quarta-feira, 24 de setembro de 2014

IMAGENS: SÍLVIO SANTOS


Silvio Santos, nome artístico de Senor Abravanel, nasceu no Rio de Janeiro, 
em 12 de dezembro de 1930. Apresentador de televisão e empresário, 
é proprietário do Grupo Silvio Santos, 
que inclui empresas como a Liderança Capitalização 
(administradora da loteria Tele Sena), 
a Jequiti Cosméticos e o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT).
DA SÉRIE APRESENTADORES DE TV





AMARILDO





MOSAR NESI



NEI LIMA


NATHAN

BAPTISTÃO













RAPIDÍSSMAS (XX)

dicionariotupiguarani.blogspot.com


TODO MUNDO...
Tem sua sina. Sabiá tem a dela: eu.

LEVEMENTE CANSADO
Nada que uma sonoterapia de três meses e meio não resolva.

MUITO OBRIGADO
Mas dispenso seus conselhos. Se não serviram pra você, por que serviriam pra mim?

FIQUEMOS ASSIM
Toda vez que não me levam a sério, dou graças a Deus.

NEM TUDO SÃO FLORES
O trabalho engrandece o homem. A paga, em geral, o avilta.




COISAS DA VIDA

A BELINA




(POR VIOLANTE PIMENTEL) Amaro era um homem bom e calmo.  Dona Neusa, sua mulher, era uma jararaca. Ciumenta e desconfiada demais, tinha mania de querer agredi-lo fisicamente.  Amaro era um sofredor. Sua paixão por automóveis e por futebol, a mulher detestava, mas não conseguia acabar. Já com quase sessenta anos, funcionário público municipal, nunca havia podido comprar um carro  "zero quilômetro", como sonhava. Completamente desiludido com o casamento, não sentia mais qualquer atração física pela mulher. Do tipo conservador, não pensava em separação. O casamento se arrastava há trinta anos. Os dois filhos estavam casados e lhe haviam dado dois netos. A mulher só fazia engordar.

Durante as frequentes discussões com o marido, que ela mesma provocava, tinha a mania de querer agredi-lo fisicamente, jogando nele o que tivesse nas mãos. Amaro estava fadado a permanecer sofrendo com esse casamento, até que a morte resolvesse a situação.

Num certo dia, um amigo seu comprou uma “Belina” do ano e o convidou para ir com ele receber o carro na loja. Os dois saíram mais cedo do trabalho, e foram receber a Belina 0k, que era o seu sonho de consumo. Ele mesmo saiu da loja dirigindo o carro novo do amigo. Iniciaram, então, um passeio pelas principais avenidas da cidade, inclusive pela orla marítima, para amaciar o carro. Depois de algum tempo, os dois amigos resolveram jantar num restaurante, para comemorar a compra da Belina.

Em casa, a mulher estranhou a demora do marido e imaginou logo que ele estivesse com alguma sirigaita por aí. Trincou os dentes de raiva e jurou que ele iria ver do que ela era capaz...

Violante Pimentel
Violante Pimentel é procuradora aposentada
 do Estado do Rio Grande do Norte

Por volta das vinte e uma horas, Amaro chegou feliz da vida, planejando brevemente também comprar uma Belina 0k. Chegou eufórico, como se o carro do amigo fosse seu. Mas a sua alegria durou pouco. Ao entrar em casa, tentou dizer à mulher que tinha ido com o amigo buscar a Belina, mas foi pior. Ao ouvir o nome "Belina", ela, completamente enfurecida, gritou:

-- Ah, seu cachorro, Belina é a mulher com quem você estava até agora?

 Amaro não teve tempo de responder. Sem ele esperar, a mulher, como se estivesse endemoniada, esbofeteou a cara do marido com o salto do sapato, provocando-lhe uma fratura no nariz, e uma grande hemorragia nasal. Amaro acordou no hospital.
 
O casamento terminou aí...




terça-feira, 23 de setembro de 2014

RAPIDÍSSIMAS (XIX)




UM DIA...
Ao louco será dada razão. Mas isso não terá mais a menor importância.

QUE COISA!
O amor se foi, mulher de Deus, mas a saudade ficou.

PT, PT, PT...
PT, eu? Nem no jogo do bicho.

BESTEIRINHA
E eu que, hoje, precisava tanto de um colo ganhei torcicolo.

