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No
início dos anos 90, Paulo Francis (1930/1997) gravava, diariamente, no estúdio
da tevê Globo em Nova York, seus comentários para os telejornais da emissora. Eles
duravam cerca de 90 segundos. Francis se recusava a usar o teleprompter. Falava de improviso. Na redação, trabalhavam cerca de
quinze pessoas. Era natural que os colegas falassem entre si ou ao telefone. O
que acabava por desconcentrá-lo. A reação de Francis era hilária, um “espetáculo
à parte”, segundo Jorge Pontual. O vídeo abaixo nos dá uma ideia do que ali
ocorria. (OS)
|
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
OS PQPS DE PAULO FRANCIS
QUASE HISTÓRIAS (LXXIII)
| INTERNET |
QUERIDA VOVÓ
Os
óculos de lentes grossas, tipo fundo de garrafa, como se dizia naqueles tempos,
tinham pouca (ou nenhuma) serventia. A avó era praticamente cega – cega
teimosa, cega irrequieta. Inútil lhe pedir para que não andasse sozinha pela
casa. Tanto fez, até que caiu, quebrou o fêmur, ficou internada por bom tempo.
Mas era dura na queda, ainda bem. Voltou pra casa, mais teimosa que nunca. Que
lástima.
Um
dia, ela se levantou e saiu perambulando pelo corredor. Deixou pelo caminho um
rastro de destruição. Dizimou com seus pés igualmente cegos e pesados os dois
times de futebol de mesa do neto. A mãe prometeu ao filho que, assim que
pudesse, compraria outros botões. Que por ora brincasse com as bolinhas de
gude. Quem mandou deixar os botões no chão? Inútil argumentar que a mesa da
cozinha estava sempre ocupada. Onde colocar o campinho?
Sabedor
que comprar times de botões não era prioridade da mãe – o dinheiro, sempre
curto –, começou a brincar com as bolinhas de gude. Toda vez que ele via o
campinho vazio, sem jogadores, tinha vontade chorar. Toda vez que ele via a avó
zanzando pela casa, olhava para as bolinhas de gude. E lamentava não ter
estilingue. (OS)
CARICATURAS: MARTINHO DA VILA
De segunda a sexta da semana passada,
o BLOG DO LANDO publicou algumas informações
o BLOG DO LANDO publicou algumas informações
sobre mestre Martinho, bem como vídeos
Hoje, para encerrar a série, o BLOG DO LANDO traz imagens de Martinho,
nos
traços de Ique, Baptistão, Lan, Dálcio Machado e Nássara
– time de ponta dos caricaturistas brasileiros de todos os
tempos.

IQUE

LAN

DALCIO MACHADO
NÁSSARA
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ROMEIRO
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ROMEIRO
PARA OUVIR ALGUNS SUCESSOS
DE MARTINHO DA VILA
CLIQUE NOS LINKS ABAIXO
CHARGES: DIRETO DA "BESTA"
SINFRÔNIO - DIÁRIO DO NORDESTE (CE)
PAIXÃO – GAZETA DO POVO (PR)
AMARILDO – A GAZETA (ES)
SPONHOLZ – JBF
GILX – JORNAL O DIA (PI)
SINOVALDO – JORNAL NH (RS)
SID – CHARGE ONLINE
S. SALVADOR – ESTADO DE MINAS
RAPIDÍSSIMAS (XCVIII)
| INTERNET |
VAI, NENÉM
Direita,
esquerda? Medíocres rotulam, me enchem de urticária e preguiça. A inteligência lhes é
insuportável. A divergência, inaceitável.
INDIFERENÇA
Não,
não, querida. Isso não. Há outras formas de me ferrar.
SOLIDÃO
Só
ela nos conforta. O resto é confete.
| INTERNET |
DATAS
Dia
disso, dia daquilo? Estou fora. Meu peito, por aflito, ignora calendário.
ANÔNIMOS
São
os que mais me interessam. Carregam o mundo nas costas.
