sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

ZÉ PAULO

ilustrando.gh.com.br

Desde sempre, lástima das lástimas, ele entornava todas, mais algumas, com direito a “chorinho”. O pai se foi, a mãe se foi, Zé Paulo ficou livre pra se matar. Entornou em dobro. Sem parar.

Herdou casa própria, recebia aluguel. O irmão – ex-sócio na oficina – lhe dava mesada. Zé Paulo ia, contra o vento. Bebendo muito, comendo nada.

Final de ano.

Zé Paulo, solitário, como sempre, sentou-se na porta de casa. Passou muitas horas sem falar coisa com coisa. Chamaram seu irmão. O irmão chegou. E fez o que deveria ser feito: colocou Zé Paulo numa clínica.

Zé Paulo falando sandices, sandices sem parar.

Apesar da uca, Zé Paulo sempre foi inteligente, gozador nato.

Dias depois, o irmão quis saber da enfermeira se Zé Paulo estava melhor, se o juízo (ou a falta dele) estava voltando. Por via das dúvidas, foi direto ao ponto:

-- Zé Paulo: dois e dois são quanto?

Zé Paulo não se fez de besta:

-- Porra! Isso aqui é hospital ou escola?




BRUNO NEGROMONTE

Sob o comando de João Taubkin, os músicos Bruno Tessele e Zeca Loureiro, formam o João Taubkin Trio.
Anotem esta receita: pegue uma boa dose de baixo acústico, acrescente uma vigorosa bateria e depois misture generosas medidas de guitarras e violões. Pronto! O resultado final pode ser degustado em nove generosas e bem deitas porções presentes no álbum "Tribo", cujo menu traz características tão peculiares que torna mais que apetitosa a sonoridade produzida por este entrosado trio. Além disso, não pode-se esquecer ainda que toda receita tem aquele toque especial que a difere de tantas iguais. Neste caso específico, acrescenta-se ao suingue existente o 'know how' de cada um dos integrantes adquiridos pelos projetos paralelos de cada um. A junção destes individuais temperos dá ao João Taubkin Trio o requinte e a sofisticação necessária para transformá-lo em sinônimo de bom gosto e prazer. A ideia de criação deste projeto surgiu e ganhou força ao final de 2009, mas só em 2011 é que de fato teve início a trajetória do trio. Neste intervalo João procurou constituir os moldes daquilo que viria a ser o seu desejo a partir de algumas composições entre outros ajustes que daria ao trio a cara que ele buscava adequar a partir da bagagem de cada um dos integrantes. A mescla das diversas influências musicais, gêneros e estilos resultou nesta instigante sonoridade produzida por este "power trio". Uma música que não prende-se a rótulos ou fronteiras, distinguindo-se a partir de uma nova concepção sonora que abrange os mais distintos elementos que vão desde o rock and roll, perpassando pela música africana, até de chegar as fonte das influências brasileiras.
João Taubkin, como instrumentista vem agregando vários momentos à sua carreira solo desde 2002, quando participou da gravação do CD "Danças, jogos e canções", da Orquestra Popular de Câmara. De lá pra cá atuou nos mais distintos trabalhos ao lado de músicos como Beto Villares, o grupo pernambucano Bongar, o argentino Carlos Aguirre, Mônica Salmaso, o marroquino Mehdi Nassouli, Paulo Moura, Léa Freire, Siba, Itamar Doari (Israel), Luiz Brasil, Madhup Mudgal (Índia), Laurence Revey (Suíça) entre outros. Além disso, seu nome figura em dezenas de títulos de álbuns lançados nos últimos anos aqui no Brasil. São discos de artistas como 'Circo de pulgas', de Fabio Barros em parceria com o Grupo Grão; 'São Mateus não é um lugar tão longe', do cantor e compositor Rodrigo Campos; o projeto 'Macunaíma Ópera Tupi', da paulista Iara Rennó; “Entremeados” (álbum já abordado aqui por mim em outro momento) da musicista Júlia Tygel entre outros. Sem contar que o musicista, além de integrar a banda do pai, participa também de outras atividades musicais ao lado de nomes como Théo de Barros e chegou a integrar a banda Afroelectro, tudo isso levando-o a apresentações em vários locais tanto no Brasil quanto em países como Áustria, Coreia do Sul, Espanha, Israel, Marrocos, Polônia e Suíça.
