sexta-feira, 7 de novembro de 2014

BRUNO NEGROMONTE

PERNAMBUCO FREVANDO PARA O MUNDO GANHA NOVO VOLUME
Fábio Cabral não se cansa. Seja através de sua Passadisco (loja cultuada por artistas e parada obrigatória para todo aquele que se diz admirador da boa música brasileira) ou através dos diversos projetos nos quais está envolvido (como, por exemplo, o que foi aprovado junto ao Funcultura onde na área externa de sua loja haverá diversos show em pró da música, em especial a produzida em Pernambuco). Dono também do selo homônimo a loja, o empresário lançará em breve mais um título que endossa a proposta inicial deste seu bem intencionado selo: divulgar a música pernambucana para além de nossas fronteiras a partir de características pra lá de peculiares sem a menor distinção de gêneros, corroborando de modo imprescindível para atestar o porquê a música produzida na terra de Capiba e Nelson Ferreira é considerada uma das mais representativas do cenário nacional. A priori criado para o lançamento dos títulos idealizados por Fábio, o selo hoje já conta com cerca de doze títulos dentre os quais o EP do "Projeto Sal", banda capitaneada por Jader Cabral e que traz em sua sonoridade um efervescente caldeirão de boas influências; o álbum "A.m.a.r.t.e", primeiro projeto fonográfico solo da talentosa cantora pernambucana Cláudia Beija e "Luar Agreste no Céu Cariri", álbum onde o compositor Xico Bizerra adorna com sua poesia onze melodias do saudoso Dominguinhos  e que são interpretadas por alguns dos mais expressivos nomes da música nordestina tais quais Elba Ramalho, Socorro Lira e Maria Dapaz. Merece destaque também a série de álbuns lançados a partir de 2006 cujo título vem a ser uma alusão a um dos slogans da Rádio Jornal do Commercio. Sucesso de crítica e público, a série que surgiu com o título "Pernambuco cantando para o mundo" ao longo dos anos foi aglutinando e gerundiando ritmos e hoje conta com títulos como os volumes dois e três da série já citada, o box triplo "Pernambuco forrozando para o mundo", uma justa homenagem feita a Dominguinhos ainda em vida; e o "Pernambuco frevando para o mundo", que teve o seu primeiro volume lançado em 2011 e que ganha agora o segundo volume. Neste lançamento, Fábio selecionou 36 faixas (dentre as quais três inéditas) e conta com a adesão de nomes como Geraldo Azevedo, Alceu Valença, Antonio Nóbrega, Elba Ramalho, Casuarina, Claudionor Germano, Moraes Moreira, Mundo Livre S/A, Quinteto Violado e Spok Frevo Orquestra. As inéditas são "Frevo morgado", composta por André Édipo e China a canção fará parte do quarto álbum solo do ex-vocalista do Sheik Tosado; a segunda inédita é "Ritual encantado" de autoria de Tális Ribeiro e Paulo Carvalho e ganha registro nas vozes das cantoras Cláudia Beija, Cristiane Quintas e Nívea Amorim. Por fim, a inédita "Capibaribe em chamas", da lavra do vocalista do Projeto Sal Jáder Cabral de Mello. O jovem divide a interpretação da faixa com Herbert Lucena, artista pernambucano que ganhou projeção nacional em 2012 quando ganhou em três categorias o Prêmio da Música Brasileira, o antigo Prêmio Sharp. Assim como o primeiro volume o projeto gráfico ficou sob a batuta de Ana Rios e as fotos a cargo do fotógrafo Mário Carvalho, saudoso fotógrafo do Departamento de Documentação e Cultura da Prefeitura do Recife. 
