sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

RÉU CONFESSO

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Minhas senhoras, meus senhores: 

-- Sou obrigado a admitir: a preguiça tomou conta desse corpinho roliço, de velho cansado de guerra.  

A ÉTICA DO CRUZ-CREDO (nova cena: essa Maria da Penha...)

http://dumilustrador.blogspot.com.br/2012/02/lei-maria-da-penha.html

O coroa não queria prosa, mas o cara queria.

Sem mais nem por que, o cara desandou a falar (mal) das leis.

 A ele – ao cara –, parecia normal prender alguém no poste, enchê-lo de pancada, matá-lo - se possível, se preciso.

O coroa tentou interditar o papo. 

Queria dar um fim na conversa vadia, no aperitivo, no meio copo de cerveja quente.

Em vão.

O cara estava impossível:


-- Duro mesmo é tolerar a Lei Maria da Penha. 

-- Como? - afetou falso interesse o coroa. 

-- Hoje, a mulher apronta e a gente nem lhe pode dar um corretivo.  Pode? Aonde vamos parar?  

POLÍTICA: $Ó BALE QUEM QUER

Vai essa fotinha por preguiça: a praga é a mesma
simnoticias.com.br 

Se você ouvir um político de oposição (os de situação balem; os de oposição também, disfarçadamente) dizer que o Poder Executivo usurpa o Poder Legislativo, creia: você está ante um canalha. 

Que os presidentes abusam das medidas provisórias, em confronto direto com a Constituição, qualquer anta sabe. 

E por que a canalha admite o estupro? 

Pelo prazer da recompen$a. 

Pelas mesmas razões que aprova para os Tribunais de Contas, órgãos de assesoramento do Legislativo (KKK), quem o chefe do Executivo – municipal, estadual, federal, não importa – “manda” a canalha aprovar. 

Ela  (a canalha) estabelece o preço; a conta é nossa. 

O saco da Viúva não tem fundo.



Estórias e histórias da MPB - Parte 04




O artista que quero trazer hoje para vocês é uma das figuras mais emblemáticas da nossa música e polêmico na mesma proporção. Um dos maiores (literalmente) cantores da MPB, ele fez história dentro do nosso cancioneiro e colecionou sucessos na mesma proporção em que somou desafetos, processos e problemas com contratantes dos seus shows. Todas essas pistas já são suficientes para muitos de vocês já matarem a charada e saber que estou falando daquele a quem Jorge Ben (Jor) refere-se como síndico. Trata-se do nosso Sebastião Rodrigues Maia, ou simplesmente Tim Maia, filho de Altivo Maia e Maria Imaculada Maia e caçula de 12 irmãos. É necessário salientar que Tim desde criança sempre teve um comportamento glutão. Seu pai, exímio cozinheiro, em dado momento para poder sustentar a família, começou a negociar marmitas na zona norte do Rio de Janeiro.


No bairro da Tijuca onde residiam, o pequeno Sebastião foi imbuído de ajudar o pai na entrega das marmitas, porém Tião “marmiteiro” (como indigestamente era chamado pelos amigos do bairro e respondia com um sonoro “É a puta que te   pariu!”) certa vez teve uma ideia que o beneficiaria em duas situações: na primeira, por saber que seu pai era bastante generoso na quantidade de comida nas marmitas em que produzia, resolveu comer u m pedaço de frango de uma, um croquete de outra, um bife acolá, batatas fritas entre outros componentes que faziam do “delivery” do seu pai um dos mais conceituados da região. Já a segunda vantagem era referente ao peso das quentinhas. Na medida em que consumia as comidas o peso das mesmas aliviavam as suas entregas.

