segunda-feira, 3 de outubro de 2016

PALAVRAS & EXPRESSÕES


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SPONHOLZ



DE ONDE VÊM AS PALAVRAS:
DAR UMA DE “JOÃO-SEM BRAÇO”

Por Deonísio da Silva (*)

Blog do Augusto Nunes

A expressão “joão-sem-braço” designa o preguiçoso, o omisso ou o trapaceador.

Originalmente, o pedinte amarrava sob a roupa um dos braços ou os dois, fingindo ser mutilado de guerra para obter a esmola pretendida, dando uma de joão-sem-braço.

Mas havia outros sinceros joões-sem-braços, muitos dos quais eram atendidos pelas Santas Casas de Misericórdia, a primeira das quais foi fundada em Portugal, no século XV, pela rainha Dona Leonor, a “princesa perfeitíssima”.

No Rio, a Rua dos Inválidos atesta a tradição. Ela ainda conserva o mesmo nome que tinha em fins do século XVIII, por ter sido edificado ali um asilo para militares reformados, isto é, aposentados. Eles estavam temporariamente impedidos de trabalhar. E muitos iam para a rua mendigar.

A expressão tem fundas raízes históricas. Portugal formou-se e consolidou seu poder por meio de sucessivas guerras, travadas no próprio território ou em suas colônias, produzindo muitos mutilados de guerra.

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 Deonísio da Silva é professor, 
escritor e etimologista
dc.clickrbs.com.br

QUASE HISTÓRIAS


 SAUDADES DE MÃE? 

Chegou a ser, décadas atrás, um dos mais longevos vereador paulistano. Ao contrário de seus colegas, não tinha o menor interesse em dar entrevistas à imprensa. E explicava o motivo: “Quem vota em mim não lê. Uns porque não gostam. Outros porque não sabem. Há também quem lê e não entende o que está escrito. É a maioria”. 

Mas não era um político desprovido de vaidade, não. Gabava-se de tratar bem seus eleitores, muito embora não fosse homem de dar confiança a ninguém. Gostava de detalhar seu método exitoso nas urnas:

-- Resolvo todos os problemas que posso. Arrumo emprego, internação em hospital, vaga em creche, carta de apresentação, atestado médico, carne pra churrasco... Cimento para laje já arrumei demais. Tijolo e areia também. Muita gente deve o puxadinho a esse vereador. Só não arrumo passagem para o sujeito ir para o Norte, isso não. E sabe por quê? Porque o sujeito vai, diz que volta, mas não volta. Ou só volta depois da eleição. Ora, sou besta de perder, numa tacada só, dinheiro e voto? Digo assim: se está com saudades de mãe, mande mãe vir, com documentos. O título eleitoral fica por minha conta também.  Arrumo passagem pra sua velha e resolvo seu problema de saudade. (OS - setembro/ 2013)



CHARGES




 
ALPINO



SPONHOLZ



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J. BOSCO - O LIBERAL



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PASSOFUNDO - CHARGE ON-LINE



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GABRIEL RENNER - DIÁRIO GAÚCHO






SPONHOLZ



ESPAÇO DA GLÓRIA


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PROJECAOASTRAL.COM




BORBOLETA



A escuridão

que obscurece teu olhar


vai passar.

A linha do horizonte já está quase visível.

Em  poucos segundos,

tu a verás  clara e reluzente.



Trace um gostoso voo

para o tempo que ainda resta  de tua vida.

Deixe o casulo para trás

e ofereça  tua dança e tuas cores

à tua amante.

Para o Universo,

tu não passas de uma  bela

frágil   borboleta.

Tua vida é curta.

Não a tornes mais curta ainda.



Glória Braga Horta
 nasceu em Mutum-MG. 
É jornalista, poeta e cronista.
Dedica-se também à música popular 
(canto e teclado)
e às artes plásticas

domingo, 2 de outubro de 2016

CHÁ DAS CINCO: DRUMMOND

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ARQUIVO GOOGLE

Por Carlos Drummond Andrade


O PODER ULTRAJOVEM:  NO RESTAURANTE        


— QUERO LASANHA.

Aquele anteprojeto de mulher — quatro anos, no máximo, desabrochando na ultraminissaia — entrou decidido no restaurante. Não precisava de menu, não precisava de mesa, não precisava de nada. Sabia perfeitamente o que queria. Queria lasanha.

O pai, que mal acabara de estacionar o carro em uma vaga de milagre, apareceu para dirigir a operação-jantar, que é, ou era, da competência dos senhores pais.

— Meu bem, venha cá.

— Quero lasanha.

— Escute aqui, querida. Primeiro, escolhe-se a mesa.

— Não, já escolhi. Lasanha.

Que parada — lia-se na cara do pai. Relutante, a garotinha condescendeu em sentar-se primeiro, e depois encomendar o prato:

— Vou querer lasanha.

— Filhinha, por que não pedimos camarão? Você gosta tanto de camarão.

— Gosto, mas quero lasanha.

— Eu sei, eu sei que você adora camarão. A gente pede fritada bem bacana de camarão. Tá?

