terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

DOIS VELHINHOS

(cena um)

empilhandopalavras.blogspot.com -

-- Toma Viagra?
-- Não.
-- Bobalhão.
-- Bobalhão é você.
-- Por que, simpatia?
-- Bom palhaço sabe qual é a hora de recolher a lona.


(cena dois)

www.newsrondonia.com.br 

-- Amor: está chovendo.
-- Delícia.
-- Vamos deitar?
-- Claro. Já me banhei. Sou das antigas. Só vou pra cama de banho tomado. 
-- Então, vamos. Vá indo. Eu pego o radinho e as balas de coco.
-- Vamos nos divertir!
-- Claro. A gente merece.



IMAGENS: CLÓVIS CAMPÊLO

MENINOS DO MST




O CÍRCULO E O QUADRADO
Palmares/PE, 1996

Fotografia de Clóvis Campêlo



CARA A CARA



O ENIGMA
Recife, 1990
Fotografia de Clóvis Campêlo

NÚBIA NONATO

MEUS AMORES



Meus amores somam séculos
eternidades...
Amei Antônio que lavrava
a terra, o arado a lhe tirar
sangue das mãos que eu
beijava, roubava-lhe
um sorriso.
O tempo veio e o levou.
Amei José, com suas
mãos hábeis construiu
o nosso ninho.
Secava-lhe o suor do rosto
prometia-lhe com os olhos
sem me dar conta seu eco
se foi.
Amei Amim, sempre
envolto em seus tecidos
e penduricalhos esquecia-se
das moedas a tilintar,
meus olhos o prendiam
e assim se libertava.
Amei tantos que
perdi a conta, a eternidade
os aprisionou. As vezes
escapa-lhes um sorriso
um jeito de olhar,
e assim reconheço no
tempo, aqueles a quem
nunca deixei de amar.




segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

HORA DA VITROLA: NOEL ROSA/MARIA RITA

CONVERSA DE BOTEQUIM



Seu garçom, faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um guardanapo e um copo d'água bem gelada
Feche a porta da direita com muito cuidado
Que não estou disposto a ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol

Se você ficar limpando a mesa
Não me levanto nem pago a despesa
Vá pedir ao seu patrão
Uma caneta, um tinteiro
Um envelope e um cartão
Não se esqueça de me dar palitos
E um cigarro pra espantar mosquitos
Vá dizer ao charuteiro
Que me empreste umas revistas
Um isqueiro e um cinzeiro

Seu garçom, faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um guardanapo e um copo d'água bem gelada
Feche a porta da direita com muito cuidado
Que estou disposto a ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol

Telefone ao menos uma vez
Para três quatro, quatro, três, três, três
E ordene ao seu Osório
Que me mande um guarda-chuva
Aqui pro nosso escritório
Seu garçom me empresta algum dinheiro
Que eu deixei o meu com o bicheiro
Vá dizer ao seu gerente
Que pendure esta despesa
No cabide ali em frente

Seu garçom, faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um guardanapo e um copo d'água bem gelada
Feche a porta da direita com muito cuidado
Que não estou disposto a ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado

Qual foi o resultado do futebol

EDILEUZA, A DEVASSA


-- Querido: sem dramas, sem traumas, por favor. Você já foi (faz tempo) um gigante na cama. Não é mais (faz tempo). Nunca lhe neguei isso, neguei? Não tenho culpa se idade e doença jogaram seu pinto no chão. Do passado é que não vou viver.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

HORA DA VITROLA: PAULO VANZOLINI

RONDA



De noite eu rondo a cidade
A te procurar sem encontrar.
No meio de olhares espio,
Em todos os bares
Você não está...
Volto pra casa abatida,
Desencantada da vida.
O sonho alegria me dá:
Nele você está.
Ah, se eu tivesse
Quem bem me quisesse,
Esse alguém me diria:
"Desiste, esta busca é inútil".
Eu não desistia,
Porém, com perfeita paciência
Volto a te buscar.
Hei de encontrar
Bebendo com outras mulheres,
Rolando um dadinho,
Jogando bilhar
E neste dia, então,
Vai dar na primeira edição:
Cena de sangue num bar

Da Avenida São João.

NA LATA: PAULO FRANCIS


paffaroartes.blogspot.com 

— A função da universidade é criar elites e não dar diplomas a pés-rapados.
— O Brasil é um asilo de lunáticos onde os pacientes assumiram o controle.
— Marx escrevendo sobre dinheiro é como padre falando sobre sexo.
— Quando ouço falar em ecologia, saco logo meu talão de cheques.
— Todo otimista é um mal informado.
— A ignorância é a maior multinacional do mundo.


luciointhesky.wordpress.com

— Intelectual não vai à praia. Intelectual bebe.
— O filme é uma merda, mas o diretor é genial.
— Ser da classe média é achar Godard o máximo.
— A melhor propaganda anticomunista é deixar um comunista falar.
— Apenas os idiotas não se contradizem.
— Não levo ninguém a sério o bastante para odiá-lo.
— Quem não lê não pensa, e quem não pensa será para sempre um servo.
— Até paranoicos têm inimigos de verdade.




