quinta-feira, 26 de março de 2015

CHARGES: DIRETO DA "BESTA"

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NEWTON SILVA – CHARGE ONLINE



de merda

SPONHOLZ



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THOMATE – A CIDADE (RIBEIRÃO PRETO)


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MARIOSAN – O POPULAR


TRÁS DO JORNAL DA BESTA FUBANA 
SÓ NÂO VAI QUEM JÁ MORREU


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LUSCAR

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PATER – A TRIBUNA



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GENILDO – CHARGE ONLINE

A GUERRA (NADA SANTA) DOS NÚMEROS

nãomordaamaca.com

Sabemos todos que os números não mentem. Assim como não ignoramos o fato de que não se pode dizer o mesmo daqueles que produzem os números. Salvo engano, temos aí uma legião de mentirosos.

No dia 15 de março, a multidão tomou conta da Avenida Paulista. Segundo dados da PM, os manifestantes somavam mais de um milhão de pessoas. O DataFolha tratou de reduzir o número de insatisfeitos para 210 mil – um quinto do estimado pela PM. Quem errou? Quem mentiu?

Os professores da rede estadual de ensino de São Paulo estão em greve – aliás, essa gente faz greve num ano e no seguinte também. A entidade que diz representar a categoria (APEOESP) afirma que 60% dos professores estão com o giz no bolso do guarda-pó. O governo do Estado garante que apenas 2,5% da categoria aderiram ao movimento. Quem erra? Quem mente? Por que insistem em nos tomar por idiotas?

No caso da greve dos professores, além da verdade, quem paga o pato são os alunos, a quem é oferecido um ensino medíocre.

***
Por falar em números, o sindicato dos professores, um dos inúmeros braços do polvo petista, pleiteia um aumento de 75%. Dá para levar a sério?





NÚBIA NONATO


AQUI JAZ O POETA

ADEUS

Retiro-me.
Recolho-me.
E em minha
infinita
insignificância
Cato os meus
cacos, partes
de um todo
fragmentado.
Que poesia o quê!
É o pão que incha
que sacia a fome...
Enterre o poeta
em cova rasa
distante do rio
distante do sol.
Deixe que a hera
cresça e sufoque
a esperança.
Poesia pra quê?!




DIÁLOGO COM CÃES E PORCOS



O escritor argentino Jorge Luís Borges afirmava o seguinte: “Dá o santo aos cães, atira as tuas pérolas aos porcos; o que importa é dar”.

Do mesmo modo, Renato Boca-de-Caçapa, o filósofo do povo, costuma dizer: “Não queira saber se são porcos, jogue as pérolas”.

Assim, os dois, contrapõem-se a citação bíblica (Mateus, capítulo 7, versículo 6) que afirma o contrário: "Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, para que não suceda de que eles as pisem com os pés e que, voltando-se contra vós, vos dilacerem."

Afinal, se é da natureza e do direito dos porcos apreciar a lama e não as pérolas, não nos cabe fazer-lhes críticas desnecessárias, e sim, apenas, lamentar que na impossibilidade do diálogo a comunicação não aconteça.

O poeta argentino e o filósofo do lúmpen mostram-se mais abrangentes e dialéticos do que a máxima bíblica, que na sua essência deveria estar repleta de comiseração e paciência. E, ao mesmo tempo, transferem a importância do resultado para o ato em si. Isenta cães e porcos da responsabilidade de serem o que são, já que nisso não há nenhuma maldade implícita e apenas uma conjunção de vetores naturais que desembocam nessa resultante.

No texto bíblico há uma crítica subjacente tanto a impureza canina quanto à insensibilidade suína. Em suma, se tens algo de valor não a dê a quem não a merece. Esse separatismo não corrige uma provável situação de diferença e apenas a autentica. Aos porcos e aos cães, ao longo de toda a sua existência, só lhes caberá ser porcos e cães. Intrinsecamente, também, se a ti foi dado o reconhecimento e o direito de ter pérolas, não vos cabe contrariar a lei. Deixai aos porcos o direito de chafurdar na lama e aos cães a eterna insantidade. As pérolas são tuas. Divida-as apenas com quem de fato as mereça.

CLÓVIS CAMPÊLO

Eu, particularmente, acho mais simpáticas as posições do poeta e do filósofo, porque, antes de tudo, sobrepõem o ser ao ter. A generosidade do dar, independentemente do resultado final atribuído ao que foi dado, para mim, substitui com vantagem o egoísmo do ter apenas por ter. Se essa última condição não significa por si só melhoras concretas e significativas para porcos, cães e humanos, não existe razão nenhuma para ser mantida. Estabelecer uma linha de comunicação entre eles, talvez seja mais do que necessário.