Já Bruno Tessele nasceu no Rio Grande do Sul e estudou, como aluno bolsista, na conceituada Berklee College of Music, uma das maiores faculdades de música independente do mundo. Atualmente residindo em São Paulo, atua também ao lado de nomes, dentre tantos, como Marcos Paiva, Jorginho Neto, Ana Gilli, Speakin Jazz Big Band e Eliana Pittman. Ao seu currículo soma-se a experiência de ter tocado ao lado de nomes como Teresa Cristina, Filipe Catto, Arícia Mess, Elza Soares, Célia, Walmir Gil, Thiago Espírito Santo, Raul de Souza entre outros; e a participação em projetos como o CD e DVD “In Concert” do músico Gustavo Assis Brasil, o cd “Na Hora” do guitarrista Michel Leme, o cd “Sintoma” de Alex Corrêa e Adauto Dias, uma música para a edição Coreana do cd “A Kind Of Bossa” do cantor Rodrigo Del Arc entre outros. Além de todos estes trabalhos Tessele ainda lesiona no Conservatório Souza Lima e escreve para a Revista Modern Drummer Brasil.
E por fim Zeca Loureiro, que tem por principais influências nomes como The Beatles, Queen e Stevie Wonder. É casado com a cantora Nô Stopa, com a qual forma a dupla folk 2 of uS. Além dessa parceria com a esposa soma-se à sua experiência musical em participações ao lado dos mais diversos nomes dentro do cenário musical brasileiro como o da cantora e compositora Vanessa Bumagny, o do cantor e compositor Zé Geraldo (com o qual gravou o DVD “Cidadão 30 e poucos anos”) e do ator, poeta, cantor e produtor paulista André Mastro (artista já apresentado em nosso espaço juntamente com o seu projeto “Sem Descanso”). Vale salientar que o músico é irmão do conceituado multi-instrumentista e compositor Kiko Loureiro, que além de guitarrista da banda de metal melódico Angra, vem atuando também de modo individual como no DVD que Zeca participa. Como vocalista e guitarrista da banda Jukabala gravou o disco “3 da Madrugada”, tendo a música 'Nós dois' como parte integrante da trilha sonora do programa Sítio do Pica-Pau Amarelo. Além de tudo isso Loureiro também atua na composição de trilhas para filmes publicitários para películas cinematográficas, tal qual a trilha sonora do curta-metragem Minami em close-up foi premiado no Festival Internacional de Cinema da Bahia.
“Tribo” chega como fruto do encontro e da soma dessas experiências paralelas e tantas outras vivenciadas por João Taubkin ao longo de quase duas décadas. Imbuído de uma capacidade, digamos Xamã, ele foi capaz de agregar os elementos precisos nesta alquimia rítmica que faz de cada faixa presente um experimento musical preciso neste “ritual de passagem” como o próprio músico define este seu debute fonográfico. Gravadas (todas ao vivo), mixadas e masterizadas por Zé Godoy. As nove faixas presentes no álbum são resultado de uma extensa gama de influências exercidas pelos inspiradores encontros estrada afora e externadas a partir de suas composições. É possível encontrar os mais diferentes gêneros musicais nesta simbiose sonora sem se que se perca a unidade proposta. Nesta receita há música africana, jazz, música popular brasileira e rock. Empunhando seu baixo João, conta neste projeto com os temperos de Ricardo Herz (que toca violino na faixa 'Alô irmãos!') e do seu pai Benjamim Taubkin, ao Rhodes. É válido deixar registrado também que todas as faixas do projeto são ornamentadas com os vocais do autor, que sob efeitos diversos, não só improvisa mas também transforma esta hibrida receita idealizada por João em um verdadeiro Manjar dos Deuses.
Fica aqui para audição dos amigos fubânicos duas faixas do excelente disco do trio. A primeira trata-se de "Ponto de mutação", canção que traz um pouco daquilo que o trio é capaz de fazer:
A segunda canção trata-se da não menos contagiante "Trifonia":

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

CLÓVIS CAMPÊLO















A PRAIA DE CALHETAS

A praia de calhetas fica na cidade do Cabo do Santo Agostinho, na região metropolitana, ao sul do Recife. Está situada numa posição privilegiada, entre a praia de Gaibu e o Cabo do Santo Agostinho, onde, segundo a história oficiosa, em 1497, o espanhol Vicente Yañez Pizón descobriu o Brasil antes de Pedro Álvares Cabral.

