segunda-feira, 15 de junho de 2015

QUASE HISTÓRIAS (XL)

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A ÉTICA DO CRUZ-CREDO (VII)

O Parlamento estava prestes a votar uma lei de grande impacto econômico-financeiro. Os “nobres” andavam assanhadíssimos, ante a possibilidade de auferir, digamos assim, ganho$ expressivo$ para aprovar a matéria.

-- Veja só: ia votar a favor do projeto, porque o considero importante. Mas ia votar de graça. Aí, descubro que há vários parlamentares levando grana. Agora, também quero minha parte. Estou errado? – quis saber Sua Excelência do assessor.

-- Por que você não denuncia o esquema?

-- Ficou louco? Eu me queimo na Casa e fico sem o dinheiro.


A ÉTICA DO CRUZ-CREDO (VIII)

-- Cara: vamos embora pra Brasília. Você é um baita profissional, vai estourar por lá. Sei do trabalho que você fez cobrindo a Câmara Municipal. Os vereadores viviam se perguntando: “O que será que ele vai aprontar agora”? Você é sério, trabalhador, baita repórter, não tem o rabo preso com ninguém. Vai estourar também na cobertura do Congresso. Já falei de você para o editor. Está tudo acertado.

-- Não dá, não dá, não. O salário é baixo, igual o daqui. Lá, vou ter que pagar aluguel, é tudo mais caro. Por aqui, faço uns textos extras, pra complementar a renda.

-- Bobagem. Você pensa pequeno. Em pouco tempo, lhe arrumam uma sinecura no Congresso. Ou num ministério.

-- Ora, você acabou de dizer que fiz um bom trabalho como repórter porque nunca tive rabo preso com ninguém... Não dá pra ser repórter de política e assessor de político ao mesmo tempo.

-- É uma pena. Mas é você quem sabe. Está jogando fora baita oportunidade, de se projetar e ganhar muito dinheiro. Caramba, não dá pra ser Caxias em tempo integral. A gente precisa pensar no futuro.



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