quarta-feira, 19 de agosto de 2015

CHARGES: DIRETO DA "BESTA"


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AMARILDO – A GAZETA (ES)


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PAIXÃO – GAZETA DO POVO (PR)


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J. BOSCO – O LIBERAL

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FERNANDES – DIÁRIO DO ABC (SP)


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CLAYTON – O POVO (CE)


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MIGUEL – JORNAL DO COMMERCIO (PE)


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ALPINO – BLOG DO ALPINO

JORNAL DA BESTA FUBANA



XICO BIZERRA

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ARCO DE CORES

É manhã e a chuva anuncia que vem. O céu avisa que ela está chegando. Bernardo aponta pra cima e mostra-me o colorido entre as nuvens. Que novidade era aquela? – pareceu perguntar-se E perguntar-me. Quis explicar-lhe que era a esperança e a paz. Os dois, juntos. Calei. Apenas olhei. Um olhar, às vezes, vale muito mais que mil palavras e as crianças entendem essa magia. Mas havia algo além da luz. E o arco pôs-se no céu, iluminando a íris dos humanos, pequenos como eu e grandes como o menino Bernardo, colorindo a alma dos da terra e alegrando o coração de quem, ao contrário das crianças, pouco costuma olhar pro alto em busca de cor, à cata de um arco-íris que ainda existe e existirá, enquanto houver céu, enquanto houver cor, enquanto houver esperança de paz. Enquanto houver crianças, grandes e pequenas. (XICO BIZERRA)



Xico Bizerra é compositor, poeta, 
cronista e produtor musical.
Tem mais de 270 composições gravadas

http://www.forroboxote.com.br/





COISAS DA VIDA

www.casaruim.com


MARIA VALDENIR

(Por Violante Pimentel) Uma morena vistosa, jovem, alta e corpulenta, empregada doméstica da nossa casa, preparou-se para ir ao dentista. Arrumou-se de tal forma que parecia uma baiana. Cheia de colares e pulseiras coloridas, de metal, conforme a moda da época, a serviçal estava devidamente produzida e até tinha ares de madame.  Enquanto isso, minha mãe, Lia Pimentel, suja de tisna da cabeça aos pés, tentava desentupir o bueiro do nosso fogão inglês, a lenha, tarefa que ela gostava de fazer pessoalmente, como boa dona de casa que era.

Nesse ínterim, chega um caixeiro-viajante, tentando se passar por gringo, e querendo falar com a dona da casa,  para vender utensílios domésticos. Minha mãe, que tinha um humor acurado, sentindo-se incomodada por ter que ir tomar banho e se aprontar para receber o vendedor, achou mais fácil continuar limpando o bueiro do fogão a lenha, e, por brincadeira, disse ao vendedor que a madame, a dona da casa, era aquela morena  bonita,  arrumada e perfumada,  que estava pronta  para ir ao dentista. De nada adiantou a insistência da minha mãe.  O “gringo” não aceitou, de forma alguma, que aquela morena, toda pronta, toda cheia de balangandãs, fosse a dona da casa.

Depois de olhar demoradamente para a serviçal, o “gringo” a encarou e  disse:

-- Você não ser a madame!!!  Você não ser a dona da casa!!!”

Violante Pimentel
Violante Pimentel é procuradora aposentada
  do Estado do Rio Grande do Norte
Em seguida, o vendedor olhou com respeito para a minha mãe, suja de tisna da cabeça aos pés,  inclusive com os braços e mãos cheios de cinzas, e não relutou em contestá-la.

O homem não se convenceu de que aquela morena produzida, bonitona e perfumada, cheia de balangandãs, fosse a dona da casa. Olhou para a minha saudosa mãe, Lia Pimentel, e disse:

-- Você, sim! Você ser a dona da casa! A madame ser você!!!

Mamãe se desculpou e pediu para que o vendedor voltasse outro dia. A serviçal seguiu para o dentista, desapontada por não ter convencido o caixeiro-viajante de que era a patroa...




terça-feira, 18 de agosto de 2015

HORA DA VITROLA: CAETANO



INTERNET


ALEGRIA, ALEGRIA
Compositor: Caetano Veloso
 
Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou

O sol se reparte em crimes
Espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou

Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot

O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou

Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não

Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço e sem documento
Eu vou

Eu tomo uma Coca-Cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou

Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil
Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou

Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou

Por que não, por que não?
Por que não, por que não?
Por que não, por que não?