Porém, admito que querer dialogar com porcos e cães talvez seja mais uma utopia desnecessária e inútil. A estagnação, porém, com certeza não nos levara a lugar nenhum. Evoluir é quebrar paradigmas e regras consagradas e não discutidas. Ainda mais quando estamos no topo desse triângulo estabelecido.

Aos porcos e cães pode ser dado o direito de evolução e transformação. E às pérolas pode-se ser atribuído um outro valor que abandone o absoluto e transite pela relatividade.

Para mim, não está definido que usufruir do valor das pérolas seja um permanente direito humano.

Recife, março 2015




quarta-feira, 25 de março de 2015

CHARGES: DIRETO DA "BESTA"



aroeira


ATRÁS DO JORNAL DA BESTA FUBANA 
SÓ NÂO VAI QUEM JÁ MORREU

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NICOLIELO – JORNAL DE BAURU


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S. SALVADOR – ESTADO DE MINAS


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M. AURÉLIO – ZERO HORA


jader

JADER – O CORREIO (RS)


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MYRRIA – A CRÍTICA


RAPIDÍSSIMAS (LXXI)

curiososnomundo.blogspot.com


OUTONO
Aquelas folhas decaídas no chão estão ali para nos lembrar que as árvores fingem morrer. Para renascer.

SENSATEZ
Era tão vaidoso que há anos não se olhava mais no espelho.

DIZEM O DITO E A DITA
Quem sai aos seus não degenera. O que não significa dizer que o “tipo” seja coisa que preste.

PETER PAN
Sempre que lhe perguntavam o que pretendia ser quando adulto, ele dizia: “Nada, não vou crescer”.

INUTILIDADES
O sujeito tinha mil e uma ideias. Mas era incapaz de dar o passo.

TIRANIA
Não pedia nada, de nada reclamava. Mas não cedia nunca.


receitaculo.com.br


AMBIÇÃO
Naquela hora, ele não queria nada, a não ser um sanduíche de mortadela com queijo, tomate e orégano. Além de silêncio, claro.

JUSTIFICATIVA
Precisa encontrar uma desculpa convincente – não para os outros, para si.



COISAS DA VIDA

O COENTRO



(POR VIOLANTE PIMENTEL) Bento era fiscal da prefeitura de Nova-Cruz, casado com Mariana, com quem tinha três filhos ainda pequenos.  Era boêmio, gostava de cantar e tocar pandeiro. Não abria mão das farras nos finais de semana. Isso era motivo para brigas com a esposa, que era mandona e dominadora.

Muito calmo, Bento aparentava  ser submisso às ordens da mulher, mas sempre fazia o que bem queria.  Mariana tentava fazer o possível e o impossível para afastar o marido da bebida e das farras.  A mulher não suportava quando o via chegar em casa embriagado.. As brigas eram constantes e as ameaças de separação aumentaram da parte dela.

Por causa disso, Bento procurou evitar as farras e o clima dentro de casa melhorou.  Num sábado pela manhã, a mulher estava debulhando feijão verde para o almoço e pediu ao marido que fosse ao mercado público comprar coentro para o tempero. Bento saiu para o mercado e, ao passar pela casa do amigo Gilberto, parou para um dedo de prosa com ele e  pai que acabara de chegar de Natal, para passar o fim de semana.

Violante Pimentel é procuradora aposentada
 do Estado do Rio Grande do Norte
Bento foi comprar o coentro, mas na volta, ao passar novamente pela casa do amigo, não se controlou, vendo os preparativos da farra que iria haver. No alpendre da casa já estava formada a animada roda, com violão, cavaquinho, bandolim, afoxê e tantã. Bento pegou o pandeiro, e logo a animação começou.  Vários cantores e músicos amadores, e a festa estava feita. Logo começaram as rodadas de cerveja, os tira-gostos, e o tempo passou rapidamente.. A farra estava animada, e Bento, uma vez por outra, se lembrava de que a mulher estava aguardando o coentro para temperar o feijão verde.

Depois de algum tempo, Bento só pensava em cantar, tocar e beber com os amigos. As horas passaram rapidamente, e ele só foi chegar em casa às 21 h, completamente embriagado. A mulher, braba que só uma cobra, partiu pra ele com um sapato na mão, disposta a bater na sua cara.  Antes que o atingisse, Bento gritou:

 - Tenha calma, jararaca!!! O que você me pediu pra comprar está aqui, olhe! Tome!