INGRATIDÃO
E
Jurubeba, o filósofo de Vila Invernada, se perguntava: “Por que o álcool me
maltrata tanto? Gosto tanto dele.”
DICIONÁRIO
--
Aquele olhar dissimulado dizia mais que todas as palavras.
A ARTE DE SIMONE GRECCO
DESENHOS DIGITAIS - 2012








Formada pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo (1972)
e com diversos cursos de especialização nos Estados Unidos,
Simone Grecco é uma artista plástica, cuja obra a todos encanta.
No Brasil e no exterior.
Atualmente, mora no Porto.
Para entrar em contato com Simone,
mestre em esculturas em arame, acesse
FALA, OTÁVIO
| floq.com.br |
COLAR DE PÉROLAS
(Por Otávio Nunes) O
negro Benedito cavalgava de volta pela estrada, feliz como o passarinho que
leva no bico um inseto para os filhotes no ninho. Tinha ido à cidade, depois de
anos, levar encomenda de seu patrão ao intendente da comarca. A cidade estava
diferente e movimentada: brancos, negros e índios andavam pela rua, como se fossem
iguais.
Ao
ver um pé de jabuticaba, a poucos metros da estrada, Benedito interrompeu o
campeio, apeou do cavalo e foi se fartar das frutinhas saborosas que abundavam
em todos os setembros. E, naquela primavera de 1866, não era diferente. Comeu
até sentir a boca “amarrada” e encheu o embornal para levar as pretinhas para
seus filhos na senzala.
Ao
adentrar novamente na estrada, puxando o cavalo pelo focinho, pisou num objeto
duro. Pegou a coisa, tirou o barro, limpou com a camisa e vislumbrou um colar
cheio de bolinhas quase brancas. Pôs no bolso para dar a Conceição, sua
companheira. “Mulher gosta dessas coisas”, pensou.
Sua
companheira estava orgulhosa pelo homem que tinha. Apesar dos anos e dos
cabelos brancos como cabeça de alho, Benedito era um negro de estirpe e
trabalhava de sol a sol, sem reclamar. Seu pai viera de Angola, de uma tribo
guerreira que matou muitos brancos antes de ser aprisionada. O velho, que nem
nome brasileiro tinha, sobreviveu num navio por vários meses, comendo batata crua
e bebendo água salobra. Na palma da mão, sementes de feijão andu, que ele
semeou na fazenda logo que começou a trabalhar como escravo. Benedito nasceu
dois anos depois.
Bendito
entrou na fazenda como um general numa cidade conquistada, cabeça altiva. Dirigiu-se,
então, ao escritório do patrão a fim de entregar a carta do intendente. Teve de
esperar, pois o fazendeiro atendia um visitante especial, o futuro genro. Sem
entender as palavras, Benedito escutou parte da conversa.
--
Meu futuro sogro, acredite, o trem da República está chegando ao Brasil e um de
seus vagões trará a libertação dos escravos.
--
Rapaz, você foi à capital para estudar as leis, não modificá-las. Também fui
jovem e sonhei. Hoje, sou realista. Quando você desposar minha filha, Ana Rita,
juntará as terras do seu pai e as minhas. Pense nisso. Precisará do trabalho
dos negros. Por enquanto você é um apenas um idealista, mas vai acordar do
sonho.
--
Sou sonhador, sim. E sinto honra em sê-lo. Nos Estados Unidos da América,
mister Abrahan Lincoln libertou os escravos, a ferro e fogo. Guerreou com os
sulistas conservadores e os derrotou. Pagou com a própria vida, mas garantiu a
unidade da federação e a liberdade dos negros. O futuro é inevitável, meu
sogro.
Despediu-se
e saiu. Minutos depois, Benedito entrou e entregou a carta ao patrão.
