quarta-feira, 15 de agosto de 2018

QUASE HISTÓRIAS

Resultado de imagem para imagens para crianças dormindo na cama
Foto: Arquivo Google



NOITES DE INVERNO

Nas noites frias, antes de dormir, o pai entrava em nosso quarto, para se certificar de que nós – minha irmã e eu – estávamos protegidos. Levantava nossos pés e colocava as cobertas por baixo, nos beijava e dizia “durmam com Deus”. Então, a gente dormia gostoso, sem frio, sem medo. Acho que a gente dormia com Deus. (OS)

MENARCA

- Padre: sei que peco, mas não é porque queira pecar. A carne é fraca, se o senhor me entende. Minha fé é miúda. Rezo todos os dias para que o Senhor me perdoe e triplique a devoção que Lhe tenho.

- Está no caminho certo, filho. Reze, reze. Ainda que não saiba a razão de tantas preces. Mal não lhe fará. Tenho certeza disso.

- Sou muito grato ao Senhor, padre, por ter nascido homem. Jamais seria uma mulher.

- Como assim? Somos todos, homens e mulheres, filhos de Deus. Todos iguais.

- Sei disso. Não tenho medo de quase nada, nunca tive receio de lutar, trabalhar feito mouro pra enfrentar as despesas. Não tenho preconceitos. Mas não posso ver sangue, uma gota sequer. Quedo feio, feito folha seca. Não resistiria à menarca. (OS – ATUALIZADO EM AGOSTO DE 2018)


terça-feira, 14 de agosto de 2018

HORA DA VITROLA: RENATO RUSSO & LEGIÃO URBANA (PAIS E FILHOS)


PAIS E FILHOS
RENATO RUSSO/LEGIÃO URBANA



Estátuas e cofres
E paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender

Dorme agora
É só o vento lá fora
Quero colo
Vou fugir de casa
Posso dormir aqui
Com vocês?
Estou com medo tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três

Meu filho vai ter
Nome de santo
Quero o nome mais bonito

É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há

Me diz por que o céu é azul
Me explica a grande fúria do mundo
São meus filhos que tomam conta de mim

Eu moro com a minha mãe
Mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua, não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar
Já morei em tanta casa que nem me lembro mais
Eu moro com meus pais

É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há

Sou uma gota d'água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais não entendem
Mas você não entende seus pais
Você culpa seus pais por tudo
Isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer


ROLANDO BOLDRIN: O CAUSO DO DIA 33

Resultado de imagem para imagens para Mazzaropi
Mazzaropi. Foto: Wikipédia

Rolando Boldrin relembra algumas historietas contadas por Mazzaropi, 
com quem teve a oportunidade de contracenar em diversas oportunidades.



***

Rolando Boldrin (São Joaquim da Barra – SP 22 de outubro de 1936) é músico, ator e apresentador de televisão. Desde pequeno, aos sete anos, já tocava viola e começou uma empreitada musical junto com seu irmão aos 12 anos de idade, formando a dupla Boy e Formiga.


LÍNGUA AFIADA: ROBERTO CAMPOS

FOTO: VEJA.ABRIL.COM.BR

Brasília é uma usina de déficits e um bazar de ilusões.

***

Fui um bom profeta, pelo menos melhor que Marx. 
Ele previra o colapso do capitalismo; 
eu previ o contrário: o fracasso do socialismo.

***

Talvez eu tenha tido os deslizes a que tinha direito
 porque passei toda a juventude em absoluta castidade, 
num seminário. 
De modo que acumulei um grande direito de pecar. 
Usei moderadamente o direito de pecar por falta de cooperação.

***

Todo conselho é bom, desde que a gente 
não seja obrigado a aceitá-lo.

***

A diplomacia é a arte de ver “antes”, 
não necessariamente de ver “mais”. 
E nunca ver “demais”.

***

O único crepúsculo bonito é o da natureza. 
O dos deuses é uma tragédia. 
O dos homens, uma chatice...

***

A burrice no Brasil tem um passado glorioso e um futuro promissor.

***

O telefone celular faz mal para a masculinidade: 
é cada vez menor, anda sempre dobrado, 
cai a ligação várias vezes e não funciona quando entra no túnel.

***

A diplomacia é como um filme pornográfico: 
é melhor participar que assistir.

***

Estatização no Brasil é como mamilo de homem: 
não é útil nem ornamental.

***

Em nenhum momento consegui a grandeza. 
Em todos procurei escapar da mediocridade.




Roberto Campos (1917-2001) foi 
economista, diplomata, ministro, senador, 
deputado federal, polemista e acadêmico

CHÁ DAS CINCO: CORA CORALINA

GOOGLE

ASSIM EU VEJO A VIDA

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.

