quinta-feira, 11 de setembro de 2014

CLÓVIS CAMPÊLO

BARBA, CABELO E BIGODE


CLÓVIS CAMPÊLO

Quem disse que trabalhador não vota em patrão? Fizemos isso a vida toda, movidos pelo ensinamento de que “eles” sempre estariam mais preparados. Era o tempo do voto inconsciente. Quanto mais agora, amigos, quando já temos a noção de que política partidária se faz com acordos e parcerias. Ou se está de um lado, ou se está do outro. E eu já escolhi, com certeza, de que lado eu quero estar.

Sei também que, para muitos candidatos, a necessidade da sobrevivência política muitas vezes os joga para um lado ou para o outro. Armando Monteiro Neto, por exemplo, iniciou-se como político no PSDB e hoje está no PTB, depois de passar pelo PMDB. Nessa sopinha de letras, cumpriu três mandatos de deputado federal e um de senador da República. Paralelamente, por quatro mandatos consecutivos, de 1992 a 2004, foi presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE) e, por dois mandatos, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ou seja, um homem preparado e consciente do desenvolvimento do país nas últimas décadas. O seu pai, Armando de Queirós Monteiro Filho, foi ministro da agricultura no governo João Goulart, nos anos 60. Foi parceiro político de Miguel Arraes de Alencar em várias eleições. Na época da ditadura, sempre integrou o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), onde se abrigaram todas as forças de resistência contra o regime militar. Para mim, existe um mínimo de coerência política nessa família de banqueiros e usineiros.

Além do mais, para mim, é essa a maneira mais lúcida de combater o candidato inventado por Eduardo Campos, antes de morrer. Fico pensando, inclusive, se ainda estivesse vivo, se o velho Arraes teria permitido ao neto aventurar-se por esse caminho. Além de saber fazer política Arraes sempre foi fiel aos parceiros escolhidos. Tanto é assim, que se recusou a trair o presidente João Goulart quando do golpe militar, em 1964, preferindo ser preso em Fernando de Noronha e deportado para a Argélia.

Ambicioso e personalista, o neto nunca teve essa visão maior, sufocando e mantendo sob controle e domínio as aspirações e pretensões de vários aliados importantes, entre eles Armando Monteiro Neto.

Assim, o meu voto será completo. Barba, cabelo e bigode. Dilma Roussef, para presidente; Armando Monteiro Neto, para governador; e João Paulo de Lima e Silva, o filho do cobrador de ônibus, para o senado. Pernambuco e o Brasil os merecem. Aceito sugestões, porém, para deputado federal e estadual. (Recife, setembro 2014)





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