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| FOTO: SEBASTIÃO SALGADO |
A ÁFRICA PARA OS BRASILEIROS
A Exergia, empresa energética do sobrinho, foi criada,
segundo a Polícia Federal, apenas para receber e destinar
corretamente os pixulecos da Odebrecht
Por Carlos Brickmann
Por longos e tristes anos, empresários brasileiros mantiveram
lucrativos negócios na África, que só cessaram com o fim da escravidão.
Passam-se os tempos e os bons negócios voltam — para alguns brasileiros, para
alguns africanos. Até um bom dinheirinho na conta de Eduardo Cunha, lembra-se?
foi atribuído à venda de carne moída brasileira, enlatada, para a África.
O Quadrilhão, por enquanto o principal processo da Lava Jato, que
envolve Lula, o sobrinho de sua primeira esposa, e a Odebrecht, tem tudo a ver
com a África — exceto o dinheiro, que passa por lá e volta para os bolsos já
preparados para recebê-lo (e distribuí-lo). A Exergia, empresa energética do
sobrinho, foi criada, segundo a Polícia Federal, apenas para receber e destinar
corretamente os pixulecos da Odebrecht. O sobrinho tinha metade de uma empresa
de fechamento de varandas. Criou a Exergia, que firmou 16 contratos com a Odebrecht, financiados pelo BNDES. E sua vida
mudou: viagens, jatinhos, gastos exuberantes, contatos com estadistas.
Um desses estadistas é o presidente de Angola, José Eduardo dos
Santos. Seu país é rico, tem petróleo e diamantes; seu povo é pobre, vivendo
com cerca de R$ 7 por dia; sua filha
é a mulher mais rica da África. E deste relacionamento, diz a investigação, R$ 31 milhões sobram para o sobrinho do
homem. Acompanhe o julgamento do Quadrilhão, que pode levar à prisão um
ex-presidente e líder popular. Mas tem muito mais.
O caminho das
pedras
Os diamantes, pedras pequenas e valiosas, fáceis de esconder, sempre
foram as favoritas de quem quer contrabandear dinheiro. E consta que Angola,
ainda bem relacionada com Portugal, seu ex-colonizador, e com países como Cuba,
faz parte do ciclo de movimentação de valores. Se depósitos bancários são
monitorados e arrestados, dinheiro embutido em financiamentos internacionais
circula com muito mais segurança e garantia.
O Banco Espírito Santo baseou suas operações no triângulo África,
Brasil, Espanha; mas cometeu uma série de irregularidades graves. Na mesma
época, uma senhora que costumava viajar no avião presidencial brasileiro sem
constar na lista de passageiros foi várias vezes à África, e daí a Portugal.
Rumores, até hoje não comprovados, citavam a entrega de pacotes e caixotes,
talvez lembranças, a funcionários do banco.
E dizia-se que qualquer problema no Espírito Santo se refletiria no
pai e no filho.
Registrado
Todas as histórias estão narradas no relatório da CPI do BNDES. Veja
tudinho em “Como Lula operou na África”, de Cláudio Júlio Tognolli. É grande,
mas fascinante. Compensa ler.
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| TIO E SOBRINHO |
Golpe. Na praça
Atenção, turma do não vai ter golpe: teve golpe, sim. Pela segunda
vez em dois anos, o Tribunal de Contas da União rejeitou as contas de Dilma
Rousseff.
Considerando-se que o Parlamento foi criado para impedir que o
Estado dilapide o Tesouro, duas vezes em dois anos é muito golpe na praça.
O nosso é o deles
Como ninguém para de apregoar, o Governo está sem dinheiro. Que
fazer? Pois estão propondo no Congresso a criação de um fundo público de R$ 3 bilhões, com o nobre objetivo de
pagar, com nosso dinheiro, a campanha eleitoral de Suas Excelências. E ninguém
está regulando mixaria: além dos R$ 3
bilhões, continuará sendo pago, sempre com dinheiro público, o Fundo
Partidário, que, com R$ 724 milhões,
tem a nobre missão de pagar o funcionamento de nossas dezenas de partidos.
O problema que se pretende resolver com nosso dinheiro é a proibição
das doações de empresas. Mas o problema, pelo jeito, não é tão grande:
resolve-se recorrendo ao bolso de cidadãos já sufocados por tanto imposto.
Pense no
impensável
Militantes petistas que seguem a orientação do ex-governador gaúcho
Tarso Genro há algum tempo fazem críticas ao comando do partido e até mesmo a
Lula. Jamais pensaram, porém, em afastar Lula, seu sumo-sacerdote.
Mas uma derrota como esta faz com que muita gente pense no
impensável. À derrota se soma a demissão de 50 mil petistas hoje em cargos
comissionados (nomeados sem concurso), e que terão agora de procurar emprego
como cidadãos comuns, gente como a gente. Mais grave: a queda da receita do
dízimo (cada petista comissionado se obriga a dar ao partido 10% de seus
vencimentos). Pior ainda: a Lava Jato cria uma série de riscos a outra
importante fonte de rendas, a propina para o partido.
Em casa onde falta pão, todo mundo briga e todos se sentem com razão.
Estrela apagada
Em São Bernardo, berço político de Lula e do PT, o segundo turno
será disputado entre PSDB e Alex Manente. Ambos rejeitam o apoio do PT e do
prefeito Luiz Marinho.
Ambos sabem o peso de um prefeito mal sucedido.


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