quinta-feira, 7 de setembro de 2017

AS CHARGES DO DIA


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ALPINO


Charge do dia 07/09/2017
MIGUEL - JORNAL DO COMMERCIO

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DUKE - O TEMPO (MG)


AMARILDO - A GAZETA (ES)


Charge (Foto: Chico Caruso)
CHICO CARUSO - O GLOBO



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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

HORA DA VITROLA: JORGE ARAGÃO E ELZA SOARES



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MALANDRO

De Jorge Aragão
Na interpretação do autor e Elza Soares











Lá Laiá, Laiá Laiá, Laiá Laiá Laiá!
Laiá, Laiá, Laiá, Laiá Laiá!
Eh! Laiá, Laiá, Laiá Laiá Laiá!
Laiá Laiá Laiá, Laiá Laiá!...

Malandro!
Eu ando querendo
Falar com você
Você tá sabendo
Que o Zeca morreu
Por causa de brigas
Que teve com a lei...

Malandro!
Eu sei que você
Nem se liga pro fato
De ser capoeira
Moleque mulato
Perdido no mundo
Morrendo de amor...

Malandro!
Sou eu que te falo
Em nome daquela
Que na passarela
É porta estandarte
E lá na favela
Tem nome de flôr...

Malandro!
Só peço favor
De que tenhas cuidado
As coisas não andam
Tão bem pro teu lado
Assim você mata
A Rosinha de dor...

Lá Laiá, Laiá Laiá, Laiá Laiá Laiá!
Laiá, Laiá, Laiá, Laiá Laiá!
Laiá, Laiá, Laiá Laiá Laiá!
Laiá Laiá Laiá, Laiá Laiá!...

Malandro!

terça-feira, 5 de setembro de 2017

CRÔNICA: WALCYR CARRASCO

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 A GERAÇÃO DO DESEMPREGO

Há quem fique na casa dos pais ou volte a ela.
Mães e pais aposentados sustentam filhos adultos

Por Walcyr Carrasco
Época Digital – 15/08/2017

V. tem 24 anos. De uma família de classe média alta do interior paulista, frequentou escola particular. Faculdade de artes cênicas. E cursos para se aprimorar. Excelente aluno, formou-se cedo. Saiu em busca de emprego. Procurou, procurou, procurou... No início, muitas exigências. Só queria algo dentro de sua área, artística. Depois, pediu socorro ao pai. Um emprego! Sem chance. A empresa familiar também não está nos melhores dias. Um irmão já se ancorou lá. Há uma semana, recebi a grande notícia. Conseguiu trabalho! De garçom. Uma folga por semana. Em pé oito a dez horas por dia. A família não tinha mais como bancar sua vida. Não era exatamente a expectativa de quem fez curso universitário. É o que apareceu.

Na outra ponta, I. era garçom profissional. Fazia faculdade a duras penas. No último semestre, trancou a matrícula. A família, no Nordeste, precisa de sua ajuda. I. pediu demissão: os horários do restaurante em que trabalhava o impediriam de voltar aos estudos. Achava ser fácil arrumar outro emprego, como sempre foi. Deixou de ser. Participou do processo de seleção em vários restaurantes. Só em um deles havia, segundo me contou, uns 50 candidatos na fila. Não passou. Os locais mais sofisticados, que pagam bem, andam preferindo garçons sem tanta experiência, mas com a leve sofisticação da classe média. I. está se virando com eventos. Tipo distribuir amostras de produtos, num supermercado ou shopping. Só não tem todo dia. Difícil juntar para o aluguel do mês.
Mais complicada é a história de B. Morava com a família em outro estado. Viviam com dificuldade. Mas não faltava nada. Veio para São Paulo, para melhorar de vida. Nos dois primeiros meses, segurou-se com as economias. Trabalho não apareceu. Eu o conheço do Facebook, mas não pessoalmente. Outro dia, anunciou: já tem máquina de cartões. Tive minhas suspeitas. Perguntei para que servia a máquina.

– Estou fazendo programa – explicou. – Os clientes podem pagar em cartão.

– Já fazia antes, na sua terra?

– Não. Mas agora não teve outro jeito.

Em Brasília, J. fez faculdade de administração. Não conseguiu colocação. Entrou na pós, para se tornar mais qualificado. Terminou. Continua sem nada. A jovem T., em Goiânia, está no doutorado.

– Minha esperança é conseguir algo na universidade – contou-me ela. – Posso dar aulas.

Enquanto isso, mora com os pais.

