sábado, 4 de fevereiro de 2017

IMAGENS: DANA SCHUTZ


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Dana Schutz (nascida em 1976) é uma pintora americana contemporânea. Sua obra se caracteriza pela sua incisiva tradução de conceitos intangíveis, paradoxais e abstratos em composições humorísticas e coloridas. Ela vive e trabalha em Brooklyn, NY.

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Veja também

RAPIDÍSSIMAS

Há momentos em que o olhar vago nada vê, 
exceto o passado em preto e branco. 
Por Orlando Silveira


RAPIDÍSSIMAS

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FOTOGRAFIA: MARCO MENDES

SEM HORIZONTE

Há momentos em que o olhar vago nada vê, exceto o passado em preto e branco.

QUEM AMA TAMBÉM LATE

Mas não bate jamais.

BODAS DE OURO

-- Cadê meu chinelinho de quarto, meu velho?

-- Não sei, querida. Mas vou procurá-lo.

SUSERANO

Considera-se um amor de pessoa, mas não tolera quem ultrapassa os limites da vassalagem.

DÉSPOTA ESCLARECIDO

Uma praga dessas, por óbvio, não pode existir.

UMA CRIANÇA, UM CACHORRINHO, UM JARDIM...

A gente precisa de tão pouco.

CONSELHEIROS

Os piores são os que estão sempre disponíveis.

A DITADURA DO BOLSO

O barato quase sempre sai caro. Mas é o que dá para comprar.  

A DITADURA DO BOLSO (II)

Gosto, quase sempre, tem a ver com saldo bancário.

(ORLANDO SILVEIRA - FEVEREIRO DE 2017)

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A SABATINA DO VELHO MARINHEIRO

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Munido de café forte e cigarros, o Velho Marinheiro se trancou no escritório no fundo da casa. Passou a madrugada esboçando respostas para a crise das Forças Armadas, para a degradação moral das instituições e para tudo o mais que lhe parecia relevante. Quando as perguntas chegaram, uma estaca de decepção lhe varou o peito. Era o questionário Proust – brincadeira de salão, popular na Europa do século XVIII. Achou aquilo coisa de boiola. Mas não passou recibo. Por Orlando Silveira

AS CHARGES DO DIA




Charge do dia 04/02/2017
MIGUEL - JORNAL DO COMMERCIO (PE)



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SPONHOLZ



Charge (Foto: Chico Caruso)
CHICO CARUSO - O GLOBO




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NANI



AMORIM - CHARGE ON-LINE



CAZO - JORNAL DO JAHU



AROEIRA



PAIXÃO - GAZETA DO POVO (PR)



BENETT - GAZETA DO POVO (PR)


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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

CHÁ DAS CINCO: QUINTANA

www.brasilescola.com

POEMINHA DO CONTRA

Todos estes que aí estão

Atravancando o meu caminho,

Eles passarão.

Eu passarinho!



DA DISCRIÇÃO

Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo do teu amigo
Possui amigos também…


A ARTE DE VIVER

A arte de viver
É simplesmente a arte de conviver…
Simplesmente, disse eu?
Mas como é difícil!


HOJE É OUTRO DIA

Quando abro cada manhã a janela do meu quarto
É como se abrisse o mesmo livro
Numa página nova…


PROJETO DE PREFÁCIO

Sábias agudezas… refinamentos…
- não!
Nada disso encontrarás aqui.
Um poema não é para te distraíres
como com essas imagens mutantes de caleidoscópios.
Um poema não é quando te deténs para apreciar um detalhe
Um poema não é também quando paras no fim,
porque um verdadeiro poema continua sempre…
Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte
não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras.





A ARTE DE SIMONE GRECCO



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Formada pela Faculdade de Belas Artes
de São Paulo (1972)  e com diversos cursos
de especialização nos Estados Unidos,
Simone Grecco é uma artista plástica –
mestre em esculturas em arame –,
cuja obra é admirada no Brasil e no exterior.
Para entrar em contato com Simone, acesse:

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VEJA TAMBÉM

MÃE, O PAI ARRUMOU EMPREGO!