Para mim, trata-se da praia mais bonita do litoral sul de Pernambuco. Apesar de estar a pouca distância do Recife (cerca de meia hora de automóvel) tem o seu acesso dificultado pelas estradas esburacadas e cheia de ladeiras. Isso faz com que se conserve menos ocupada e menos agredida.

Enquanto a propaganda oficial estadual do turismo empurra todos para Porto de Galinhas, onde existe uma estrutura própria para se arrecadar dinheiro dos incautos, Calhetas reserva-nos um mar calmo e belo.

As fotografias acima, escolhidas no Google mostram bem a beleza dessa praia. Não sei quem são os autores, mas morri de inveja pois gostaria de tê-las feito.

Além da praia de Calhetas, o Cabo do Santo Agostinho ainda nos presenteia com o vilarejo de Nazaré, no seu alto, onde tem um farol para orientar a navegação naquela área, e os destroços de um antigo forte. No outro lado do histórico cabo, as praias de Paraíso e Suape, uma antiga vila de pescadores.

O lugar é lindo e o passeio imperdível para quem vem de outros Estados ou do exterior querendo conhecer o litoral pernambucano.

Recife, janeiro 2015


quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

RAPIDÍSSIMAS (LXI)

belos-passaros.blogspot.com

FUSO HORÁRIO
Os passarinhos acordaram e anunciam novo dia. Para Juvenal, hora de tomar os soníferos e tentar dormir.

BONS TEMPOS
Lembra quando aqueles beijos ardentes eram sempre inadiáveis?

SAIR DE CENA...
Na hora certa, no auge, é coisa para poucos, para valentes.

O BACANÃO
O sujeito não paga o condomínio há meses, está com as contas atrasadas. Mas exige que a empregada, que há tempos não recebe, use uniforme.

DEMÊNCIAS
-- Querida: a minha me basta, fique com a sua.

EMPACOU
É vida que não segue.

ALFREDINHO
-- Aprendi com mamãe que, nessa vida, ninguém pode ser tudo. Consegui a proeza de não ser nada.

ORGULHO
-- Doutor: bebo todos os dias, fumo sem descontinuar. Mas só jogo no bicho nos finais de semana.

NÃO CUSTA TENTAR
Vai que dá certo.

TAVARES, O CANALHA
-- Jurema: suas nádegas estão tão lindas... Cheguei a pensar que fossem as de sua irmã.

ALÔ
-- Oi, amigo, como você está?
-- Gordo, tchau.




terça-feira, 13 de janeiro de 2015

CLÓVIS CAMPÊLO



CHEGA DE SAUDADES!

Mais um ano se inicia e mesmo sem querer levar em consideração a divisão artificial do tempo, obra fragmentária do ser humano racional, somos impulsionados e repensar projetos e questões pessoais, reconsiderar amizades e propostas de vida.

Todo redirecionamento implica em aproximações e afastamentos. Qualquer relação esmaece diante da constatação de que mudamos nós, ou os outros; diante da constatação de que diminuíram, ou mesmo cessaram os nossos pontos comuns, os pontos de interseção.

Se de início esse fato pode nos parecer assustador e isolante, vamos verificar a posteriori que no novo caminho nos aparecerão outras identidades e referências. O que de novidade irá se nos oferecer, vai depender da nossa capacidade de aceitação ou não.

Como diz o poeta, o novo sempre vem. E muitas vezes não nos sobrará nada, ou muito pouco, do que antes nos alimentava as ideias e relacionamentos.

Chega de saudades, portanto! Saudades do que já se foi e já se esgotou no desdobramento do tempo. Muitos se voltam para trás, receosos de seguir em frente. Tentarão reter as mudanças com a justificativa de que no passado havia mais ordem e progresso, ou talvez até mesmo por terem a ele (o passado) sobrevivido. Talvez tentem até interpretar o momento presente com as explicações emboloradas do passado, com teorias que, embora já tenham sido úteis antes, mostram-se um tanto quanto ineficazes hoje. Talvez, por não terem digerido o que se foi, tentem reviver o passado de forma inútil e dolorosa. Não adianta: o novo sempre vem!

Outros ainda, incapazes de se conterem no momento presente, tentarão antecipar o futuro, sem perceber que o futuro se constrói no presente e que não se antecipada de modo algum: tudo tem a sua hora e o seu tempo.