Lançada em Caetano Veloso, álbum de 1967, “Alegria, Alegria” foi a música que apresentou o movimento tropicalista ao Brasil, em apresentação ao vivo realizada no III Festival da TV Record, em 1967. 
Paulo Terron/ Revista Rolling Stone



O CANTO DE VÓLIA

www.osmais.com


A LOJA DE SONHOS

Vesti-me de poesia
E caminhei pelas ruas,
Pelas esquinas vazias,
Em meio à madrugada fria.

Buscava comprar alguns sonhos,
Histórias de amor e alegria,
Histórias de aventuras,
Que pudesse me enfeitar,
A vida que andava vazia.

Procurava a loja de sonhos,
Pois precisava apenas sonhar,
Queria sonhos de bem querer,
Para continuar a viver.

Um sabiá amigo me contou,
Em certa madrugada insone,
Haver uma loja de sonhos,
Em rua desconhecida.

Pedi-lhe o endereço,
Mapa, ou qualquer roteiro,
Queria ir à loja de sonhos,
Mesmo que andasse o dia inteiro.

Segredou-me o sabiá,
Que saísse na madrugada,
Seguisse a última estrela,
Que se apaga na alvorada.

E no fim do horizonte,
Em um bosque florido
E risonho,
Ali eu encontraria,
A minha loja de sonhos.

E vestida de poesia,
Lá fui eu a caminhar,
Seguindo a última estrela,
Que estava no céu a brilhar.


Encontrei uma casinha,
Feita de pétala de flor,
Lá habita um anjo,
É o anjo sonhador.

Ele é o guardião,
Da loja de todos os sonhos,
Sonhos guardados em vidros,
Com luzes de pirilampos.

Quando lhe falei que sonhos,
Eu tinha vindo comprar.
O anjo me disse nãoos vender,
Pois não temos a moeda com que pagar.

Disse-me o anjo
Que os sonhos são ofertados
Aos corações apaixonados,
Pois é com a chama do amor,
Que eles são alimentados.

Os sonhos são pirilampos,
Que iluminam a nossa alma,
Sonhar é iluminar a vida,
Colorindo-a  com as tintas do amor.

E como meu coração andava cansado,
Um tanto desajeitado,
Carregando machucados,
De tanto e tanto amar...

O anjo deu-me uma caixa,
Que continha milhões de sonhos,
E com eles, hoje, eu componho,
Os poemas sobre o amar.

26/03/2015



Vólia Loureiro Do Amaral




Vólia Loureiro do Amaral Lima é paraibana,
 engenheira civil, poetisa, romancista e artista plástica.. 
Autora das obras Aos Que Ainda Sonham (Poesia) 
e Onde As Paralelas Se Encontram (Romance). 


CHARGES: DIRETO DA "BESTA"


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PELICANO - TRIBUNA (SP)



lpf
SPONHOLZ – JBF



nani

NANI – CHARGE ONLINE



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CHICO CARUSO – O GLOBO


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SINOVALDO – JORNAL NH (RS)


mario
MÁRIO – TRIBUNA DE MINAS


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                                                             SUÉLEN BECKER – JORNAL HOJE



JORNAL DA BESTA FUBANA

QUASE HISTÓRIAS (LXXIV)

INTERNET

AINDA BEM QUE A PINGA ERA BOA

O pai nunca foi de beber. Nem de fumar. Quando muito – e quando podia – tomava um gole de caipirinha na praia. Sempre foi comedido, comedido demais para meu padrão errante. Sua mãe, minha bisa, não dizia, mas insinuava que estávamos ante um iluminado, quase santo. Mãe que se emenda não é mãe. Bisa era mãe.

A mãe – a minha, não a do pai – revirava o nariz: “Minha sogra não tem vergonha de pecar”.

Tio Antônio era o exato oposto do pai. Bebia e fumava sem descontinuar. Gostava dele. Afinal, fumar e beber tanto, como ele fumava e bebia, era coisa para poucos. Tio Antônio morreu cedo. De ataque cardíaco. Dizem que tinha coração grande, que fora mordido pelo barbeiro na infância. Até hoje o pai duvida da versão oficial. Ninguém lhe tira da cabeça que o fumo e a uca lhe cobraram a conta.

