sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

BRUNO NEGROMONTE

JOÃO TAUBKIN - ENTREVISTA EXCLUSIVA
Um baixo, guitarra, violão e uma bateria; eis o João Taubkin Trio, um projeto contemporâneo constituído por diversos gêneros em uma coerente unidade sonora
Se alguns sobrenomes pesam dentro da música o que João traz é um deles. João Taubkin é filho do conceituado pianista, arranjador, compositor e produtor Benjamim Taubkin, mas vem trilhando o seu próprio caminho no universo fonográfico desde 2002, quando participou da gravação do CD "Danças, jogos e canções", da Orquestra Popular de Câmara. De lá até cá vem dando vazão a sua sonoridade não só acompanhando o seu pai, mas através de diversos projetos ao lado de outros grandes nomes da música brasileira, tais quais Paulo Moura, Léa Freire, Mônica Salmaso entre outros. Sem contar a sua trajetória internacional ao lado de nomes como o do argentino Carlos Aguirre, o do indiano Madhup Mudgal e o do suíço Laurence Revey. Tudo e muito mais sobre o entrevistado de hoje pode ser conferido através da pauta publicada ao longo da semana anterior aqui mesmo nesta coluna. Não deixando as parcerias de lado, atualmente João hoje vem dedicando-se ao projeto João Taubkin Trio, que ao lado do baterista Bruno Tessele e do guitarrista Zeca Loureiro vem brilhantemente conseguindo encontrar o eixo central da alquimia sonora a qual se propuseram ao dar início a esta ideia. De modo bastante solicito, João Taubkin disponibilizou um pouco do seu tempo para nos presentear com esta despretensiosa e exclusiva entrevista que traz, dentre outras coisas, curiosidades a respeito de sua biografia e de sua carreira tais quais como o seu caminho cruzou com outros componentes do seu trio, suas influências enquanto músico e quais os projetos para este ano que acaba de começar. Boa leitura!
Quem conhece a sua biografia sabe que você tem um histórico familiar de envolvimento com a música, mas isso nem sempre é fator determinante para que nos tornemos músico. Quando foi que você atinou para a música por conta própria?
João Taubkin - No inicio do ginásio criei um grupo de rock com os amigos e desde então nunca mais parei. Na época tocava guitarra. Quando terminei o colegial não sabia o que eu queria fazer, entrei no cursinho no embalo e nesse cursinho fiquei por 1 mês. Cabulava muitas aulas e comecei a perceber que não tinha sido uma boa escolha. A partir daí, decidi me aprimorar como músico e o instrumento que escolhi foi o baixo (que já tocava no colegial). Fui fazer aula com o Celso Pixinga, que foi uma pessoa importante e por volta de 2001, meu tio Daniel Taubkin me chamou pra fazer parte do grupo dele que era formado por grandes músicos como o percussionista Guello, João Crystal, Emerson Villani e Gigante Brazil. O Gigante em especial, foi uma pessoa muito importante nesse inicio, principalmente pela generosidade. Daí em diante, comecei a tocar com o meu pai e com outros grandes professores. Essa foi a minha faculdade.
Você passou todo o ano de 2010 na maturação da ideia e na elaboração daquilo do molde que você buscava para o projeto. Ao longo desse tempo houve alguma mudança significativa na concepção do João Taubkin Trio?
JT - Quando você não está mais sozinho, as pessoas que estão no processo (Zeca e Bruno) passam a influenciar o trabalho. Isso é inevitável.
Como se cruzaram os caminhos do Bruno Tessele e do Zeca Loureiro com o teu?
JT - O curioso é que conheci ambos na oficina de musica de Curitiba em momentos diferentes no inicio do ano 2000. Na experiência dessa oficina, os alunos de todos os cursos se encontravam nos intervalos pra fazer um som. Foi assim que a gente se conheceu, já tocando.
Todas as faixas presentes neste projeto levam a sua assinatura. Todas elas foram concebidas para atender a este projeto ou já havia alguma engavetada que acabou encaixando-se a esta proposta?
