quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

MANHAS E ARTIMANHAS DA POLÍTICA (3/3)


TANCREDO NEVES


SEGREDO

Um eleitor de São João del-Rei procurou Tancredo aflito:

— Dr. Tancredo, vou contar um segredo ao senhor. Mas é só para o senhor.

— Não conte, não, meu filho. Se você, que é o dono do segredo, não é capaz de guardá-lo, imagine eu.

(Fonte: “Folclore Político”, de Sebastião Nery.)

***

VAIAS E APLAUSOS

Franco Montoro, Tancredo Neves e Leonel Brizola estavam almoçando no Palácio dos Bandeirantes, quando a multidão de desempregados chegou gritando slogans, derrubando grades e exigindo falar com o governador. Montoro levantou-se tenso, pálido, o rosto crispado:

— Vou lá falar com o povo. Vamos os três?

Brizola, discretamente, discordou:

— Se formos os três, pode ficar parecendo que você não quis ir só. E São Paulo está querendo é a palavra de seu governador e não a presença de visitantes.
Tancredo sorriu:

— Está bem. Concordo. Mas se o povo estivesse lá fora batendo palmas e dando vivas, iríamos os três, não?

Montoro foi, falou, depois contou.

(Fonte: “Folclore Político”, de Sebastião Nery.)

***

TROTE INVERTIDO

Com muita frequência, o próprio doutor Tancredo recebia ou fazia pessoalmente seus telefonemas. Surpreendia seus auxiliares e colocava em pânico as secretárias. Num domingo, uma repórter muito esperta, com quem ele não podia falar, ligou para o Palácio das Mangabeiras e ouviu algo bem característico dele, marca registrada:

— Aaaalôô!

— Alô! Oh, governador, já é o senhor? Desculpe-me! Aqui é a ...

Ele reconheceu a voz e a interrompeu:

— Desculpe, dona, mas aqui é o porteiro. O governador saiu.

— Mas a sua voz é igualzinha à do doutor Tancredo! Tem certeza de que não é mesmo o governador?

— Infelizmente, tenho, minha filha. Mas quem sabe um dia chego lá?

(Fonte: “Tancredo Vivo – Casos e Acaso”, de Ronaldo Costa Couto.)


(outubro/2014)


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