O fato é que o pai passou a vida intrigado com uma das manias de tio Antônio:

-- Como pode alguém virar um copo de cachaça, fazer careta medonha, se retorcer por inteiro e ainda dizer que “pinga boa”? Se a pinga fosse ruim, que cara ele faria?

A pergunta continua sem resposta. Tio Antônio se foi. E do barbeiro que o mordeu não se tem notícia.



NÚBIA NONATO

donaflorgarden.com.br


MUDA

Posso ser muda
posso ser flor.
Posso ser espinho
posso ser dor.
Vestir-me de vermelho
vivo e morrer de amor.
Que meus restos sejam
de utilidade.
Que o visgo da minha
essência encontre um
pouco de sol e te
assombre para todo
sempre.




CLÓVIS CAMPÊLO

 Bernard Shaw (1856-1950) foi dramaturgo
 e romancista irlandês. Prêmio Nobel de Literatura em 1925.
   

LONGEVIDADE


George Bernard Shaw morreu aos 94 anos de idade, no dia 2 de novembro de 1950. Treze meses depois, na cidade do Recife, no outro lado do Oceano Atlântico, eu nasci. Ou seja, nem contemporâneos fomos.

Mas, sempre me interessei por esse homem longevo, que lamentava a solidão da velhice e que evocava o socialismo com uma sinceridade quase comovente. Defensor intransigente da classe trabalhadora, sempre se colocou contra a sua exploração. Do mesmo modo, defendia direitos iguais para homens e mulheres, coisa impensável na sua época, e a socialização das propriedades produtivas. Um idealista, sem dúvida.

Dizia Shaw que o problema da vida longa era a ausência dos amigos já mortos e a sensação de solidão que disso advinha. Não se vive muito impunemente. Entre outras coisas, dizia: “As nossas escolas ensinam a moral feudal corrompida pelo comércio e oferecem como modelo de homens ilustres e que tiveram sucesso o militar conquistador, o barão ladrão e o explorador”.

Mas nem só de idealismos vivem os longevos. Dona Dita, a minha sogra, por exemplo, aos oitenta e cinco anos, manifesta uma simplória alegria em estar viva. Com a sua simplicidade ingênua, diz-se feliz na velhice e arremata: “Quem não quiser ficar velho que morra jovem”. Livre das doenças crônicas da terceira idade, como a hipertensão e a diabetes, ainda coloca a linha no fundo da agulha sem o uso dos óculos e curte uma cervejinha com moderação.

Tio Luisinho, outro macróbio da família, acaba de completar 99 anos de idade, comemorados com muita festa na cidade de Carolina, onde reside, situada no sul do Estado do Maranhão, às margens do rio Tocantins. Até algum tempo atrás, ainda se arriscava em passeios de bicicleta pela cidade pacata e bucólica.

CLÓVIS CAMPÊLO


Um outro tio da minha cara metade, o qual não lembro o nome agora, antecipou-se à família e mandou construir o esquife do seu funeral. Guardado em casa por longos anos, o caixão foi emprestado a vários amigos, antes de abrigar definitivamente o próprio dono. Ou seja, uma família cujos membros costumam viver muito.

Outro dia, ao comentar esse assunto com o amigo e escritor Urariano Mota, ele me recomendou: “Te cuida, Clóvis!”. Isso, num sábado pela manhã, no Mercado da Boa Vista, ao lado do poeta Miró da Muribeca e do amigo Joaquim, quando tudo conspirava contra a abstenção. Mas, contive-me e me comportei como deve se comportar um homem que ainda se recupera de um acidente vascular cerebral isquêmico. Experimentei apenas a gorda rabada servida pela simpática garçonete. Afinal, ninguém é de ferro!

Voltando a Shaw, era vegetariano e, quando lhe perguntavam o por que da sua jovialidade, respondia: “Aparento a idade que tenho. Os outros é que parecem ser mais velho. Mas, o que esperar de quem se alimenta com cadáveres?”.

Recife, agosto 2015






segunda-feira, 17 de agosto de 2015

CHÁ DAS CINCO: FERREIRA GULLAR





CANTIGA PARA NÃO MORRER

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,


me leve no esquecimento.