sexta-feira, 26 de junho de 2015

HORA DA VITROLA::

TIGRESA
De Caetano Veloso
Na interpretação de Ney e Caetano




Uma tigresa de unhas negras e íris cor de mel
Uma mulher, uma beleza que me aconteceu
Esfregando a pele de ouro marrom do seu corpo contra o meu
Me falou que o mal é bom e o bem cruel

Enquanto os pelos dessa deusa tremem ao vento ateu
Ela me conta, sem certeza, tudo o que viveu
Que gostava de política em 1966
E hoje dança no Frenetic Dancing Days

Ela me conta que era atriz e trabalhou no Hair
Com alguns homens foi feliz, com outros foi mulher
Que tem muito ódio no coração, que tem dado muito amor
E espalhado muito prazer e muita dor

Mas ela ao mesmo tempo diz que tudo vai mudar
Porque ela vai ser o que quis, inventando um lugar
Onde a gente e a natureza feliz vivam sempre em comunhão
E a tigresa possa mais do que o leão

As garras da felina me marcaram o coração
Mas as besteiras de menina que ela disse, não
E eu corri pra o violão num lamento, e a manhã nasceu azul
Como é bom poder tocar um instrumento





AMANHÃ. QUEM SABE?

INTERNET

Com ele, as coisas funcionavam ao contrário.

Nos dias bonitos, de sol e calor, era acometido por uma angústia profunda. Da varanda do apartamento, observava o vaivém das pessoas nas ruas. E ele sem coragem de dar o passo, colocar roupa leve, tênis confortável, óculos de sol, sair por aí, rumo a lugar algum, pelo prazer, ainda que efêmero, de viver. Amanhã, eu também vou – dizia para si mesmo, sem convicção. Não ia.

Gostava mesmo de tempo frio, garoa fina e gelada. Nesses dias, as pessoas evitam sair, ruas e parques ficam desertos, crianças não fazem algazarra, não há quase barulho. Ao não avistar ninguém, então, ao ouvir o quase silêncio, sentia-se um pouco aliviado. Não estava tão só. E desandava a fazer planos que nunca colocaria em prática. 


CHÁ DAS CINCO: ANTONIO CÍCERO

GUARDAR

Ilustração: NETTO

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:

Por guardar-se o que se quer guardar.

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CLAYTON – O POVO (CE)




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ORNAL DA BESTA FUBANA





QUASE HISTÓRIAS (L)



NÃO SOU AMANDA!

Sou a favor do fim de call centers. Sei que os politicamente corretos são contra. O que só reforça minha opinião. Não me venham com dados sobre emprego e desemprego. Alguém cogita, por exemplo, regulamentar o trabalho de “mulas” – os que transportam drogas ou dinheiro sujo? Não quero mais ser incomodado.

Recentemente, durante quase um mês, recebi várias ligações por dia de uma gente que procurava Amanda. Cansei de lhe explicar que nunca fui Amanda, que não sou Amanda e que jamais serei Amanda. Trabalho tão inútil como o de lhe pedir que tirem meu número do cadastro. Tempos depois, o telefone voltava a tocar a procura de Amanda.


A ÚLTIMA FLOR DO LÁCIO

Sem tirar os olhos do computador, a colega perguntou ao colega ao lado, que também estava com os olhos grudados no monitor:

— É impretero ou impreiteiro?

Impreiteiro, com i depois do primeiro e.

— Droga! Vou ter que corrigir esse documento. Escreveram empreiteiro. Haja saco. Fazem a coisa errada e depois a gente tem de corrigir. Custa perguntar, se não sabe?

***

No dia seguinte, o chefe ignorante chegou como chegava todos os dias – com pompas e circunstâncias e a falta de educação desde sempre cultivada. Foi logo informado do entrevero da véspera. Disparou um e-mail para o gerente:

— O que ouve?

Puta velha, o gerente tripudiou da ignorância arrogante:

— Não ouço nada.



DALINHA

Dalinha Catunda


BÃO-BA-LA-LÃO!
E A NOSSA NAÇÃO?