Dentre as faixas presentes segue abaixo dois dessa coletânea que apesar do segundo volume, por si só faz-se ímpar. A primeira trata-se de "Frevo dengoso", de autoria de Don Tronxo, com interpretação de Alceu Valença:
A segunda canção é o Frevo-de-bloco "O bom Sebastião", de autoria de Getúlio Cavalcanti que, apesar das inúmeras interpretações, nesta seleção ganha a voz de Moraes Moreira:
Eis as faixas que irão compor esta nova compilação do selo Passadisco: Lado A: 01  Frevo dengoso (Don Tronxo) – Alceu Valença 02  Chuva de sombrinhas (Nena Queiroga/André Rio/Beto Leal) – Nena Queiroga 03  Frevo morgado (China/André Édipo) – China 04  Frevo de bolso (Maestro Forró) – Orquestra Popular da Bomba do Hemetério 05 – Frevo Ariano (Don Tronxo/Marcondes Sávio) – Don Tronxo 06 – Flabelo das ilusões (Heleno Ramalho) – Claudionor Germano + Miúcha 07 – Hino da Troça (Milton Bezerra) – André Rio 08 – Capibaribe em chamas (Jáder Cabral de Mello) – Projeto Sal + Herbert Lucena 09  João Alexandre no frevo (Ivan do Espírito Santo) – Ecology Trio 10  Olinda, oração do folião (Sérgio de Andrade) – Sérgio de Andrade + Geraldo Maia 11  Dionísio, Deus do vinho e do prazer (Péricles Cavalcanti) – Maria Alcina 12  Bom é Batuta (Carlos Fernando) – Gonzaga Leal + Orquestra Popular do Recife 13  Ritual encantado (Tális Ribeiro/Paulo Carvalho) – Cláudia Beija, Cristiane Quintas e Nívea Amorim 14  O menino do pirulito (Toinho Alves/Luciano Pimentel) – Quinteto Violado 15  Frevoltando (Elton Ribeiro/Tavinho Limma) – Tavinho Limma 16  (Felipe Soares) – Cabugá + Fábio Trummer
17  Nóis sofre, mas nóis goza (Bráulio de Castro/Genival Lacerda) – Genival Lacerda
18 - Transcendental (Cláudio Almeida) – Orquestra do Maestro Duda Lado B 01  Ponta da pata (J. Michiles) – Geraldo Azevedo
02  Roda e avisa (Edson Rodrigues/J. Michiles) – Elba Ramalho
03 – Frevo da mistura (DJ Dolores) – DJ Dolores (part. de Maciel Salú e Isaar)
04  Moraes é frevo (Spok) - Spok Frevo Orquestra
05  Me segura que senão eu caio (J. Michiles) – Lula Queiroga
06 – A dor de uma saudade/Alegre bando/Valores do passado (Edgar Moraes) – Coral Edgar Moraes e Bloco da Saudade 07  O bom Sebastião (Getúlio Cavalcanti) – Moraes Moreira
08 – O velho James Browse já dizia (Fred Zeroquatro/Areia/Joe/Tom Rocha) – Mundo Livre S/A
09  Esse é o tom (César Michiles) – César Michiles
10  De onde se avista Olinda (Leninho de Bodocó/Zé Maria) – Leninho de Bodocó + Silvério Pessoa
11  A melodia de fevereiro (Walter Areia/Mônica Feijó) – Mônica Feijó
12  Frevo do contra-éxodo (João Cavalcanti) – João Cavalcanti + Casuarina
13  Frevo das rosas (Josias Lima/Kléber Araújo) – Josildo Sá
14  8 baixos no frevo (Zé Calixto/Adaptação Arlindo dos 8 Baixos) – Arlindo dos 8 Baixos
15  Folia geral (Maurício Cavalcanti/Marcelo Varella) – Maurício Cavalcanti
16  Recifoliando (Beto Hortis) – Arabiando + Beto Hortis
17  Canoa Furada (Siba) - Siba e a Fuloresta
18  Despedida (DP/Wilson Freire) – Antonio Nóbrega

