sábado, 9 de junho de 2018

RAPIDÍSSIMAS

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Ilustração: Dreamstime
FEITO GALINHA

De chavão em chavão, o orador enche o saco.

ORGANIZAÇÃO TABAJARA

Ali, uns ascendem, outros decaem. E a incompetência coletiva continua a mesma. 

BOM CONSELHO

Ouço com a máxima atenção tudo o que você me diz. E faço o contrário. Tem dado certo.

CARA DE CONTEÚDO

Por trás daquela fachada circunspecta jazia um imbecil juramentado. 

IDIOTIA

O Ministério da Saúde adverte: essa praga é incurável e altamente contagiosa.

RESILIÊNCIA


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- Querida: você me roubou a liberdade. Mas não pode me impedir de tentar reconquistá-la.

QUER SABER?

Sua opinião, felizmente, já não me importa mais. Há tempos. 

NÃO SE FIE

Poucos suportam ouvir verdades. Por isso, cedo ou tarde, lhe darão o troco. Covardemente.

PERDAS

De todas elas, a de que mais me ressinto é a falta de privacidade.

ELE

A quem só fala em Deus falta tempo para colocar em prática seus ensinamentos.


Por Orlando Silveira
Abril de 2018



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LEI A TAMBÉM

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O currículo de Vladimiir não lhe serve para nada, 
mas sua folha corrida lhe fecha todas as portas. Por Orlando Silveira
https://orlandosilveira1956.blogspot.com/2018/05/quase-historias-biqueira.html#comment-form

POLÍTICA/OPINIÃO: MARCO ANTONIO VILLA

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Ilustração: Amorim


ESTATAIS A SERVIÇO DO BRASIL

Não é possível falar em história do desenvolvimento
econômico brasileiro no século XX sem falar do Estado.
Foi ele o grande indutor da economia

Por Marco Antonio Villa
IstoÉ – 08/06/2018 – 18h


A greve dos caminhoneiros recolocou a questão da privatização da Petrobras e — por tabela — de todas as estatais. O tema entrou na pauta meio de contrabando. Afinal, a questão envolvia diversas questões e o ataque às empresas estatais foi somente mais um pretexto na longa luta em defesa do que os liberais chamam de Estado enxuto. Os liberais brasileiros sempre foram meio fora da curva clássica: apoiaram ditaduras, fecharam os olhos às graves violações dos direitos humanos, à censura e, quando lhes convinham, à presença estatal na economia.

Não é possível falar em história do desenvolvimento econômico brasileiro no século XX sem falar do Estado. Foi ele o grande indutor da economia. Qual empresário quis fundar a Companhia Siderúrgica Nacional? E a Petrobras? E a Embraer e a Embratel? E a vale do Rio Doce? E Itaipu? A lista é quilométrica e, para economizar espaço, fico somente nessas empresas.

Todas elas exigiram investimentos de longa maturação e, inicialmente, as taxas de lucros eram baixas. Tudo o que o empresariado brasileiro não gosta.

O lucro fácil é o seu principal objetivo e a história do Brasil é farta em exemplos que reforçam essa afirmação. Portanto, não estamos no terreno da ideologia, mas sim trabalhando com dados muito conhecidos e inquestionáveis.

Ao longo do tempo — e é um problema sério — as empresas estatais foram ocupando espaços que deveriam estar reservados à iniciativa privada. É um fato. Também as estatais foram perdendo seus objetivos originais e acabaram, boa parte delas, tomadas por interesses político-partidários, o que também é um fato de conhecimento geral.

O grande desafio é recolocá-las no seu papel de indutoras do desenvolvimento. Entregá-las de mãos beijadas para investidores, principalmente estrangeiros, será um crime de lesa-pátria

Sendo assim, a questão que se coloca não passa pela privatização indiscriminada de todas as estatais, pelo grito inconsequente de privatize tudo. Não! O Estado, até por razões de segurança nacional, mas não só, tem de continuar controlando com eficiência e competência setores que são fundamentais para o País. É urgente despartidarizar as estatais, limpá-las da corrupção e colocá-las a serviço do desenvolvimento nacional. Essas empresas não devem ser dirigidas com o objetivo de atender prioritariamente os investidores. Se agirem assim é melhor que deixem de ser estatais. O grande desafio é recolocar as estatais no seu papel de indutor do desenvolvimento. Entregá-las de mãos beijadas para investidores — principalmente estrangeiros — será um crime de lesa-pátria.



POLÍTICA/OPINIÃO: NELSON MOTTA

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Ilustração: Dreamstime


VAMPIROS DO POVO

Parlamentares, magistrados, altos funcionários não
têm vergonha de aumentar gastos públicos para
 seu próprio beneficio, mesmo durante
uma de nossas maiores crises

Por Nelson Motta
O Globo – 08/06/2018

Foi o fracasso administrativo, econômico e ético dos governos Dilma e Temer que abriu espaço para um Jair Bolsonaro. Ou algum aventureiro que ainda apareça.