Bão-ba-la-lão
Esculhambação
Eu vi o Joaquim
Julgando ladrão
A festa foi grande
No tal mensalão
Roubando o país
Sugando a nação
Saíram ligeiro
Da dona prisão

***

Bão-ba-la-lão
Esculhambação
O roubo maior
Foi no petrolão
Roubo de político
Propina na mão
Roubo de empreiteira
Lesando a nação
Mostrou lava Jato
Na operação.

***

Bão-ba-la-lão
Esculhambação
Na terra do Mouro
Não fica ladrão
Tem peixe graúdo
Dentro da prisão
E tem gabiru
Só na delação
A vara do Mouro
Bate sem perdão.

***

Bão-ba-la-lão
Esculhambação
Arrocho vem vindo,
Terceirização,
Pedem paciência
Pedem compreensão
Mas botam no rabo
Da população
A vaca tossiu
Não diga que não.

***

Bão-ba-la-lão
Esculhambação
Dinheiro em cueca
Pegaram na ação
Dinheiro em calcinha
Noutra ocasião
Vive o padrão FIFA
A nossa nação
Aqui me despeço

PT. Saudação.

BRUNO NEGROMONTE

Histórias e estórias da MPB - Parte 11
Falar da importância de Luiz Gonzaga para a música popular brasileira (em especial a nordestina) é chover no molhado. Desde os idos anos da década de 1940 quando o cantor e instrumentista começou a escrever seu nome na história do cancioneiro popular que delineava-se ali um grande representante da música da região. Nos idos anos de 1930 o representante mais popular da música produzida em Pernambuco era Manezinho Araújo e suas emboladas, que animava os auditórios das rádios do Sudeste do país e em especial do Rio de Janeiro (então capital do país). Diferente da embolada produzida por seu conterrâneo, Luiz Gonzaga chega trazendo ao centro do palco dos grandes centros urbanos a sanfona e uma musicalidade contagiante e embriagadora intrinsecamente ligada à sua região. Sem saber, Gonzaga estava seguindo à risca a ideia atribuída ao russo Leon Tostoi: "Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia". No entanto era preciso somar forças ao seu instrumento e melodias, e para isso o destino o colocou diante de dois exímios compositores que souberam como poucos transcrever para as melodias de Gonzaga aquilo que ele queria de fato expressar. Isso talvez tenha ocorrido pela coincidência de terem nascido na mesma região.
Ao lado do cearense Humberto Teixeira, Gonzaga deu início a trajetória de sucessos. O grande encontro da dupla se deu em agosto de 1945, no escritório de advocacia de Humberto, localizado no centro do Rio de janeiro. Gonzaga reiterava ao advogado o desejo em representar a música de sua terra nos grandes centros do país e ali mesmo os dois já começaram a dar vida a canção que viria a se tornar o hino não-oficial do Nordeste, Asa Branca. Dali em diante foram responsáveis pela produção de diversos sucessos na carreira do cantor como "Assum preto", "Baião", "Xanduzinha", "Estrada de Canindé", "Juazeiro", "Respeita Januário", "Qui nem jiló", "No meu pé de serra" e tantas outros chegando a um total de 32 canções gravadas (entre parcerias e canções compostas pelo advogado e compositor de Iguatu).
Outro nome de extrema importância na carreira artística de Gonzaga foi o do médico e compositor José de Sousa Dantas Filho, mais conhecido como Zé Dantas, morto prematuramente aos 41 anos de idade mas que deixou como legado dezenas de composições e, em sua maioria, em parceria com Gonzaga. É de autoria da dupla clássicos como "Noites brasileiras", "A dança da moda", "A volta da Asa Branca", "Acauã", "ABC do sertão", "Derramaro o gai", "Vem Morena", "Paraíba", "Xote das meninas", "Riacho do navio" e tantas outras. Vale registrar que é de uma canção da dupla (Forró de Mané Vito) que surge pela primeira vez utilizando o termo forró. Com Dantas, entre parcerias e canções de autoria apenas do médico-compositor, Gonzaga fez 52 registros fonográficos reiterando a imprescindível importância da dupla na história do cancioneiro brasileiro.
Outro importante nome na carreira de Gonzaga foi o do saudoso João Silva, o compositor mais gravado pelo Rei do baião. É de sua autoria sucessos da careira de Gonzaga como "De fia a pavi" (com Oseinha), “Danado de bom”, “Deixa a tanga voar”, “Forró de cabo a rabo”, “Nem se despediu de mim”, “Pagode russo”, “Sanfoninha choradeira”, “Vou te matar de cheiro”, “Um pra mim, um pra tu” e tantas outras em parceria com Gonzagão. A parceria intensificou-se na última década de vida do sanfoneiro como é possível perceber a partir das canções que compõem os últimos discos do cantor e instrumentista.
Luiz Gonzaga gravou 625 músicas. Talvez nem houvesse necessidade de tantos registros fonográficos quanto o legado que ele deixou para escrever seu nome em definitivo dentro de nossa música. Duas ou três parcerias com Zé Dantas, Humberto Teixeira, Miguel Lima e João Silva; uma ou duas interpretações de nomes como Antonio Barros, Patativa do Assaré e Gonzaguinha já seriam suficientes para torná-lo quem hoje ele é: o pernambucano do século, em eleição onde constava nomes dos mais variados seguimentos existentes na história do estado. Mesmo assim Luiz Gonzaga desbancou nomes como Gilberto Freyre, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira, Josué de Castro e tantos outros.
Fica para audição dos amigos leitores duas canções interpretadas pelo saudoso Rei do Baião. A primeira trata-se de "Delegado no coco", canção compostas por Zé Dantas e registrada por Gonzaga em 1957:
A segunda canção trata-se de "Velho novo Exu", baião composto por Gonzaga em parceria com Sílvio Moacir de Araújo e gravada em 1954:

quinta-feira, 25 de junho de 2015

QUASE HISTÓRIAS (XLIX)



SÓ TOMANDO UMA

Nossas benzedeiras sumiram do mapa, difícil encontrar uma. O SUS e os planos de saúde (exceto aqueles que só ricos podem pagar)  são o que são: porcaria. Aos copos, portanto. Antes que o bucho vire.

TEM JEITO?

Infeliz o país em que os donos de boteco são obrigados a colocar, inutilmente, sobre a privada imunda que liberam para os clientes “vips”, só para eles, plaquinhas assim: Não urinem fora do vaso; Não defequem no chão; Favor não jogar seu absorvente na privada; Favor acionar a descarga.

IMPOSSÍVEL AGRADAR

Gesto raro de generosidade, resolveu pagar duas pizzas, para os afilhados de casamento. Segundo o padrinho, era a melhor pizza de toda região. E de fato a pizza era boa mesmo.
Duas semanas depois, os afilhados resolveram retribuir a gentileza. Era o mínimo a fazer. Compraram duas pizzas no mesmo lugar, na melhor pizzaria da região, segundo ele. Só que, para o padrinho, a pizza já não valia mais nada. 

Os donos da pizzaria jogaram fora, em duas semanas, uma reputação de vinte anos. É a única dedução possível.


CHÁ DAS CINCO: DRUMMOND (FRASES)

FRASES DE CARLOS 
DRUMMOND DE ANDRADE

Caricatura: BAPTISTÃO




Os homens distinguem-se pelo que fazem;
as mulheres pelo que levam os homens a fazer.

***

Quem gosta de escrever cartas para os jornais não deve ter namorada.

***

No adultério há pelo menos três pessoas que se enganam.

***

As academias coroam com igual zelo o talento e a ausência dele.

***

Há livros escritos para evitar espaços vazios na estante.

***

Não é fácil ter paciência diante dos que têm excesso de paciência.

***

A confiança é ato de fé, e esta dispensa raciocínio.

***

A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, 
mas, por incrível que pareça,
 a quase totalidade, não sente esta sede.







CHARGES: DIRETO DA "BESTA"




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AMARILDO – A GAZETA (ES)


nani2
NANI – CHARGE ONLINE



iotti

IOTTI – ZERO HORA (RS)


paixao
PAIXÃO – GAZETA DO POVO (PR)



adb
ALPINO – BLOG DO ALPINO



JORNAL DA BESTA FUBANA