— Quero lasanha, papai. Não quero camarão.

BAPTISTÃO

— Vamos fazer uma coisa. Depois do camarão a gente traça uma lasanha. Que tal?

— Você come camarão e eu como lasanha.

O garçom aproximou-se, e ela foi logo instruindo:

— Quero uma lasanha.

O pai corrigiu:

— Traga uma fritada de camarão pra dois. Caprichada.

A coisinha amuou. Então não podia querer? Queriam querer em nome dela? Por que é proibido comer lasanha? Essas interrogações também se liam no seu rosto, pois os lábios mantinham reserva. Quando o garçom voltou com os pratos e o serviço, ela atacou:

— Moço, tem lasanha?

— Perfeitamente, senhorita.

O pai, no contra-ataque:

— O senhor providenciou a fritada?

— Já, sim, doutor.

— De camarões bem grandes?

— Daqueles legais, doutor.

— Bem, então me vê um chinite, e pra ela... O que é que você quer, meu anjo?

— Uma lasanha.

— Traz um suco de laranja pra ela.

Com o chopinho e o suco de laranja, veio a famosa fritada de camarão, que, para surpresa do restaurante inteiro, interessado no desenrolar dos acontecimentos, não foi recusada pela senhorita. Ao contrário, papou-a, e bem. A silenciosa manducação atestava, ainda uma vez, no mundo, a vitória do mais forte.

— Estava uma coisa, hem? — comentou o pai, com um sorriso bem alimentado. — Sábado que vem, a gente repete. Combinado?

— Agora a lasanha, não é, papai?

— Eu estou satisfeito. Uns camarões tão geniais! Mas você vai comer mesmo?

— Eu e você, tá?

— Meu amor, eu...

— Tem de me acompanhar, ouviu? Pede a lasanha.

         O pai baixou a cabeça, chamou o garçom, pediu. Aí, um casal, na mesa vizinha, bateu palmas. O resto da sala acompanhou. O pai não sabia onde se meter. A garotinha, impassível. Se, na conjuntura, o poder jovem cambaleia, vem aí, com força total, o poder ultrajovem.


CHARGES




Urna de troia cavalo de troia eleircao eleitor titulo 2 
AMARILDO




 
ALPINO 



Charge do dia 02/10/2016 
MIGUEL - JORNAL DO COMMERCIO




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NEWTON SILVA



chargetempo17-04-15 
DUKE



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PASSOFUNDO - CHARGE ON-LINE



auto_pater 
PATER - A TRIBUNA (ES)



SPONHOLZ


POLÍTICA/OPINIÃO: AUGUSTO NUNES



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PALOCCI, POR PAFFARO

SANATÓRIO GERAL
Por Augusto Nunes


Prontuário incompleto

“O artigo 236 do Código Eleitoral é taxativo, proíbe qualquer decreto de prisão cinco dias antes e até dois dias depois do pleito, sob pena de responsabilidade”. (José Roberto Batochio, advogado de defesa de Antonio Palocci, sobre a prisão do cliente, explicando que ex-ministro engaiolado também por crime eleitoral merecia continuar em liberdade para ampliar o prontuário antes da temporada em Curitiba)

Coerência é isso aí

“Boa noite, nós estamos aqui na TV Globo e eu não poderia deixar de registrar que essa emissora apoiou o golpe contra a democracia e contra uma mulher eleita. Esse golpe interrompeu o mandato de uma mulher eleita, que melhorou a vida de todos vocês e investiu muito nesta cidade”. (Jandira Feghali, candidata do PCdoB à prefeitura do Rio de Janeiro, durante o debate promovido pela Rede Globo, sem explicar se, já que aceitou com muito entusiasmo o convite da emissora, está examinando a ideia de aderir ao golpismo)

Quem tem **, tem medo

“Não acredito que eles cometam esse absurdo. Não porque sejam bons, mas porque acredito que também não são burros”. (Dilma Rousseff, em entrevista à TV Educativa da Bahia, sobre a eventual prisão do ex-presidente Lula, confirmando que, seja homem ou mulher a pessoa ameaçada de embarcar na traseira do camburão, quem tem ** tem medo)

AUGUSTO NUNES É JORNALISTA


O povo sumiu

“Vocês são muito ousados de convocar um comício para as quatro horas da tarde. Aprendi que o horário do comício é o horário da missa”. (Lula, durante uma discurseira no palanque de Márcio Pochmann, candidato do PT à prefeitura de Campinas, perdendo a voz ao perceber que a multidão que deveria estar ali para aplaudi-lo não aparecera por ter mais o que fazer)


Milongueiro uruguaio

“Que desastre! Parecem duas repúblicas bananeiras. Não sei como vão sair das suas respectivas crises, sobretudo o Brasil, que está mais complicado. Parece uma novela”. (José Pepe Mujica, senador e ex-presidente do Uruguai, em entrevista ao jornal espanhol El Mundo, sobre a situação da Argentina e do Brasil, afirmando que Maurício Macri e Michel Temer herdaram de Cristina Kirchner e Dilma Rousseff duas repúblicas bananeiras piores que a Venezuela)