JT - A maioria das músicas presentes no disco não foram feitas pensando na formação de trio. Quando o trio se formou, eu adaptei as músicas.
Certa vez em entrevista seu pai comentou que haveria dois tipos de música: uma que atende a expectativa do mundo e aquela que há dentro de você. O grande desafio seria conciliar essas duas realidades. Você quando compõe leva em consideração essas realidades e procura adequá-la do modo mais harmonioso possível ou não?
JT - Eu faço música sem pensar nessas questões. Ela nasce de uma expressão genuína. Se eu gostar, coloco ela no mundo.
Ser filho de um músico do gabarito do Benjamim facilita as coisas ou a responsabilidade só aumenta? Essa inevitável referência ao nome do seu pai o incomoda?
JT - A responsabilidade aumenta mas ao mesmo tempo, ser filho dele, me possibilitou estar em contato com a música e músicos da melhor qualidade. Essas experiências sempre me colocaram em situações de muita exigência, que foi muito bom pra mim. Nunca consegui um trabalho por ser filho dele mas as experiências que tive ao lado dele são inesquecíveis. A referência que as pessoas fazem em relação ao meu pai é inevitável, mas quando as pessoas conhecem a minha música fica claro que a minha identidade é outra.
Quais as suas maiores influências que você destacaria na concepção de sua sonoridade além do Benjamim?
JT - Minhas influências são diversas mas destaco como principais o Led Zeppelin e o Milton Nascimento. Esses sons mudaram a minha vida.
É possível perceber que sua música não faz concessão. Há ramificações sonoras diversas, por exemplo, neste seu primeiro álbum. Passar longe do conceitual é uma busca constante em sua sonoridade ou é algo espontâneo?
JT - A minha busca é pela identidade. Ela nasce como resultado das experiências que vivi ou inspirada por um filme, um show, uma viagem, uma pessoa, um lugar.
A música instrumental brasileira apesar de riquíssima e de grande sucesso junto a festivais no Brasil e no Exterior não tem o espaço devido nos grandes meios de comunicação. Você acredita que este tipo de cenário é reversível ou tornou-se algo crônico, uma vez que a desvalorização de nossos valores culturais é algo que está presente em nosso consciente coletivo já há muitos anos?
JT - É uma situação delicada pois o ‘jabá’ é um sistema muito atrativo pra quem quer fazer dinheiro. Por exemplo, o artista paga pra rádio, a rádio toca a música infinitas vezes e com isso ele vende mais discos, mais shows e consegue continuar pagando esse jabá. É um sistema que se retroalimenta. Falo da rádio nesse exemplo, mas incluo todos os meios de comunicação. Daí cai na questão da educação. As pessoas são educadas por esses veículos. Esse sistema impossibilita a diversidade da informação. Quem não tem contato com uma cultura de qualidade tem o acesso muito mais restrito, pois esses veículos constrõem um muro de concreto na entrada do caminho que possibilitaria isso. Não acho que a música instrumental tenha que ser uma música das grandes massas, ao meu ver ela não tem esse perfil, mas o espaço que ela ocupa é muito pequeno, a fatia do bolo deveria ser mais generosa. Apesar disso, tem gente séria que divulga a boa música, com menos força que esses grandes veículos mas cumprem um papel muito importante.
Quais os projetos para este ano de 2015?
JT - Em 2014 o trio fez seu primeiro show fora do país, em um festival de música na Colômbia. Fora isso terei o prazer de participar de projetos de outros artistas. Sou muito feliz com o meu projeto, mas tenho muito prazer em fazer parte de outros trabalhos. Isso garante o meu sustento e me enriquece como ser humano. Amo o que faço! Eu vivo cada dia. Acho que isso afina o olhar para as coisas e abre um monte de possibilidades.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

