CELA 45 Pior que as grades é a convivência forçada. GALO Seu canto é certo. Já não se pode dizer o mesmo do dia que se avizinha. A VIAGEM Embora inesquecível, precisa ser esquecida. Para sempre. SEM RETORNO Reatar como, se você queimou todos os navios? O BEM-AMADO Muitos choraram copiosamente no dia em que ele partiu. Quando ele voltou, derramaram lágrimas. As primeiras foram de alegria; as últimas, de raiva. TAL E QUAL
Ilustração: Dreamstime
Deus e os números têm algo em comum: não mentem jamais. Infelizmente, não se pode dizer o mesmo de quem os interpreta. CULTOS Menos circo, mais espiritualidade. PEQUENOS PODERES A maioria dos homens jamais terá noção do quanto é ridícula. Melhor assim. Para eles. PIOR DOS MUNDOS Duro mesmo é se dar conta de que seu destino depende da boa vontade de seu algoz. PARTILHA Ora, como bem disse Paulo, o santo, nem tudo o que posso me convém. Por analogia, nem tudo o que me falam tem serventia.
Filho do músico Cesar Faria, Paulinho da Viola cresceu num ambiente
naturalmente musical. Na sua infância em Botafogo, bairro tradicional da zona
sul do Rio de Janeiro onde nasceu em 12 de novembro de 1942, teve contado
constante com a música através do pai, violonista integrante do conjunto Época
de Ouro. Nos ensaios familiares do conjunto, Paulinho conheceu Jacob do
Bandolim e Pixinguinha, entre muitos outros músicos que se reuniam para fazer
choro e eventualmente cantar valsas e sambas de diferentes épocas.
Ao longo dos anos 70, Paulinho gravou em média um disco por ano,
ganhou diversos prêmios e se apresentou por diversas cidades no Brasil e no
mundo. Já nos anos 80, gravou mais quatros discos e manteve-se como um dos
principais nomes do samba no país. Nos anos 90, entrou numa nova fase, onde a
imprensa e os críticos passaram a vê-lo como um músico mais sofisticado e
maduro. Mesmo sem perder seu apelo popular, Paulinho gravou um de seus mais
importantes trabalhos, Bebadosamba e
montou o espetáculo homônimo.
O trabalho de Paulinho hoje é visto como um elo entre diversas
tradições populares como o samba, o carnaval e o choro, além de suas incursões
em composições para violão e peças de vanguarda. Um dos maiores representantes
do samba e herdeiro do legado de músicos como Cartola, Candeia e Nelson
Cavaquinho mostra que está sempre se renovando e produzindo sem abandonar seus
princípios e valores estéticos.
Sempre foi um sujeito da pior espécie. Fazia jus à fama que, desde sempre, sua categoria profissional desfruta. Advogado medíocre, foi vereador e mais tarde conselheiro do Tribunal de Contas de uma grande capital brasileira. Um larápio bem-sucedido.
Certa feita, apresentou projeto de lei que obrigava os supermercados de médio e grande portes a dispor de um determinado número de vagas para automóveis e a contratar seguro para cobrir eventuais danos causados aos veículos da clientela. A iniciativa lhe rendeu espaços generosos em jornais, rádios e sites informativos. Colheu muitos elogios aqui e acolá.
O projeto passou por todas as comissões temáticas da Câmara. Quando estava pronto para ser votado em plenário, o autor tomou a decisão de pedir seu arquivamento. Ninguém entendeu nada.
Um funcionário do parlamentar – misto de assessor de imprensa e bobo da corte –, no entanto, tinha uma justificativa para tal recuo na ponta de língua:
- Meu vereador é muito esperto. Ele apresentou o projeto a pedido das empresas de seguro. Depois, pediu seu arquivamento por pressão dos donos de supermercados. Levou dinheiro dos dois lados. Hehehe. O cara é fera.
Ananias estava a mil por hora,
agitadíssimo, quase irreconhecível, tímido que sempre foi. Nunca falara tanto e
sobre tantas coisas como naquela tarde de outono.
- Velho Marinheiro: tenho que lhe
dizer algo. Não sei se viverei tanto tempo como o senhor...
- Nem queira.
- Mas, se viver, com certeza, eu não terei sua
saúde, seu vigor, muIto menos sua sabedoria e experiência.
- Meu caro, tenho mais dores do que
você imagina. O vigor que você diz que possuo perto do que tive no passado é
pinto. Quanto à minha experiência e sabedoria, palavras suas, quero lhe dizer
uma coisa: trocaria ambas, sem pestanejar, pelas ereções dos trinta
anos.
M.
C. Escher (1898-1972) foi um artista gráfico holandês, conhecido por seus
trabalhos em xilogravuras e litogravuras que representam obras fantásticas,
incomuns, com várias perspectivas, geradoras de ilusão de ótica no observador. Foi
considerado um artista matemático, sobretudo geométrico.
Manabu Mabe (Kumamoto, 14 de setembro de 1924 — São
Paulo, 22 de setembro de 1997) foi pintor, desenhista e tapeceiro japonês
naturalizado brasileiro. Pioneiro do abstracionismo no Brasil, Mabe é o
“samurai” da pintura no país.
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