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No
dia seguinte, o comentário das mucamas na casa-grande era um só: o colar de
Conceição. Foram tantas as conversas que chegaram ao ouvido de Ana Rita. Era o
seu colar que adornava o pescoço de Conceição. Havia notado a falta da jóia
fazia três dias, logo que tinha voltado da cidade onde fora mostrar o belo
presente de casamento a suas amigas. Apolônio o comprara de um joalheiro
francês, no Rio de Janeiro, para Rita usar no dia do casamento.
Benedito
e Conceição foram acusados pelo roubo do colar. A história contada pelo velho
escravo não convenceu o fazendeiro, sua filha ou Apolônio. Nada adiantou falar
da estrada, da jabuticaba, do colar no barro. O castigo foi duro e exemplar.
Benedito e sua mulher foram executados em frente à senzala, na frente de
centenas de escravos daquela e de outras fazendas. Apolônio achou justo e
apoiou o castigo, no que foi elogiado pelo sogro.
Uma
semana depois, os noivos se casaram na igreja da cidade em grande celebração.
No pescoço de Rita, o reluzente colar de pérolas, tão alvo que parecia nunca
ter se hospedado na pele escura de Conceição ou no barro da estrada.
Enquanto
arrumava suas malas para a viagem de núpcias à Europa, inadvertidamente o jovem
idealista olhou para a parede de seu escritório e viu o quadro de um homem
cortando lenha, escrito embaixo Abrahan Lincoln.
![]() |
| OTÁVIO NUNES É JORNALISTA |
GLÓRIA BRAGA HORTA
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
BRUNO NEGROMONTE
Histórias e estórias da MPB - Parte 13
Considera por Luiz Gonzaga a Rainha do Baião, Carmélia Alves pode ser considerada a primeira artista independente do Brasil
Recentemente trouxe aos amigos leitores algumas informações sobre dois ícones da música nordestina: Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga, este último considerado o Rei do Baião. Agora retomo as histórias e estórias do nosso cancioneiro trazendo Carmélia Alves, que na década áurea do Baião foi coroada pelo próprio Luiz Gonzaga como a Rainha do ritmo tão difundido por ele. Carmélia apesar de ter nascido em Bangu, na zona norte do Rio de Janeiro, seus pais eram nordestinos. De pai cearense e mãe baiana, Carmélia deu início a sua atividade artística como caloura do programa de Ary Barroso cantando um samba do repertório da pequena notável Carmen Miranda. A canção era Doce Veneno, do compositor Roberto Ribeiro. Resultado: conseguiu a nota máxima e foi participar do programa “Escada de Jacó”, uma espécie de ascensão profissional dos calouros para o status de profissional. Mas foi só através do programa “Picolino” do saudoso Barbosa Júnior que a artista passou a ser considerada profissional. Isso ocorreu após uma apresentação da artista ainda como caloura onde ao final do seu número foi aclamada pelo público presente e foi obrigada a bisar o número apresentado onde o apresentador participou. Isso a credenciou a favorita da plateia naquela noite, e ao final das apresentações o nome de Carmélia não constava entre as classificadas. O público veio abaixo e começaram as reivindicações. Sob gritos e vaias, Barbosa Júnior justificou a não presença da caloura entre as classificadas: "Carmélia Alves não é caloura, ela já é profissional. E tem mais: a partir de hoje ela passa a ser minha contratada". Começava aí a carreira profissional da intérprete carioca.