Sua carreira musical começou por volta dos 14 anos, quando o ex-marmiteiro formou o seu primeiro grupo musical: os tijucanos do ritmo, por volta de 1956. Até 1971, quando gravou o seu primeiro, muita água rolou…

Vizinho de Erasmo Carlos, teve a oportunidade de junto com o tremendão crescer descobrindo gêneros e cantores que marcariam em definitivo as suas respectivas vidas e seriam determinantes em suas carreiras. Formou o grupo os “Sputniks” (banda esta que contou com a rápida passagem do cantor e compositor Roberto Carlos). Roberto saiu do grupo após ser chamado por Tim de filho da puta e de ter escutado do rei da soul music nacional que não cantava nada. Foi aos Estados Unidos com a cara e a coragem e nos momentos de maior privação usava um sobretudo para roubar frangos entre outros alimentos, por conta desse tipo de infração chegou a ser preso e deportado com a ressalva de que nunca mais deveria colocar os pés naquele país.

Ao voltar, por volta de 1965, viu aquele que anos antes ele havia dito que não cantava nada como o maior cantor do país e foi em busca de uma oportunidade com o ex-integrante de seu grupo, batendo com a cara na porta por diversas oportunidades e chegando a passar frio fome na terra da garoa, Roberto posteriormente o ajudaria gravando “Não vou ficar”. Gravou compactos com pouca relevância, produziu Eduardo Araújo no LP “Na onda do boogaloo”, onde praticamente todas as canções e versões existentes no disco levavam a sua assinatura e gravou um dueto fantástico com Elis Regina para o disco da artista lançado em 1970 intitulado “Elis Regina – Em pleno verão”. A canção “These Are Songs” era uma composição do próprio Tim e vocês, amigos do Blog do Lando, ouvirão logo em seguida.



Existem outras estórias e histórias do saudoso Tim que merecem relevância e que espero em outras oportunidades trazer aos amigos aqui do espaço. São histórias de como surgiram algumas de suas composições e outras bastante cômicas acerca de sua carreira.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

POLITICALHA & PINGA

“MARVARDA”

Calma, pessoal: não vou falar de pinga, não.
Isso é coisa pra grande Inezita Barroso. Coisa pra gigante.  Sou nada.
A “marvarda” é a política que rouba a esperança de quem presta.





DESGRAÇA POUCA...

Que cada um fique com sua opinião. Estou nem aí. A Política virou uma bandalheira elevada à enésima potência. O maior problema nosso não é o PT no governo, com sua incompetência histórica, safadeza idem. É a falta de oposição digna do nome. Estamos phodidos.

DE POSTE EM POSTE...
O Brasil se enraba.

GRUPOS

Não adianta meter o pau no PT, criar grupos disso e daquilo, pra meter o pau no PT. É mais do mesmo, “nóis com nóis”. A guerra digital já foi vencida por eles. Se você goza metendo o pau no PT, bom proveito. Faria melhor se cobrasse uma postura digna da oposição que não temos.   

MARKETING POLÍTICO

Há um bom artigo no ESTADÃO de hoje, de Sérgio Fausto. Não quero mais político papagaio de pirata, nos ombros da mentira deslavada. Quero político que diga o que pensa, com clareza absoluta. Não aceito mais ser tratado como besta. E você?


AJINOMOTO

Não há mulher feia.
Há mulher (homem também) insossa.


HORA DA VITROLA: JORGE MAUTNER

MARACATU ATÔMICO

www.lugarzinho.com


Atrás do arranha-céu tem o céu, tem o céu
E depois tem outro céu sem estrelas
Em cima do guarda-chuva tem a chuva, tem a chuva
Que tem gotas tão lindas que até dá vontade de comê-las

No meio da couve-flor tem a flor, tem a flor
Que além de ser uma flor tem sabor
Dentro do porta-luva tem a luva, tem a luva
Que alguém de unhas negras e tão afiadas se esqueceu de por

No fundo do pára-raio tem o raio, tem o raio
Que caiu da nuvem negra do temporal
Todo quadro-negro é todo negro, é todo negro
E eu escrevo o seu nome nele só pra demonstra o meu apego

O bico do beija-flor beija a flor, beija a flor
E toda a fauna aflora grita de amor
Quem segura o porta-estandarte tem arte, tem arte
E aqui passa com raça eletrônico maracatu atômico




CHÁ DAS CINCO: CARLOS HEITOR CONY

O DIABO E A POLÍTICA

Sempre que leio os jornais, lembro uma historinha que nem sei mais quem me contou. Naquela aldeia, todos roubavam de todos, matava-se, fornicava-se, jurava-se em falso, todos caluniavam todos. Horrorizado com os baixos costumes, o frade da aldeia resolveu dar o fora, pegou as sandálias, o bordão e se mandou.

