quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

CLÓVIS CAMPÊLO

TONY CURTIS NO RECIFE



 A história já nos havia sido contada nos anos 90, a mim e ao poeta José Rodrigues Correia Filho, por Mário Lanza, na Praça do Sebo. Evidentemente que não se tratava do tenor americano, que na verdade se chamava Alfred Arnold Cocozza, mas de um recifense seu fiel admirador e possuidor de um acervo fabuloso sobre ele, adquirido no próprio sebo ao longo de vários anos de pesquisa.

Um dia de sábado, pela manhã, como sempre fazíamos naqueles tempos, ficamos sabendo, no Sebo, da morte de Lanza, o admirador. O seu acervo fabuloso nos interessava, principalmente ao poeta Rodrigues, colecionador compulsivo. Corremos para a praia da Boa Viagem, onde ele morava no Edifício Holliday. Chegamos tarde. Alguém mais apressado do que nós já havia adquirido a coleção, vendida por um dos seus filhos. Como dizia Liêdo Maranhão, os maiores inimigos de um acervo arduamente construído ao longo de uma vida, não são as traças. Mas sim a família do falecido, quando não se identifica com tudo aquilo.

Mas, deixando a digressão de lado e voltando ao nosso assunto principal, através de Lanza, naquele dia, tomamos conhecimento da visita que o ator americano Tony Curtis e sua esposa na época, a atriz Janet Leigh, fizeram ao Recife, em 1961. Segundo o nosso interlocutor, os dois, de mãos dadas, atravessaram a ponte Duarte Coelho, no centro da cidade, posando para fotografias.

No entanto, segundo a fotografia publicada no Diario de Pernambuco do dia 26 de setembro de 1961, acompanhados por amigos e familiares, os atores teriam passeado pela cidade em uma caminhonete escoltada por guardas da Delegacia de Trânsito, antes de seguirem viagem áerea.

CLÓVIS CAMPÊLO


Uma outra versão, consta no livro Estudo de Cinema Socine, segunda a qual, os atores, acompanhados das filhas Kelly e James Lee Curtis, com apenas dois anos, passearam pela cidade por conta de uma parada no Recife do navio em que viajavam. Ainda segundo o livro, os repórteres Fernando Spencer e Selênio Homem de Siqueira acompanharam o casal nas visitas em que fizeram a vários pontos turísticos recifenses, finalizado com um passeio descontraído de Janet e das filha pelas areias mornas da praia da Boa Viagem.

Segundo a fotografia em preto e branco publicada pelo Diario de Pernambuco, como era comum na época, Tony Curtis trajava calça branca e um paletó pardo, além de sapatos e cinto pretos. Janet, bem descontraída, uma sandália escura aberta, pulseiras, um vestido também pardo e uma bolsa branca. Ambos se mostraram simpáticos e solícitos. Os dois guardas da Delegacia de Trânsito, como não poderia deixar de ser, vestiam seus trajes de gala, o que nos leva a supor que a visita fora previamente anunciada.

Tony Curtis morreu em Las Vegas, em 29 de setembro de 2010. Janet Leigh, em 3 de outubro de 2004. O repórter Fernando Spencer, que depois se transformaria em um dos destaques do ciclo do cinema super-8 no Recife, também já faleceu. Selênio Homem de Siqueira faleceu no Recife, no ano passado.

Assim, a história mesmo confirmada por mais de uma fonte, faz parte do passado glorioso da cidade do Recife.

Recife, fevereiro 2016


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