quarta-feira, 11 de junho de 2014
terça-feira, 10 de junho de 2014
NÚBIA NONATO
CRER DE NOVO
![]() |
| Núbia Nonato |
Caos,
vãos,
brechas,
vielas.
Olhos
vermelhos
na
escuridão.
Mãos
que selam
sem
pena
nossos
destinos.
Não
é Deus
o
meu juiz
nem
mais meu redentor.
Minha
vida
pesa
na balança
daquele
que não
crê,
daquele
que
não
tem amor,
daquele
que não tem
compaixão.
Minha
liberdade
é
declarada
com
o sangue
do
verme.
Deus
me devolva
a
inocência
de
acreditar
naquele
que se diz
vosso
filho.
Remova-nos
o
ranço da
vingança...
Restitua
em nós
a
fé.
(6 de dezembro de 2010)
IMAGENS: CLÓVIS CAMPÊLO
LIÊDO MARANHÃO
Olinda, 1991
Fotografia de Clóvis Campêlo

TAMBORES
Recife/PE, fevereiro 2009
Fotografia de Clóvis Campêlo

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segunda-feira, 9 de junho de 2014
VÔ CARECA
Não pude conviver com meus
avôs, infelizmente O paterno morreu cedo, de câncer, em Santa Catarina. Meu pai
tinha 19 anos – se não me falha a memória, essa bandida claudicante. Com o avô
materno, tive pouca intimidade, quase nada. Dele trago a lembrança do velório
(em casa, claro) em dia (ou véspera) de eleições.
(“Varre, varre, vassourinha...”
Folhetos. Carros de som. Meu avô morto. Eu querendo balas de goma. Meu pai,
sempre pronto, tentando me convencer que não se chupa bala de goma em velórios.)
Do avô Gabriel (pai do
pai), eu só ouvi elogios uma vida inteira: trabalhador, honesto etc. e tal. Era
quase santo, segundo versões altamente suspeitas. Do avô João, “vô careca” (pai
da mãe), não posso dizer o mesmo. Era trabalhador, honesto, etc, e tal. Mas gostava
de vinho, gostava de vinho além da conta. Criava problemas.
Viúvo, pai de dois
filhos, Orlando e Tonico, o “vô careca” se casou de novo. E teve mais duas
filhas: Neide (minha mãe) e Laura. Os quatro filhos, claro, deveriam ter os mesmos
sobrenomes: Minas Silva. Mas, por conta do vinho abundante, o “vô careca”
resolveu inovar em cima de tia Laura: incluiu em seu sobrenome um Manzanares.
Até hoje ninguém sabe exatamente o motivo. Embora não haja dúvidas da
influência das uvas fermentadas sobre aquela opção.
Em defesa do “vô careca”
e do vinho ordinário que ele sorvia em doses industriais, um registro, ou
melhor, uma indagação: o que teria levado meu avô Gabriel, tão sóbrio, a
permitir que minha avó desse a seu filho, meu velho e generoso pai, o nome que
lhe deu – ODELORME?
Moral da história:
bebida faz estrago, sim, mas não pode ser acusada de todos os desatinos da
rapaziada.
sábado, 7 de junho de 2014
NÚBIA NONATO
NAS NUVENS
![]() |
| Núbia Nonato |
Vivia
a espreitar os deuses.
Imaginava-os
misturados aos mortais.
Via-se
num amplo salão dourado desfilando num lindo
vestido
branco atraindo todos os olhares para si.
Acorda
de seus devaneios com o toque de seu homem em teus seios.
Ele
a chama de deusa, não a força...mas clama.
Repousa-a
e devagar abre suas pernas, lambendo-a suavemente.
Ela
não pensa mais nos deuses, entrega-se com ardor e volúpia,
gemendo
alto para as estrelas.
Escondidos
entre as nuvens, os deuses a espiam com olhos de inveja...
| www.brasilescola.com |
CLÓVIS CAMPÊLO
A IMAGEM É TUDO?
![]() |
| Clóvis Campêlo |
Surgida
na Idade Média por uma necessidade dos pintores renascentistas de copiar com
perfeição os cenários da vida real, a câmera escura terminou por evoluir para a
invenção da máquina fotográfica. Nesse sentido, muito contribuíram as
descobertas científicas desde aquela época.
De
início, porém, a grande dificuldade era fixar as imagens fugidias e
eternizá-las em qualquer suporte físico. Assim, depois de grandes experimentos
e invenções, chegaram artistas e cientistas ao papel quimicamente trabalhado,
que durante anos foi a moldura ideal para as imagens capturadas.
Hoje,
quando as imagens foram desmaterializadas e existem ou no mundo virtual ou no
espaço magnético das máquinas fotográficas atuais, tudo isso nos parecerá muito
romântico.
Mas,
a vida dos grandes fotográficos desde então, nunca foi fácil. Pois, além da
simples documentação imagética de pessoas e acontecimentos, a eles também
caberia a obrigação de personalizá-las e diferenciá-las de uma fotografia
simplesmente reprodutiva.
Por
si só, um simples objeto pode ter a sua imagem apreendida de várias maneiras,
influenciado aí, no ato de fotografar, não só o enquadramento, como a
contextualização e a bagagem de conhecimentos do fotógrafo em relação ao que
documenta e à sua importância histórica ou social.
Por
outro lado, a fotografia pode ser importante esteticamente ou simplesmente pelo
valor documental e histórico que pode carregar nas suas informações.
Fotografar,
portanto, não é simplesmente fazer com que o tempo e o espaço morram
dimensionalmente contidos naquela moldura. Essa importância histórica ou
estética também não dependerá diretamente da qualidade do equipamento ou da
maquinaria utilizada. A sensibilidade do fotógrafo, aí, sempre será o elemento
de maior importância e relevância.
Antes
de chegarmos à fotografia digital, durante muitos anos usamos a fita celuloide
para a obtenção de imagens. Nos anos 60, com a ideia do “make yourself”,
lançada pela Kodak, as máquinas foram simplificadas e tornaram-se acessíveis a
qualquer pessoa que quisesse exercitar a sua capacidade de fotografar.
Essa
nova “revolução” fez com que a fotografia se popularizasse no mundo e criasse
um caminho informativo de mão dupla, inverso à monopolização inicial.
Hoje,
mais do que nunca, com as imagens digitalizadas e definitivamente acessíveis a
todos, transformou-se a nossa percepção do mundo, tanto no que se refere ao
micro quanto ao macrocosmos, bem como ao universo particular de imagens criadas
ou imaginadas que cada um traz dentro da sua cabeça.
Que
cada um seja definitivamente dono do seu momento decisivo! (Recife,
maio/2014)
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