sábado, 1 de outubro de 2016

CULTURA/OPINIÃO: RUY CASTRO



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DAVID ZINGG/WIKIPÉDIA



NUNCA MAIS VOLTOU

David foi tão ótimo repórter fotográfico quanto autor
de "portraits", e sua obra merece um ou mais livros

Por Ruy Castro
PUBLICADO NA FOLHA DE S. PAULO
Em 30/09/2016 02h00

RIO DE JANEIRO - Preciso ir a São Paulo ver a exposição "David Zingg no Notícias Populares", organizada por Leão Serva no MIS. Compõe-se de material produzido por David nos três meses de 1986 em que fotografou para um jornal com o qual não parecia ter nada a ver. Afinal, o que faria um americano, amigo dos Kennedy e veterano de revistas como "Look", "Esquire" e "Vogue", num universo de "presuntos" da periferia paulistana?

Mas assim era David. Quando ficamos amigos, no Rio, em 1968, ele era o fotógrafo de Ipanema, de Leila Diniz, do Cinema Novo. Fora para ele que Tom Jobim dissera "O Brasil não é para principiantes", e ninguém então mais principiante em Brasil do que David, recém-chegado de Nova York. Mas aprendeu tão depressa sobre o nosso caráter, ou falta de, que se tornou um de nós.

Mudou-se para São Paulo em fins dos anos 70 e sonhou abrir um restaurante nos Jardins, chamado United Steaks of America. Dez anos depois, pensou em comprar um apêzinho de 10 m² em Pigalle, em pleno "bas fond" de Paris, para passar três meses por ano. Mas eram só planos. Trabalhar num jornal de crimes podia ter sido um deles — por sorte, realizou-se.

David foi tão ótimo repórter fotográfico quanto autor de "portraits", e sua obra merece um ou mais livros. Mas sempre achei que ele via a fotografia mais como um hobby. Sua principal ocupação era circular, fazer amigos e descobrir novidades. Em 1988, falou-me que, um dia, a fotografia dispensaria filme, química e laboratório. Não acreditei. Anos depois, quando isso se realizou, veio me cobrar: "Não te contei?".

Seu neto Andrew, que não o conheceu, está trabalhando na sua biografia. Vamos finalmente entender por que, em 1964, em Montclair, New Jersey, David saiu para comprar cigarros, largou tudo para trás — família, casa, carro — e nunca mais voltou. (RC)

NA PRÓXIMA SEMANA, DE SEGUNDA A QUINTA, 
O BLOG DO LANDO TRARÁ UMA ´SERIE DE FOTOS
DE DAVID ZINGG




A ARTE DE SIMONE GRECCO




 




 


 


Formada pela Faculdade de Belas Artes
 de São Paulo (1972)

 e com diversos cursos de especialização
 nos Estados Unidos, 
Simone Grecco é uma artista plástica,  
 cuja obra a todos encanta. 
No Brasil e no exterior.

Para entrar em contato com Simone, 
mestre em esculturas em arame, acesse





 



 

 

CHARGES




sIstema eleitoral brasileiro legenda justica 
AMARILDO




Charge do dia 01/10/2016 
MIGUEL - JORNAL DO COMMERCIO (PE) 



SPONHOLZ

 
PAIXÃO - GAZETA DO POVO



 
ALPINO 



 
BENETT




 
SPONHOLZ


POLÍTICA/OPINIÃO: RUY FABIANO


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ARQUIVO GOOGLE


A APOSTA NO CAOS

Do ponto de vista da ação estratégica, o aparelhamento
da sociedade civil vale muito mais que um punhado
de vereadores e prefeitos, ainda que de cidades importantes

Por Ruy Fabiano

Blog do Noblat – 01/10/2016 - 01h20


As eleições municipais deste domingo devem confirmar o declínio dos candidatos de esquerda, em especial os do PT, nas cidades mais importantes do país. Os motivos são óbvios e estão capitulados nas (até aqui) 35 fases da operação Lava Jato.

Isso, porém, não atenuará – muito pelo contrário - a ação predatória dos grupos organizados, que se abrigam sob o guarda-chuva protetor dessas legendas, contra o governo Temer.