Os culpados pela desilusão popular que se transformou em ódio aos políticos são eles mesmos. Enquanto o governo corta dinheiro do SUS e da educação, não se tem noticia de um mínimo gesto de qualquer um dos Três Poderes, para diminuir suas despesas que afrontam a penúria popular.

Parlamentares, magistrados, altos funcionários não têm vergonha de aumentar os gastos públicos para seu próprio beneficio, mesmo durante uma das maiores crises de nossa história, provocada por um desastre econômico combinado a uma corrupção sistêmica, e protagonizado por políticos e funcionários, com o beneplácito ou a inação do Judiciário.

Quem decide os salários e vantagens dos parlamentares? Eles mesmos.

Quem fixa os vencimentos e bônus dos juízes? Eles mesmos.

E do governo central? Eles mesmos.

O que são essas bonificações por “triênios”, “licença-prêmio” e outras bandalhas que juízes e o funcionalismo abocanham com a ajuda dos políticos? O cara ganha uma bonificação porque cumpre o seu dever? Mas não é sua obrigação? Não é seu contrato, que justifica o salário que recebe? Aqui qualquer funcionário mequetrefe tem carro e motorista. Já os ministros da Suprema Corte americana andam de táxi ou de metrô. Aqui, castigo de juiz ladrão é aposentadoria com salário integral. E o CNJ não se envergonha?

O dinheiro que cada cidadão paga ao Estado parece uma abstração, números, mas é fruto de trabalho, de horas e dias e meses de esforço, de chateação, de repetição, de calor e de frio, de dor e suor. De tempo de vida! Para sustentar a boa vida dessa gente?

Vou votar em quem não só prometa, mas mostre como fará, assuma o compromisso público de acabar com todas essas vantagens bilionárias e indecentes que beneficiam os Três Poderes. Antes de qualquer coisa, de planos de governo, de projetos grandiosos, de grandes ações sociais.

Seria a prova constitucional de que todos os cidadãos são iguais perante a lei na hora de pagar a conta.
  

sexta-feira, 8 de junho de 2018

HORA DA VITROLA: LUIZ GONZAGA E FAGNER (SÚPLICA CEARENSE)

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Foto: Arquivo Google

SÚPLICA CEARENSE

De Gordurinha e Nelinho
Com Luiz Gonzaga e Fagner




Oh! Deus, perdoe este pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair sem parar

Oh! Deus, será que o senhor se zangou
E só por isso o sol arretirou
Fazendo cair toda a chuva que há

Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedi pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão

Oh! Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe
Eu acho que a culpa foi
Desse pobre que nem sabe fazer oração

Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água
E ter-lhe pedido cheinho de mágoa
Pro sol inclemente se arretirar

Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno
Desculpe eu pedir para acabar com o inferno
Que sempre queimou o meu Ceará
  

CHÁ DAS CINCO: ABUJAMRA DECLAMA MÁRIO QUINTANA

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Antônio Abujamra/Divulgação

O TEMPO

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará. 
(Mario Quintana)




IMAGENS: IMPRESSIONISMO - MONET


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Claude Monet (1840 – 1926) nasceu na França. Tornou-se um grande pintor e um dos mais importantes representantes do impressionismo. Uma de suas pinturas – “Impressão: Nascer do Sol” – deu nome ao movimento artístico impressionista.

Suas obras de arte seguiam, como temática principal, as paisagens da natureza. Trabalhava de forma harmônica as cores e luzes, criando imagens belas e fortes. Alguns críticos de arte consideram Claude Monet um dos mais importantes pintores de todos os tempos.


FOTOGRAFIAS: KAZUO OKUBO




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Kazuo Okubo
KAZUO OKUBO




Nascido em Brasília, em agosto de 1959, Kazuo Okubo começou sua carreira como fotógrafo em 1989. Ampliou sua produção para além da publicidade, com obras autorais, a partir de 2006. Seu trabalho já foi apresentado em diversas mostras no Brasil e no exterior, com destaque para a coletiva ‘11 Photographes Brésiliens’, na Galerie d’Art François Mansart de Paris.

Em novembro de 2009, inaugurou a primeira galeria de fotografia de arte em Brasília, com acervo permanente de fotógrafos de renome local e nacional. Sua galeria tem um acervo com trabalhos de 36 fotógrafos participa de eventos importantes do cenário das artes visuais do Brasil.

Fonte texto: fotoempauta.com.br
Fonte fotos: Arquivo Google


QUASE HISTÓRIAS: O CEGUETA DO BAIRRO

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Ilustração: Deposiphotos



Míope que só, Fernandinho devia ter nascido com óculos. Mas, até o momento de se apresentar ao Exército para o alistamento obrigatório, ele não tinha noção do quanto enxergava mal. Até então, para Fernandinho, as coisas da vida e as pessoas eram assim: todas nebulosas, meio embaçadas, quase sem graça.