DEUS ESTÁ VENDO
-- Está?
-- Claro que está.

-- Então, ferrou. 

CLÓVIS CAMPÊLO

O NOSSO FUTEBOL


Leonidas da Silva, Friedenreich e Pelé

O futebol surgiu no Brasil, no século XIX, como a nova mania esportiva das classes mais privilegiadas. Os filhos burgueses da pátria mãe gentil aprenderam-no e o trouxeram da Europa pré-modernista daquela época. A sua prática era cara, já que todo o equipamento necessário era importado. Do mesmo modo, necessitava-se de áreas relativamente grandes para a sua prática, embora esse problema fosse facilmente contornável, haja vista que as nossas cidades e capitais dispunham de campos e terrenos baldios a granel.

Incorporado pela classe média brasileira e, posteriormente, pela classe operária e pelo lúmpen-proletariado, logo se transformaria em uma grande paixão nacional. Ao se desgarrar dos burgueses brancos e de cintura dura que o trouxeram do Primeiro Mundo, caiu nas garras da rafaméia do lado de cá, misturando-se aos negros e descendentes de índios, escurecendo a cor da sua pele e adquirindo um jogo de cintura e uma leveza até então desconhecidos pelo lado de lá. Foi a plebeização do futebol no Brasil que o salvou do lugar-comum e da mesmice bizarra dos europeus.

Não é a toa, portanto, que um dos nossos primeiros grandes jogadores fosse filho de um comerciante alemão com uma lavadeira negra. Seu nome, Friedenreich. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1892, apenas dois anos antes de Charles Müller introduzir o futebol no Brasil. O apelido de El Tigre foi-lhe dado pelos uruguaios após o Brasil conquistar o Campeonato Sul-Americano (atual Copa América) de 1919. Apesar de ter sido considerado pela imprensa da sua época como um dos melhores centro-avantes do mundo, morreu pobre, em 6 de setembro de 1969, morando numa casa cedida pelo São Paulo Futebol Clube.

CLÓVIS CAMPÊLO

Entre nós, pernambucanos, nenhum jogador foi tão cantado e decantado quanto Tará. Em 1931, com apenas 16 anos, ajudou o Santa Cruz a ganhar o seu primeiro campeonato estadual. Com ele, chegamos ao tri, em 1932/33. Mas foi no Clube Náutico Capibaribe, em 1943, que se consolidou como goleador ao marcar dez gols em um único jogo, na goleada do Náutico sobre o extinto Flamengo pernambucano por 21 x 3. O Flamengo do Tenente Colares, primeiro campeão estadual de futebol, em 1915, em decadência, terminaria por se transformar em um saco de pancadas do futebol pernambucano. O mulato Tará, soldado da Polícia Militar de Pernambuco e oriundo dos bairros da periferia do Recife, foi o primeiro grande ídolo do futebol pernambucano.

Poderíamos até perguntar se não tivesse acontecido a proletarização e a miscigenação do futebol brasileiro, se teríamos chegado ao pentacampeonato mundial de futebol e transformado o nosso sentimento de inferioridade étnica em um sentimento de superação e conquistas. A própria seleção brasileira de futebol é um exemplo a ser citado, haja vista que com Pelé e Garrincha juntos em campo nunca chegou a ser derrotada.

Recife, setembro 2014


NÚBIA NONATO

FRAGMENTOS

Núbia Nonato


Pra você que parte,
saudades...
Pra você que fica,
metade...
Ausência, querença,
ardor, fogo consumindo,
lava na garganta, calor.
Abrigo-me no que resta
de teu abraço.
Durmo sem pensar no
amanhã.
Apego-me aos fragmentos
de lembranças que por
ora me bastam...



segunda-feira, 22 de setembro de 2014

A TRAIÇÃO DE PEDRINHO

economia.culturamix.com

O vereador dirigiu-se ao repórter com aquela contundência cínica, típica dos larápios:

-- Posso lhe assegurar, com absoluta certeza, que nunca, jamais, em tempo algum, recebi dinheiro das mãos daquele senhor, a quem acusam de praticar toda sorte de malfeitos. Não nego que o conheço. Estivemos juntos cinco ou seis vezes, se tanto, para tratar de assuntos de interesse da comunidade. Nada mais.

