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SE O
CLUBE DOS INIMIGOS NÃO CRIAR JUIZO
E
VIRAR PARTIDO, O PSDB VAI MORRER DE SOBERBA
A
reação dos cardeais à façanha de João Doria
revela
que os tucanos jamais ganham uma eleição,
mesmo
quando o seu candidato é vitorioso
POR
AUGUSTO NUNES
11/10/2016,
às 15:47
A
reação dos cartolas do PT ao naufrágio nas urnas de São Paulo confirmou que o
partido nunca perde uma eleição, mesmo quando o seu candidato é derrotado.
Ainda grogue com o tremendo nocaute imposto por João Doria, Fernando Haddad foi
carregado nos ombros pelos chefões que lançaram a candidatura a governador do
campeão moral que só não chegou ao segundo mandato porque o fiasco de 2 de
outubro chegou primeiro. O prefeito não perdeu, concordaram colunistas
diplomados pelo Instituto Lula. O povo é que perdeu a chance de reeleger o
moderníssimo parteiro de ciclovias.
A
reação dos cardeais do PSDB ao estrondoso triunfo na capital paulista reafirmou
que o partido jamais ganha uma eleição, mesmo quando seu candidato é vitorioso.
Divididos em três grupos que orbitam em torno de líderes cuja meta primeira e
única é chegar à Presidência da República, os tucanos viram no resultado sem
precedentes não uma conquista da espécie inteira, mas apenas da subespécie que
habita os domínios do governador Geraldo Alckmin, padrinho da candidatura de
João Doria. Saíram perdendo, portanto, os dois terços que povoam territórios
administrados pelo senador Aécio Neves e pelo ministro José Serra.
Sempre
tão gentis com adversários que os tratam a socos e pontapés, exemplarmente
dóceis na lida como os reais antagonistas, os figurões do PSDB só exibem a face
beligerante em tiroteios domésticos. Em vez de celebrarem abraçados o triunfo
no primeiro turno, em vez de festejarem a derrocada do PT no meio da multidão
eufórica, os generais desavindos e seus oficiais graduados deixaram claro que,
quanto maior é a vitória de um candidato tucano, mais desunido fica o partido.
Alguns figurões do PSDB, como fizeram adversários como Haddad, cumprimentaram o
prefeito eleito por telefone. Outros, nem isso.
“Nas
campanhas presidenciais, enquanto Lula e Dilma
faziam
o diabo, os tucanos tiravam para dançar um minueto
a dupla que só sabe capoeira”
O
chanceler José Serra, por exemplo, declarou-se tão ocupado com a agenda que
cumpria no Paraguai que, no dia seguinte ao da eleição, ainda não sabia direito
o que acontecera no domingo. Ignorava até a extraordinária proeza do seu
partido na capital paulista?, espantaram-se os jornalistas. Nâo achava que
Doria merecia ao menos uma ligação telefônica? “Muitos tucanos, muita gente do
PSDB deve ter ido para o segundo turno ou ganhado”, desconversou Serra.
Os
cardeais amuados deveriam usar o tempo que desperdiçam com picuinhas num exame
acurado das causas do desempenho de João Doria. Em menos de 30 dias, o
candidato atraiu a atenção, depois a simpatia e finalmente o apoio militante da
imensa parcela do eleitorado farta da conversa fiada, das safadezas da velha
política, do cinismo gatuno do PT e da pusilanimidade da oposição oficial. De
2002 a 2014, durante as campanhas presidenciais, os tucanos trataram com
mesuras e rapapés o farsante que pariu a Era da Canalhice e a nulidade que a
prolongou. Enquanto Lula e Dilma faziam o diabo, os tucanos tiravam para dançar
um minueto a dupla que só sabe capoeira.
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| AUGUSTO NUNES É JORNALISTA/ INTERNET |
Doria
venceu também por ter feito o contrário. Apoiou desde sempre o impeachment de
Dilma ─ que o PSDB só encampou quando o caminhão de mudança já estacionara no
Palácio da Alvorada. Sem desandar na grosseria, não deixou sem revide nenhum
golpe dos adversários. Escancarou o tempo todo a roubalheira na Petrobras, as
origens da crise econômica e outros destaques da herança maldita. Ao sair de
casa para votar, Lula teve a má ideia de investir contra “um aventureiro que
ninguém sabia de onde vinha”. Doria prometeu visitar em Curitiba o freguês da
Lava Jato, que preferiu mudar de assunto.
“Como
eu disse ao Dória antes das eleições, é certo que o apoio dos políticos conta
muito para armar as candidaturas, mas para a vitória conta o desempenho”,
constatou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Ganhar no primeiro turno
é sempre uma vitória pessoal, embora beneficie o partido”. Os demais tucanos
devem refletir sobre isso e assimilarem as mudanças ocorridas no Brasil da Lava
Jato. Só assim conseguirão sintonizar-se com os milhões de insatisfeitos à
procura de siglas e personagens que os representem.
Se
o clube dos inimigos íntimos não aproveitar a chance de transformar-se num
partido de verdade, o PSDB terá vida curta. Vai morrer de soberba.


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