DALINHA

DEVANEANDO

Dalinha Catunda
www.cantinhodadalinha.blogspot.com
www.cordeldesaia.blogspot.com

E se a gente se encontrasse
Em noite de lua cheia
Numa jangada encantada
Só nós dois na mesma teia
Se você arrebatado
Fosse comigo pra areia
Se entre um suspiro e outro
Eu virasse a sua ceia
Se minha pança crescesse
A coisa ficava feia
Se meu pai desconfiasse
Você entrava na peia
Se não casasse comigo
Era algema, era cadeia,
Mas você nunca foi macho
Nunca me acertou na veia
Atormentado não fique
Retorne pra sua aldeia
Pois isso é só maluquice

De bardo que devaneia.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

ASSESSOR SOFRE

automatizando.com.br/2010/11/como-demitir-um-bom-funcionario.html

-- Excelência: eu sei que o senhor e seu grupo são chegados em negócios escusos e em recursos não-contabilizados. Sei também que querem sair bem na imprensa, como os paladinos da ética e moralidade. Só que ninguém é besta; as informações correm. Um dia a casa cai. Não dá para ter – e ser – tudo ao mesmo tempo. Não dá pra fazer mágica. Sejam corretos, trabalhem com seriedade.

-- Você está me dizendo que sou como eles – os canalhas que critico?

-- Não, não. Sei que uns são piores que os outros. O senhor (tome isso como elogio) está no volume morto.

-- Meu caro, então saiba: antes que a casa caia, quero encher os bolsos. Se você não tem competência para trabalhar minha imagem da forma que mereço – a melhor, pois mereço a melhor imagem, lutei contra a ditadura etc. –, arrume outra ocupação. Está demitido. Uma despesa a menos para o gabinete. A economia terá boa destinação.


RAPIDÍSSIMAS (XXXIII)

www.keepcalm-o-matic.co.uk

PÉ NA TÁBUA
-- Está certo, Juvenal: é preciso seguir em frente, mas é bom saber primeiro se a gente está no rumo certo.

RÉU CONFESSO
E o cara abriu o jogo: “Querem saber? Tudo o que falam de mim é verdade”.

TRISTÃO E ALAÍDE
-- Quem não te conhece que te compre. Você só é bacana para os “da rua”.
-- É o que me restou, Alaíde.

RAIMUNDINHO
-- Quase sempre, desde sempre, me lasco. Acostumei. Dou de ombros.

PENSANDO BEM
Morro de inveja dos que “estão” sempre de alto astral. Ou mentem. Ou são cretinos. Uma forma de parecer feliz.

BALANÇA
Já passei do tempo de começar a dieta. Mas qual? Nenhuma me arrebatou. E tentei todas.

TRAUMAS
-- Quantos seguidores você tem no FB?
-- Nenhum, minhas neuras me bastam.







NÚBIA NONATO

ANJO

ramonatorres.blogspot.com

Ei! Psiu!
Abra os olhos
isso, devagar...

Pisque algumas
vezes até
desembaçar.

Já foi na janela?
Agora abra as
cortinas.

Acordou?
À noite eu volto
pra embalar
teu sono
e afagar

teus sonhos...

IMAGENS: CLÓVIS CAMPÊLO

EM DIA DE JOGO

Arena Pernambuco
Santa Cruz 0 x 1 América/RN
São Lourenço da Mata/PE, 01/11/2014
Fotografias de Clóvis Campêlo



 






quarta-feira, 5 de novembro de 2014

UM PAPO DA HORA: MÁRIO SÉRGIO CORTELLA




Não deixem de assistir a esse vídeo: 
uma entrevista deliciosa de Jô Soares com Mario Sérgio Cortella, 
filósofo, escritor, mestre e doutor em Educação pela PUC-SP. 




(Publicado em 05/11/2014)

EU TAMBÉM LEIO...

... O JORNAL DA BESTA FUBANA


JB-9


POR QUÊ?

Porque, entre outras razões, seu editor, Luiz Berto – escritor, agitador cultural pernambucano de renome, "recolheu" na imprensa mundial declarações importantes sobre o blog/site que edita. 

Confiram (RSRS), palavras dele, ou melhor, da imprensa mundial:

“O JBF é a coisa mais cretina na WEB desde que inventaram a internet”.
(The New York Times)

“Um amontoado de sandices que dificilmente será superado. É tudo que se pode dizer do JBF”.
(Financial Times, Inglaterra)

“Este JBF é o mais desqualificado informativo já surgido no mundo virtual”.
(Der Spiegel, Alemanha)

“Finalmente, uma publicação mais idiota que a nossa”.
(El Clarin, Argentina)


Passem pelo Jornal da Besta Fubana

RAPIDÍSSIMAS (XXXII)


QUEM NOS DERA...
Ter vindo a passeio?

ESTAR CERTO
Pra quê?

POLITICAMENTE CORRETO
-- Não voto em Paulo, odeio Pedro, acho Maria um lixo...
-- Vai votar em branco?
-- Nem pensar. Não vou correr o risco de me chamarem de racista.