COISAS DA VIDA

O ELOGIO


(Por Violante Pimentel) Zé Mateus era um exímio sapateiro de Nova-Cruz (RN), que não passava um dia sem tomar sua branquinha. Quando resolvia encher a cara, não cumpria os compromissos assumidos, com relação ao conserto de sapatos, e isso punha em dúvida a sua credibilidade. Aos poucos, a clientela ia se afastando. Entretanto, levando em conta a perfeição com que trabalhava, antigos clientes ainda insistiam em procurar os seus serviços.
 
Certo dia, Dr. Gilmar, um conhecido dentista da cidade, levou-lhe um par de sapatos para pôr meia-sola, exigindo que o serviço fosse feito com rapidez. Para isso, pagou-lhe adiantado. No dia seguinte, o homem foi buscar os sapatos, mas a porta do quartinho onde o sapateiro trabalhava estava fechada. Somente uma semana depois, o dentista encontrou o sapateiro trabalhando, e sóbrio.

Ao ver o cliente, Zé Mateus não escondeu o nervosismo.  Tinha passado a semana bebendo, e o conserto dos sapatos não havia sido feito.

Antes que o dentista perguntasse pelos sapatos, o sapateiro procurou se justificar:

- “Doutô”, não tive tempo de fazer o serviço do "sinhô", mas garanto que amanhã eu faço! Amanhã o serviço "tá" pronto!

O dentista retrucou:

-Faça mesmo! Você recebeu o pagamento adiantado!

E o sapateiro, querendo agradar o cliente, falou:

- Olhe, “doutô", pra mim,o homem mais importante de Nova-Cruz  é o "sinhô"! Nem o “doutô” Gadelha vale tanto! Nem o prefeito vale tanto! Nem o juiz vale tanto! Nem o promotor vale tanto! Nem o padre vale tanto! Tudo isso é fichinha, perto do senhor!!!

O dentista, irritado com tanta bajulação, disse:

- Só falta agora você dizer que eu sou mais importante do que Deus! Será que eu sou?

E o sapateiro, gaguejando, respondeu:

- Agora danou-se, “doutô”… Aí eu jogo num empate!!!



terça-feira, 20 de janeiro de 2015

CLÓVIS CAMPÊLO

O FLAMENGO DO RECIFE



O Flamengo, primeiro clube campeão pernambucano de futebol, foi fundado no dia 20 de abril de 1914.

Seu padrão era composto de calção branco e camisa preta com uma cruz branca no peito esquerdo, resquício do antigo Cruz Branca, clube do qual se originou. Posteriormente, a cruz branca do peito seria retirada, permanecendo, porém, o clube com as cores branca e preta.

Segundo o falecido jornalista Givanildo Alves, em História do Futebol em Pernambuco, o nome da agremiação resultou da simpatia dos seus associados pelo Flamengo do Rio de Janeiro, que, em 1914, vencera pela primeira vez, de forma brilhante, o campeonato carioca.

Em 1915, quando conquistou o primeiro e único campeonato pernambucano da sua história, o Flamengo se reorganizava. Para tanto, no dia 11 de março, às 20 horas, na casa número 9 da rua dos Prazeres, na Boa Vista, os associados do clube se reuniram para eleger uma nova diretoria, que ficou assim composta: presidente, Alcebíades Braga (reeleito); vice-presidente, Braz Croccia; 1º secretário, Elteredo Antunes; 2º secretário, A. Caminha; tesoureiro, Antônio Miranda; orador, Eduardo Lemos; diretor, Gastão B. Bittencourt; comissão fiscal, Waldemar Silva, João Baptista e O. Carvalho. A posse da nova direção ocorreu no dia 21 de março, às 14 horas.

Sobre o nome completo e correto do clube, a impressa da época tanto utilizava Sport Club Flamengo quanto Flamengo Sport Club. A esse respeito, Givanildo Alves, na obra acima citada, usa a denominação Sport Club Flamengo, que, provavelmente, é a forma correta.

Em julho de 1915, o presidente reeleito do Flamengo, Alcebíades Braga, é eleito presidente da recém fundada Liga Sportiva Pernambucana, cumprindo, porém, um mandato curtíssimo por se recusar a prestar contas de um jogo amistoso realizado em benefício da Liga.

O jogo em questão aconteceu no dia 12 de setembro, no campo do British Club, na Torre, quando um time formado por ingleses residentes no Recife empatou por 1x1 com uma equipe formada por jogadores pernambucanos.
Afastando-se do cargo de presidente da LSP, Alcebíades Braga ainda foi punido com a sua exclusão do quadro de associados do Flamengo, clube do qual fora fundador e presidente eleito em dois mandatos consecutivos.



JOGOS DO FLAMENGO NA LSP EM 1915

Jogo: Flamengo 2x1 C. E. do Peres. Data: 15.08.1915 (domingo, à tarde). Local: Campo do Derby. Juiz: não informado. Gols: Taylor (2), para o Flamengo, e Briant, para o Peres. Equipes: não informadas. Segundos times: Flamengo 1x0 C. E. do Peres.

