sexta-feira, 1 de abril de 2016

HORA DA VITROLA: R. RABELLO (TICO TICO...) E YAMANDU COSTA (CARINHOSO)

RAFAEL RABELLO


TICO TICO NO FUBÁ, 
DE ZEQUINHA DE ABREU




CARINHOSO, 
DE PIXINGUINHA E JOÃO DE BARRO





YAMANDU COSTA

CHARGES: SPONHOLZ




Roque Sponholz é arquiteto, urbanista, 
professor universitário, 
chargista, caricaturista e cartunista 

























CHÁ DAS CINCO: FERREIRA GULLAR E GONÇALVES DIAS

NOVA CANÇÃO DO EXÍLIO (*)



Minha amada tem palmeiras
Onde cantam passarinhos
e as aves que ali gorjeiam
em seus seios fazem ninhos
Ao brincarmos sós à noite
nem me dou conta de mim:
seu corpo branco na noite
luze mais do que o jasmim
Minha amada tem palmeiras
tem regatos tem cascata
e as aves que ali gorjeiam
são como flautas de prata
Não permita Deus que eu viva
perdido noutros caminhos
sem gozar das alegrias
que se escondem em seus carinhos
sem me perder nas palmeiras
onde cantam os passarinhos

(publicado em dezembro de 2013)


Poema inspirado em


CANÇÃO DO EXÍLIO

De Gonçalves Dias

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em  cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar sozinho, à noite
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá. 


De Primeiros cantos (1847)


A ARTE DE SIMONE GRECCO

Artista de múltiplos e sólidos talentos, Simone Grecco 
está prestes a lançar sua banda musical - o que requer, 
dado o compromisso de SG com a qualidade, 
muitos ensaios, todos eles sob o olhar atento da coruja. 
Em breve, a banda marcará presença
 nas melhores casa do ramo do Porto e São Paulo. (OS)


























(ARTE DIGITAL)


DEPOIS, É CAIR NO EMBALO...

... E BEIJAR A LUA


***


Formada pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo (1972)
 e com diversos cursos de especialização nos Estados Unidos, 
Simone Grecco é uma artista plástica, cuja obra a todos encanta. 
No Brasil e no exterior.

Para entrar em contato com Simone, 
mestre em esculturas em arame, acesse

CHÁ DAS CINCO: CARLOS HEITOR CONY

www.youtube.com



O MELHOR VERSO

Faz tempo, fizeram um concurso para se saber qual o verso, isolado, que deveria ser considerado o mais bonito da literatura brasileira. Ganhou, acho que disparado, aquele verso de Castro Alves: "Auriverde pendão da esperança".

Que é bonito, é. E mais bonito fica no contexto, as duas últimas estrofes do mais conhecido poema do autor, "O Navio Negreiro". Pessoalmente não sou muito vidrado no auriverde pendão, embora trema de emoção com as citadas estrofes. Lembro-me delas recitadas por Paulo Autran, num dos momentos mais emocionantes do "Liberdade! Liberdade". Além de bonitos, um apelo à justiça, em falta naquele tempo.

Manuel Bandeira remou contra a corrente, escolhendo o verso de um sucesso popular, "Chão de Estrelas", de Orestes Barbosa: "Tu pisavas os astros, distraída". Bom mesmo. Mas não seria esse o meu preferido, não existente ainda ao tempo do concurso.

Outro muito citado, mas não escolhido, foi o quarto verso do mais famoso soneto de Raimundo Correia: "Raia sanguínea e fresca a madrugada". Outro dia, aventando a hipótese de FHC entrar para a Academia, garanti que talvez votasse nele, desde que soubesse recitar, de cor e de improviso, "As Pombas", soneto que transporta o verso pelo tempo afora.

Gosto desta madrugada sanguínea e fresca. Mas, de olhos fechados, sem dúvidas e sem pejo, iria de Aldir Blanc, num verso mais ou menos recente: "Um torturante band-aid no calcanhar". Não é um verso formalmente bonito -nem bonito em si mesmo.

É toda a definição de um clima, da mulher brasileira comum, agarrada a seu homem, dançando dois pra lá, dois pra cá, num baile modesto e cafona, oposto aos bailes suntuosos das valsas de Strauss e Lehár, que são imperiais, vienenses e nada têm com a gente. Só um torturante band-aid no calcanhar pode explicar o amor acima e além de todas as coisas.

