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ENTRE
O FIM DO MUNDO
E O
QUE O PT CHAMA DE
“EMENDA
DO FIM DO MUNDO”
Por
Ricardo Noblat
Em 12/10/16
- 05h05
No
último fim de semana mais de 27 mil
habitantes da província argentina de Mendonza enfrentaram um engarrafamento de
cerca de 7.500 carros para vencer a
passagem Los Libertadores, o longo túnel que atravessa a Cordilheira dos Andes
e que separa Mendonza do Chile.
De
um bom tempo para cá tem sido assim todo fim de semana. O que antes se fazia em
30 minutos agora se faz em até oito
horas. Feitas as contas, vale a pena. Os preços do outro lado da fronteira
são incrivelmente mais baixos do que os pagos pelos argentinos em seu país.
Roupas,
produtos eletrônicos e utensílios domésticos, segundo o jornal espanhol El País, chegam a custar do lado chileno
três vezes menos. O Chile vai bem,
obrigado. A Argentina tenta se recuperar do desastre econômico produzido pelo
governo de Cristina Kirchner.
Isso
lembra alguma coisa por aqui?
Vez
por outra, o governo Maduro permite que venezuelanos possam ir às compras na
Colômbia. Eles atravessam a pé a fronteira entre os dois países. A situação
econômica da Colômbia é estável. A da Venezuela, um inferno.
E
não se trata de um país qualquer, mas de um dos maiores produtores de petróleo
do mundo. E a Venezuela não quebrou por que o preço do petróleo caiu. Foi a
condução da economia por Hugo Chávez e por seu sucessor que levou o país à
falência.
A
inflação naquelas bandas é das mais altas do mundo. A miséria extrema, que
Chávez prometera acabar antes do fim do seu primeiro governo, aumentou deste
então. Em agosto último, o secretário-geral da ONU ofereceu ajuda à Venezuela.
Maduro recusou.
Pouco
antes da queda da ex-presidente Dilma Rousseff, seu então ministro da Fazenda,
Nelson Barbosa, defendeu mais uma vez um duro ajuste fiscal e falou em
estabelecer um teto para os gastos do governo.
Não
sei se Dilma bancaria a ideia de Barbosa caso não tivesse sido deposta. Só sei
de duas coisas: que a proposta de Barbosa era parecida com a proposta da emenda
aprovada, anteontem, em primeira votação pela Câmara dos Deputados. E que por
falta de apoio político, Dilma dificilmente conseguiria que o Congresso a
aprovasse.
Ao
se eleger presidente pela primeira vez, Lula teve a sabedoria de não querer
reinventar a roda na economia. Governou como Fernando Henrique Cardoso havia
governado. Aproveitou os bons ventos que sopravam no exterior para socorrer os
mais pobres. Esse foi seu maior mérito. Depois cedeu aos conselhos de Dilma e o
mais é história conhecida.
Não
existe gestão econômica de direita e gestão econômica de esquerda. Existe uma
boa ou uma má gestão. Sob pena de aumentar a pobreza via inflação e juros
altos, governos não podem gastar além do que arrecadam. O que os ricos perdem
com a inflação compensam com os juros altos. Os pobres só perdem.
Os
governos do PT gastaram muito além do que podiam – e o pior: gastaram mal. O
que o PT chama hoje de “emenda do fim do mundo” parece ser a única maneira de
evitar o fim do mundo.

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