quarta-feira, 1 de março de 2017

CHÁ DAS CINCO: CECÍLIA MEIRELES

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FOTO: ARQUIVO GOOGLE 



ENCOMENDA

Desejo uma fotografia
como esta - o senhor vê? - como esta:
em que para sempre me ria
como um vestido de eterna festa.

Como tenho a testa sombria,
derrame luz na minha testa.
Deixe esta ruga, que me empresta
um certo ar de sabedoria.

Não meta fundos de floresta
nem de arbitrária fantasia...
Não... Neste espaço que ainda resta,
ponha uma cadeira vazia.

CECÍLIA MEIRELES



PALAVRAS & EXPRESSÕES: DEONÍSIO DA SILVA

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FOTO: ARQUIVO GOOGLE




O MUNDO ESTÁ DIVIDIDO POR UM ”DIPROMA”

Às vezes foi necessário dobrar mais do que o papel
do diploma. Foi imprescindível dobrar interesses

POR DEONÍSIO SILVA
BLOG DO AUGUSTO NUNES
VEJA.COM – 19/02/2017

Portugal e o Brasil devem muito a seus diplomatas. As palavras “diploma”, “diplomacia” e “diplomata” vieram do Grego e são do mesmo étimo do verbo “diplóo”, dobrar.

Às vezes foi necessário dobrar mais do que o papel do diploma. Foi imprescindível dobrar interesses, como aconteceu em diversos tratados com outras nações.

O rei português Dom João II, o “príncipe perfeito”, era muito esperto. Depois de recusar o plano que Cristóvão Colombo lhe apresentou para descobrir a América, vendo que aquele genovês meio doido tinha chegado à América Central, pensando entretanto ser o Japão, foi cuidar do Tratado de Tordesilhas. Afinal, o navegador “descobrira” boa parte do que Portugal já conhecia e mantinha em sigilo, incluindo o Brasil.

Sob as bênçãos de Rodrigo Bórgia, nome civil do papa Alexandre VI, assinou a divisão do mundo de um modo mais favorável para os portugueses do que para os espanhóis, alargando para 370 léguas os limites a leste de Cabo Verde.

Todavia o rei francês Francisco I, inconformado, perguntou: “Onde está o testamento de Adão, que dividiu o mundo entre Portugal e Espanha?”. E também partiu para conquistas ultramarítimas, chegando ao Brasil, com a França Antártica, no Rio, e com a França Equinocial, em São Luís do Maranhão.

Já o Brasil, cuja integridade territorial foi mantida graças à sabedoria de governantes portugueses e brasileiros ao correr dos séculos, tornou-se ainda maior do que era, por força de palavras e ações persuasivas de seu ministério das Relações Exteriores, cuja figura histórica referencial é o Barão do Rio Branco. Mas correu um risco danado em anos recentes, como agora se começa a ver.

A Casa é mais conhecida por Itamaraty, infelizmente hoje integrado por membros que confundem diploma com “diproma”;

O erro ortográfico é pequeno, mas dá indícios de outros erros, cuja correção é urgente, ainda mais em se tratando de país com tantas fronteiras.

VIDRÁGUAS: CARMEN SÍLVIA PRESOTTO


FOTOGRAFIA: JUAN MEDINA




RETRATO ÍNTIMO



Olho pro céu,

um pássaro



olho pro mar,

um peixe



olho pra sombra

ao lado, um afago…



- tu,

a alisar meu pensamento.

***
  
Carmen Silvia Presotto 

é Coordenadora Editorial na 
empresa Vidráguas.

É também autora dos seguintes livros:
Postigos: Poesia. Editora Vidráguas, 2010.
Encaixes: Poesia. Editora Vidráguas, 2006.             
Dobras do Tempo: Poesia. Editora Alcance, 2003.

***
 LEIA TAMBÉM
 
O pai sempre foi quieto, recatado. Raramente, elevava o tom de voz. Mas não havia chance de lhe dizer “bom dia” e não receber algum incentivo, um conselho, um livro emprestado. Por Orlando Silveira
 
http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/2017/03/lembrancas.html#comment-form


IMAGENS: GREGORY PACKARD



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VEJA TAMBÉM

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O pai sempre foi quieto, recatado. Raramente, 
elevava o tom de voz. 
Mas não havia chance de lhe dizer “bom dia” 
e não receber algum incentivo, 
 um conselho, um livro emprestado. 
Por Orlando Silveira


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FOTOGRAFIAS: DANIEL KFOURI



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Daniel começou a fotografar em 2001 após trabalhar 6 anos como designer gráfico. Já colaborou para revistas da Editora Abril, Folha de S.Paulo, The New York Times e agências de notícias. Cobriu a Copa do Mundo 2014 para a Revista Veja. Faz trabalhos autorais no intuito de desenvolver sua linguagem fotográfica. Já foi premiado em dois concursos internacionais, o World Press Photo em 2010 e o Picture of the Year Latin America em 2011.

Fonte/Texto: fotoempauta.com.br

LEMBRANÇAS

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O PAI ADORAVA LER (FOTO: GOOGLE)


Papi, meu sogro, foi gente da melhor qualidade. Sua principal característica era falar, falar, falar. Adorava falar. E falava alto. O assunto sempre era detalhe menor. Bastava lhe dizer “bom dia”, e o papo estava garantido. Os mais escolados puxavam uma cadeira.

Para que incorporasse o “comandante” Fidel, não eram necessários mais que segundos. Em dia de garganta arruinada, coisa que nunca vi, a preleção era mais curta: de duas horas, em média. Quando lhe dava na telha, pedia licença e colocava ponto final na prosa. 

O pai, ao contrário, sempre foi quieto, recatado. Raramente, elevava o tom de voz. Mas não havia chance de lhe dizer “bom dia” e não receber algum incentivo, um conselho, um livro emprestado.

Dois estilos, dois mestres.

***

O pai nunca foi homem de farra, nunca teve muitos amigos. Gostava mesmo era de ler e reler seus muitos livros. E de fazer planos, ainda que já não tivesse mais condições de colocá-los em prática. Sempre foi um homem afável, mas sem tempo para, como se diz, jogar conversa fora. 

-- Por que o senhor não desce e vai conversar com outras pessoas lá embaixo, no jardim? Fica tão só...

Era o que sempre lhe perguntavam, a começar por minha irmã e eu.

E ele nos dizia:

-- Não tenho nada contra ninguém, não. Tenho uma relação cordial com todos os que moram no prédio. Também não me sinto melhor ou pior que os outros. Mas o que tenho para lhes falar não é do interesse deles. A recíproca é verdadeira. E a vida é curta, filho. Nunca dá tempo para a gente ler tudo o que precisava ler.

(OS – Atualizado em fevereiro de 2017)

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***

MARCHINHA HOMENAGEIA DOM MENAS -- O MAIS HONESTO DOS HOMENS, SEGUNDO ELE PRÓPRIO, CLARO
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