segunda-feira, 27 de julho de 2015

GLÓRIA BRAGA HORTA

Glória Braga Horta nasceu em Mutum-MG. 
É jornalista, poeta e cronista.
Dedica-se também à música popular (canto e teclado)
e às artes plásticas

POEMA CHEIO DE GRAÇA E PAIXÃO

O céu nublou, e daí?
Nublou porque quis nublar
porque cansou da azular
meus olhos de amor por ti
E agora, amor, que faço?
Atravesso as densas nuvens
E me mando para o espaço?
Vens comigo? Te espero… Vens?
Este chão perdeu a graça
Sem o brilho do luar
Sem o sol para dourar
nossos olhares de amor
que se espalhavam ao redor
dos nossos corpos em chama
que rolavam pela cama
até caírem no chão
cheios de graça e paixão…


FALA, OTÁVIO

OTÁVIO NUNES É JORNALISTA

O COFRE DO SENADOR

(Por Otávio Nunes) O senador Turíbio Cavalcanti acorda cedo e abre a janela de sua mansão. Sente-se rejuvenescido com os primeiros raios de sol e o ar fresco e perfumado exalado do seu vasto jardim. Tanta felicidade o incita a proferir um discurso em louvor da natureza, mas nada diz por absoluta falta de quorum na sua casa. A empregada deve chegar em pouco. Enquanto isto, o velho político senta-se a sua escrivaninha para ler o jornal.

Turíbio ainda é chamado de senador, embora aposentado das tribunas, onde defendeu em quatro mandatos consecutivos, com muita abnegação, a conciliação dos interesses do Estado com os do cidadão, mas sempre beneficiando a si mesmo e aumentado seu patrimônio para ter uma velhice feliz e deixar seu legado à pequena prole dos Cavalcanti. Vive sozinho após a morte da esposa e seu único filho mora no exterior.

Sua companhia mais próxima é a empregada Andrômeda, que entra em casa no momento em que ele lê o editorial de seu jornal preferido, um diário mais que centenário que irradia o pensamento das pessoas letradas, cultas e abastadas da sociedade. Enfim, aqueles que conduzem com eqüidade a vida do populacho.

Andrômeda bate levemente na porta e entra para dar bom dia ao patrão e receber as ordens. Turíbio passa algumas instruções e diz que ela não precisa trabalhar nos próximos três dias, porque ele irá viajar, para participar de importante seminário político na Capital, onde encontrará seus amigos de partido. Ela sorri e agradece: “muito obrigada, senador”. 

Os três dias são sexta-feira e fim de semana. Na noite de sábado, Andrômeda e seu companheiro, um pedreiro que vive de bicos, entram na mansão e levam o computador, o aparelho de som e a torradeira elétrica.

O senador só percebe a falta de um aparelho quatro dias depois de sua volta, quando resolve ouvir um disco com a música maravilhosa Jesus Alegria dos Homens, de Bach, interpretada pela Sinfônica de Berlim. Como não sabe usar computador e compra torrada pronta, nem deu pela falta dos demais eletrodomésticos roubados pela dupla.

Pergunta para a empregada o que sucedeu com o aparelho de som. A empregada, que já pensava não ser questionada sobre o sumiço, simula completo desconhecimento e surpresa do caso. “Ah, meu Deus! O que será que aconteceu, senador?”. E assim fica a situação. Para aproveitar o mesmo verbo, digo também que o senador fica sem ouvir a obra-prima de Bach.

Na próxima viagem, o senador passa quatro dias fora, para assistir ao casamento do filho de um governador, bem como aproveitar a casa de campo da família do anfitrião. Andrômeda e seu companheiro entram novamente na mansão e surrupiam a televisão pequena, o microondas, um colar de prata, que um dia ornamentou o pescoço da falecida senhora Cavalcanti, e a impressora, que eles não conseguiram carregar na primeira noite, para formar dupla com o computador.