"A crise abateu as esperanças de multidões 
que ou não conseguiram concluir os cursos ou simplesmente 
não têm o que fazer com seu diploma"

Há uma geração inteira sem conseguir emprego. Grande parte sonha com um concurso público. Não é novidade, multidões sempre correram atrás de emprego municipal, estadual ou federal. Espanta é a disposição para trabalhar em qualquer área, fora do que consideravam sua vocação. Em crise, vocação é ter salário. Há quem continue na casa dos pais, indefinidamente. Ou quem volte. O problema é que nem sempre dá certo. Conheci R., marido de uma antiga secretária. Foram para a casa da mãe dela, onde se abrigaram com os filhos num quartinho minúsculo. As relações entre genro e sogra nunca foram boas. Pioraram. Ele saiu da casa. Ficou numa pensão dois meses. Tornou-se morador de rua. Visitava a família nos fins de semana. Agora, sumiu.

Mães e pais que têm aposentadoria ainda seguram a sobrevivência dos filhos. Não falta quem tope bicos. Talvez por ser uma pessoa conhecida, recebo semanalmente vários pedidos de emprego. Universitários que querem cuidar do jardim. Pintar paredes. Pedidos de socorro. R., no Rio de Janeiro, era vendedor numa loja de equipamento de surfe. Atrasaram o pagamento dois meses. Ficou com o nome sujo no banco. Finalmente, fecharam a loja. Estudante de informática, conseguiu dar aulas. Mas não consegue pagar os atrasados. A. estava no último ano da faculdade. Mas o governo cortou o empréstimo. Não pôde terminar o curso. Agora, veio a cobrança pelos anos em que estudou. Está com o nome sujo também. Desesperada, só vive de bicos em eventos, como recepcionista. Eu aconselhei:

– Quem não cumpriu o contrato foi o governo. Você não terminou o curso porque ele cortou o financiamento. Processe.

Financiamento? Sim, o governo brasileiro gasta em educação. Financiou estudantes para cursarem universidades particulares. E investe nas públicas, que têm, muitas, algum grau de excelência. Custam caro. Mas todo esse dinheiro investido em educação vai pelo ralo. A crise abateu as esperanças de multidões que ou não conseguiram concluir os cursos ou simplesmente não têm o que fazer com seu diploma.

É uma geração à deriva.

LEIA TAMBÉM

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Passeio pela região nobre dos Jardins, em São Paulo. É incrível o número de pontos comerciais desocupados. Antes, as pessoas se estapeavam para conseguir algum. Lojas fechadas. Grifes estrangeiras partindo. Mas abro o jornal e leio autoridades afirmarem que a situação está melhorando...Por Walcyr Carrasco
https://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/2017/09/cronica-walcyr-carrasco.html#comment-form


PALAVRAS & EXPRESSÕES: DEONÍSIO DA SILVA

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Ilustração: Freepik

PEIXE MORRE PELA BOCA

As coisas andam tão estranhas no Brasil que o povo passou
a interessar-se por palavras e expressões antes ausentes do dia a dia

Por Deonísio da Silva
Via Blog do Augusto Nunes
Em 03/09/2017



Sempre houve quem falasse demais e morresse pela boca. Nunca tantos como hoje. Como o peixe, muitos estão ansiosos pela isca salvadora e não veem o anzol. É oportuno, então, trazer à baila provérbios e expressões em que está presente a boca.

O Latim, de onde veio o Português, tinha duas palavras para designar a boca: os e bucca. Os, declinado em oris, étimo que aparece mais em palavras da norma culta, resultou em oral, oralidade, oração, oscilar, orifício etc. No Espanhol deu também orilla, margem do rio, comparada à boca.

Já a palavra bucca, originalmente bochecha, não propriamente a boca, resultou em boca, ensejando numerosas palavras e expressões: bocado, bocadinho, embocadura, boca a boca, boca da noite, boca de cena (no teatro), boca do estômago.

Outras expressões recomendam cautela diante de quem fala à boca cheia ou bate boca com discordantes, para arrebentar a boca do balão, e prescrevem a moderação, recomendando falar à boca pequena ou à boca miúda.

Nem sempre é conveniente botar a boca no mundo, que precedeu botar a boca no trombone, uma vez que desde o berço da língua portuguesa, no alvorecer do segundo milênio, já se botava a boca no mundo. Portanto, muito antes da palavra trombone entrar para o Português no século XIX, vinda do Italiano trombone, cujo étimo é tromba, palavra de origem alemã. Aliás, conhecemos a expressão tromba d´água, e o município catarinense de Trombudo Central, ocupado por etnias alemãs e italianas, tem este nome porque rios do lugar ali se encontram formando uma tromba.