PERNAS
Para que as quero? Doessem menos, teriam utilidade, ainda que me levassem a lugar nenhum. Doem muito. Estão à venda. Na bacia das almas.

DE VOLTA AO COMEÇO
-- Coisa boa demais. Depois de tantas trovoadas e anos juntos, voltamos a ser o que sempre fomos: grandes amigos. O café está pronto. Vem, meu velho.



COISAS DA VIDA

A OBRIGAÇÃO DO MATRIMÔNIO


(Por Violante Pimentel) Havia em Nova-Cruz um dono de mercearia, chamado Antônio Gato, casado, há bastante tempo, com Zefinha, vinte anos mais jovem do que ele. O casal tinha três filhos ainda pequenos e pretendia aumentar a prole. Formavam uma família feliz.

Zefinha, amante calorosa, desempenhava muito bem as funções de dona de casa, esposa e mãe. O tempo foi passando, e, de um dia pra noite, Antônio Gato começou a ficar triste, sem graça, acabrunhado, irritado, com ar de preocupação, o que despertou a atenção dos amigos mais próximos. Quando lhe perguntavam o que estava acontecendo, a resposta era sempre negativa, e ele mudava de assunto.

Chegou um dia em que ele, não suportando mais o problema que o afligia, dirigiu-se à casa de um compadre seu, chamado Delmiro, comerciante antigo, muito religioso, que era uma espécie de orientador espiritual da cidade. O compadre o recebeu muito bem e os dois foram conversar a sós, numa sala reservada. Antônio Gato permaneceu em silêncio algum tempo, mas depois criou coragem e falou:

 - Compadre Delmiro, eu vim aqui conversar com o senhor, sobre um problema que eu estou passando… O problema, compadre, é o seguinte:

-- Já faz seis meses que Zefinha, minha esposa, não quer mais cumprir a obrigação do matrimônio. Ela não deixa mais eu fazer um carinho nela, não quer mais nada comigo na cama, e foge de mim, como o diabo foge da cruz!… E o coitado começou a chorar. Constrangido diante dessa cena, Seu Delmiro prometeu ao compadre que iria mandar chamar a comadre Zefinha, para ter uma conversa com ela e dar-lhe uns conselhos. Cumprindo a promessa, no dia seguinte, mandou chamar a comadre, que o atendeu imediatamente. Um pouco assustada, Zefinha ouviu o que o homem tinha para lhe dizer:

 - Comadre, eu mandei chamar a senhora aqui pra conversar, porque o compadre Antônio veio aqui ontem, muito abatido e triste, e me contou que já faz seis meses que a senhora não quer cumprir a obrigação do matrimônio. Isso é verdade, comadre? A mulher empalideceu de vergonha, baixou a cabeça, calou-se por alguns minutos, até que, diante da insistência do compadre, resolveu contar a verdade:

Violante Pimentel
Violante Pimentel é procuradora aposentada
 do Estado do Rio Grande do Norte

 - Compadre Delmiro, eu não vou negar. O que Antônio contou ao senhor é tudo verdade… Já faz seis meses que eu não quero mais nada com ele. Eu não tenho mais vontade. Tomei um abuso triste dele e não sei fingir. Eu sei que a mulher que casa tem que cumprir a obrigação do matrimônio, mas eu não obedeço mais, e agora só Deus me obriga! Antônio tá ficando velho, não tem mais aquela dureza que o senhor sabe o que é, e, de uns tempos pra cá, eu esfriei de vez, e ja comecei a sentir nele catinga de macaco! Aí, lá vem ele sem roupa, olha pra mim e fica dizendo: “Chegue, minha filha! Chegue minha filha, vamos fazer mais menino!” Meu compadre, quando eu vejo aquela arrumação, aquele homem velho, com aquela coisa feia sem dureza nenhuma, tenho vontade de sair correndo! Eu tenho é ódio! E ele passa uma hora dizendo “chegue, minha filha, chegue, minha filha!” Eu garanto que se fosse com o senhor, o senhor também não ia. Fale sério, meu compadre, se fosse com o senhor, o senhor ia?

Seu Delmiro, indignado, respondeu:

 - Claro que não! O diabo é quem ia! Tá bom, comadre Zefinha, tá bom, a conversa terminou aqui!

Antônio Gato adoeceu de tristeza, e terminou seus dias levando mais chifre do que pano de toureiro.