Novamente, o patrão demora para notar o ocorrido. Tem medo de mexer no microondas, possui quatro televisões em casa e, sem saber informática, não precisa da impressora. Quase uma semana depois, no dia em que sua mulher faria aniversário, ele abre a gaveta da cômoda do quarto onde guarda carinhosamente os pertences que ela usava. É a única data do ano em que o velho senador admira as peças de sua esposa. Seu coração não resistiria a aberturas constantes da gaveta.

A empregada, que se conhecesse aquela mania no patrão não furtaria o colar, finge novamente estar perplexa. “Valha-me Deus. O sangue de Cristo tem poder. O que está acontecendo nesta casa senador?” E assim, o caso é esquecido e a gaveta, fechada.



A próxima viagem é mais longa. Quinze dias no exterior, para visitar o filho e pegar nos braços o netinho recém-nascido. Tanto tempo disponível aguça o desejo do casal que planeja golpe mais ousado: o cofre que o senador guarda atrás do quadro de um famoso pintor impressionista francês. Andrômeda observa o patrão mexer quase todo dia no cofre.

Marcam o plano para domingo, porque no sábado o companheiro dela encherá uma laje no bairro e depois comerá churrasco de carne dura e beberá cachaça, como sempre ocorre nestes eventos, e dormirá a tarde toda. Na tarde de domingo, já refeito da farra, ele seleciona as ferramentas que precisa: talhadeira, ponteira, martelo, marreta e furadeira. Se não conseguir perfurar o cofre para abri-lo, tirará o dito cujo da parede e o levará para casa. É justamente esta segunda estratégia que ele usa, porque a broca da furadeira mostra-se incapaz de penetrar no aço do cofre.

Correm horas de trabalho para quebrar a parede em volta do cofre. Como a propriedade é grande, o barulho da marreta na cabeça da talhadeira e da ponteira não é ouvido por ninguém. Finalmente, o cofre solto. Mas na hora de carregá-lo é um sufoco por que é muito pesado.

Hábil ao retirar o cofre da parede, ele deixa espaço para repor o quadro de forma a tapar o buraco. Além disso, retiram o entulho e limpam muito bem o local. Só não levam o quadro impressionista por achá-lo feio. “Este pintor é muito ruim. Não consigo enxergar direito a mulher e as flores. Acho que é porque o infeliz só tinha uma mão. Tá escrito aqui no cantinho: Manet”, comenta a empregada para seu companheiro.

Já em casa, o cofre escorrega das mãos do homem e cai no pé de Andrômeda, que urra de dor. Com auxílio de um maçarico, abrem e encontram apenas maços de papel com telefones, nomes de empresas de construção e de pessoas, papéis escritos “ações”, recibos de depósito e extratos bancários em nome de desconhecidos e outros documentos em línguas estranhas. Enfim, pouco dinheiro.

O senador volta dias antes do esperado porque discutiu com o filho que batizou o neto com nome estrangeiro. Acostumado às faltas da empregada, o patrão espera dois dias até ligar para ela. Do outro lado da linha, surpresa, ela diz ao senador que ainda não foi trabalhar porque fraturou o dedão do pé esquerdo. “Fui conversar com meu marido numa obra e caiu um tijolo no meu pé”, justifica.

- Tudo bem Andrômeda. Espero que você se recupere logo porque viajo novamente semana que vem.


sábado, 25 de julho de 2015

CARICATURAS: AMARILDO (3/3)

TIM MAIA


MICK JAGGER


WANDO


PAPA FRANCISCO



NOEL ROSA


ERNESTO PAGLIA



HITLER



MESSI


STEVE JOBS




Amarildo Lima, 48 anos, é capixaba
e trabalha há 25 anos no
Jornal A Gazeta do Espírito Santo,
como chargista e editor de Ilustração.




O CANTO DE VÓLIA

INTERNET
ANDO A CISMAR

Ando a cismar com os teus olhos,
Que na escuridão da íris negra,
De mim quer esconder,
O que a alma tenta me dizer.