O caldo entornou de vez, quando teve que fazer exame para obter a carteira de habilitação - sonho de consumo da moçada da época, passaporte (quase) obrigatório para conquistar uma namorada bacaninha. Naquela época, as meninas mais interesseiras – e interessantes – eram chamadas de “gasolina”. Só saiam com quem tinha ao menos um carrinho. No dia do exame de vista, Fernandinho não conseguiu avistar a placa com as letras; as letras, então, nem pensar. Tomou um baita esporro do oculista, como se fosse o culpado por sua deficiência visual.

Fernandinho topava tudo para ganhar o direito de dirigir o Fusca que a avó paterna lhe dera - menos uma coisa: usar óculos com lentes de fundo de garrafa, como os que mãe e pai usavam. Temia ser chamado de cegueta. Que diabos! Tinha feito regime, adquirira cintura de toureiro espanhol; seus cabelos eram lisos, longos e sedosos. Não era lindo, mas também não assustava ninguém. Óculos com lentes grossas e esverdeadas? Não, não e não. Nem pensar.

Não se tem notícia de que alguém tenha sofrido tanto para se adaptar às lentes de contato como ele. Vivia com os olhos vermelhos e lacrimosos. Não foram poucos os que o tomaram por maconheiro. Paciência. Depois de alguns anos, ele se adaptou às malditas lentes. Décadas depois, porém uma grave doença ocular lhe roubou o sonho - e lhe presenteou com os malditos óculos.

A miopia, como se sabe, deixa sequelas, afeta a personalidade das pessoas. Nosso herói não passou incólume pelo infortúnio de enxergar mal.

Há dois tipos básicos de míopes. Uns são sorumbáticos, andam sempre de cabeça baixa, falam pouco e num tom inaudível, não cumprimentam ninguém. Alguns os tomam por intelectuais e/ou arrogantes.

Outros míopes são o exato oposto. Expansivos, na dúvida, eles cumprimentam com entusiasmo tudo e todos que atravessam seu caminho nebuloso - de desconhecidos a postes, passando, claro, por manequins de lojas. Como abanam as mãos, os danados.

Fernandinho engrossou o time dos alargados. Hoje, já homem velho, ainda convive com os fantasmas das lentes de fundo de garrafa. Não há quem não o conheça no bairro onde nasceu, criou-se e, salvo engano, vai dormir de sapatos. Basta sair às ruas, para que todos comentem: "Lá vem o velho cegueta e idiota, o que abana para todo mundo". Fernandinho morde-se por dentro. Mas fazer o quê?

Por Orlando Silveira - Maio de 2018


quinta-feira, 7 de junho de 2018

HORA DA VITROLA: ZECA PAGODINHO & CIA.


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Ilustração: Vetor

NUNCA MAIS VOU JURAR

De: Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho e Marcelinho Moreira
Interpretação: Dos autores



Eu já jurei que nunca mais ia beber
Eu já jurei que nunca mais ia fumar
Mas nem os Santos acreditam em minha jura
Por isso eu juro que nunca mais vou jurar

Eu já jurei que nunca mais ia beber
Eu já jurei que nunca mais ia fumar
Mas nem os Santos acredita em minha jura
Por isso eu juro que nunca mais vou jurar

Eu jurei!

Que não ia mais no botequim
E que não bebia mais cachaça
Fala sério viver assim não tem graça
Pra quem foi criado na favela
Perambulando nas vielas
Como é que pode resistir a um bom pagode

Minha mulher se cansou de tanto que reclamou
Agora se conformou já não tem mais demanda
Eu chego no horário marcado
Só deito de banho tomado e papo encerrado
Porque lá em casa é a nega quem manda

Minha mulher!

Minha mulher se cansou de tanto que reclamou
Agora se conformou já não tem mais demanda
Eu chego no horário marcado
Só deito de banho tomado e papo encerrado
Porque lá em casa é a nega quem manda


LÍNGUA AFIADA: NELSON RODRIGUES

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INTERNET



Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico.


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O adulto não existe. O homem é o menino perene.


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A perfeita solidão há de ter pelo menos a presença numerosa de um amigo real.


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 Amar é ser fiel a quem nos trai.


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Toda autocrítica tem a imodéstia de um necrológio redigido pelo próprio defunto.


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Só acredito na bondade que ri. Todo santo devia ser jucundo como um abade da Brahma.

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O brasileiro é um feriado.


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Os jardins de Burle Marx não têm flores. Têm gramados e não flores. Mas para que grama, se não somos cabras?


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A burrice é a pior forma de loucura.


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Eu, como artista, se tivesse de escolher um epitáfio, optaria pelo seguinte: — "Aqui jaz Nelson Rodrigues, assassinado pelos imbecis de ambos os sexos".

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Qualquer um de nós já amou errado, já odiou errado.


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Não há ninguém mais bobo do que um esquerdista sincero. Ele não sabe nada. Apenas aceita o que meia dúzia de imbecis lhe dão para dizer.