CLÓVIS CAMPÊLO

SAMBAS E FUTEBOL



Segundo os estudiosos do assunto, foi no século passado que a música popular brasileira desabrochou de vez. De evolução em evolução, nos anos 50 criou consistência suficiente para se consolidar e aflorar em um movimento como a bossa nova. Embora contestada por alguns que a acusam de americanizar definitivamente a MPB, a bossa nova mudou para sempre os rumos da nossa música popular, dando-lhe vigor suficiente para projetar-se pelo mundo a fora e o conquistar.

Esse meio tempo vivido pela música brasileira entre a incipiência e a maturidade, serviu para o aparecimento de compositores identificados com os novos assuntos e costumes da nossa sociedade. O futebol, com certeza, foi, e continua sendo até hoje, um deles. E o Clube de Regatas Flamengo, na condição de um dos maiores times de massa do Brasil, teria uma posição de destaque no imaginário e na capacidade criativa desses compositores.

Um desses compositores chamava-se Wilson Batista. Carioca, nascido na cidade de Campos, no dia 3 de julho de 1913, foi autor de mais de 700 músicas, muitas das quais falando do seu amor e da relação com o clube rubro-negro carioca. Como tema para os seus sambas rubro-negros, Wilson não deixava escapar até mesmo os momentos de derrota e decepção.

Na música “E o juiz apitou”, por exemplo, uma parceria feita entre ele e Antônio Almeida, narrando uma derrota do Flamengo para o Botafogo. O próprio Antônio Almeida, em depoimento publicado na revista nº 36 da coleção MPB Compositores, assim declara: “Wilson era flamenguista doente. Fomos ver um Flamengo x Botafogo, em General Severiano. O Mengo perdeu o jogo e ele saiu angustiado do estádio. Pegamos o bonde para voltar pro Café Nice e Wilson criou um caso com o motoneiro, dizendo que não pagaria a passagem, tão aborrecido que se encontrava coma derrota do seu 'mais querido'. Eu pedi calma e el reagiu assim: 'Eu tiro o domingo pra descansar e vou ao futebol me aporrinhar'. Fizemos ali mesmo, de parceria o samba. Wilson era assim'.



Um outro parceiro e grande amigo de Wilson Batista, o compositor Jorge de Castro, nessa mesma revista, afirmaria que Wilson nunca foi muito de compor. O seu negócio era o tema. “Eu imaginava uma história e contava pra ele, que fazia a música e a letra”. Foi assim, que juntos lançaram mais de 100 músicas, entre as quais o “Samba rubro-negro”, cuja letra segue abaixo:

“Flamengo joga amanhã / eu vou pra lá / vai haver mais um baile no Maracanã / O mais querido / tem Rubens, Dequinha e Pavão / eu já rezei pra São Jorge / pro Mengo ser campeão. / Pode chover, pode o sol me queimar / que eu vou pra ver / a charanga do Jaime tocar: / Flamengo, Flamengo, tua glória é lutar / Quando o Mengo perde / eu não quero almoçar / eu não quero jantar”.
Só para terminar, o médio Dequinha, citado na letra e que marcou época no clube carioca ao lado de Rubens e Pavão, era potiguar e se destacou nos anos 50, jogando pelo América pernambucano antes de ser contratado pelo Flamengo.

Recife, 2014






sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

SANTA FOSSA

Atire a primeira pedra, ai, ai, ai
Aquele que não sofreu por amor
(Mario Lago)


HOJE

De Taiguara
Com interpretação do autor



Hoje
Trago em meu corpo as marcas do meu tempo
Meu desespero a vida num momento
A fossa, a fome, a flor, o fim do mundo

Hoje
Trago no olhar imagens distorcidas
Pois viagens, mãos desconhecidas
Trazem a lua, a rua às minhas mãos

Mas hoje,
As minhas mãos enfraquecidas e vazias
Procuram nuas pelas luas, pelas ruas
Na solidão das noites frias por você

Hoje
Homens sem medo aportam no futuro
Eu tenho medo acordo e te procuro
Meu quarto escuro é inerte como a morte

Hoje
Homens de aço esperam da ciência
Eu desespero e abraço a tua ausência
Que é o que me resta, vivo em minha sorte
Ah, sorte
Eu não queria a juventude assim perdida
Eu não queria andar morrendo pela vida
Eu não queria amar assim
Como eu te amei


EU NUNCA MAIS VOU TE ESQUECER

De Moacyr Franco
Na interpretação do autor




Se eu tivesse o coração que dei
Tivesse ainda ilusão, nem sei
Coragem pra recomeçar no amor
Bobagem, pois amor assim, só um

Agora é vida sem razão, porque
(se eu pudesse repetir cada momento)
Tentando orar eu só rezei você
(se eu pudesse te rever mais por um momento)
A sua ausência mais e mais me invade
(agradeço a esta canção emocionado)
Pediu amor e devolveu saudade
(ela põe a gente de repente lado a lado)

Eu nunca mais vou te esquecer
Eu nunca mais vou te esquecer, meu amor

Agora é vida sem razão porque
Tentando orar eu só rezei você
A sua ausência mais e mais e mais me invade
Pediu amor e devolveu saudades

Eu nunca mais vou te esquecer
Eu nunca mais vou te esquecer, meu amor
Eu nunca mais vou te esquecer
(se eu pudesse repetir cada momento)
Eu nunca mais vou te esquecer
(se eu pudesse te rever mais po um momento)
Eu nunca mais vou te esquecer
(agradeço a esta canção emocionado)
Eu nunca mais vou te esquecer, meu amor


DEUSA DO ASFALTO

De Adelino Moreira
Na interpretação de Nelson Gonçalves



Um dia sonhei um porvir risonho
E coloquei o meu sonho
Num pedestal bem alto
Não devia e por isso me condeno
Sendo do morro e moreno
Amar a deusa do asfalto.