(Folha de São Paulo – 07/12/2004)


OUÇA "DOIS PRA DOIS PRA CÁ"
De João Bosco e Aldir Blanc
Na interpretação de Elia Regina






Sentindo o frio
Em minha alma
Te convidei pra dançar
A tua voz me acalmava
São dois pra lá
Dois pra cá...

Meu coração traiçoeiro
Batia mais que o bongô
Tremia mais que as maracas
Descompassado de amor...

Minha cabeça rodando
Rodava mais que os casais
O teu perfume gardênia
E não me perguntes mais...

A tua mão no pescoço
As tuas costas macias
Por quanto tempo rondaram
As minhas noites vazias...

No dedo um falso brilhante
Brincos iguais ao colar
E a ponta de um torturante
Band-aid no calcanhar...

Eu hoje, me embriagando
De uísque com guaraná
Ouvi tua voz murmurando
São dois pra lá
Dois prá cá...

No dedo um falso brilhante
Brincos iguais ao colar
E a ponta de um torturante
Band-aid no calcanhar...

Eu hoje, me embriagando
De uísque com guaraná
Ouvi tua voz murmurando
São dois pra lá
Dois pra cá...

CHARGES: DIRETO DA "BESTA"

JORNAL DA BESTA FUBANA


AUTO_sponholz
SPONHOLZ – JBF



amarildo_-_01-04-2016 (1)
AMARILDO – A GAZETA (ES)


AUTO_jbosco
J. BOSCO – O LIBERAL






AUTO_heitor
                                                       HEITOR – JORNAL 1ª LINHA (PR)
  



AUTO_lailson
LAÍLSON – CHARGE ONLINE



AUTO_pater
PATER – A TRIBUNA (ES)



coice

JBF




31 DE MARÇO: ONDE ESTARÁ CARLOS?



www.tribunadosertao.com.br


O que foi feito de Carlos ninguém sabe.

Naquele ano de 1969 (ou seria de 1970?), Carlos – menino de tudo, como as irmãs, meus primos e eu – só queria brincar.

O pai de Carlos era esquisito, jamais saía de casa. Se tanto, ia até o portão, sempre de cabeça baixa, e ordenava:

-- Carlos, hora de entrar.

Um dia levaram o pai de Carlos. Pra onde? Ninguém sabe.  

Carlos se foi, junto com o pai, a mãe, os irmãos. 

Nunca mais se teve notícia de Carlos e família. Para onde os levaram é uma incógnita.

Depois, disseram aos meus tios que eles eram, todos eles, “terroristas”.

Ufa. A vizinhança passou a respirar aliviada.

Guri de tudo, eu procurava Carlos naqueles cartazes com fotos (que o governo punha nos bancos, lojas e sei lá mais onde) com um sonoro “Procura-se”. Nunca encontrei a foto de Carlos. Nem a de seu pai.

Por onde andará Carlos? (publicado em 31/03/2014)

RAPIDÍSSIMAS



BOLHA DE SABÃO

Amor não tinha sido. Paixão também não fora. Ora, paixão que não chega ao finalmente pode ser tudo, menos paixão.

AVESTRUZ

Deixou as contas para lá, passou a noite em busca do verso improvável.


QUE PENA

Aquilo tudo parecia mentira, tudo aquilo era verdade.

E AGORA, JOSÉ?

O que mais o afligia era não ter um José por perto, para lhe fazer a pergunta que se tornara inevitável.


CANJA DE GALINHA

A melhor justificativa para nada fazer é esperar a hora certa.


MENSAGEIROS DO VENTO

Nada de notícias – nem boas, nem ruins, nem neutras. Para ele, há tempos, não soprava uma mísera brisa.




POLÍTICA

Ela não inventa nada, só imita o que a vida tem de pior – e piora.

PLAYGROUND

-- Bote reparo, Janete: aquelas crianças não brincam, elas se digladiam.


DALINHA


SPONHOLZ


ESSE É NOSSO BRASIL!

Enquanto os “podres poderes”
Estão se digladiando
O Brasil fica à deriva
Totalmente sem comando
As facções nas refregas
E o povo toma nas pregas
No caos que vai se instalando.

***

Respeito pedem políticos
E direito de resposta
Porém quanto mais procuro
Só vejo um monte de bosta
O povo prejudicado
E o “supremo acovardado”
Nessa corja ainda aposta.



