segunda-feira, 4 de abril de 2016

INSTANTES: ANA ANDRADE



Peço ao tempo,
tempo!
E o tempo...
sempre, sem tempo
não tem o tempo,
que o tempo quer!


***


Só queria viver um momento
com tal intensidade...
que ao despedir-se,
deixasse a fotografia na alma



***


Nos meus lábios
nublados de saudade...
escorre um silêncio,
que me fala do mar....
onde te amei, sem te saber...




ANA ANDRADE

domingo, 3 de abril de 2016

SPONHOLZ: CARICATURAS






























































 Roque Sponholz é arquiteto, urbanista, 
professor universitário, chargista e cartunista


IMAGENS: JUAREZ MACHADO

Pedaladas do amor - P.A. - Juarez Machado
PEDALADAS DO AMOR


Filha da chuva - P.A. - Juarez Machado
FILHA DA CHUVA


Garoando com vinho tinto - P.A. - Juarez Machado
GAROANDO COM VINHO TINTO


Allez on trinque - Juarez Machado
ALLEZ ON TRINQUE



Passeio no sábado - P.A. - Juarez Machado
PASSEIO NO SÁBADO


Nu com flores - Juarez Machado
NU COM FLORES


Nu - Juarez Machado
NU 





Juarez Machado (Joinville, 16 de março de 1941)
é um artista plástico brasileiro. 
Além de dedicar-se à pintura, é também escultor, 
desenhista, caricaturista, mímico, designer, cenógrafo, 
escritor, fotógrafo e ator. 
Recebeu inúmeros prêmios, 
tanto no Brasil como no exterior. 
Tem feito exposições frequentes nos Estados Unidos e na Europa.

QUASE HISTÓRIAS

alexius.com.br


COLECIONADOR DE GALHOS

Maria José, com um simples olhar, sabia exatamente o que José Maria estava matutando. José Maria, por sua vez, coitado, sempre foi incapaz de perceber qualquer uma das múltiplas intenções de Maria José – menos ainda a mais recorrente. Melhor assim. A seu modo, foi um homem feliz. Morreu sem saber. (OS)



SINA

Roberval nunca teve boca pra nada, sempre foi um pobre coitado, até hoje aceita sem revolta ou amuo tudo o que lhe é imposto.   

Em casa, é aquela água: lava e passa suas próprias roupas (exceto os ternos), esquenta o jantar, lava o quintal, recolhe as sujeiras dos cachorros etc., após o expediente no escritório. Sua paga? Reclamações – da mulher, dos filhos e da sogra, que há anos finge que, em breve, irá dessa para nem onde o demônio sabe. Velha tinhosa. Está, a cada dia, mais forte e corada.



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Não lhe bastasse o excesso de serviço burocrático no escritório, Roberval é, sempre foi, presa fácil dos colegas, vítima de toda sorte de solicitações – em geral, descabidas: escrever carta de amor, bilhete de reconciliação, trabalhos escolares e tudo mais que exija alguma habilidade com a palavra escrita. No fundo, ele sempre sentiu uma ponta de orgulho. Afinal, os colegas não se limitavam a lamentar a sua (deles, claro) falta de inspiração para escrever, faziam questão de frisar que Roberval era verdadeiro poeta. .

Roberval, finalmente, se aposentou. Ficou comovido com as homenagens dos colegas. “Vamos perder nosso escritor de talento”, chegou a dizer um deles em tom de discurso. Mas, assim que ele virou as costas, o mesmo colega foi ao ponto: “É bonzinho, mas é chato. Além disso, escreve mal pra burro”.

Em casa, recebeu a notícia de que, a partir do dia seguinte, a sogra assumiria a tarefa de supervisionar seu trabalho doméstico. Roberval não deu pio. (OS)  






CHARGES: ROQUE SPONHOLZ



Roque Sponholz é arquiteto, urbanista, 
professor universitário, 
chargista, caricaturista e cartunista 
















POLÍTICA/OPINIÃO: PERCIVAL PUGINNA

historiahoje.com

31.03.2016

O PT COLONIZOU O BRASIL!