Jogo: Flamengo 3x0 Coligação. Data: 07.09.1915 (3ª feira). Local: Campo do Derby. Juiz: não informado. Gols: Taylor, Waldemar e Perci. Equipes: não informadas. Segundos times: Flamengo 2x0 Coligação.

Jogo: Flamengo x Santa Cruz. Data: 19.09.1915 (domingo). Local: Campo do Derby. Juiz: Sr. Forster. Juizes de gol: Machado Dias, do Flamengo, e Alano Guimarães, do Santa Cruz. Equipes: não informadas.

Jogo: Flamengo x Torre. Data: 17.10.1915 (domingo, pela manhã). Local: Campo do Derby. Juiz: não informado. Equipes prováveis: não informadas. Segundos times: não informado.

Jogo: Flamengo x América. Data: 27.10.1915 (4ª feira, à tarde). Local: Campo do Derby. Juiz: não informado. Equipes prováveis: não informadas. Segundos times: não informado.

Jogo: Flamengo 6x2 Santa Cruz. Data: 05.12.1915 (domingo, à tarde). Local: Campo do British Club. Juiz: J. Forster. Gols: Pitota, para o Santa Cruz; e Taylor (2), Perci, Arlindo Lélis, Ruy e Gastão, para o Flamengo. Equipes: Santa Cruz: Ilo Just; Braz e Silva; M. Pedro, Carvalho e Luiz Lima; Jorge Silva, Mário Rodrigues, Pitota, Alberto Campos e Doria. Flamengo: Cavalcanti; Rubens e Chico; Abdon, Ruy e Zezé; Arlindo Lélis, Perci, Taylor, Gastão e Waldemar. Expulsões: Arlindo Lélis (Flamengo) e Luiz Lima (Santa Cruz). Ingressos: Cavalheiros, 1$000; Senhoras e menores de 12 anos, $500; Cadeiras, 2$000. Renda: não informada.

Jogo: Flamengo 3x1 Torre. Data: 12.12.1915 (domingo, à tarde). Local: Campo do British Club. Juiz: J. Forster. Juizes de Gol: Ilo Just e M. Jacome. Equipes: Flamengo: Luiz; J. Albuquerque e F. Alves; Frederico, Ruy e Abdon; Waldemar, Gastão, Taylor, Perci e Arlindo Lélis. Torre: Lopes; O. Antunes e Austregésilo; Barroso, Mário Pinto e Luiz Barros; Barreto, Cleto, Álvaro, Gatis e Sidney. Ingressos: Cavalheiros, 1$000; Senhoras e menores de 12 anos, $500; Cadeiras, 2$000. Renda: não informada.


Recife, 2011

sábado, 17 de janeiro de 2015

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

RAPIDÍSSIMAS (LXII)



TRABALHAR?
A maioria cumpre horário. De olho nas horas extras.

CANÍCULA
Esse calor me bota mais vagabundo do que, normalmente, sou.

ELEFANTES
São sábios. Sabem a hora de se retirar.

TÉDIO
Não preciso concordar com suas ideias para respeitá-lo.

DNA
-- Querido: não se apoquente tanto assim, não se culpe além da conta. Você é o que é: uma lástima. Mas jamais degenerou, saiu aos seus.

DNA (II)
-- Vou ser franco, gosto de você, amo mesmo. Você não tem culpa de ser assim. Você é vítima do cruzamento de um jumento (seu pai) com uma vaca (sua mãe). É por isso que você não puxa carroça nem dá leite. Entendeu?


ZÉ PAULO

ilustrando.gh.com.br

Desde sempre, lástima das lástimas, ele entornava todas, mais algumas, com direito a “chorinho”. O pai se foi, a mãe se foi, Zé Paulo ficou livre pra se matar. Entornou em dobro. Sem parar.

Herdou casa própria, recebia aluguel. O irmão – ex-sócio na oficina – lhe dava mesada. Zé Paulo ia, contra o vento. Bebendo muito, comendo nada.

Final de ano.

Zé Paulo, solitário, como sempre, sentou-se na porta de casa. Passou muitas horas sem falar coisa com coisa. Chamaram seu irmão. O irmão chegou. E fez o que deveria ser feito: colocou Zé Paulo numa clínica.