Dalinha Catunda é poetisa,
cordelista e declamadora

BRUNO NEGROMONTE

Histórias e estórias da MPB - Parte 19




Dentre as curiosidades abordadas ao longo das últimas postagens estão algumas referentes ao saudoso cantor, instrumentista e compositor Jessé. Na postagem já publicada tive a oportunidade de falar um pouco sobre o início da carreira deste nome que arrebatou milhares de fãs ao longo de sua carreira, principalmente apos participar de um dos festivais musicais promovidos pela Rede Globo, onde de modo singular deu voz a canção "Porto Solidão". 

Outra canção citada ao longo da postagem anterior foi "Estrelas de papel", canção composta para que Jessé participasse de um festival internacional ocorrido nos EUA e de onde o artista voltou aclamado pelo juri como vencedor em diversas categorias. Um fato curioso desta participação ocorreu envolvendo o nome do então presidente norte-americano Ronald Reagan, que por acreditar que a letra tratava-se de uma homenagem a ele mandou um telegrama agradecendo ao artista brasileiro. Detalhe: a letra tratava-se de uma homenagem a Charlie Chaplin... e Jessé acabou por esquecer os troféus no aeroporto de Nova York. 

Além dessa exitosa composição, o artista acabou por registrar em disco também mais algumas composições de sua lavra como é o caso das canções "Vento forte" (parceria com Onofre), "Cantar", "Minha cidade", "Farsante" e "O sorriso ao pé da escada" (outras parcerias com Elifas), "Oração da noite", uma versão para a canção "Adágio D'Albinoni", entre outras. Por falar em versão, Jessé é responsável por todas as presentes em seu disco "Ao meu pai", lançado em 1985 pela RGE e que traz temas religiosos.Vale salientar que aos dez anos de idade o então pequeno Jessé já tocava violão e órgão na Igreja organizada pelo pai acompanhando hinos e louvores, o que de certo modo acabou por facilitar o seu ingresso no contexto da composição.


Antes do estrondoso sucesso com "Porto solidão", Jessé foi músico de baile (como costumava se auto definir) e neste período que antecedeu sua carreira solo (durante quase 15 anos) chegou a ter alguns registros fonográficos, dentre eles, alguns ao lado do Placa Luminosa (grupo que ajudou a fundar ainda em Brasília). Um registro dessa época que fez relativo sucesso na época foi a canção "Velho demais", cujo compositor é o piauiense Clodô Ferreira, em parceria com o baiano Zeca Bahia (um dos autores de "Porto solidão") e fez parte da trilha sonora da novela global "Sem lenço, sem documento", exibida na emissora carioca entre os anos de 1977 e 1978. Sem contar a sua incursão na música internacional como Tony Stevens e registros como "If you could remember". Apesar do reconhecimento do público, Jessé nunca ao longo de sua carreira obteve o merecido reconhecimento da chamada crítica especializada. O descaso da crítica rendeu um texto escrito por Silvio Lancelloti à época de sua apresentação no Teatro da Universidade Católica: "Durante 15 dias, Jessé encheu a plateia do "TUCA", o Teatro da Universidade Católica, no final de fevereiro, com o primeiro espetáculo de fato em sua carreira. E só o companheiro Zuza Homem de Mello, do "Estadão" e da "Jovem Pan", lhe deu a merecida atenção". Outra queixa exposta na época veio do seu maior parceiro, lifas Andreatto, o extraordinário artista gráfico que dirigiu a celebração de Jessé: "Eu convidei duas dezenas de jornalistas para assistirem ao show. Ninguém, mas ninguém mesmo, apareceu. Não queriam escrever? Tudo bem? Mas, ao menos, deveriam ter aparecido para ver o que idealizamos e o que fizemos". E por incrível que pareça ainda hoje essa tal crítica especializada parece ignorar a existência dessa figura que, graças aos ardorosos fãs, não acabou caindo no ocaso.


Deixo para os amigos leitores (assim como ao longo da semana passada), mais duas canções para audição deste singular intérprete. A primeira trata-se de "Voa Liberdade", canção de autoria de Eunice Barbosa, Mário Maranhão e Mário Marcos:



A segunda é "If you could remeber", gravação da época em que Jessé apresentava-se como Tony Stevens. Canção composta sob melodia da Sinfonia da Cantata 156 em fá maior, de Johann Sebastian Bach.



VEJAM TAMBÉM A PARTE 1 E OUÇAM PORTO SOLIDÃO

http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/2016/03/bruno-negromonte_25.html#comment-form