Ando a cismar com a tua boca,
Que no vácuo de um silêncio imposto,
Nega-me o riso e o beijo,
Enquanto a alma morre no desejo.

Ando a cismar com as tuas mãos,
Que crispadas sobre o peito,
Negam-me a carícia, o afago,
Enquanto a alma sofre com o gesto vago.

Ando a cismar com a tua dualidade,
O querer e o não querer,
O sentir e o negar,
Enquanto sei que tua alma,
De mim, morre de saudade.


11/11/2014


Vólia Loureiro Do Amaral

Vólia Loureiro do Amaral Lima é paraibana,
 engenheira civil, poetisa, romancista e artista plástica.. 
Autora das obras Aos Que Ainda Sonham (Poesia) 
e Onde As Paralelas Se Encontram (Romance). 

IMAGENS: CLÓVIS CAMPÊLO

FOTOS: CLÓVIS CAMPÊLO
RECIFE E OLINDA
JUNHO/2015










NÚBIA NONATO

ptdreamstime.com

DAS VEZES

Das vezes dá um aperto
no coração.

Um nozinho embolado
difícil de desfazer.

Um suspiro sabe-se lá
de quê, sabe-se lá de quem.

Quando acho que vou
desmontar, penso no meu
pai que nem mais a tal da

saudade tem...

sexta-feira, 24 de julho de 2015

DALINHA


Dalinha Catunda


EU E ELA

Desde quando era criança,
Eu ficava na janela,
Fascinada com a presença
Naturalmente tão bela.

***

Já me pegou de surpresa,
Eu tive que me abrigar.
Na soleira me tocava
Um toque de arrepiar.

***

O meu corpo estremecia,
Divina era a sensação.
Intensa tão instigante,
Umedecia-me então.

***

Trazia um cheiro bom
Que me deixava aturdida.
Entreguei-me totalmente,
Por ela fui Seduzida.

***

Senti seu toque seu cheiro,
Seu divino tilintar.
Do céu descia em gotas,
A chuva a me encantar.