Os portugueses trouxeram expressões e provérbios curiosos sobre a boca e domínios conexos, de que é exemplo “quem meu filho beija, minha boca adoça”. Avisaram também que é perigoso cair na boca do povo, como já caíram altas autoridades, incluindo ministros do STF e procuradores da República.

As coisas andam tão estranhas no Brasil que o povo passou a interessar-se por palavras e expressões antes ausentes do dia a dia, como instância (a primeira, a segunda, a última), jurisprudência, entrar com recurso contra a decisão, apelar ao STF etc. No Brasil de antigamente, mesmo sem ir aos tribunais ou às delegacias, evitava-se o desaforo, sem contudo ir tanto ao fórum para a desforra.

De todo modo tornar-se falado já era uma solerte punição em qualquer área, dos negócios à sexualidade. Nos murmúrios e na fala pelas costas, caloteiros, ladrões e outros malfeitores comiam o pão que o diabo amassou. Eles ficavam falados e isso já era um grande castigo.

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Deonísio da Silva
Até a moça falada encontrava dificuldades para arrumar um bom casamento, sua sexualidade era segredo de estado. As coisas mudaram tanto que na semana passada uma noiva festejou sua despedida de solteira com uma camiseta onde estava escrito “quem comeu, comeu; quem não comeu, não come mais” e quem caiu na boca do povo e ficou falado foi seu noivo, que desfez o noivado. Ela foi compreendida, aprovada e consolada.

Pegar alguém com a boca na botija era flagrante dado em malfeitores, meliantes, mas nunca num presidente da República, hoje às voltas com as gravações do empresário Joesley Batista, um dos maiores comerciantes de carne no Brasil.

As tentações da carne já eram nossas velhas conhecidas e em algumas delas o indigitado tinha sido pego com as calças na mão, mas cair nas tentações da carne por falar demais (e o que não devia) estreou de modo retumbante e original no Brasil contemporâneo. Foram desbocados nos áudios já recolhidos tanto o denunciante quanto o denunciado, ao que parece a quem ouviu a conversa ou leu as transcrições.

O povo é desconfiado e enche a boca para dizer que desafetos falam assim da boca pra fora, mas que na boca do cofre todos eles se entendem e que falam por falar. Entretanto, a plebe, a patuleia, o populacho e a ralé ou que mais nomes depreciativos tenha o povo celebram que a corja toda dos ladrões da pátria neste instante, como os peixes, morra pela boca.

Muito antes da Semana da Pátria, as multidões vieram para as ruas e deram um brado retumbante de povo heroico exigindo salvação para a pátria, levando para as ruas o lábaro estrelado, que simboliza paz no futuro e glória no passado.

Usaram a boca para protestar e garantiram à mãe gentil que ela é terra adorada e pátria amada e avisaram, não à boca pequena, mas botando a boca no mundo e no trombone: “Verás que um filho teu não foge à luta, nem teme, quem tem adora, a própria morte”.

Nos festejos cívicos desta semana e nos dias que a eles se seguirão veremos se será atendido o brado das multidões ouvido nas ruas e nas praças deste solo. Ou se também aqueles que vociferaram morrerão pela boca. Tomara que não!


 Deonísio da Silva é professor, escritor e etimologista

FOTOGRAFIAS: NAIR BENEDICTO (1)



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***

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Nair Benedicto nasceu na capital paulista, em 1940. Estudou na Universidade de São Paulo, onde se formou em Rádio e Televisão em 1972. Passou a fotografar para a empresa Alfa Comunicações. Em 1979, fundou a Agência F/4 de Fotojornalismo, com Juca Martins, Delfim Martins e Ricardo Malta. A agência teve papel de primordial importância na discussão dos problemas da categoria, como direito autoral, crédito obrigatório e instituição de uma tabela de preços mínimos.

Em 1991, desligou-se da F/4 para fundar a N Imagens, que dirige até hoje. Neste mesmo ano, Nair integrou – com Stefania Bril, Marcos Santilli, Rubens Fernandes Júnior e Fausto Chermont – a equipe criadora do NAFoto (Núcleo dos Amigos da Fotografia), responsável pela realização dos eventos bienais Mês Internacional da Fotografia de São Paulo.

Desde a década de 1970, Nair Benedicto se destaca pelo seu engajamento em questões de cunho social, como a situação indígena, o problema dos trabalhadores sem terra e, sobretudo, a posição da mulher na sociedade brasileira. Foi comissionada pela Unicef para realizar, durante os anos de 1988 e 89, ampla documentação sobre a situação da criança e da mulher na América Latina.

