terça-feira, 23 de junho de 2015

NÚBIA NONATO

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DE MENINOS

"Bente que bente é o frade
na boca do forno, forno!
Tudo que o mestre mandar
fazeremos todos"! E se não
fizer? Ganharemos bolo!"

E assim eu cantava o refrão repetindo da
mesma forma que meus colegas, ninguém
nunca nos corrigiu e a diversão era garantida!
Vinha criança de tudo quanto era toca, coelhos
perdiam pra gente.

Triste mesmo era quando chovia pingado e a
molecada ficava trancafiada.

Televisão moço? Tinha não, quer dizer, ela ficava
de enfeite lá num canto, nossa luz foi cortada por
falta de pagamento, já viu né, cabeça de criança
não tem pausa e as idéias fluíam, corrida de gongolo
arremesso de papel higiênico molhado, o teto ficava
lindo.

Infelizmente nossa imaginação e a paciência de minha
mãe não estavam em harmonia.


Núbia Nonato
NÚBIA NONATO


Bom mesmo eram os domingos, de vez em quando
aparecia uma minguada mortadela, iguaria gente!

O almoço era de estalar a língua, galinha ao molho
pardo e macarrão, de salivar.

Sobremesa era mais complicado, mas nada que o
quintal do turco não pudesse fornecer.

A tardinha a gente se apertava para ouvir um programa
no rádio, algo que falava sobre fatos sobrenaturais, era
um dos raros momentos de silêncio.

A noite chegava trazendo o breu pra dentro de casa, pena
que as estrelas ficavam lá fora...




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