sexta-feira, 18 de novembro de 2016

POLÍTICA/OPINIÃO: JOSIAS DE SOUZA


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CASAL TERNURA: ELA, IMPICHADA; ELE, PRESO (*)



DILMA DIZ QUE CABRAL
“JAMAIS FOI ALIADO”.
HEIM?

Dilma fez o que pôde para selar uma aliança com Cunha. 
Em troca do engavetamento do impeachment, 
prometia que os representantes do PT no Conselho de Ética
 da Câmara votariam contra a cassação do mandato do deputado. 
Mas o PT roeu a corda...

POR JOSIAS DE SOUZA
UOL – BLOG DO JOSIAS
18/11/2016 05:32

Um político nunca deve dizer uma mentira que não possa provar. Alheia a esse ensinamento, Dilma Rousseff flertou com a auto-desmoralização. Fez isso ao divulgar uma nota na qual sustenta que o agora presidiário Sérgio Cabral “jamais foi aliado”. O vídeo (https://youtu.be/aA8rxLVMJHo), gravado na campanha de 2010, mostra que a aliança que Dilma tenta negar foi construída ainda no governo Lula. A peça exibe os aliados num comício conjunto. Ela disputava a Presidência. Ele reivindicava a reeleição ao governo do Rio. Nessa época, Cabral trombeteava as UPPs, Unidades de Polícia Pacificadora — uma experiência que Dilma prometia reproduzir em âmbito nacional.

Afora esse vídeo, veiculado pela própria campanha de Cabral, o bom relacionamento político do cacique do PMDB fluminense com Dilma está fartamente documentado no noticiário. Em sua nota, Dilma escreve que, em 2014, Cabral fez campanha para o tucano Aécio Neves, seu principal adversário. Nesse ponto, madame pronuncia uma meia verdade. E privilegia exatamente a metade que é mentira.

O que houve em 2014 foi uma desavença entre o presidente do PMDB do Rio, deputado estadual Jorge Picciani, e a direção do PT. Por conta esse desentendimento, Picciani lançou uma opção de voto híbrida. Batizou-a de “Aezão”: para o Planalto, Aécio. Para o governo do Rio, Pezão. Cabral, com o prestígio já meio abalado por denúncias de corrupção, não chegou a encampar publicamente a ideia. Ao contrário, deu delcarações pró-Dilma.

Noutro trecho da nota. Dilma sustenta que Sérgio Cabral orientou seus liderados a votarem a favor do impeachment. Ai, ai, ai. Quem comandou a infantaria pró-impeachment foi outro cacique do PMDB do Rio: Eduardo Cunha, então presidente da Câmara. Àquela altura, Cabral fingia-se de morto para não ser notado pela Lava Jato. Era carta fora do baralho.

Dilma fez o que pôde para selar uma aliança com Cunha. Em troca do engavetamento do impeachment, prometia que os representantes do PT no Conselho de Ética da Câmara votariam contra a cassação do mandato do deputado. Mas o PT roeu a corda. E Cunha colocou para andar o pedido de impedimento.

Numa tentativa de dividir o PMDB, Dilma aproximou-se do líder do partido na Câmara, deputado Leonardo Picciani (RJ). Logo ele! Filho de Jorge Picciani, aquele cacique que firmara acordo com Aécio no Rio, o neo-aliado de Dilma fizera campanha de rua ao lado do presidenciável tucano.

Dilma deu de ombros. E ainda ofereceu a Leonardo Picciani a primazia na indicação de um correligionário para o prestigiado Ministério da Saúde. Foi ao Diário Oficial o nome do deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), um desafeto de Eduardo Cunha. Esforço inútil. O impeachment passou na Câmara. E foi ratificado no Senado. Hoje, Leonardo Picciani é ministro do Turismo de Michel Temer.

Em vez de mentir sobre Cabral, Dilma deveria desfrutar da experiência de contar a verdade sobre seu relacionamento com o PMDB do Rio. Nessa matéria, a verdade é muito mais incrível do que a ficção. É tão inacreditável que é difícil de inventar.

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