Zé Paulo falando sandices, sandices sem parar.

Apesar da uca, Zé Paulo sempre foi inteligente, gozador nato.

Dias depois, o irmão quis saber da enfermeira se Zé Paulo estava melhor, se o juízo (ou a falta dele) estava voltando. Por via das dúvidas, foi direto ao ponto:

-- Zé Paulo: dois e dois são quanto?

Zé Paulo não se fez de besta:

-- Porra! Isso aqui é hospital ou escola?




BRUNO NEGROMONTE

Sob o comando de João Taubkin, os músicos Bruno Tessele e Zeca Loureiro, formam o João Taubkin Trio.
Anotem esta receita: pegue uma boa dose de baixo acústico, acrescente uma vigorosa bateria e depois misture generosas medidas de guitarras e violões. Pronto! O resultado final pode ser degustado em nove generosas e bem deitas porções presentes no álbum "Tribo", cujo menu traz características tão peculiares que torna mais que apetitosa a sonoridade produzida por este entrosado trio. Além disso, não pode-se esquecer ainda que toda receita tem aquele toque especial que a difere de tantas iguais. Neste caso específico, acrescenta-se ao suingue existente o 'know how' de cada um dos integrantes adquiridos pelos projetos paralelos de cada um. A junção destes individuais temperos dá ao João Taubkin Trio o requinte e a sofisticação necessária para transformá-lo em sinônimo de bom gosto e prazer. A ideia de criação deste projeto surgiu e ganhou força ao final de 2009, mas só em 2011 é que de fato teve início a trajetória do trio. Neste intervalo João procurou constituir os moldes daquilo que viria a ser o seu desejo a partir de algumas composições entre outros ajustes que daria ao trio a cara que ele buscava adequar a partir da bagagem de cada um dos integrantes. A mescla das diversas influências musicais, gêneros e estilos resultou nesta instigante sonoridade produzida por este "power trio". Uma música que não prende-se a rótulos ou fronteiras, distinguindo-se a partir de uma nova concepção sonora que abrange os mais distintos elementos que vão desde o rock and roll, perpassando pela música africana, até de chegar as fonte das influências brasileiras.
João Taubkin, como instrumentista vem agregando vários momentos à sua carreira solo desde 2002, quando participou da gravação do CD "Danças, jogos e canções", da Orquestra Popular de Câmara. De lá pra cá atuou nos mais distintos trabalhos ao lado de músicos como Beto Villares, o grupo pernambucano Bongar, o argentino Carlos Aguirre, Mônica Salmaso, o marroquino Mehdi Nassouli, Paulo Moura, Léa Freire, Siba, Itamar Doari (Israel), Luiz Brasil, Madhup Mudgal (Índia), Laurence Revey (Suíça) entre outros. Além disso, seu nome figura em dezenas de títulos de álbuns lançados nos últimos anos aqui no Brasil. São discos de artistas como 'Circo de pulgas', de Fabio Barros em parceria com o Grupo Grão; 'São Mateus não é um lugar tão longe', do cantor e compositor Rodrigo Campos; o projeto 'Macunaíma Ópera Tupi', da paulista Iara Rennó; “Entremeados” (álbum já abordado aqui por mim em outro momento) da musicista Júlia Tygel entre outros. Sem contar que o musicista, além de integrar a banda do pai, participa também de outras atividades musicais ao lado de nomes como Théo de Barros e chegou a integrar a banda Afroelectro, tudo isso levando-o a apresentações em vários locais tanto no Brasil quanto em países como Áustria, Coreia do Sul, Espanha, Israel, Marrocos, Polônia e Suíça.
