Nos dias bonitos, de sol e calor, era acometido por uma angústia
profunda. Da varanda do apartamento, observava o vaivém das pessoas nas ruas. E
ele sem coragem de dar o passo, colocar roupa leve, tênis confortável, óculos
de sol, sair por aí, rumo a lugar algum, pelo prazer, ainda que efêmero, de
viver. Amanhã, eu também vou – dizia para si mesmo, sem convicção. Não ia.
Gostava mesmo de tempo frio, garoa fina e gelada. Nesses dias, as
pessoas evitam sair, ruas e parques ficam desertos, crianças não fazem
algazarra, não há quase barulho. Ao não avistar ninguém, então, ao ouvir o
quase silêncio, sentia-se um pouco aliviado. Não estava tão só. E desandava a fazer planos que
nunca colocaria em prática.
Sou a favor do fim de call centers. Sei que os politicamente
corretos são contra. O que só reforça minha opinião. Não me venham com dados
sobre emprego e desemprego. Alguém cogita, por exemplo, regulamentar o trabalho
de “mulas” – os que transportam drogas ou dinheiro sujo? Não quero mais ser
incomodado.
Recentemente, durante quase
um mês, recebi várias ligações por dia de uma gente que procurava Amanda.
Cansei de lhe explicar que nunca fui Amanda, que não sou Amanda e que jamais
serei Amanda. Trabalho tão inútil como o de lhe pedir que tirem meu número do
cadastro. Tempos depois, o telefone voltava a tocar a procura de Amanda.
A ÚLTIMA FLOR DO LÁCIO
Sem
tirar os olhos do computador, a colega perguntou ao colega ao lado, que também
estava com os olhos grudados no monitor:
—
É impretero
ou impreiteiro?
—
Impreiteiro,
com i
depois do primeiro e.
—
Droga! Vou ter que corrigir esse documento. Escreveram empreiteiro. Haja saco.
Fazem a coisa errada e depois a gente tem de corrigir. Custa perguntar, se não
sabe?
***
No
dia seguinte, o chefe ignorante chegou como chegava todos os dias – com pompas
e circunstâncias e a falta de educação desde sempre cultivada. Foi logo
informado do entrevero da véspera. Disparou um e-mail para o gerente:
—
O que ouve?
Puta
velha, o gerente tripudiou da ignorância arrogante:
Falar da importância de Luiz Gonzaga para a música popular brasileira (em especial a nordestina) é chover no molhado. Desde os idos anos da década de 1940 quando o cantor e instrumentista começou a escrever seu nome na história do cancioneiro popular que delineava-se ali um grande representante da música da região. Nos idos anos de 1930 o representante mais popular da música produzida em Pernambuco era Manezinho Araújo e suas emboladas, que animava os auditórios das rádios do Sudeste do país e em especial do Rio de Janeiro (então capital do país). Diferente da embolada produzida por seu conterrâneo, Luiz Gonzaga chega trazendo ao centro do palco dos grandes centros urbanos a sanfona e uma musicalidade contagiante e embriagadora intrinsecamente ligada à sua região. Sem saber, Gonzaga estava seguindo à risca a ideia atribuída ao russo Leon Tostoi: "Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia". No entanto era preciso somar forças ao seu instrumento e melodias, e para isso o destino o colocou diante de dois exímios compositores que souberam como poucos transcrever para as melodias de Gonzaga aquilo que ele queria de fato expressar. Isso talvez tenha ocorrido pela coincidência de terem nascido na mesma região.
Ao lado do cearense Humberto Teixeira, Gonzaga deu início a trajetória de sucessos. O grande encontro da dupla se deu em agosto de 1945, no escritório de advocacia de Humberto, localizado no centro do Rio de janeiro. Gonzaga reiterava ao advogado o desejo em representar a música de sua terra nos grandes centros do país e ali mesmo os dois já começaram a dar vida a canção que viria a se tornar o hino não-oficial do Nordeste, Asa Branca. Dali em diante foram responsáveis pela produção de diversos sucessos na carreira do cantor como "Assum preto", "Baião", "Xanduzinha", "Estrada de Canindé", "Juazeiro", "Respeita Januário", "Qui nem jiló", "No meu pé de serra" e tantas outros chegando a um total de 32 canções gravadas (entre parcerias e canções compostas pelo advogado e compositor de Iguatu).
