sexta-feira, 6 de outubro de 2017

HORA DA VITROLA: BETHÂNIA



MENSAGEM
De Cícero Nunes - Aldo Cabral
Com Maria Bethânia




Quando o carteiro chegou,
E o meu nome gritou,
Com uma carta na mão.
Ante surpresa tão rude,
Nem sei como pude
Chegar ao portão.
Vendo o envelope bonito,
No seu subscrito eu reconheci,
A mesma caligrafia, que disse-me um dia:
Estou farto de ti.

Porém não tive coragem
De abrir a mensagem
Porque na incerteza, eu meditava e dizia:
Será de alegria ?
Será de tristeza ?
Tanta verdade tristonha
Ou mentira risonha, uma carta nos traz...
Assim pensando rasguei, sua carta
E queimei, para não sofrer mais.


TEXTO
De Fernando Pessoa

Todas as cartas de amor são ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras, ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso cartas de amor ridículas.
Afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor,
É que são ridículas.

CHÁ DAS CINCO: AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA



CHEGANDO EM CASA

Chegando em casa
com a alma amarfanhada
e escura
das refregas burocráticas
leio sobre a mesa
um bilhete que dizia:

- hoje 22 de agosto de 1994
meu marido perdeu, deste terraço:

mais um pôr de sol no Dois Irmãos
o canto de um bem-te-vi
e uma orquídea que entardecia
sobre o mar.


Affonso Romano de Sant'Anna 
(Belo Horizonte MG 1937)
 Poeta, crítico, professor de literatura, jornalista.  


A PRIMEIRA VEZ QUE ENTENDI

A primeira vez que entendi do mundo
alguma coisa
foi quando na infância
cortei o rabo de uma lagartixa
e ele continuou se mexendo.

De lá pra cá
fui percebendo que as coisas permanecem
vivas e tortas
que o amor não acaba assim
que é difícil extirpar o mal pela raiz.

A segunda vez que entendi do mundo
alguma coisa
foi quando na adolescência me arrancaram
do lado esquerdo três certezas
e eu tive que seguir em frente.

De lá pra cá
aprendi a achar no escuro o rumo
e sou capaz de decifrar mensagens
seja nas nuvens
ou no grafite de qualquer muro.

***

LEIA TAMBÉM

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Passado algum tempo, a viúva levantou-se, dirigiu-se à vitrola, 
separou o vinil e colocou para rodar sua música predileta. 
E a dúvida de uma vida toda voltou a lhe martelar os miolos. 
Por Orlando Silveira
https://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/2017/10/quase-historias-duvida-de-leonor.html#comment-form


FOTOGRAFIAS: VIVIAN MAIER


Fotografias de Vivian Maier em exposição no MIS


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***

Durante 40 anos, Vivian Maier (1926-2009) trabalhou como babá em Chicago. Nas horas vagas, fotografava gente comum, tanto em Chicago como em Nova York. Considerava a fotografia um hobby. Vivian nunca divulgou suas fotos e o crédito só pôde ser conferido a ela graças à uma etiqueta com seu nome, grudada em um envelope. Em 2015, o Museu da Imagem e do Som realizou uma exposição com as obras da babá que foi uma grande fotógrafa do cotidiano. 

***

VEJA TAMBÉM

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O fotógrafo francês René Maltête (1930-2000), a partir de cenas de rua, 

incorporou o humor ao seu trabalho. 

AS CHARGES DO DIA




AROEIRA



Charge (Foto: Antonio Lucena)
ANTONIO LUCENA - BLOG DO NOBLAT

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SPONHOLZ


NANI


AMARILDO



DUKE - O TEMPO (MG)




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ALPINO

QUASE HISTÓRIAS: A DÚVIDA DE LEONOR

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Óleo sobre tela de Jozsef Ronai

Mal terminado o sepultamento de Aristides, filhas e filhos, noras e genros começaram a pressionar a viúva. Uns queriam levá-la para a casa de qualquer um deles. Ante a recusa peremptória de Leonor, outros passaram a oferecer à mãe/sogra netos para lhe fazer companhia ao menos nas primeiras noites. O que não tinha o menor cabimento era deixá-la sozinha, onde já se viu uma coisa dessas? Leonor fincou os pés: “Agradeço a todos. Mas quero ficar só.” E assim foi feito, contra a vontade geral.

Após o banho, Leonor tomou café com leite – a bebida de que mais gosta –, engoliu qualquer coisa para distrair o estômago e sentou-se na sua poltrona. As lembranças vinham aos pulos, sem qualquer coerência cronológica.

Ela sempre teve muito respeito e carinho por Aristides, homem trabalhador e afetuoso. Juntos, viveram inúmeros bons momentos; unidos, venceram as adversidades. Passado algum tempo, levantou-se, dirigiu-se à vitrola, separou o vinil e colocou para rodar sua música predileta. Teria sido mais feliz com Antônio? 

(OS - atualizado em outubro de 2017)  


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

POLÍTICA/OPINIÃO: JOSIAS DE SOUZA

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ENDIVIDADO? DECLARE-SE EXTINTO.
E VIRE UMA IGREJA!