Pouco adiante, já fora dos muros da aldeia, encontrou o Diabo encostado numa árvore, chapéu de palha cobrindo seus chifres. Tomava água de coco por um canudinho, na mais completa sombra e água fresca desde que se revoltara contra o Senhor, no início dos tempos.


www.orelhadolivro.com.br

O frade ficou admirado e interpelou o Diabo:

- O que está fazendo aí nesta boa vida? Eu sempre pensei que você estaria lá na aldeia, infernizando a vida dos outros. Tudo de ruim que anda por lá era obra sua - assim eu pensava até agora. Vejo que estava enganado. Você não quer nada com o trabalho. Além de Diabo, você é um vagabundo!

Sem pressa, acabando de tomar o seu coco pelo canudinho, o Diabo olhou para o frade com pena:

- Para quê? Trabalho desde o início dos tempos para desgraçar os homens e confesso que ando cansado. Mas não tinha outro jeito. Obrigação é obrigação, sempre procurei dar conta do recado. Mas agora, lá na aldeia, o pessoal resolveu se politizar. É partido pra lá, partido pra cá, todos têm razão, denúncias, inquéritos, invocam a ética, a transparência, é um pega-pra-capar generalizado, eu estava sobrando, não precisavam mais de mim para serem o que são, viverem no inferno em que vivem.

Jogou o coco fora e botou um charuto na boca. Não precisou de fósforo, bastou dar uma baforada e de suas entranhas saiu o fogo que acendeu o charuto:

- Tem sido assim em todas as aldeias. Quando entra a política eu dou o fora, não precisam mais de mim.


(FOLHA ONLINE – 29/11/2005)

CLÓVIS CAMPÊLO: UM TEXTO, DUAS IMAGENS

O REFÉM

Escultura de Francisco Brennand
Fotografia de Clóvis Campêlo/2007


(Para Alberto da Cunha Melo)

Lembrava apenas do silêncio,
promessas nunca as fizera,
aquela luz era uma quimera,
sobre o escuro estava pênsil.

Não adiantaram os tratados,
angústias antes do mergulho,
o corpo agora era um entulho,
inteiro, mas dilacerado.

Sabia de todos os pecados,
lera-os em todos os livros,
compunham agora o seu crivo,
eternamente o seu legado.

Não adiantaram as palavras,
fazer-se cosmos, demiurgo,
restava-lhe agora o expurgo
resultante daquela lavra.


Recife, 2007

BARCOS NA BACIA DO PINA
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife/PE, 2009


NÚBIA NONATO

DA VIDA O QUE SE LEVA?



Como era mesmo?

Um grupo de senhorinhas gargalhavam despudoradamente depois que um destrambelhado havia passado por  elas completamente nú.
_Nossa!!! Se ele calmo está assim, imagina empolgado!
Novas gargalhadas explodem.

E no açougue...

Esmeralda adentra no açougue fazendo a alegria de Manuel que morria de amores pela mulata.
_ E aí Manuel! Chegou o salsichão?
Ele dá um sorriso cínico:
_ Serve o meu opá?

Empreendimento

Josefa encomendou uma série de objetos para fazer massagem.
Queria pôr em prática tudo o que aprendeu no curso.
Quando entrou na cozinha gritou indignada:
_ Mãe!!!!  Isso não é um rolo de pastel pô!

Da reforma

A reforma finalmente havia acabado, tudo novinho e estalando. Na cozinha agora funcional, uma grande janela de alumínio. Flanelas felpudas foram compradas para manter os vidros impecavelmente limpos.
Durante a madrugada uma ventania tirou o sono da vizinhança.
Pela manhã o marido assustado encontra-a encarapitada em cimada pia.
_ Você está doida é?
_ Não... tava segurando a janela.