terça-feira, 15 de novembro de 2016

SAPATO DE NOIVA

Cortar a gravata do noivo  já não basta
Mafalda estava mais amuada que zagueiro na hora do gol contra, diria Belchior.  Se pudesse, ela enforcava o Velho Marinheiro, nosso Lobo do Mar:

-- Que papelão!

-- Papelão o demônio! – retrucou nosso caçador de bicho do pé inexistente. Quer dizer que o esfolado tem culpa de ser esfolado? Não me faltava mais nada.

-- Quem mandou você ir ao casamento?

-- Você. Quem seria? Só obedeço você.

-- E precisava ser malcriado, falar tudo aquilo, poucas e boas? Homem sem modos.

-- E o que lhes disse que eles não precisassem ouvir?

-- Nem repito. Sou educada.

-- A gente compra terno, a mulher compra vestido, dá presente, paga estacionamento e um pedacinho de gravata. Pra comer salgadinhos vagabundos e tomar chope quente.

-- Quem mandou ir?

-- Você. Já lhe disse. Agora, nem me assusto com a noiva e amigas virem com um pé de sapato na bandeja, a tomar dinheiro miúdo das convidadas. Roubam dos dois lados: noivo e noiva: um com a gravata do tio; outra com sapatinho da vizinha. Vão se ferrar.  A desgraça é que colocam adesivo em quem contribuiu. E expõe os demais à miséria. São ridículos. 

(setembro/2013)

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"Durante doze anos, vereador Inácio não perdeu uma chance sequer de provar
– e comprovar – sua inutilidade como homem público. Deu no que deu: 
às vésperas da eleição, levou uma sapatada verbal do Velho Marinheiro. 
Foi a pá de cal na sua candidatura..." 
Por Orlando Silveira
http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/2016/11/pa-de-cal-na-candidatura-do-doutor.html#comment-form

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