Outro nome de extrema importância na carreira artística de Gonzaga foi o do médico e compositor José de Sousa Dantas Filho, mais conhecido como Zé Dantas, morto prematuramente aos 41 anos de idade mas que deixou como legado dezenas de composições e, em sua maioria, em parceria com Gonzaga. É de autoria da dupla clássicos como "Noites brasileiras", "A dança da moda", "A volta da Asa Branca", "Acauã", "ABC do sertão", "Derramaro o gai", "Vem Morena", "Paraíba", "Xote das meninas", "Riacho do navio" e tantas outras. Vale registrar que é de uma canção da dupla (Forró de Mané Vito) que surge pela primeira vez utilizando o termo forró. Com Dantas, entre parcerias e canções de autoria apenas do médico-compositor, Gonzaga fez 52 registros fonográficos reiterando a imprescindível importância da dupla na história do cancioneiro brasileiro.
Outro importante nome na carreira de Gonzaga foi o do saudoso João Silva, o compositor mais gravado pelo Rei do baião. É de sua autoria sucessos da careira de Gonzaga como "De fia a pavi" (com Oseinha), “Danado de bom”, “Deixa a tanga voar”, “Forró de cabo a rabo”, “Nem se despediu de mim”, “Pagode russo”, “Sanfoninha choradeira”, “Vou te matar de cheiro”, “Um pra mim, um pra tu” e tantas outras em parceria com Gonzagão. A parceria intensificou-se na última década de vida do sanfoneiro como é possível perceber a partir das canções que compõem os últimos discos do cantor e instrumentista.
Luiz Gonzaga gravou 625 músicas. Talvez nem houvesse necessidade de tantos registros fonográficos quanto o legado que ele deixou para escrever seu nome em definitivo dentro de nossa música. Duas ou três parcerias com Zé Dantas, Humberto Teixeira, Miguel Lima e João Silva; uma ou duas interpretações de nomes como Antonio Barros, Patativa do Assaré e Gonzaguinha já seriam suficientes para torná-lo quem hoje ele é: o pernambucano do século, em eleição onde constava nomes dos mais variados seguimentos existentes na história do estado. Mesmo assim Luiz Gonzaga desbancou nomes como Gilberto Freyre, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira, Josué de Castro e tantos outros.
Fica para audição dos amigos leitores duas canções interpretadas pelo saudoso Rei do Baião. A primeira trata-se de "Delegado no coco", canção compostas por Zé Dantas e registrada por Gonzaga em 1957:
A segunda canção trata-se de "Velho novo Exu", baião composto por Gonzaga em parceria com Sílvio Moacir de Araújo e gravada em 1954:
Nossas
benzedeiras sumiram do mapa, difícil encontrar uma. O SUS e os planos de saúde
(exceto aqueles que só ricos podem pagar) são o que são: porcaria. Aos copos, portanto. Antes
que o bucho vire.
TEM JEITO?
Infeliz
o país em que os donos de boteco são obrigados a colocar, inutilmente, sobre a
privada imunda que liberam para os clientes “vips”, só para eles, plaquinhas
assim: Não urinem fora do vaso; Não defequem no chão; Favor não jogar seu absorvente na privada;Favor acionar a descarga.
IMPOSSÍVEL
AGRADAR
Gesto raro de generosidade, resolveu
pagar duas pizzas, para os afilhados de casamento. Segundo o padrinho, era a
melhor pizza de toda região. E de fato a pizza era boa mesmo.
Duas semanas depois, os
afilhados resolveram retribuir a gentileza. Era o mínimo a fazer. Compraram
duas pizzas no mesmo lugar, na melhor pizzaria da região, segundo ele. Só que,
para o padrinho, a pizza já não valia mais nada. Os donos da pizzaria jogaram
fora, em duas semanas, uma reputação de vinte anos. É a única dedução possível.