Enfim, viver hoje como se não houvesse amanhã, respeitando, porém, o que já se passou e contribuiu para a nossa formação, e respeitando e entendendo que o que haverá de vir será apenas a resultante do nosso somatório de forças no presente.

Todos são livres e responsáveis para construir o amanhã e construir a sua liberdade. Todos têm o direito à vida e à felicidade.


Recife, janeiro 2015

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

NÚBIA NONATO

Por Núbia Nonato


ESPERANÇAS

Diante desses dias corridos
que não nos dão tréguas,
diante das vicissitudes que
insistem em minar nossa
resistência, diante do ser
humano que mirando-se
no espelho desvia o olhar
tentando enganar a si
mesmo! Elevo meus olhos
à Deus na esperança de
que possamos ainda nos
perdoar.



CLÓVIS CAMPÊLO

O TEMPO NÃO PARA!





38 anos, 40 quilos e muitos cabelos brancos separam as duas fotografias acima.

A primeira foi feita pelo meu amigo José Arimateia, que hoje mora em Atibaia, São Paulo, numa tarde do ano de 1972.

A segunda foi feita por outro amigo, Aristóteles Coelho, em dezembro de 2010, pela manhã.

Não sei se conseguimos, mas a idéia era mostrar como o tempo transformou a mim e a paisagem urbana do local, na orla de Brasília Teimosa, no Recife.

UM POUCO DE HISTÓRIA

A comunidade de Brasília Teimosa surgiu no final dos anos 50 e início dos anos 60 do século passado, quando a drenagem da bacia do Rio Pina aterrou uma área de mangue que ficava entre o mar e o rio.

No novo areal, o povo pobre e sem ter onde morar começou a construir barracos e a ocupar de forma irregular os espaços vagos.

Durante a noite os barracos eram levantados por eles e derrubados, durante o dia, pela polícia.

Como na época estava sendo construída no Planalto Central do Brasil a cidade de Brasília, que viria a ser a nova capital federal, a insistência e teimosia do povo necessitado logo levou a nova favela a ser batizada com o nome de Brasília Teimosa.
O povo venceu e, ao longo dos anos, a ocupação foi sendo regularizada e urbanizada pelos poderes constituídos.

No ano 2000, numa eleição surpreendente, o Partido dos Trabalhadores elegeu João Paulo de Lima e Silva como o seu primeiro prefeito no Recife. De origem humilde, filho de um cobrador de ônibus, ex-metalúrgico e um dos fundadores da Central Única dos Trabalhadores e do PT no Estado de Pernambuco, João Paulo enfrentou muitas dificuldades nos dois primeiros anos do seu mandato municipal, durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso.

Quando Lula se elegeu presidente em 2002, a coisa mudou e a cidade do Recife passou a ter um tratamento diferenciado. O bairro de Brasília Teimosa foi um dos mais beneficiados, com um projeto de reurbanização da orla, com a retirada dos palafitas e barracos que ainda existiam e com a criação da Avenida Brasília Formosa.

Portanto, a mudança desse cenário, onde eu me insiro com muito orgulho, faz parte da história do Recife, de Pernambuco e do Brasil.




Recife, 2011

COISAS DA VIDA

A INTIMAÇÃO

Violante Pimentel
Violante Pimentel é procuradora aposentada
 do Estado do Rio Grande do Norte

(Por Violante Pimentel) Joaquim era um antigo oficial de justiça de uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Norte, e exercia o seu trabalho com satisfação.  Era muito espirituoso, conversador, e cheio de frases irônicas e inteligentes.  Gostava muito de ver a reação das pessoas intimadas ou citadas judicialmente, principalmente quando eram ricas e metidas a importantes. Era impressionante a sua fisionomia de júbilo, quando via a reação de revolta das pessoas intimadas judicialmente.  No seu dia-a-dia, era comum ouvir palavrões contra o Juiz, Promotor, Advogado, ou contra a própria Justiça. O trabalho que exercia, para ele, era um regozijo. Fazia o que gostava, e deixava transparecer que se divertia com a irritação dos outros.