Ao ver a cara amarrotada de Toninho, Odete, de imediato, teve certeza de que a história não era bem aquela. Conhecia o marido como ninguém. Mas nada lhe falou além de “oi”... Por Orlando Silveira


http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/2017/02/mae-o-pai-arrumou-emprego.html#comment-form

FOTOGRAFIAS: MADALENA SCHWARTZ




 
CRIANÇAS (1975)




CARREGADOR DE BANANAS
(1981)


MENINO (1974)


VELHO ACORDEONISTA (1974)


MENINA (1974)


]
PESCADOR DE CARANGUEJOS
(1981)


HOMEM E CRIANÇA (1974)


VENDEDOR DE UMBU (1981)

FONTE FOTOS:
INSTITUTO MOREIRA SALLES


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MADALENA
POR CONCEIÇÃO ALMEIDA

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Madalena Schwartz (Budapeste, Hungria, 1923 - São Paulo, SP, 1993). Fotógrafa. Em 1934, emigra com a família para Buenos Aires. Muda-se para São Paulo em 1960 e passa a administrar uma tinturaria na rua Nestor Pestana, tradicional reduto da classe teatral paulistana. Começa a estudar fotografia no Foto Cine Clube Bandeirantes (FCCB) em 1966.  No ano seguinte, ganha menção honrosa no 1° Salão Nacional de Arte Fotográfica de São Carlos, São Paulo. Na década de 1970, publica fotografias nas revistas Iris, Planeta, Claudia, Status, entre outras. Faz sua primeira exposição individual no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), em 1974. Entre 1979 e 1991, trabalha para a Rede Globo de Televisão, além de colaborar regularmente com a Editora Abril. Em 1983, recebe o prêmio de melhor fotógrafo da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Nos últimos anos de sua vida, debilitada fisicamente, dedica-se à escultura. Conhecida por fotografar personalidades do meio artístico e cultural brasileiro, tem também um ensaio sobre o mundo dos travestis. Recebe homenagem póstuma em 1997 com a publicação do livro Personae, com retratos de sua autoria selecionados pela fotógrafa Maureen Bisilliat (1931). Seu acervo, composto de cerca de 16 mil negativos em preto-e-branco e 450 cromos, é adquirido em 1998 pelo Instituto Moreira Salles (IMS).

FONTE: ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL


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AS CHARGES DO DIA


Charge (Foto: Chico Caruso)
CHICO CARUSO - O GLOBO


THIAGO LUCAS - CHARGE ON-LINE


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QUINHO - ESTADO DE MINAS




PAIXÃO - GAZETA DO POVO (PR)


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Charge do dia 03/02/2017
RONALDO - JORNAL DO COMMERCIO (PE)





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Charge (Foto: Antonio Lucena)
ANTÔNIO LUCENA - BLOG DO NOBLAT



CLÁUDIO - AGORA SÃO PAULO





J. BOSCO - AMAZÔNIA JORNAL (PA)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

CHÁ DAS CINCO: PAULO LEMINSKI

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LEMINSKI COM ALICE RUIZ
 (FOTO: ARQUIVO GOOGLE)

BEM NO FUNDO

No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos
saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.


POESIAS

I

Confira
tudo que
respira
conspira

II

Tudo é vago e muito vário
meu destino não tem siso,
o que eu quero não tem preço
ter um preço é necessário,
e nada disso é preciso

III

Cinco bares,
dez conhaques
atravesso são paulo
dormindo dentro de um táxi

IV

isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

V

O pauloleminski
é um cachorro louco
que deve ser morto
a pau a pedra
a fogo a pique
senão é bem capaz
o filhodaputa
de fazer chover
em nosso piquenique


www.otempo.com.br



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UMA SABATINA COM O VELHO MARINHEIRO


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Munido de café forte e cigarros, o Velho Marinheiro se trancou no escritório no fundo da casa. Passou a madrugada esboçando respostas para a crise das Forças Armadas, para a degradação moral das instituições e para tudo o mais que lhe parecia relevante. Quando as perguntas chegaram, uma estaca de decepção lhe varou o peito. Era o questionário Proust – brincadeira de salão, popular na Europa do século XVIII. Achou aquilo coisa de boiola. Mas não passou recibo. Por Orlando Silveira

http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/2017/02/uma-sabatina-com-o-velho-marinheiro.html#comment-form

CRÔNICA: CARLOS HEITOR CONY

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ILUSTRAÇÃO: ARQUIVO GOOGLE

JORNALISMO INVESTIGATIVO

POR CARLOS HEITOR CONY
UOL – 05/07/2005

Sou de uma geração de jornalistas que não dava muita bola para a investigação. Nossa preocupação era apurar, comentar. Deixávamos de bom grado a investigação para a polícia, para os investigadores profissionais ou amadores. Não sei se era melhor ou pior: era diferente.

De uns tempos para cá, o jornalismo dito investigativo transformou os repórteres em detetives, cheios de macetes para chegar ao fundo do poço, mantendo informantes que substituem com vantagem os tradicionais alcagüetes, uma vez que ditos informantes são políticos influentes, empresários, gente fina e por dentro dos podres da sociedade.

