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| BOLSO VAZIO: OBRA DO PT E ALIADOS |
ESQUERDA E DIREITA INSISTEM NA TOLICE
DE QUE LAVA JATO DECIDIU COR DA ELEIÇÃO
Por Reinaldo Azevedo
UOL – 07/10/2016, às 02h00
É evidente que o PT e as esquerdas não esperavam sofrer uma derrota
na dimensão da que se viu no domingo. Noto que meus colegas
"progressistas" do colunismo se mostram soturnos. Estavam preparados
e treinados para apontar as conspirações do Michel Temer, da "mídia",
do capital e das elites de sempre, que estão dando sucessivos golpes desde
1954, como se sabe...
Só não contavam com a conspiração do povo. Aí já é demais! Já há
quem tangencie a crítica à velha "democracia burguesa", com seus
múltiplos instrumentos de dominação ideológica para induzir o povo a fazer
escolhas contrárias a seus interesses. Mais um pouco, será preciso resgatar dos
escombros "As Veias Abertas da
América Latina", "Para Ler
O Pato Donald" e "O
Capital: Conceitos Fundamentais".
Fico um tanto impressionado, para citar o que já é um clichê, que
não tenham aprendido nada nem esquecido nada. É bem verdade que o moralismo
tosco que volta e meia sopra lá de Curitiba – e o "moralismo" é o
túmulo da moral – induz muita gente ao erro. À direita e à esquerda, há quem
realmente considere que Dilma só caiu por causa da Lava Jato e que a sova
eleitoral sofrida pelo PT deve ser creditada na conta de Sérgio Moro e de
Deltan Dallagnol, os nossos candidatos, respectivamente, a Robespierre e Marat
do terror das Luzes.
“Sair do vermelho é muito mais do que punir algumas dezenas
de larápios que se apoderaram do Estado ou lhes aplicar
uma derrota eleitoral avassaladora. O povo votou com o bolso.
Já é hora de falar de um Evangelho”
A esquerda gosta de acreditar nessa bobagem porque isso reforça a
tese do complô e do golpe. Marilena Chaui, por exemplo, está convicta de que
Moro foi treinado nos EUA com o fito de ser a ponta de lança de um projeto que
busca destruir a soberania do Brasil nos séculos 21 e 22. Só isso. E certa
direita abobada vibra com a possibilidade de a política ser exercida numa
delegacia de polícia, onde, então, estaríamos mais seguros. Apoia as "Dez Medidas do MP" sem nem
saber o que elas escondem de bom e de ruim.
Cadê os nossos marxistas? Cadê os nossos liberais?
Será assim tão difícil concluir que povo próspero vota na
conservação do statu quo? Será assim
tão complicado constatar que a mistura de crise econômica com eleição resulta
em mudança – boa ou má? Ainda bem que é assim. É um sinal de que a população
não se deixou capturar passivamente pelo sofrimento, o que se traduziria em
conformismo e desesperança.
Infelizmente, isso a que as esquerdas chamam de "guinada à
direita" ainda não revela a afirmação de valores que eu classifico de
"conservadores" – conservadores, bem entendido, de instituições. Por
enquanto, estamos na fase puramente reativa. Nestes dias, a população apenas
acerta as suas contas com o PT, punindo-o pelo mal que fez a seu bolso, a seus
sonhos de futuro, a seus anseios de ascensão social.
| VEJA.ABRIL.COM.BR |
É preciso que o conservadorismo institucionalista entre para valer
na guerra de valores para que o país, com efeito, saia do vermelho. E não só na
propaganda.
Os partidos e forças que ajudaram a depor Dilma – em razão de seus
crimes, de suas escolhas e de seus deméritos – precisam deixar clara a
importância que teve o gigantismo estatal tanto na criação e consolidação da
organização criminosa como no desastre econômico a que nos conduziu o PT.
Sair do vermelho é muito mais do que punir algumas dezenas de
larápios que se apoderaram do Estado ou lhes aplicar uma derrota eleitoral
avassaladora. O povo votou com o bolso. Já é hora de falar de um Evangelho.

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