Já Bruno Tessele nasceu no Rio Grande do Sul e estudou, como aluno bolsista, na conceituada Berklee College of Music, uma das maiores faculdades de música independente do mundo. Atualmente residindo em São Paulo, atua também ao lado de nomes, dentre tantos, como Marcos Paiva, Jorginho Neto, Ana Gilli, Speakin Jazz Big Band e Eliana Pittman. Ao seu currículo soma-se a experiência de ter tocado ao lado de nomes como Teresa Cristina, Filipe Catto, Arícia Mess, Elza Soares, Célia, Walmir Gil, Thiago Espírito Santo, Raul de Souza entre outros; e a participação em projetos como o CD e DVD “In Concert” do músico Gustavo Assis Brasil, o cd “Na Hora” do guitarrista Michel Leme, o cd “Sintoma” de Alex Corrêa e Adauto Dias, uma música para a edição Coreana do cd “A Kind Of Bossa” do cantor Rodrigo Del Arc entre outros. Além de todos estes trabalhos Tessele ainda lesiona no Conservatório Souza Lima e escreve para a Revista Modern Drummer Brasil.
E por fim Zeca Loureiro, que tem por principais influências nomes como The Beatles, Queen e Stevie Wonder. É casado com a cantora Nô Stopa, com a qual forma a dupla folk 2 of uS. Além dessa parceria com a esposa soma-se à sua experiência musical em participações ao lado dos mais diversos nomes dentro do cenário musical brasileiro como o da cantora e compositora Vanessa Bumagny, o do cantor e compositor Zé Geraldo (com o qual gravou o DVD “Cidadão 30 e poucos anos”) e do ator, poeta, cantor e produtor paulista André Mastro (artista já apresentado em nosso espaço juntamente com o seu projeto “Sem Descanso”). Vale salientar que o músico é irmão do conceituado multi-instrumentista e compositor Kiko Loureiro, que além de guitarrista da banda de metal melódico Angra, vem atuando também de modo individual como no DVD que Zeca participa. Como vocalista e guitarrista da banda Jukabala gravou o disco “3 da Madrugada”, tendo a música 'Nós dois' como parte integrante da trilha sonora do programa Sítio do Pica-Pau Amarelo. Além de tudo isso Loureiro também atua na composição de trilhas para filmes publicitários para películas cinematográficas, tal qual a trilha sonora do curta-metragem Minami em close-up foi premiado no Festival Internacional de Cinema da Bahia.
“Tribo” chega como fruto do encontro e da soma dessas experiências paralelas e tantas outras vivenciadas por João Taubkin ao longo de quase duas décadas. Imbuído de uma capacidade, digamos Xamã, ele foi capaz de agregar os elementos precisos nesta alquimia rítmica que faz de cada faixa presente um experimento musical preciso neste “ritual de passagem” como o próprio músico define este seu debute fonográfico. Gravadas (todas ao vivo), mixadas e masterizadas por Zé Godoy. As nove faixas presentes no álbum são resultado de uma extensa gama de influências exercidas pelos inspiradores encontros estrada afora e externadas a partir de suas composições. É possível encontrar os mais diferentes gêneros musicais nesta simbiose sonora sem se que se perca a unidade proposta. Nesta receita há música africana, jazz, música popular brasileira e rock. Empunhando seu baixo João, conta neste projeto com os temperos de Ricardo Herz (que toca violino na faixa 'Alô irmãos!') e do seu pai Benjamim Taubkin, ao Rhodes. É válido deixar registrado também que todas as faixas do projeto são ornamentadas com os vocais do autor, que sob efeitos diversos, não só improvisa mas também transforma esta hibrida receita idealizada por João em um verdadeiro Manjar dos Deuses.
Fica aqui para audição dos amigos fubânicos duas faixas do excelente disco do trio. A primeira trata-se de "Ponto de mutação", canção que traz um pouco daquilo que o trio é capaz de fazer:
A segunda canção trata-se da não menos contagiante "Trifonia":