Certa vez, levou uma intimação a um fazendeiro rico da cidade, para que comparecesse ao fórum no prazo marcado, para tratar de uma demanda trabalhista.  Como portador não merece pancada, Joaquim, levou a intimação ao fazendeiro, sabendo que iria ouvir muitos impropérios, pois o respeitado cidadão era um “cavalo batizado". Tratava-se de um homenzarrão de fazer medo, e sua voz estridente podia ser ouvida a um quarteirão de distância. 

 O homem se recusou a receber o mandado. No dia seguinte, Joaquim se dirigiu novamente à residência do fazendeiro, que não quis nem conversa com ele. O oficial de justiça disse, então, à sua filha que, no dia imediato, às 10 h, estaria ali para entregar a intimação. Seria o terceiro e último dia do prazo legal, para a entrega do referido mandado.

Na manhã seguinte, à hora marcada, estava Joaquim na porta da residência do fazendeiro. Dessa vez, quem o recebeu foi a sua esposa, uma senhora calma e educada, exatamente o oposto do marido. A mulher disse ao oficial de justiça que o esposo, em hipótese alguma, iria receber qualquer intimação, nem assinaria qualquer documento. Joaquim, então, insistiu com a mulher, dizendo-lhe que, de acordo com a lei, teria que registrar essa recusa, e que ela mesma teria que receber e assinar a contrafé do documento. Caso contrário, ele chamaria testemunhas para registrar o fato.

Dona Rosilda, muito nervosa, pediu licença para entrar e tentar convencer o marido a atender ao oficial de justiça. Mas o resultado foi pior… O fazendeiro apareceu na porta, indignado, esbravejando contra o Juiz, e contra o próprio oficial de justiça. Num assomo de extrema grosseria, arrebatou das mãos do serventuário da justiça a intimação, rasgando o documento em mil pedaços e,  enfurecido, falou:

- Olhe, seu safado, você diga ao Juiz que eu não assinei, nem assino coisa nenhuma, e que taqui ó!!! Taqui pra ele, ó!!!

E estirou o seu enorme dedo médio da mão direita, na cara do oficial de justiça, num gesto de conhecida irreverência.

Joaquim empalideceu, com medo de que o homem o agredisse fisicamente, mas logo se refez e o seu senso de humor falou mais alto. Encarou o temido brutamontes, olhou bem nos seus olhos e respondeu,  também estirando o dedo médio da mão direita para ele:

- TAQUI QUE EU DIGO, Ó!!! TAQUI Ó!!!

E mais que depressa, quase correndo, o oficial de justiça voltou ao Cartório, para as providências cabíveis.




sábado, 27 de dezembro de 2014

CASA DE FERREIRO...


A mulher se gabava de resolver qualquer problema, a preços módicos – de desemprego a amor não correspondido, passando por vícios, depressão, ansiedade, gula, impotência, cólicas menstruais etc.

Era, segundo familiares, marido à frente, um fenômeno, muito embora ela não entortasse garfos e colheres com o olhar, como aquele paranormal israelense, que fez grande sucesso anos atrás.

Pra lá de Bagdá, o marido pediu a penúltima e abriu o jogo:

-- Zeca: hoje, de novo, não vou dormir em casa.

-- Por quê? - quis saber o colega de copo.

-- Pra não estragar o negócio da minha mulher.

-- Como assim? - insistiu o curioso, após mais uma talagada profissional.

-- Do jeito que o povo gosta de falar... Vão dizer que minha mulher não é de nada, que não consegue fazer o marido parar de beber... Mas ela é poderosa. Só que ninguém tem 100% de aproveitamento. Até Pelé perdeu gol feito... Comigo a coisa ainda não funcionou.

-- E você vai dormir onde? – perguntou-lhe Zeca, após mais um gole.

-- Na casa de uma coligada, viuvinha da hora. Boa de cama e de copo. Tchau.

-- Vai com Deus.

-- Fica com ele. Precisando pode procurar minha mulher. Ela atende até às 23h. Aceita todos os tíquetes (refeição, alimentação) e cartões de crédito. Só não faz fiado. Nem aceita cheque. Fui.

(fevereiro de 2013)


CHARGES: DIRETO DA "BESTA"


paixao
PAIXÃO -- GAZETA DO POVO


ATRÁS DO JORNAL DA BESTA FUBANA 
SÓ NÂO VAI QUEM JÁ MORREU



AUTO_son
S.SALVADOR -- ESTADO DE MINAS


OPI-002.eps
AMARILDO 


aroeira
AROOEIRA -- O DIA