quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

CLÓVIS CAMPÊLO: UM TEXTO, DUAS IMAGENS

O REFÉM

Escultura de Francisco Brennand
Fotografia de Clóvis Campêlo/2007


(Para Alberto da Cunha Melo)

Lembrava apenas do silêncio,
promessas nunca as fizera,
aquela luz era uma quimera,
sobre o escuro estava pênsil.

Não adiantaram os tratados,
angústias antes do mergulho,
o corpo agora era um entulho,
inteiro, mas dilacerado.

Sabia de todos os pecados,
lera-os em todos os livros,
compunham agora o seu crivo,
eternamente o seu legado.

Não adiantaram as palavras,
fazer-se cosmos, demiurgo,
restava-lhe agora o expurgo
resultante daquela lavra.


Recife, 2007

BARCOS NA BACIA DO PINA
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife/PE, 2009


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