Verdade seja dita: alguns escândalos suntuosos foram levantados pelo jornalismo investigativo. Mas na atual crise que atravessamos, pegou de surpresa a excelente turma do jornalista-policial, que comeu respeitável mosca no caso do mensalão, denunciado por alguém de fora do esquema das redações, um deputado por sinal muito investigado pela mídia.

A dúvida é lícita: o jornalismo investigativo comeu mesmo respeitável mosca, sabendo do mensalão, sabendo de tudo, da compra de votos pelo PT para garantir votações no congresso, e não botou a boca no trombone por algum motivo obscuro; ou nada sabia de nada, o que a inocenta de qualquer manobra suspeita mas não da condição de incompetente na investigação do que é condenável nas entranhas da política e da vida pública em geral.

De qualquer modo, felicito-me por não ser um jornalista investigativo. Fico no meu canto e, tal como aquele personagem de Máximo Gorki, protesto em voz alta e me divirto em silêncio.

PALAVRAS E EXPRESSÕES: DEONÍSIO DA SILVA

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NENÉM PRANCHA (FOTO: ARQUIVO GOOGLE)

ARRECUA OS ARFE PARA EVITAR A CASTASTRE

Deonísio da Silva conta que, na política, o nome dos que ignoram 
os conselhos de Neném Prancha é Legião, 
um dos codinomes do Diabo


DE ONDE VEM AS PALAVRAS
POR DEONÍSIO DA SILVA
VEJA.COM – 29/01/2017


Neném Prancha sabia tudo do mundo do futebol e foi autor de frases memoráveis, mas algumas ele nunca as pronunciou. Elas se tornaram lendárias depois que lhe foram atribuídas por João Saldanha e Armando Nogueira.

Eis amostra grátis. “Pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube”. “Se concentração ganhasse jogo, o time da penitenciária não perdia uma partida”. “Futebol é muito simples: quem tem a bola ataca; quem não tem defende”. “Se macumba resolvesse, o campeonato baiano terminava sempre empatado”. “O importante é o principal, o resto é secundário”.

Talvez a frase de Neném Prancha de que mais precisemos atualmente seja esta: “ Arrecua os arfe para evitar a catastre”. E por quê? Por que no Brasil dos últimos anos esquecemos o óbvio, ainda que ele uive e grite como o “óbvio ululante” de Nelson Rodrigues.

Seu nome era Antonio Franco de Oliveira. Aos onze anos, o menino da cidade fluminense de Resende trocou a cidade natal pelo Rio, onde morreu em 1976, aos 70 anos. Seu apelido era Neném Prancha por ter, ainda em criança, pés e mãos enormes. Como vivia quase sempre de chinelos e falava gesticulando muito, o apelido veio a calhar: plantado sobre duas pranchas, falava abanando mais duas.

Reza a lenda que “O importante é o principal, o resto é secundário” e “Arrecua os arfe para evitar a catastre” foram pronunciadas num jogo em que Neném Prancha, dirigindo um time de presidiários, já perdia de três a zero aos dez minutos. Reconhecendo a superioridade do adversário, a estratégia do técnico deu certo e ele evitou uma goleada maior. O importante, diante daquele time,  era perder de pouco.

Na Copa de 2014, quase quarenta anos depois da morte do famoso frasista, o técnico Luiz Felipe Scolari, o Felipão, ignorando o conselho de Neném Prancha, dirigia a seleção brasileira na famosa derrota de sete a um para a Alemanha. Os alemães fizeram quatro gols em seis minutos e no final do primeiro tempo o Brasil já perdia de cinco a zero. Laterais e zagueiros não foram recuados e a catástrofe não foi evitada.

Na política, o nome dos que ignoram os conselhos de Neném Prancha é Legião, um dos codinomes do Diabo. Eles são uma multidão ainda maior do que as milícias do Outro, como reconheceu o poeta parnasiano Olavo Bilac numa de suas conferências: “As milícias de Belzebu compõem-se, segundo os mais rigorosos demonologistas, de 6 666 legiões, cada uma formada de 6 666 demônios”.

Por que são tantos? Um empresário de circo, o americano Phineas Taylor Barnum, deu ainda no século XIX duas respostas certeiras: “Nasce um otário por minuto” e “Nada atrai mais a multidão do que outra multidão”.

O presidente Michel Temer poderia pensar um pouco sobre o que disseram o filósofo Neném Prancha e o empresário Taylor Barnum.


 Deonísio da Silva é professor, escritor e etimologista