É autora dos livros: A greve do ABC (1980); A questão do menor [em parceria com Juca Martins] (1980); e Nair Benedicto: as melhores fotos (1988). Tem seu trabalho representado em importantes instituições nacionais e estrangeiras, como o Museu da Arte Moderna do Rio de Janeiro, o Museu de Arte de São Paulo e o Museum of Modern Art, de Nova York.

Por Pedro Vasquez
www.funarte.gov.br



AS CHARGES DO DIA



Charge (Foto: Miguel)
MIGUEL - JORNAL DO COMMERCIO (PE)


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AMARILDO - A GAZETA (ES)


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CHICO CARUSO - O GLOBO



AROEIRA - O DIA


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AMARILDO A GAZETA (ES)


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POLÍTICA/OPINIÃO: NELSON MOTTA

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Ilustração: YouTube

MORALISMO DE RESULTADOS

O combate à corrupção não é mero moralismo udenista,
como dizem os réus para tentar minimizar suas culpas

Por Nelson Motta
O Globo – 01/09/2017

Não são os coxinhas ou mortadelas, comunistas ou neoliberais, progressistas ou conservadores, não é o Gilmar ou a Lava-Jato. O inimigo público número um é a corrupção institucionalizada: viramos uma cleptocracia. O TCU comprovou que cerca de 10% dos benefícios da Previdência são fraudados, um prejuízo de R$ 56 bilhões, que faz grande diferença no déficit avassalador que gera a maior parte da dívida da União.

Não é só na Previdência. A sensação é que em qualquer ministério, autarquia ou agência em que for feita uma auditoria rigorosa e uma investigação policial profunda surgirão desvios assombrosos. Parece que o mensalão, o petrolão, a Lava-Jato, o Dnit, a Eletrobras, o BNDES, o Carf, os fundos de pensão das estatais, as incontáveis operações da Polícia Federal são apenas as pontas do iceberg da corrupção institucionalizada que congela o desenvolvimento e a justiça social. Se tornou um modo de vida, uma cultura nefasta que inviabiliza o progresso da sociedade.

Não, a atual obsessão com o combate à corrupção não é mero moralismo udenista, como dizem os réus e investigados para tentar minimizar suas culpas, é o clamor da sociedade por uma ação judiciário-policial-econômica para proteger o dinheiro do contribuinte e dar mais recursos ao Estado, é o dinheiro mesmo que interessa. Não é uma caça às bruxas, é um pragmatismo suprapartidário, por premente necessidade. É o dinheiro que falta para financiar o desenvolvimento econômico e a justiça social.

Por que no Brasil são tão disputados os postos de fiscal de qualquer coisa? Por que os políticos trocam votos para fazer nomeações? Por que tantos funcionários concursados aderiram a partidos políticos para facilitar promoções? Por que tantas categorias que servem ao Estado aumentam os seus salários, se dão vantagens, e nós pagamos a conta?

Diante da evidência e dimensão dos rombos no patrimônio público, a questão moral é quase secundária, embora seja a causa de todos os prejuízos: a justiça é lenta, e o fundamental agora é recuperar o dinheiro e impedir que mais seja roubado. É o moralismo de resultados.

POLÍTICA/OPINIÃO: JOSIAS DE SOUZA

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Cadê os tucanos?

SEM RUMO, PSDB DERRETE
NA PRÓPRIA GORDURA

Falta aos tucanos a noção básica de que uma das obrigações
da política é oferecer esperança

Por Josias de Souza
UOL – 05/09/2017

A disputa entre Geraldo Alckmin e João Doria pela vaga de presidenciável do PSDB revela que o tucanato derrete na sua própria gordura. Representado por Aécio Neves em 2014, o partido quase chegou ao Planalto prometendo dissolver a aliança com os corruptos, abandonar o ciclismo fiscal e recriar empregos. Hoje, Aécio é alvo de nove inquéritos, o PSDB apoia um presidente denunciado por corrupção e, em vez de dizer algo sobre o desemprego, os tucanos preferem brigar entre si.

Em artigo publicado nos jornais de domingo, Fernando Henrique Cardoso enumerou as características de um bom candidato. Escreveu que a moralidade é um requisito para que o eleitor volte a crer nos governantes. Não disse nada sobre Aécio. E talvez não tenha notado que Alckmin entra na campanha como alvo da Lava Jato e Doria se apresenta como versão pós-moderna de salvador da pátria.

Com o auxílio de um pedaço do PSDB, Michel Temer deve sobreviver no cargo. Deixará para o sucessor um rastro pegajoso de amoralidades, um rombo fiscal e um crescimento econômico medíocre. Diante desse cenário, dizer que falta um programa de governo aos tucanos é muito pouco. Falta-lhes, na verdade, a noção básica de que uma das obrigações da política é oferecer esperança.