(POR PERCIVAL PUGINNA) Nos primeiros anos do governo Lula, brincava-se com o que se compreendia como uma presunção petista. Comentava-se: "O PT pensa que descobriu o Brasil". Sob o novo governo, tudo era como "nunca antes na história deste país" e a própria narrativa histórica era refeita para se adequar a tais premissas. O petismo gerava grandes "novidades"! Descobrira a escravidão negreira e reacendia tensões raciais. Captara a existência de desigualdades sociais e manejava para produzir antagonismos a partir delas. Percebera desníveis de renda entre o Norte e o Sul do país e extraía daí as bases para o coronelismo de Estado lá onde, ainda hoje, alojam-se seus principais redutos. E assim por diante. Na alvorada do século XXI, o PT era o novo Cabral chegando com a modernidade aos botocudos brasileiros.

Tudo ficaria na base do transitório e jocoso, não fosse o fato de que o partido governante levava tudo aquilo muito a sério e tinha um projeto de poder que não admitia interrupção. Não que o projeto político para o país fosse uma preciosidade em si mesmo, mas porque o poder era por demais precioso ao partido. José Dirceu, em um evento realizado aqui ao lado de onde escrevo, na cidade de Canoas, afirmou em 2009, textualmente: "Se o projeto político é o principal, o principal é cuidar do PT". E o Brasil? Ora, o Brasil! O Brasil, àquelas alturas, já era tratado como uma colônia pela corte petista instalada em Brasília.

A atitude colonialista se expressa em diversos aspectos do cotidiano nacional. Há um colonialismo com reflexos na produção cultural e na cultura, pois uma mão lava a outra no acesso aos benefícios e estímulos financeiros proporcionados pela corte. A invasão do politicamente correto produziu efeito deletério na indiada que antes vivia numa sociedade livre, impondo autocensura à liberdade de expressão. O sistema público de ensino foi domesticado para só ministrar o que a corte de Brasília deseja ver ensinado através de seus trabalhadores em Educação. Em nenhuma hipótese tais conteúdos podem divergir da orientação imposta pelo colonialismo petista. Não convém à corte que seus súditos tenham armas para defesa pessoal. Por isso, inúmeras e onerosas dificuldades lhes são impostas para tal posse. No mesmo sentido, o colonialismo, de modo crescente, reduziu a autonomia dos entes federados - estados e municípios - em favor da centralização e consolidação de seu projeto de poder. Vai-se a Federação para o brejo.

 À exemplo do velho colonialismo europeu, a corte transformou em monopólio partidário a parcela mais rentável dos negócios de Estado, e neles atua, simultaneamente, como contratante e intermediária. Por óbvio, tudo fica mais oneroso ao súdito, pagador de impostos e consumidor dos serviços prestados pela corte.

Portanto, laços fora, brasileiros! As cortes de Brasília querem, mesmo, escravizar o Brasil.


 Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.



POLÍTICA/OPINIÃO: RUY FABIANO

PT, a praga (Foto: Arquivo Google)
BLOG DO NOBLAT


POLÍTICA/OPINIÃO

02/04/2016 – BLOG DO NOBLAT

ENCICLOPÉDIA DO PETROLÃO


(POR RUY FABIANO) Em explanação, quarta-feira, perante a comissão da Câmara que analisa o impeachment, a professora de direito Janaína Paschoal – coautora da peça, ao lado dos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr. – foi categórica: “Sobram crimes!”.

Disse-o para contrapor-se, de maneira definitiva, ao hilário argumento do PT em sentido contrário – o de que o impeachment não se justifica por “não haver delitos”. Por essa insustentável artimanha, o partido, que pediu o impeachment de todos os presidentes que o precederam no poder, o considera um “golpe”.

