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SUGESTÃO DE NOME PARA A PRESIDÊNCIA DO PT
Olívio tachou de “legítima, consciente e necessária” a reação do
eleitorado. ''O PT tem de levar uma lambada forte mesmo porque errou, e errou
seriamente''
Por Josias de Souza
09/10/2016 05:15
Ninguém deveria se meter na vida do PT — ou na morte,
considerando-se o comportamento suicida da legenda. O petismo não lida muito
bem com avisos. Mal conduzida, uma tentativa de chamar a atenção do partido
pode agravar a situação, reforçando seus impulsos autodestrutivos. Mas já que
nenhum petista parece disposto a ajudar, o repórter oferecerá uma sugestão de
nome para ocupar a presidência do PT, no lugar de Rui Falcão, o ruinoso.
Eis o melhor nome: Luiz Inácio Lula da Silva. Aquele líder sindical
da década de 80, estalando de pureza moral, respeitado até pelos adversários,
poupado pela imprensa. Esse Lula com cheiro de ABC paulista seria uma
referência em meio à falência da política tradicional. Impossível imaginá-lo
fechando acordos com Sarneys e Renans ou desfrutando de confortos pouco
assépticos, fora dos limites do contracheque.
O grande problema do PT será descobrir o paradeiro de Lula. Como se
sabe, o personagem desapareceu misteriosamente nos idos de 2003. Seu sumiço
interrompeu uma carreira política promissora. Nunca mais foi visto. Mas não custa
procurar. Se ficar comprovado que o Lula da década de 80 morreu, como parece
provável, ainda restará pelo menos uma alternativa para o PT. Chama-se Olívio
Dutra.
Como Lula, Olívio é fundador do PT. Cultiva os mesmos valores. Com
uma diferença: jamais desapareceu. Ao contrário, reaparece nos momentos mais
incômodos. Como no domingo passado, dia em que o eleitor rosnou para o PT.
Ao comentar a situação da legenda numa entrevista radiofônica,
Olívio declarou coisas assim: ''Não adianta dizer que a culpa é do Judiciário,
do adversário, da grande mídia. Existem erros graves pelos quais as pessoas
estão sendo julgadas e algumas até presas.''
Olívio tachou de “legítima, consciente e necessária” a reação do
eleitorado. ''O PT tem de levar uma lambada forte mesmo porque errou, e errou
seriamente.'' Não cogita deixar o partido. Enxerga espaço para “retomar o
caminho certo.” Como? ''Evidente que tem de ter conteúdo e prática muito
diferentes desses conteúdos e práticas dos discursos dessa maioria que está
dirigindo o partido.''
Tomado pelas palavras, Olívio lembra muito aquele Lula dos idos de
80. Distribuindo lambadas, poderia se converter num bom recomeço.

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