
As mulheres são desunidas. Se unidas fossem, já teriam dado um chega pra lá nos homens que pintam os cabelos de acaju.

NUVENS
Minha fé é miúda. Já lhes disse isso. Não me orgulho disso. Mas hoje estou meio feliz. Só meio. Logo cedo, as nuvens desenharam um coração. Acreditei. Precisava acreditar.

LETALIDADE
Ora, dificuldades não matam ninguém. Mas a falta de perspectiva é cicuta na veia.

Orlando Silveira
Junho de 2018


sexta-feira, 15 de junho de 2018

IMAGENS: BASQUIAT (JEAN-MICHEL)



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O norte-americano Jean-Michel Basquiat (1960, Nova York – 1988, Nova York) era de origem porto-riquenha. Precoce, ao completar três anos de idade Jean já traçava caricaturas e copiava figuras que então povoavam os desenhos que ele gostava de assistir na TV. Ele se torna famoso, inicialmente, por seus grafites, na sua própria terra natal, depois se destaca como artista neo-expressionista.

 

O artista se tornou célebre em 1980, quando integrou uma mostra coletiva – The Times Square Show - financiada por uma empresa denominada ‘Colab’. Um ano depois, sua trajetória profissional foi alavancada mundialmente de uma vez por todas, graças a uma crítica positiva escrita por René Ricard, um nome de grande destaque nos meios culturais da época.

 

1982 foi um ano decisivo em sua vida, pois ele passou a circular nos circuitos artísticos ao lado de ‘experts’ como Julian Schnabel, David Salle e outros tantos curadores, colecionadores de arte e estudiosos desta área, vistos na época como adeptos do ‘neo-expressionismo’. Nesta mesma época ele se envolveu afetivamente com a então anônima Madonna, e travou contato com o artista pop Andy Warhol, com o qual Jean estabeleceu fecunda parceria profissional.

 

Em 1984, porém, Jean estava completamente viciado em heroína e os companheiros se preocupavam com seu destino. Mesmo assim, no dia 10 de fevereiro de 1985 o artista tornou-se capa do célebre The New York Times, o que lhe rendeu mostras internacionais nas mais conhecidas capitais da Europa.

 

Jean morreu de overdose em 1988, no próprio estúdio. Sua vida foi levada às telas postumamente, sob a direção de seu amigo Schnabel, protagonizado por Jeffrey Wright. Suas obras ainda causam profunda impressão em artistas contemporâneos e, não raro, são negociadas em leilões de arte por preços muito elevados.

 


Fonte: INFOESCOLA - Por Ana Lucia Santana



quinta-feira, 14 de junho de 2018

HORA DA VITROLA: RAUL SEIXAS (TENTE OUTRA VEZ)




TENTE OUTRA VEZ
De Raul Seixas e Paulo Coelho
Com Raul Seixas



Veja!
Não diga que a canção
Está perdida
Tenha fé em Deus
Tenha fé na vida
Tente outra vez!

Beba! (Beba!)
Pois a água viva
Ainda tá na fonte
(Tente outra vez!)
Você tem dois pés
Para cruzar a ponte
Nada acabou!
Não! Não! Não!

Oh! Oh! Oh! Oh!
Tente!
Levante sua mão sedenta
E recomece a andar
Não pense
Que a cabeça aguenta
Se você parar
Não! Não! Não!
Não! Não! Não!

Há uma voz que canta
Uma voz que dança
Uma voz que gira
(Gira!)
Bailando no ar
Uh! Uh! Uh!

Queira! (Queira!)
Basta ser sincero
E desejar profundo
Você será capaz
De sacudir o mundo
Vai!
Tente outra vez!
Humrum!

Tente! (Tente!)
E não diga
Que a vitória está perdida
Se é de batalhas

Que se vive a vida

LÍNGUA AFIADA: CHURCHILL


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O sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder o entusiasmo.

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A maior lição da vida é a de que, às vezes, até os tolos têm razão.



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Se Hitler invadisse o Inferno, eu cogitaria de uma aliança com o Demônio.



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Os homens tropeçam por vezes na verdade, 

mas a maior parte torna a levantar-se e continua depressa o seu caminho, 

como se nada tivesse acontecido.


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Nunca, no campo dos conflitos humanos, tantos deveram tanto a tão poucos.



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Eu já tirei mais do álcool do que o álcool tirou de mim.



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Gosto de porcos. Os cães olham-nos de baixo, 

os gatos de cima.

Os porcos olham-nos de igual para igual.

***

Uma mulher me fez começar a beber... 

e jamais tive a oportunidade de agradecer-lhe por isto.



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Eu me contento facilmente com o melhor.


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Winston Churchill (1874-1965) foi um político britânico.
 Foi ministro da Guerra e da Aeronáutica e primeiro-ministro inglês. 
Foi também jornalista e escritor. 
Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura 
e a cidadania honorária dos Estados Unidos.


IMAGENS: ALEXANDRE FILHO



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Manuel Alexandre Filho (Bananeiras PB 1932). Pintor. Trabalha na lavoura até os 17 anos, não chegando a concluir o curso primário. Depois, como servente, caixeiro e operário. Muda-se para o Rio de Janeiro, onde começa a pintar autodidaticamente por volta de 1964. Começa a expor em 1968, no Rio de Janeiro. Alcança reconhecimento internacional, expondo em Paris, Madri e Lisboa. Em 1968 participa do Festival de Arte Negra, na Nigéria. Expõe também em Houston e Montevidéu. Anatole Jakovsky o inclui em seu livro Peintres Naifs em 1972 e Flávio de Aquino em Aspectos da Pintura Primitiva Brasileira em 1977. Nesse mesmo ano passa a figurar no Dicionário de Arte Brasileira de Roberto Pontual e no livro Provérbio de Pintores Naif de Max Furny. Por volta de 1975 volta a seu estado natal, residindo atualmente em Guarariba.

ARTE NAIF

O termo arte naïf aparece no vocabulário artístico, em geral, como sinônimo de arte ingênua, original e/ou instintiva, produzida por autodidatas que não têm formação culta no campo das artes. Nesse sentido, a expressão se confunde frequentemente com arte popular, arte primitiva e art brüt, por tentar descrever modos expressivos autênticos, originários da subjetividade e da imaginação criadora de pessoas estranhas à tradição e ao sistema artístico. A pintura naïf se caracteriza pela ausência das técnicas usuais de representação (uso científico da perspectiva, formas convencionais de composição e de utilização das cores) e pela visão ingênua do mundo. As cores brilhantes e alegres - fora dos padrões usuais -, a simplificação dos elementos decorativos, o gosto pela descrição minuciosa, a visão idealizada da natureza e a presença de elementos do universo onírico são alguns dos traços considerados típicos dessa modalidade artística.



Fontes


Texto: Enciclopédia Itaú Cultural

Imagens: Arquivo Google