E, com muita dificuldade, tirou do bolso da calça o molho de coentro, completamente seco e amarrotado!... A mulher armou o circo, e deu um verdadeiro escândalo com o marido,  esfregando –lhe na cara o molho de coentro!        



terça-feira, 24 de março de 2015

CHARGES: DIRETO DA "BESTA"


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AMARILDO – A GAZETA


ATRÁS DO JORNAL DA BESTA FUBANA 
SÓ NÂO VAI QUEM JÁ MORREU


AUTO_son

S. SALVADOR – ESTADO DE MINAS


AUTO_jmarcos

J. MARCOS – DIÁRIO DO AÇO


duke

DUKE – O TEMPO


AUTO_aroeira

AROEIRA – O DIA (RJ)



NÚBIA NONATO

FECUNDO


Derramo minhas asas
sobre as pedras.

Violo teu cerne
fecundando em teu
ventre mais um sonho,
menos um pesar.


CLÓVIS CAMPÊLO

O MILHO DE SÃO JOSÉ



A minha infância, a partir do dois anos de idade, foi vivida no Pina. Ali, a vida me deu régua e (des)compasso. Ali, vivi até os vinte e poucos anos, quando os meus pais se separaram e seguiram rumos distintos.

Morávamos numa casa conjugada, com três quartos e um quintal relativamente grande, onde o meu pai costumava criar galinhas e plantar goiabeiras e bananeiras. Ele mesmo transportava as mudas das árvores. Ele mesmo fazia as cercas que dividia a plantação da criação, pois as galinhas, com seu metabolismo acelerado, costumavam se alimentar do verde das árvores ainda em desenvolvimento.

No início do mês de março, já começávamos a juntar a madeira para a cerca da parte do terreno onde plantaríamos o milho da canjica junina. E no dia 19 de março, dia de São José, fazíamos as covas onde os milhos eram plantados. Depois, era só aguar e esperar que a pequena plantação crescesse e dela brotassem as espigas que comeríamos em junho, durante as festas do meio do ano. Se a produção fosse pequena – afinal, o quintal era bastante arenoso e um tanto quanto impróprio para o cultivo, bastava irmos na feira do bairro ou no pátio em frente a Igreja de Nossa Senhora do Rosário para complementar a cota necessária.

Naquela época, final dos anos 50 e começo dos anos 60, o Pina já era um bairro urbanizado mas ainda muito diferente do que é hoje. Ainda era um paraíso suburbano onde nós, os meninos de classe média, nas brincadeiras de rua e na praia, nos misturávamos tanto com os filhos da classe média remediada (os filhos dos doutores) quanto com os filhos dos operários, pescadores e até mesmo dos excluídos, aqueles pais sem emprego ou sem ocupação fixa e que viviam de biscates (o lúmpen proletariado).

Natural de Jaboatão dos Guararapes, cidade que hoje faz parte da Região Metropolitana do Recife, mas que no início do século passado tinha mais hábitos rurais do que urbanos, meu pai guardara a tradição, adquirida na infância, de fazer a plantação do milho no Dia de São José. Era quase um ritual familiar do qual nós, os filhos homens, participávamos, nem sempre com satisfação, e do qual a minha mãe desdenhava e não dava muita importância. Mas, éramos felizes e não sabíamos.

Lembro ainda que o meu pai era um homem pacato e laborioso, que gostava de cuidar da manutenção da casa. Ele mesmo, com a ajuda minha e do meu irmão mais novo, pintava as paredes e portas da casa, no final do ano, destinando para nós a pintura das partes externas, como o longo muro de frente e os muros laterais, um trabalho cansativo e extenuante, mas que nos enchia de satisfação com o resultado final.

Os serviços de casa por ele terceirizados, eram os concertos dos telhados e o esgotamento da fossa (naquele tempo o bairro ainda não era saneado), serviços geralmente feitos por seu Alfredo, um preto velho e biscateiro que nos ajudava nessa empreitadas.

A lembrança do Dia de São José, hoje (*), foi só um pretexto para voltar no tempo e viajar nas lembranças daquela época. Ainda hoje essas lembranças já fugidias, que insisto em complementar com a imaginação, mexem comigo e com o meu equilíbrio emocional. Ainda hoje sinto saudades do milho do Pina, que plantávamos no Dia de São José.

(*) O Dia de São José é comemorado em 19 de março, data em que o autor enviou a matéria ao Blog do Lando. (OS)


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