Um dia ela casou com alguém
Lá do asfalto também
E dizem que bem me quer
E eu triste boêmio da rua
Casei-me também com a lua
Que ainda é a minha mulher
É cantando que carrego a minha cruz
Abraçado ao amigo violão

Minhas noites de luar já não tem luz
Quem me abraça é a negra solidão
É, é, cantando que afasto do coração
Esta mágoa que ficou daquele amor
Se não fosse o amigo violão
Eu morria de saudade e de dor.








HORA DA VITROLA (ESPECIAL): MAMONAS ASSASSINAS

VIRA-VIRA



Raios

Fui convidado pra uma tal de suruba
Não pude ir, Maria foi no meu lugar
Depois de uma semana ela voltou pra casa
Toda arregaçada, não podia nem sentar

Quando vi aquilo fiquei assustado
Maria chorando começou a me explicar
Daí então eu fiquei aliviado
E dei graças a Deus porque ela foi no meu lugar

Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém
Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Neste raio de suruba, já me passaram a mão na bunda
E ainda não comi ninguém!

Oh, Manoel olha só como eu estou
Tu não imaginas como eu estou sofrendo
Uma teta minha um negão arrancou
E a outra que sobrou está doendo

Oh, Maria vê se larga de frescura
Que eu te levo no hospital pela manhã
Tu ficaste tão bonita monoteta
Mais vale um na mão do que dois no sutiã

Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém
Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Neste raio de suruba, já me passaram a mão na bunda
E ainda não comi ninguém!

Bate o pé

Burrp (arroto)

Hmm... bate o pé

Oh Maria essa suruba me excita
Arrebita, arrebita, arrebita
Então vai fazer amor com uma cabrita
Arrebita, arrebita, arrebita
Mas Maria isto é bom que te exercita
Bate o pé, arrebita, arrebita
Manoel tu na cabeça tem titica
Larga de putaria e vá cuidar da padaria

Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém
Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Neste raio de suruba, já me passaram a mão na bunda
E ainda não comi ninguém!

Vamos lá, todo mundo dançando raios!
Todo mundo comigo! Uou, uou, uou
Oh Maria si deu mal, vamo lá!
Ai, como dói


PELADOS EM SANTOS



Mina, seus cabelo é da hora
Seu corpão violão, meu docinho de coco
Tá me deixando louco

Minha Brasília amarela
Tá de portas abertas
Pra mode a gente se amar
Pelados em Santos

Pois você, minha pitchula
Me deixou legalzão
Não me sintcho sozinho
Você é meu chuchuzinho

Music is very good
(Oxente ai, ai, ai!)
Mas comigo ela não quer se casar
(Oxente ai, ai, ai!)
Na Brasília amarela com roda gaúcha
Ela não quer entrar
(Oxente ai, ai, ai!)

É feijão com jabá
A desgraçada num quer compartilhar
Mas ela é lindia
Mutcho mar do que lindia
Very, very beautiful

Você me deixa doidião
Oh, yes! Oh, no!
Meu docinho de coco

Music is very porreta
(Oxente Paraguai!)
Pos paraguai ela não quis viajar
(Oxente Paraguai!)
Comprei um Reebok e uma calça Fiorucci
Ela não quer usar
(Oxente Paraguai!)

Eu não sei o que faço
Pra essa mulé eu conquistchar
Porque ela é lindia
Mutcho mais do que lindia
Very, very beautiful

Você me deixa doidão
Oh, yes! Oh, no!
Meu chuchuzinho

Oh, yes! No, no, no, no!
Eu te I love youuuuu!

Pera aí que tem mais
Um poquinho de "u"
Uuuuuuuuuu


CHOPIS CENTIS



Eu dí um beijo nela
e chamei pra passear.
A gente fomos no shopping,
pra mó de a gente lancha.
Comi uns bicho estranho, com um tal de gergelim.
Até que tava gostoso, mas eu prefiro aipim.

Quantcha gente,
E quantcha alegria,
A minha felicidade
É um crediário
Nas Casas Bahia. (2x)

Esse tal Chopis Centis é muito legalzinho,
Prá levar as namorada e dá uns rolêzinho.
Quando eu estou no trabalho,
Não vejo a hora de descer dos andaime
Prá pegar um cinema, do Schwarzeneger
e também o Van Damme.

Quantcha gente,
E quantcha alegria,
A minha felicidade
É um crediário
nas Casas Bahia. (2x)