quarta-feira, 12 de outubro de 2016

QUASE HISTÓRIAS

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QUEM PROCURA...

De Coutinho todos procuravam fugir: no bar do Carneiro, no trabalho, nas raras festas de família para as quais era convidado. Coutinho era um chato incurável, de uma inconveniência avassaladora. Queria saber quanto Fulano ganhava, quanto Beltrano pagara pelo carro novo, se a mulher de Sicrano casara virgem. Passava o dia na porta do prédio em que morava, para acompanhar o entra e sai dos vizinhos. Não raro, quando alguém chegava com uma sacola nas mãos, ele perguntava:

-- O que temos de bom aí?

Justamente por isso, causava estranheza o fato de Donato – só ele, mais ninguém – ter tanta paciência com Coutinho.

Certo dia, Donato esqueceu o celular na mesa do bar. Coutinho não se fez de rogado: pegou a aparelho do amigo, acessou a lista de contatos e a de mensagens. Depois, partiu para as fotos. Ficou excitado quando se deparou com a imagem de uma mulherona seminua. A excitação cresceu – e muito – quando a viu pelada, em poses pornográficas. Aquele corpão violão não lhe era de todo estranho. Quem seria a beldade? Descobriu logo em seguida. A beldade era Maria Rita, sua mulher.

Coutinho pensou - em alto e bom som - palavrão cabeludo. Mas não teve tempo de gritá-lo. Um infarto fulminante levou sua bisbilhotice sabe-se lá pra onde. De volta ao bar, Donato chamou o SAMU, tirou o celular das mãos do morto e apagou as fotos. A partir daquele instante, Maria Rita era mulher desimpedida - o que, segundo ele, deveria melhorar ainda mais o desempenho dela.


BOLA CANTADA

 Filhos e filhas, noras e genros, netos e netas, todos ali, aflitos, queriam saber de seu João, 8.4:

-- E o que o médico lhe disse, afinal?

-- O que eu já sabia: que da cintura pra cima, tirando a catarata, está tudo bem. (OS)


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