MASCARADOS

Saiu o Semeador a semear
Semeou o dia todo
e a noite o apanhou ainda
com as mãos cheias de sementes.
Ele semeava tranqüilo
sem pensar na colheita
porque muito tinha colhido
do que outros semearam.
Jovem, seja você esse semeador
Semeia com otimismo
Semeia com idealismo
as sementes vivas
da Paz e da Justiça.

***

GOOGLE

“O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher”.

Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, que adotou o pseudônimo de Cora Coralina, nasceu em 20 de agosto de 1889 em na cidade de Goiás, Goiânia. Fez apenas os estudos primários, mas em 1910 teve um conto publicado no Anuário Histórico Geográfico e Descritivo do Estado de Goiás, já com o seu pseudônimo.

Em 1911, fugiu com o advogado Cantídio Tolentino de Figueiredo Bretas para Penápolis, vinte e dois anos mais velho que ela, casado e separado da mulher. Casaram-se mais tarde, após a viuvez de Cantídio. Viveram em várias cidades do interior paulista até 1934, quando Cantídio faleceu.

Cora Coralina e seus seis filhos mudaram-se para São Paulo. Colaborou no Jornal O Estado de São Paulo e trabalhou como vendedora da Livraria José Olympio. Em 1938 voltou para Penápolis e abriu uma Casa de Retalhos.

Após quarenta e cinco anos voltou para sua cidade natal, para a velha casa da Ponte do Rio Vermelho, onde nasceu. Trabalhou como doceira por mais de vinte anos e assumiu seu outro ofício: o de poetisa. Cora Coralina vendia seus doces de casa em casa e recitava suas poesias.

Recebeu diversos prêmios como escritora. Em 1983 recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de Goiás.

Faleceu em 10 de abril de 1985, em Goiânia, GO.

Algumas obras: Poemas dos becos de Goiás e estórias mais (1965); Meu livro de cordel (1976); Vintém de cobre (1983).

FONTE: PORTAL DA PREFEITURA DE SÃO PAULO



A SEMANA É DE Raul Seixas (2)

Resultado de imagem para imagens Raul Seixas



EU NASCI HÁ DEZ MIL ANOS ATRÁS
De Raul Seixas e Paulo Coelho



Um dia, numa rua da cidade, eu vi um velhinho sentado na calçada
Com uma cuia de esmola e uma viola na mão
O povo parou para ouvir, ele agradeceu as moedas
E cantou essa música, que contava uma história
Que era mais ou menos assim:

Eu nasci há dez mil anos atrás
e não tem nada nesse mundo que eu não saiba de mais (2x)

Eu vi Cristo ser crucificado
O amor nascer e ser assassinado
Eu vi as bruxas pegando fogo para pagarem seus pecados,
Eu vi,
Eu vi Moisés cruzar o mar vermelho
Vi Maomé cair na terra de joelhos
Eu vi Pedro negar Cristo por três vezes diante do espelho
Eu vi,

Eu nasci
(eu nasci)
Há dez mil anos atrás
(eu nasci há dez mil anos)
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba de mais (2x)

Eu vi as velas se acenderem para o Papa
Vi Babilônia ser riscada do mapa
Vi conde Drácula sugando o sangue novo
e se escondendo atrás da capa
Eu vi,
Eu vi a arca de Noé cruzar os mares
Vi Salomão cantar seus salmos pelos ares
Eu vi Zumbi fugir com os negros para floresta
pro quilombo dos palmares
Eu vi,

Eu nasci
(eu nasci)
Há dez mil anos atrás
(eu nasci há dez mil anos)
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais (2x)

Eu vi o sangue que corria da montanha
quando Hitler chamou toda a Alemanha
Vi o soldado que sonhava com a amada numa cama de campanha
Eu li,
Eu li os simbolos sagrados de Umbanda
Eu fui criança para poder dançar ciranda
E, quando todos paraguejavam contra o frio,
eu fiz a cama na varanda

Eu nasci
(eu nasci)
Há dez mil anos atrás
(eu nasci há dez mil anos atrás)
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais

Não, não porque
Eu nasci
(eu nasci)
Há dez mil anos atrás
(eu nasci há dez mil anos atrás)
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais
Não, não

Eu tava junto com os macacos na caverna
Eu bebi vinho com as mulheres na taverna
E quando a pedra despencou da ribanceira
Eu também quebrei a perna
Eu também,
Eu fui testemunha do amor de Rapunzel
Eu vi a estrela de Davi brilhar no céu
E para aquele que provar que eu tou mentindo
eu tiro o meu chapéu

Eu nasci
(eu nasci)
Há dez mil anos atrás
(eu nasci há dez mil anos)
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais


METAMORFOSE AMBULANTE
De Raul Seixas



Prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante

Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo

Eu quero dizer
Agora o oposto do que eu disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante

Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo

Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou

Se hoje eu sou estrela
Amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor

Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator

É chato chegar
A um objetivo num instante
Eu quero viver
Nessa metamorfose ambulante

Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo

Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou

Se hoje eu sou estrela
Amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor

Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator

Eu vou desdizer
Aquilo tudo que eu lhe disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante

Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo

***


Raul Seixas (1945, Salvador, BA -1989, São Paulo, SP) foi um músico, compositor e cantor brasileiro, um dos grandes representantes do rock no Brasil. É conhecido por músicas como “Maluco Beleza” e “Ouro de Tolo”, que fizeram grande sucesso no país.