Ao notar que é tratado como imbecil, o contribuinte em dia 
com o fisco interrompe o pagamento e entra na fila 
do próximo Refis, que deveria se chamar
 Programa de Estímulo à Sonegação

Por Josias de Souza
UOL – 05/10/2017


Às vésperas do enterro da segunda denúncia contra Michel Temer, a Câmara arranca do governo todas as vantagens que o déficit público pode financiar. Insatisfeitos com tudo o que já obtiveram em cargos e verbas, os deputados querem mais. Aprovaram na noite passada a penúltima versão do Refis, o programa de refinanciamento de débitos tributários. Armou-se uma grande farra.

Nos últimos 15 anos, foram lançadas sucessivas versões do Refis. Como a carga tributária no Brasil é exorbitante, imagina-se que a iniciativa seja boa. Engano. Hoje, há dois guichês na Receita. Num, quem deve paga suas dívidas. Noutro, quem sonega é premiado com descontos generosos e financiamentos camaradas. Ao notar que é tratado como imbecil, o contribuinte em dia com o fisco interrompe o pagamento e entra na fila do próximo Refis, que deveria se chamar Programa de Estímulo à Sonegação.

O novo Refis parcela dívidas tributárias com perdão de 90% dos juros e 70% das multas. A medida inclui uma automamata: Há na Câmara 291 deputados pendurados na Receita. Devem R$ 1 bilhão. No Senado, há 46 sonegadores. Devem R$ 2 bilhões.

A bancada da Bíblia enfiou na proposta o perdão de dívidas de igrejas e escolas a elas vinculadas, incluindo débitos com a Previdência, já quebrada. A falta de pudor oferece uma saída ao brasileiro endividado. Declare-se extinto como pessoa física. E se reorganize como igreja. Você passará a viver em permanente estado de graça. Amém.





POLÍTICA/OPINIÃO: MARCO ANTONIO VILLA

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NUZMAN. POR BAPTISTÃO
SE GRITAR PEGA LADRÃO...




05/10/2017 07h39

Prender Nuzman é o mínimo,
basta ver o legado olímpico

Polícia Federal prende Carlos Arthur Nuzman, na manhã desta quinta-feira (05), em desdobramento da Operação Lava Jato.

O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro é suspeito de fraude na escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos do ano passado.


“Isso é uma boa notícia. Prender o Nuzman é o mínimo, basta ver o legado olímpico. Nuzman é conhecido por desviar recursos. É homem de confiança de Sérgio Cabral”, diz Marco Antonio Villa.






03/10/2017 07h45

Porto de Santos é um antro de corrupção

Procuradora-geral da República, Raquel Dodge, quer ouvir Michel Temer em investigação sobre decreto no setor de portos.

O presidente é suspeito de receber propina para favorecer a empresa Rodrimar, que atua no Porto de Santos, no litoral de São Paulo.

“O Porto de Santo - todos sabem - é um antro de corrupção”, diz Marco Antonio Villa.

***

Marco Antônio Villa é historiador, escritor e comentarista da Jovem Pan e TV Cultura. Professor da Universidade Federal de São Carlos (1993-2013) e da Universidade Federal de Ouro Preto (1985-1993). É Bacharel (USP) e Licenciado em História (USP), Mestre em Sociologia (USP) e Doutor em História (USP)

FOTOGRAFIAS: RENÉ MALTÊTE



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***

O fotógrafo francês René Maltête (1930-2000), a partir de cenas de rua, incorporou o humor ao seu trabalho. 

AS CHARGES DO DIA



AMARILDO


SPONHOLZ




SINFRÔNIO - DIÁRIO DO NORDESTE (CE)



Charge (Foto: Chico Caruso)
CHICO CARUSO - O GLOBO



NANI



JARBAS - DIÁRIO DE PERNAMBUCO



Charge (Foto: Antonio Lucena)
ANTONIO LUCENA - BLOG DO NOBLAT


A imagem pode conter: bebida
SPONHOLZ


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SPONHOLZ

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

HORA DA VITROLA: MARTINHO E MAIRA FREITAS (ÚLTIMO DESEJO)

MARTINHO E MAIRA FREITAS (filha)
INTERNET

ÚLTIMO DESEJO
De Noel Rosa (1937)
Na interpretação de Martinho da Vila e Maira Freitas


 
Nosso amor que eu não esqueço
E que teve o seu começo
Numa festa de São João

Morre hoje sem foguete
Sem retrato e sem bilhete
Sem luar, sem violão

Perto de você me calo
Tudo penso e nada falo
Tenho medo de chorar

Nunca mais quero o seu beijo
Mas meu último desejo
Você não pode negar

Se alguma pessoa amiga
Pedir que você lhe diga
Se você me quer ou não
Diga que você me adora
Que você lamenta e chora
A nossa separação

Às pessoas que eu detesto
Diga sempre que eu não presto
Que meu lar é o botequim
Que eu arruinei sua vida
Que eu não mereço a comida
Que você pagou pra mim