sábado, 8 de outubro de 2016

POLÍTICA/OPINIÃO: RICARDO BOECHAT


SPONHOLZ



TODOS NA MIRA

Por Ricardo Boechat
Isto É Digital – 07/10/16 - 18h22

A versão de que a Lava Jato é um complô destinado a bloquear o caminho de Lula de volta ao Planalto e a destruir o PT tem sido repetida à exaustão por diversos críticos desde as revelações iniciais do saque organizado por políticos e empresários contra a Petrobras e outros tesouros da República.

A notoriedade e quantidade de petistas alcançados já nas primeiras investigações reforçaram a teoria conspiratória, gerando o mantra da vitimização entoado dia e noite, até hoje, pelo ex-presidente e seus aliados. Na quinta-feira, 6, a Matemática transformou em pó esse discurso. Acolhendo pedido da Procuradoria-Geral da República, o relator da Lava Jato no Supremo, Teori Zavaski, dividiu em quatro o “inquérito mãe” que deu origem à Operação, em junho de 2013.

O fatiamento agrupou em núcleos próprios quadrilhas que o juiz Sérgio Moro entregou ao STF, por incluírem políticos que gozam de foro privilegiado. O que se viu nessa lista fragmentada foi a presença do PT com 13 nomes, frente a 30 do PP e 24 do PMDB (15 na Câmara e 9 no Senado).

Inspirados pela lógica petista e diante da liderança de seus pares nas garras da Justiça, certamente agora surgirão indignados pronunciamentos de chefões do PP e do PMDB, como os investigados senadores Ciro Nogueira (PI) e Renan Calheiros (AL), denunciando suposta motivação fraudulenta da Força Tarefa de Curitiba, para macular a honra e os sonhos das duas legendas…

Reações como essa talvez surpreendam pouca gente. Afinal, tem sido rotina na classe política, em declarações e ações, tentativas de enfraquecer e bloquear a Lava Jato. A taxa de sucesso dessas manobras, até aqui, é próxima de zero; mas vale manter a vigília.

Lava Jato II
Vida nababesca

Enquanto seus inimigos colhem derrotas, a Lava Jato enfrenta críticas, até compreensíveis, de setores da sociedade que estranham as peculiaridades dos acordos celebrados pelos procuradores federais com réus confessos de gordas bandalheiras. Os três mais notórios criminosos condenados levam vidas de nababos em mansões à beira-mar ou na montanha, “suportando” apenas o convívio com tornozeleiras eletrônicas. Juntos, Nestor Cerveró, abrigado em Itaipava (RJ), Paulo Roberto Costa (Barra da Tijuca/RJ) e Sergio Machado (Praia do Futuro/CE) roubaram ou ajudaram a roubar mais de meio bilhão de reais da Petrobras, apropriando-se pessoalmente de boa parte do butim.

Lava Jato III
Gênio do crime

O que contaram sobre seus cúmplices no Congresso e nos governos certamente deve justificar tantas benesses – mas é preciso registrar que naquelas tribos, até agora, ninguém está atrás das grades. Para o contribuinte, o quadro é estranho. Especialmente quando ele sabe, pelo noticiário, que Machado (foto) estava na fila de um cinema em Fortaleza, na quarta-feira, 5. Livre, leve e solto, preparava-se para assistir ao filme “Gênios do crime”

Ricardo Boechat




Ricardo Boechat é apresentador do Jornal da Band
 e da rádio BandNews FM, colunista da revista ISTOÉ 
e ganhador de três prêmios Esso.


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