O país e o mundo se espantam diariamente com as revelações em cascata do maior escândalo financeiro da história. Seis milhões nas ruas, pedem o fim do governo e cadeia para sua cúpula, mas, segundo Lula e Marilena Chauí, é tudo invencionice de gente rica, contrariada com a ascensão dos pobres, que – vejam só – ignoram o fato de que já não são pobres.

Os índices oficiais informam que o país já ultrapassou o estágio da recessão econômica; está em plena depressão e o fundo do poço ainda não chegou, avisam os economistas.

Desemprego como nunca se viu, inflação galopante, Estado quebrado pela soma letal de má gestão, roubalheira e malabarismos fiscais. Mas não há nada, diz o PT.

Estão presos em Curitiba dezenas de megaempresários, doleiros, lobistas e outros personagens que, ligados umbilicalmente aos governos do PT, delinquiram em parceria com políticos petistas e de partidos da base, como PMDB e PP.

Os números são estratosféricos. Só na Petrobrás já se apurou o desvio de R$ 42 bilhões. Graça Foster, quando a presidia, falou em R$ 88 bilhões. Fiquemos nos R$ 42 bilhões: é mais que o PIB do Paraguai – e quase o do Uruguai. Isso numa única estatal.

Aguarda-se a abertura das caixas-pretas da Eletrobras, fundos de pensão, BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Dnit etc. Onde há um cofre público, houve rapina.

Ruy Fabiano é jornalista e escritor
Um reles gerente da Petrobras, Pedro Barusco, devolveu 100 milhões de dólares. Era subordinado a Renato Duque, que obedecia ao comando de José Dirceu, na época o homem forte do governo Lula. Quanto sobrou para os chefes de Barusco?

No começo das prisões, os detidos mantiveram-se calados, negando tudo. Contavam com a intercessão de gente graúda do governo, nos padrões clássicos da impunidade brasileira. O governo, reconheça-se, esforçou-se para ajudá-los, mas sem êxito. Não contava com um juiz como Sérgio Moro e a turma da Lava Jato.

Quando se convenceram de que teriam o destino de Marcos Valério – cujo silêncio resultou em 40 anos de cadeia -, decidiram abrir o bico. As delações contam uma mesma história: uma ação criminosa de rapina aos cofres públicos, coordenada de cima para baixo, com Lula no comando e Dilma muito bem-informada.

Corrupção sistêmica, inédita, que, em tempo de Olimpíadas, confere ao país medalha de ouro e recorde mundial na modalidade.

O dinheiro serviu para abastecer campanhas eleitorais – a segunda de Lula e as duas de Dilma -, bolsos de políticos e contas secretas mundo afora. A solidariedade de chefes de Estado como Nicolas Maduro (Venezuela) e Evo Morales (Bolívia) indica que também foram beneficiários desse colossal propinoduto.

O pedido de impeachment em exame conta a parte menos cruenta da chacina financeira – crimes administrativos, mas ainda assim crimes. Na época em que foi elaborado, já havia algumas delações, mas não se tinha tão nítido o conjunto da obra, que a OAB agora complementa com seu pedido adicional.

Não bastasse o que já se tinha, houve posteriormente os flagrantes de Delcídio do Amaral, líder do governo, que quis comprar o silêncio de um dos delatores, Nestor Cerveró, e oferecer-lhe um plano de fuga. Segundo contou, o fez a pedido de Lula.

A tentativa de obstruir a justiça, registrada de viva voz, rendeu-lhe prisão, inevitável cassação e o tornou delator. E o que delatou não poupa ninguém e foca especialmente em Dilma e Lula.

Como já antevia o potencial de desastre da fala de Delcídio, Aloizio Mercadante, o ministro mais intimamente ligado a Dilma, tentou evitá-lo. E repetiu o roteiro do próprio Delcídio, dispondo-se a pagar por seu silêncio. Acabou incidindo no mesmo flagrante.