-- Mas, vereador, há provas de que todos os meses o senhor recebia mesada, para não contrariar os interesses do seu, digamos assim, “mecenas”, antigo patrocinador de suas artes.

-- Provas? Que provas?

-- Há fotos e vídeos de seu principal assessor contando as cédulas e colocando a grana numa maleta, antes de retornar ao gabinete.

-- Meu caro jornalista: tenho meus defeitos, mas não minto. O que eu lhe disse? Que nunca recebi dinheiro das mãos daquele senhor. Não há foto ou vídeo que prove isso. E mais: nunca soube da existência desses recursos não contabilizados.

-- Eu sei que o senhor nunca foi buscar o dinheiro pessoalmente, mas seu assessor ia em seu lugar. Por falar nisso, onde ele está?

-- Sumiu, sem deixar rastros. A vida é dura na política, a política é o reino da traição. Quem diria que Pedrinho, a quem desde sempre estendi a mão, pessoa em quem sempre confiei cegamente, faria uma coisa dessas comigo? Quem diria?


RAPIDÍSSIMAS (XVIII)

www.megamensagens.com



AROMAS
Deu vontade de degustá-la.

AGORA É TARDE
E ele foi pra cova repetindo a cantilena ordinária:
-- Que droga! Errei muito em pensamentos, pouco em ações.

DÚVIDA
Quem não dorme com seus equívocos?

PSICOLOGIA
-- Querido: essa sua tosse, essa náusea matutina, essa inquietude, tudo isso... Tudo isso é o seguinte: beba menos na véspera. E não me encha mais o saco.

QUE COISA BOA
Bateu vontade de namorar.


IMAGENS: CHACRINHA

Abelardo Barbosa de Medeiros, o Chacrinha ( 1917 —  1988),
 foi um comunicador de rádio e televisão do Brasil,
apresentador de programas de auditório de enorme sucesso
 da década de 1950 a de 1980.
Foi o autor da célebre frase:
"Na televisão, nada se cria, tudo se copia”.
 Em seus programas de televisão,
foram revelados para o país inteiro nomes
como Roberto Carlos, Perla, Paulo Sérgio e Raul Seixas,
entre muitos outros .
Desde a década de 1970 era chamado de Velho Guerreiro,
por conta de homenagem feita a ele por Gilberto Gil,
na canção  "Aquele Abraço" (abaixo).
(WIKIPÉDIA)








JUNIOR COHEN


VAL FONSECA

CARRIERO


PAULINHO






domingo, 21 de setembro de 2014

O REI DO BALCÃO


Dizem que o dinheiro não aceita desaforo. Se isso vale para os ricos, que dirá para os pobres? Todo deslumbrado é um idiota. E a idiotia é doença incurável. Quando o sujeito pensa que não tem mais nada a perder, ela (a idiotia) volta com tudo. E joga ele ( o deslumbrado) de novo no chão.

Anos atrás, bote anos nisso, conheci um sujeito que, nos finais de semana, frequentava o mesmo boteco que eu. Ele sempre aparecia com seu filho pequeno e único. Gostava de falar alto, de exibir sua arrogância analfabeta e ostentar uma riqueza que não tinha. Se o moleque lhe pedia um chocolate, ele comprava a caixa toda. Ou, pelo menos, todos os confeitos que nela estavam. Se o guri lhe pedia bala, seguia a mesma trilha. Que viessem todos os dropes. Na hora de pagar a conta, que sempre pedia em alto som, sacava do bolso maços de dinheiro. E virava-se para quem estivesse mais próximo e lhe perguntava: “Quer tomar mais uma”? Não esperava pela resposta. Mandava o dono do boteco por mais uma. “Essa é por minha conta”.

Gostava de alardear que era braço direito de um dos principais doleiros da capital.

Não demorou muito o cara sumiu. Soube-se que caíra em desgraça com o chefe. E que, por isso, não arrumaria mais emprego com doleiro algum. Mafiosos são unidos. Como não tinha outra “qualificação” profissional...

Tempos depois nos encontramos numa padaria ao lado de sua casa. Estava só. Cadê o menino? Ele fez de conta que não me viu. Eu também disfarcei, nunca tivemos intimidade. Pediu dois pãezinhos, passou batido pelas caixas de guloseimas e se foi como entrou – de cabeça baixa.

NOVEMBRO 2013