POLÍTICA/OPINIÃO: LUIZ FLÁVIO GOMES

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Depositphotos

DELAÇÃO DE LÚCIO FUNARO
É BOMBÁSTICA CONTRA TEMER

A delação do operador financeiro do PMDB
vem com poder altamente explosivo.

Por Luiz Flávio Gomes (*)
01/09/2017

Diz o jornal O Globo que Lúcio Funaro confirmou o recebimento de propinas mensais, pagas por Joesley, da JBS-Friboi, para que ele não delatasse o esquema criminoso da quadrilha perversa que está no poder, sob a batuta parasitária da dupla Temer e Aécio, que não é distinta, em termos corruptivos, da quadrilha precedente comandada por Lula e Dilma.

Temer, ao ouvir a confissão de Joesley (no Jaburu, à noite, em encontro clandestino), disse: “Mantenha isso aí, viu”.

A dinheirama (o mensalinho) também foi dada para o presidiário Eduardo Cunha (PMDB), com o mesmo propósito (evitar a sua delação). Tudo com a anuência de Temer, que (repita-se) disse: “Mantenha isso aí, viu”.

Esses fatos indecorosos revelam o quanto o Brasil continua sendo (ainda) apenas uma democracia de fachada, regida por eleições – em regra venais – em que alguns ladrões da política são financiados e corrompidos por outros ladrões do mundo econômico e financeiro (mundo do mercado, que domina a nação, influenciando a governabilidade do País).

Todo país (como o Brasil) governado preponderantemente por ladrões se chama cleptocracia (cleptos = ladrão, cracia = governo, poder).

No nosso País os dois grupos de ladrões citados formaram o maior crime organizado da nossa História (com desvio diário de R$ 600 milhões, incluindo a corrupção e a roubalheira parasitária dos poderosos).

Nas cleptocracias parasitárias (que sugam a nação) somente existem dois grupos de pessoas: os que roubam e os que pagam a conta. Se você, estimado leitor, não faz parte dos grupos dos ladrões parasitários, com certeza você está pagando a conta.

No dia 3/3/17 o “bandido” chamado Joesley, da JBS-Friboi (foi Temer quem o chamou de “bandido”) foi ao Palácio Jaburu prestar contas das suas estrepolias criminosas ao Presidente da República (que é acusado pelo Procurador-Geral de chefe da quadrilha no poder).

Ao ouvir que Joesley estaria comprando dois juízes e um procurador da República, Temer disse: “Ótimo, ótimo.” Esse homem medieval e maquiavélico (verdadeiro Príncipe, de Maquiavel) ainda é o presidente da República brasileira.

Até quando os ladrões do mercado, os parlamentares corruptos e os brasileiros acovardados vão se submeter a esse sistema medieval e primitivo de governança? Até quando seremos governados pela figura do Príncipe descrito por Maquiavel, inspirado nos Bórgias, que foram papas corruptos, violentos e medievais?

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Luiz Flávio Gomes (Portal FGV)

(*) Luiz Flávio Gomes é Doutor em Direito Penal pela Faculdade de Direito da Universidade Complutense de Madri (2001) e Mestre em Direito Penal pela Faculdade de Direito da USP (1989). Criador do movimento “Quero um Brasil Ético”. Jurista e professor em vários cursos de pós-graduação nacionais e internacionais, entre eles a Facultad de Derecho de la Universidad Austral, Buenos Aires (Argentina), já tendo publicado mais de 57 livros na área jurídica. É também membro da Comissão de Reforma do CP e Professor Honorário da Faculdade de Direito da Universidad Católica de Santa María (Arequipa/Peru). Atuou como Promotor de Justiça em São Paulo, de 1980 a 1983; Juiz de Direito, de 1983 a 1998; e Advogado, de 1999 a 2001. (http://luizflaviogomes.com/)



domingo, 3 de setembro de 2017

CHÁ DAS CINCO: CLARICE LISPECTOR

CLARICE LISPECTOR


AMOR À TERRA

Laranja na mesa.
Bendita a árvore
que te pariu.

MAS HÁ A VIDA

Mas há a vida
que é para ser  intensamente vivida, 
há o amor. 
Que tem que ser vivido
até a última gota. 
Sem nenhum medo. 
Não mata.




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PESSOAS? Da maioria absoluta desgosto profundamente. Pela minoria absoluta, tenho afeto. Na dúvida, durmo com o cão que já não tenho. Saudade do Guga. Por Orlando Silveira. Em "Rapidíssimas"

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