BRUNO NEGROMONTE

SOB A ÉGIDE DA VIOLA, GONZAGA LEAL ATEMPORALIZA-SE EM SINTONIA COM A SAUDADE
Em 1993 chegava às lojas de todo o Brasil mais um álbum do cantor e compositor carioca Chico Buarque cujo uma das faixas, intitulada "tempo e artista", descrevia a relação entre a arte e o constante movimento dos ponteiros. Em dado momento da terceira faixa do disco que é considerado, pela crítica especializada, como o melhor disco do artista ao longo da década de 1990, Chico entoa versos como "(...) Imagino o artista num anfiteatro... Onde o tempo é a grande estrela (...) " ou "(...) Já vestindo a pele do artista... O tempo arrebata-lhe a garganta (...)" entre outras frases que hoje, mais de duas décadas após o lançamento, substanciam de maneira bastante vivaz este novo projeto do produtor, cantor (e agora compositor) Gonzaga Leal. Nascido no sertão pernambucano, mais precisamente em Serra Talhada, o artista que foi aluno do Conservatório Pernambucano de Música (onde estudou técnica e teoria musical) vem desenvolvendo um trabalho bastante coerente desde a sua estreia no mercado fonográfico em 2000 com o título "O olhar brasileiro". Desde então vem desenvolvendo os mais diversos trabalhos ao lado de alguns dos principais nomes da cena musical pernambucana e nacional. Com mais de 30 anos de carreira, Leal traz uma vasta bagagem antes mesmo do seu debute em disco, somando relevantes parcerias nos palcos de todo o país assim como também fora deles. Após dar início a sua seleta discografia as parcerias aumentaram qualificamente, enumerando registros ao lado de nomes como Naná Vasconcelos, Francis e Olivia Hime, Alaíde Costa, Ná Ozetti entre outros; e neste oitavo álbum intitulado "De mim" o contexto, além de contemplativo e confessional, não destoando dos anteriores, trazendo para esta celebração a viola como protagonista e a saudade como enredo maior. 
Tendo o tempo como tema recorrente, as quinze canções presentes apresenta um intérprete imbuído de muita pessoalidade. Prova disto é "Da saudade" (Públius), canção considerada o cerne deste projeto é que chegou as mãos de Gonzaga quando ele encontrava-se na Europa sentindo falta do seu torrão, amigos entre outras coisas. Já em "Água serenada" (Déa Trancoso) e "Arco do tempo" (Paulo César Pinheiro) por exemplo, a condescendência do artista ao seu tempo biológico se dá através de frases como "Eu não canto do jeito que eu já cantei... Bebi água serenada, até a voz eu mudei" ou "Em qualquer ponto do tempo... Eu passo e finco meu marco...". O tempo ainda chega em duo com Cida Moreira através da canção "A janela da casa do tempo" (Públius e Xico Bizerra). Do carioca Mário Travassos gravou "Palavra doce" (gravada originalmente em forma de samba-canção pelo cantor Mário Reis em 1960 e agora ganha adornos de música caribenha). Vale observar nesta faixa o quanto se assemelham os timbres entre os dois intérpretes. Da cena musical paulista o pernambucano pincelou nomes como Virgínia Rosa ("Vou na vida" parceria com Swamy Jr.); Luiz Tatit e Fabio Tagliaferri (que assinam "Show"); o disco ainda conta com outros nomes conhecidos pelo grande público como Adriana Calcanhoto e Altay Veloso que assinam, respectivamente, as faixas "Você disse não lembrar" e "Canção de adeus". A faixa "Vôo cego" (Lula e Yuri Queiroga) conta com Marília Medalha, que volta aos estúdios de gravações depois de anos afastada. A cantora e compositora ainda participa da canção de domínio público "Deusa da Lua", que foi adaptada pelo próprio Leal. Outra faixa assinada por Gonzaga (ao lado de J. Velloso e Guito Argolo) é "Sonho imaginoso", canção que busca retratar toda a afabilidade que o artista busca através das mais diversas minúcias. Outras faixas presentes são "Calmaria" (J. Velloso), "Colarzinho de pedra azul" (Junio Barreto), Sina de passarinho" (Bruno Lins, Manoel Filó e Tonzinho), "Ainda bem que eu trouxe a viola" (Juliano Holanda) e "Que falem de mim" (Bidú Reis) lançada pela saudosa Ademilde Fonseca, nos idos anos de 1959.
"De mim" conta com as participações especiais de nomes como Jaime Alem e J. Velloso (além dos talentosos conterrâneosJuliano Holanda e Públius) tem o design gráfico assinado por Tânia Avanzi e a direção fotográfica de Helder Ferrer e do próprio Leal. É válido também o registro de que o disco foi gravado, mixado e masterizado nos estúdios Musak e Carranca (ambos em Recife) sob produção musical, direção musical e regência de Cláudio Moura. A Concepção, o repertório e a direção artística ficou a cargo do próprio artista com arranjos dos músicos Adilson Bandeira, Mauricio Cezar, Nilson Lopes e Marcos FM. Dentre os responsáveis pela tessitura do disco a ficha técnica conta, entre outros, com nomes como Daniel Coimbra (cavaquinho), Caca Barreto (contrabaixo acústico), Julio Cesar (acordeon), Ricardo Freitas (bateria), Adilson Bandeira (sax soprano, clarinete e clarone), Hugo Lins (viola dinâmica), Rafael Marques (bandolim), Fabiano Menezes (violoncelo), Mauricio Cezar (piano), Alex Sobreira (violão 7 cordas), Breno Lira (guitarra semiacústica) e nas percussões Lucas dos Prazeres, George Rocha e Tomás Melo, elencando de modo substancioso este disco nada prosaico e que nasceu quando um Gonzaga reflexivo e saudoso encontrava-se longe de sua terra deixando-se dominar pelo irrevogável desejo de voltar as suas origens.
Mesmo que tempo, como diria o poeta, com seu lápis impreciso ponha-lhe rugas ao redor da boca como contrapesos de um sorriso; Gonzaga Leal sabe serenamente aliar-se a ele, deixando-lhe que o mesmo componha seu destino sem nunca deixar de adequar-se condescendente a esse inexorável contexto. Resoluto, Leal traz a prova documental que ele tem o seu próprio tempo e este parece estar longe das formais convenções. Em seu agora o artista pernambucano abarca, de modo sereno e astucioso, o futuro e o passado. Sua arte não delimita-se e nem faz concessões e procura trazer impregnada em sua gênese a mais profunda verdade acompanhado por um rigor estético que vem do seu âmago e que agora apresenta-se de modo mais intenso como pode-se observar em "De mim", um projeto que suplantou desejos maiores e fez com que a impulsividade do agora aliasse-se de modo reflexivo as mais diversas reminiscências. Astuto, Gonzaga sabe como contemplar a saudade adequando-se serenamente ao tresloucado tic-tac do relógio, permitindo-se a pertinente e propícia condição para a atemporalidade. Senhor do seu tempo Gonzaga Leal consegue imergir em cada segundo e dele tirar o seu melhor através da sapiência e disciplina, adjetivos que só ele, o tempo, é capaz de nos trazer. Nos percalços do passar das horas talvez haja avarias, no entanto o artista mostra que ao nos permitir, de modo complacente, encarar a frenética ampulheta do tempo tudo se atenua.
Aos amigos leitores seguem duas canções. A primeira trata-se de "Água serenada", de autoria da mineira Déa Trancoso. A faixa conta com citação de "Vou na Vida" (Swamy Jr./ Virgínea Rosa) e conta com arranjo e viola de 10 cordas de Jaime Alem:
A segunda faixa trata-se de uma composição do pernambucano Juliano Holanda. "Ainda Bem Que Hoje Eu Trouxe A Viola" conta com os vocais do autor, de Gonzaga Leal e Públius, artista da nova cena musical pernambucana:

quinta-feira, 23 de julho de 2015

CHARGES: DIRETO DA "BESTA"



rafael
RAFAEL – O POVO (CE)


AUTO_lailson
LAILSON – CHARGE ONLINE


AUTO_gilson
GILSON – CHARGE ONLINE


duke

DUKE – O TEMPO (MG)


AUTO_sinovaldo

SINOVALDO – JORNAL NH (RS)


paixao
PAIXÃO – GAZETA DO POVO (PR)


AUTO_edra
EDRA – DIÁRIO DE CARATINGA (MG)


AUTO_son
S. SALVADOR – ESTADO DE MINAS



JORNAL DA BESTA FUBANA





QUASE HISTÓRIAS (LXX)

gilbertoleda.com.br

CARTÓRIO

Sempre impliquei com todos que ali há habitam e nos esfolam. Acho absurdo que uma tipinha qualquer, que ninguém sabe de onde veio nem para onde vai, duvide de que eu sou eu. Não sei escrever por extenso. Nem quero aprender. Tal assinatura, coisa de trinta anos atrás, jamais repetirei. Francamente. Tudo bem pago. Em troca de atendimento ordinário. Você sob suspeita o tempo todo.

Isso é pinto perto de inventário. Pai morreu. Gastos medonhos, aborrecimentos ainda maiores. Bisa Nilza, amor de minha vida, também se foi. Durante quarenta e tantos anos a chamávamos, oficialmente, de Maria Leonilza da Ressurreição. Qual o quê! Na certidão de batismo, mais claro impossível. Nada de Leonilza, menos ainda de Ressurreição. Simplesmente Maria. Da Silveira.

Com tia Laura, foi pior: Irmã da mãe, meses mais nova, foi batizada e registrada, pelo pai (dela, meu avô), pelo padre e pelo cachaceiro do cartório, amigo do avô. Mãe era Neide Minas. Tia Laurinha virou Laura Manzanares e não se fala mais nisso.

E eu, por falta de sobrenome confiável, dei no que dei: em nada.