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

CLÓVIS CAMPÊLO















A PRAIA DE CALHETAS

A praia de calhetas fica na cidade do Cabo do Santo Agostinho, na região metropolitana, ao sul do Recife. Está situada numa posição privilegiada, entre a praia de Gaibu e o Cabo do Santo Agostinho, onde, segundo a história oficiosa, em 1497, o espanhol Vicente Yañez Pizón descobriu o Brasil antes de Pedro Álvares Cabral.

Para mim, trata-se da praia mais bonita do litoral sul de Pernambuco. Apesar de estar a pouca distância do Recife (cerca de meia hora de automóvel) tem o seu acesso dificultado pelas estradas esburacadas e cheia de ladeiras. Isso faz com que se conserve menos ocupada e menos agredida.

Enquanto a propaganda oficial estadual do turismo empurra todos para Porto de Galinhas, onde existe uma estrutura própria para se arrecadar dinheiro dos incautos, Calhetas reserva-nos um mar calmo e belo.

As fotografias acima, escolhidas no Google mostram bem a beleza dessa praia. Não sei quem são os autores, mas morri de inveja pois gostaria de tê-las feito.

Além da praia de Calhetas, o Cabo do Santo Agostinho ainda nos presenteia com o vilarejo de Nazaré, no seu alto, onde tem um farol para orientar a navegação naquela área, e os destroços de um antigo forte. No outro lado do histórico cabo, as praias de Paraíso e Suape, uma antiga vila de pescadores.

O lugar é lindo e o passeio imperdível para quem vem de outros Estados ou do exterior querendo conhecer o litoral pernambucano.

Recife, janeiro 2015


quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

RAPIDÍSSIMAS (LXI)

belos-passaros.blogspot.com

FUSO HORÁRIO
Os passarinhos acordaram e anunciam novo dia. Para Juvenal, hora de tomar os soníferos e tentar dormir.

BONS TEMPOS
Lembra quando aqueles beijos ardentes eram sempre inadiáveis?

SAIR DE CENA...
Na hora certa, no auge, é coisa para poucos, para valentes.

O BACANÃO
O sujeito não paga o condomínio há meses, está com as contas atrasadas. Mas exige que a empregada, que há tempos não recebe, use uniforme.

DEMÊNCIAS
-- Querida: a minha me basta, fique com a sua.

EMPACOU
É vida que não segue.

ALFREDINHO
-- Aprendi com mamãe que, nessa vida, ninguém pode ser tudo. Consegui a proeza de não ser nada.

ORGULHO
-- Doutor: bebo todos os dias, fumo sem descontinuar. Mas só jogo no bicho nos finais de semana.

NÃO CUSTA TENTAR
Vai que dá certo.

TAVARES, O CANALHA
-- Jurema: suas nádegas estão tão lindas... Cheguei a pensar que fossem as de sua irmã.

ALÔ
-- Oi, amigo, como você está?
-- Gordo, tchau.




terça-feira, 13 de janeiro de 2015

CLÓVIS CAMPÊLO



CHEGA DE SAUDADES!

Mais um ano se inicia e mesmo sem querer levar em consideração a divisão artificial do tempo, obra fragmentária do ser humano racional, somos impulsionados e repensar projetos e questões pessoais, reconsiderar amizades e propostas de vida.

Todo redirecionamento implica em aproximações e afastamentos. Qualquer relação esmaece diante da constatação de que mudamos nós, ou os outros; diante da constatação de que diminuíram, ou mesmo cessaram os nossos pontos comuns, os pontos de interseção.

Se de início esse fato pode nos parecer assustador e isolante, vamos verificar a posteriori que no novo caminho nos aparecerão outras identidades e referências. O que de novidade irá se nos oferecer, vai depender da nossa capacidade de aceitação ou não.

Como diz o poeta, o novo sempre vem. E muitas vezes não nos sobrará nada, ou muito pouco, do que antes nos alimentava as ideias e relacionamentos.

Chega de saudades, portanto! Saudades do que já se foi e já se esgotou no desdobramento do tempo. Muitos se voltam para trás, receosos de seguir em frente. Tentarão reter as mudanças com a justificativa de que no passado havia mais ordem e progresso, ou talvez até mesmo por terem a ele (o passado) sobrevivido. Talvez tentem até interpretar o momento presente com as explicações emboloradas do passado, com teorias que, embora já tenham sido úteis antes, mostram-se um tanto quanto ineficazes hoje. Talvez, por não terem digerido o que se foi, tentem reviver o passado de forma inútil e dolorosa. Não adianta: o novo sempre vem!

Outros ainda, incapazes de se conterem no momento presente, tentarão antecipar o futuro, sem perceber que o futuro se constrói no presente e que não se antecipada de modo algum: tudo tem a sua hora e o seu tempo.

Enfim, viver hoje como se não houvesse amanhã, respeitando, porém, o que já se passou e contribuiu para a nossa formação, e respeitando e entendendo que o que haverá de vir será apenas a resultante do nosso somatório de forças no presente.

Todos são livres e responsáveis para construir o amanhã e construir a sua liberdade. Todos têm o direito à vida e à felicidade.


Recife, janeiro 2015