Raul Seixas se envolveu com ocultismo, estudou filosofia e psicologia, o que o fez um dos poucos compositores a tentar imprimir suas ideias em letras aliadas ao som vibrante do rock, juntamente com ritmos nordestinos.

Em 1974, criou a Sociedade Alternativa, um conceito de sociedade livre inspirada no ocultista Aleister Crowley e que foi tema de uma de suas canções do disco "Gita" (1974).

Raul Seixas enfrentou sérios problemas com o álcool. Faleceu no dia 21 de agosto de 1989, com apenas 44 anos, vítima de pancreatite aguda.


***

OUÇA TAMBÉM

"TENTE OUTRA VEZ" E "COMO VOVÓ JÁ DIZIA". 

PORQUE A SEMANA É DE RAUL SEIXAS (OS)



ESCULTURAS: MARK NEWMAN


Resultado de imagem para imagens mark Newman


Resultado de imagem para foto de Mark Newman


Resultado de imagem para imagens mark Newman


Resultado de imagem para imagens mark Newman



Resultado de imagem para imagens mark Newman



Resultado de imagem para imagens mark Newman


Resultado de imagem para imagens mark Newman

***

Nascido em 1962, Mark Newman é um artista americano. Ele tem um estilo marcante. Através de seu olhar vívido, cria esculturas que parecem estar assustadoramente vivas!

E O AMOR SAIU PELA JANELA: CENA I

Resultado de imagem para ilustração para mulher irritada
Ilustração: Depositphotos



Maria entrou em casa pisando duro, com cara de nenhum amigo, soltando faíscas, resmungando impropérios. Zé pressentiu que ia sobrar para ele. E sobrou. Sem novidade, sempre sobra.

-- O que aconteceu, Maria?

-- O de sempre. Zé, eu estou cheia de você. Cheia. Esgotada. Você só me faz passar vergonha nesta vida desgraçada que levo.

-- O que eu lhe fiz dessa vez, mulher?

-- Quando souberam, no salão, que fiz aniversário ontem, todo mundo quis saber se você tinha me levado para jantar fora, que presente você me deu, essas coisas. Menti. Disse às moças que ganhei uma bolsa lindíssima e que deixamos o jantar para sábado, que ontem estava indisposta etc. Não sei se colou. Nós, mulheres, temos o tal do sexto sentido, se me entende...

-- Pelo amor de Deus, Maria, não seja injusta. Há anos, você não quer que eu lhe compre presente algum. Você não cansa de repetir que eu não sei fazer compras, erro sempre no tamanho da roupa, tenho gosto duvidoso e sei lá mais o quê. Além disso, estamos numa situação complicada. O dinheiro da poupança está no fim, eu não consigo emprego. O que você quer que eu faça? Anteontem, você ainda me disse: “Não me traga nada, por favor. O mar não está pra peixe.” Lembra?

-- Francamente. Você é um obtuso em tempo integral. Leva tudo ao pé da letra. Mas quem sofre as humilhações sou eu.

-- Maria...

-- Vá se catar, Zé.

(ORLANDO SILVEIRA – ATUALIZADO EM AGOSTO DE 2018)

***

LEIA TAMBÉM

Resultado de imagem para fotos homem olhando o mar

Boas amizades são urdidas na quietude. Ser amigo não é bisbilhotar a vida do outro, querer que o outro lhe conte o que ele não quer contar. Há tempo para tudo: para discutir coisas sérias, para contar piadas, para assuntar besteiras, para, eventualmente, desabafar... Por Orlando Silveira
https://orlandosilveira1956.blogspot.com/2018/08/o-mar-ensina.html#comment-form

AS CHARGES DO DIA



AMARILDO



A imagem pode conter: texto
SPONHOLZ



CAZO - COMÉRCIO DO JAHU



JORGE BRAGA - O POPULAR (GO)




A imagem pode conter: texto
SPONHOLZ



THIAGO LUCAS - JORNAL DO COMMERCIO (PE)



GENILDO A CHARGE ON-LINE



VERONEZI - CORREIO POPULAR (SP)



NANI


PAIXÃO - A GAZETA DO POVO (PR)

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

PAPO FIRME: LUIZ FELIPE PONDÉ

Ilustração: Carlos - design

AFINAL, O QUE É VIVER BEM?



Luiz Felipe Pondé (1959, Recife) – filósofo, escritor e ensaísta, pós-doutorado em epistemologia pela Universidade de Tel Aviv – discute temas como comportamento, religião, ciência. É colunista da Folha de S. Paulo