Janaína Paschoal tem razão: sobram crimes. A expectativa de prisão de Lula gerou outra sequência de delitos, a que se filiou a própria Dilma: desacato ao Judiciário, incitação à violência e à desordem pública, tentativa de obstrução da justiça etc.

"Trata-se de pornográfica inversão dos papéis: os criminosos julgam 
e o juiz é lançado ao banco dos réus. Isto, sim, é golpe"

O slogan “não vai ter golpe” é, em si, criminoso, pois imputa ao STF, que ritualizou o impeachment e é o guardião da Constituição, o delito de afrontá-la. A Corte diz que não é golpe e a presidente e seu governo insistem: é sim. Qual o nome disso?

Os telefonemas gravados com autorização judicial expuseram, nos diálogos de Lula com Dilma e autoridades de seu governo, não apenas atos criminosos, mas um padrão moral degradado, incompatível com quem ocupa tais cargos.

Sobram crimes; falta memória para retê-los. O do dia obscurece o da véspera, que, por sua vez, obscureceu o anterior. Teme-se pelo que virá, pois, segundo os procuradores da Lava Jato, o que sabemos corresponde a apenas 30% do que há.

O conjunto da obra, no entanto, já forma uma unidade compacta. Para abarcá-la, é necessário algo como uma enciclopédia, cujos verbetes relacionem a vasta falange de personagens e atos. São muitos; sobram crimes.

Só assim, no futuro, será possível entender a extensão da tragédia cívica construída pelo PT – a Enciclopédia do Petrolão.

Em meio a isso, empenha-se o governo - contra o qual, segundo o Ibope, estão nada menos que 90% da população - em criminalizar a Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal.

Trata-se de pornográfica inversão dos papéis: os criminosos julgam e o juiz é lançado ao banco dos réus.

Isto, sim, é golpe.


sábado, 2 de abril de 2016

HORA DA VITROLA: BETHÂNIA/CESÁRIA ÉVORA (NEGUE)



NEGUE
De Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos



COM CESÁRIA ÉVORA


Negue seu amor e o seu carinho
Diga que você já me esqueceu
Pise machucando com jeitinho
Este coração que ainda é seu
Diga que meu pranto é covardia
Mas não se esqueça
Que você foi meu um dia
Diga que já não me quer
Negue que me pertenceu
Que eu mostro a boca molhada
Ainda marcada pelo beijo seu

Negue seu amor, o seu carinho
Diga que você já me esqueceu
Diga que meu pranto é covardia
Mas não se esqueça
Que você foi meu um dia
Diga que já não me quer
Negue que me pertenceu
Que eu mostro a boca molhada
Ainda marcada pelo beijo seu

Diga que já não me quer
Negue que me pertenceu
Que eu mostro a boca molhada
Ainda marcada pelo beijo seu


COM MARIA BETHÂNIA






IMAGENS: OTTO DIX



THE DECLARATION OF WAR


SELF-PORTRAIT AS A PRISONER OF WAR



TRENCH


KELLY BERRY


MEMORY OF THE GLORIOUS TIM...


SELF-PORTRAIT WITH MUSE



WILHELM HENRICH


OTTO DIX (1891 - 1969)
Pintor expressionista alemão.
Veterano da 1ª Guerra Mundial, 
sua obra trata da temática antibélica.

NÚBIA NONATO




DATAS

Datas são como caixinhas de preciosidades para uns
ou porta trecos para outros.
Reveladoras nos mantém com um link irremediável
com algo que já fizemos, algo que fomos ou algo que
perdemos.
Atiçam na memória cenas em neon, gritantes em sua
maioria.
Tudo aniversaria, tudo ganha pompas de teor relevante.
Uns a marcam na folhinha, num velho caderninho encardido
guardado a sete chaves. Das datas me esqueço quase sempre
guardo mesmo são as lembranças, as passagens e liberto-as
sempre que posso, sempre que ouso crer que o tempo, meu
eterno aliado, as transmutou em saudades. (Núbia Nonato)