Quem proporcionou a primeira gravação fonográfica da artista foi o não menos notável Benedito Lacerda, músico de primeira grandeza e que oportunizou o registro de "Quem dorme no ponto é chover", de autoria de Assis Valente. No entanto a gravação custou ao bolso da artista 400 mil réis para a gravação, pois o dinheiro era para o pagamento da matriz da RCA Victor. Sem este valor a cantora desistiu da gravação, mas ao voltar para casa a sua mãe disse que ela não iria deixar de gravar e junto aos familiares conseguiu levantar tal quantia. Após essa gravação artista passou sete anos sem fazer registros fonográficos. Outro importante nome presente na biografia da artista foi o músico e compositor Hervê Cordovil. Autor de clássicos do cancioneiro brasileiro, Hervê foi o responsável por introduzir a cantora no universo do baião ao apresentar a canção "Sabiá na Gaiola", canção que acabou por se tornar um clássico do seu repertório e outras do mesmo gênero que acabaram sendo registradas pela artista. Tais gravações a fizeram cair na graça do público que de imediato aclamava-a como Rainha do Baião, posto este que foi oficializado no programa "No mundo baião", apresentado por Humberto Teixeira e pelo Rei do gênero, Luiz Gonzaga na rádio Mairink Veiga. Intermediado pelo apresentador César de Alencar, Carmélia foi convidada para apresentar-se no programa e, no meio da apresentação, foi coroada no palco da rádio carioca pelo próprio Gonzaga que ao colocar o chapéu de couro na cabeça da cantora disse: "Estou coroando você a Rainha do Baião com o símbolo do Nordeste. Daqui pra frente vamos defender o acervo nordestino, você como Rainha e eu como Rei."
Vale registar que a admiração da cantora por Carmen Miranda. Ainda como caloura, Carmélia sempre apresentava-se interpretando as canções do repertório da pequena notável. Seus caminhos não chegaram a cruzarem-se, no entanto Carmélia teve a oportunidade de substituir aquela que ela tinha por ídolo em um programa de rádio. Ao ir residir no EUA, o horário de Carmen ficou vago, e isso propiciou a contratação de Carmélia.
Para matar a saudade da voz dessa intérprete ímpar segue para audição a gravação original de "Sabiá na gaiola", registro este de 1950:
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
GLÓRIA BRAGA HORTA
ALMAS GÊMEAS
|
O tempo passa em
torturante lentidão. O desalento ameaça apagar o brilho do seu olhar, o cheiro
da sua pele, a alegria do seu sorriso… mas seus pensamentos insistem em rodar
freneticamente e a trazer de volta todos seus anseios, quando sente, ao fechar
os olhos, o corpo dele junto ao seu, em
frêmitos de desejo. É o poder da paixão, a fúria do vulcão, saindo da inatividade
e fazendo jorrar a mais profunda lava de incontido prazer.
Desvairado devaneio
apenas… louca ilusão que alimenta nela a esperança de um real encontro e que a
faz suportar a solidão da espera.
Ela sente obstáculos
rondando seus caminhos. “É a ansiedade querendo se instalar. Ele está por perto, eu sei! Vai chegar sorrindo, passar as mãos nos meus
cabelos, com aquele olhar apaixonado.
E eu beijarei sua face, suas mãos, seu peito…” Assim, amparada em seus sonhos, ela deixa que
a sábia energia que move sua mente atravesse fronteiras, cruze mares,
transponha montanhas.
Enquanto o tão esperado
contato não se dá no mundo real, ela se conforma com a imagem mental que faz
dele. Sua visão sensorial torna-se cada vez mais frequente. Agora mesmo ela o
vê esparramado ali no sofá, na penumbra do cálido ambiente. Uma suave música baila no ar. Nem uma palavra. Por enquanto, não. Só a
sofreguidão das carícias, em avassaladores tremores.
Embalada pela doce
saciedade, ela dorme. Seus olhos se
cerram com mais firmeza. A sombra que
agora aniquila seus sentidos vai cedendo lugar a uma claridade ímpar, ora com
diáfanos matizes ora com cores mais densas, abrasadoras.
Sinuosas formas
aparecem e dançam num vai-e-vem alucinante, diante seu translúcido olhar. Ela
se põe a flutuar no meio delas, como uma serpentina, em fantásticas
elucubrações. Não consegue mais abrir os olhos.
Enxerga com a visão da alma.
O coração de luz pulsa
mais forte ao vê-lo! Não é só um devaneio, nem uma ilusão. É o esperado e
real encontro! Ele se aproxima sorrindo e
alisa seus cabelos…
Seus etéreos corpos se
atraem em apoteótica fusão. Ela se
aconchega em seu ardente peito e, no apogeu da excitação daquela chama, voam
abraçados para o infinito…
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