Despojado dos meios institucionais, resta a batalha campal, em que são especialistas. O PT perde nas urnas, mas mantém seus feudos estratégicos na máquina pública, estruturados em quase 14 anos de reinado, nas três esferas federativas, fornidos com a grana grossa (e põe grossa nisso) da corrupção.

O partido, além de aparelhar o Estado, patrocinou a construção de uma gigantesca máquina sindical e estabeleceu sua hegemonia nas universidades, na mídia e nos meios artístico e intelectual. Em síntese, aparelhou a sociedade civil.

Do ponto de vista da ação estratégica, isso vale muito mais que um punhado de vereadores e prefeitos, ainda que de cidades importantes. O poder destrutivo de uma militância treinada e remunerada é incomparavelmente maior que o das multidões desorganizadas que ocuparam, aos milhões, do ano passado para cá, as ruas das principais cidades brasileiras.

“Ciro Gomes, ex-ministro de Lula e pré-candidato à Presidência da República, chegou a afirmar, em entrevista, que se dispõe a “sequestrar” o ex-presidente e levá-lo a uma embaixada para que saia do país e escape de prestar contas à Justiça”


O processo de despetização da máquina pública é lento e penoso. Não basta extinguir alguns cargos comissionados. A militância está no Ministério Público, no Judiciário (inclusive no STF), nas embaixadas, nos meios de comunicação, dispondo de uma ativa falange de formadores de opinião, engajados no “fora, Temer”.

A reação de Lula às denúncias da Lava Jato tem sido a de mobilizar essa militância contra as instituições, incentivando o discurso vitimista do golpe – o que, não sendo, como não é, verdade, constitui ele sim um golpe.

Ciro Gomes, ex-ministro de Lula e pré-candidato à Presidência da República, chegou a afirmar, em entrevista, que se dispõe a “sequestrar” o ex-presidente e levá-lo a uma embaixada para que saia do país e escape de prestar contas à Justiça.

O que fez é um crime, semelhante, só que a céu aberto, ao que Delcídio do Amaral propôs fazer com Nestor Cerveró. Mas, diante do que o próprio Lula faz, propondo a guerra civil, já não impressiona ninguém. O que se tem, na impossibilidade de uma solução legal e institucional aos crimes já revelados, é o apelo à baderna e a tentativa de construção de uma “narrativa” fictícia que transforme criminosos (in)comuns em perseguidos políticos.

A dificuldade está em que os fatos insistem em acontecer. Esta semana foi preso o segundo ex-ministro da Fazenda da Era PT, Antonio Palocci, sob a mesma acusação – roubo - do anterior, Guido Mantega. Já estão na cadeia, também por esse delito, três ex-tesoureiros do PT, um ex-presidente (José Dirceu) e são réus os dois petistas que ocuparam a Presidência da República, Lula e Dilma.

“A política, em sua origem, foi concebida como o meio pacífico de contornar conflitos. Sem ela, volta-se à barbárie. E é nela, na barbárie, que PT e aliados jogam suas fichas”

Há ainda uma extensa lista de delações premiadas, de empresários e outros cúmplices, por vir à tona e outra já revelada, exposta no Youtube. Não há chance de todos estarem contando uma história falsa. Tudo se articula num desenho nítido, que faz jus ao que os procuradores da Lava Jato intitularam de Propinocracia.

Não obstante tudo isso, a mobilização obsessiva de jovens nas universidades, entoando o discurso do golpe, mostra que aquela que, em tese, deveria ser a elite pensante do país, faz questão de virar as costas à realidade e desafiá-la. A tanto chegou o ensino universitário.

E é exatamente esse confronto, entre o país real, que herdou uma economia arruinada e instituições desacreditadas, e o país da militância – minoritário, mas organizado -, que mantém o ambiente de tensão, que dificulta a tarefa de superar a crise.

A política, em sua origem, foi concebida como o meio pacífico de contornar conflitos. Sem ela, volta-se à barbárie.

E é nela, na barbárie, que PT e aliados, que desmoralizaram ainda mais a política brasileira (que nunca foi grande coisa, mas que agora é coisa nenhuma) jogam suas fichas, na tentativa de fugir à responsabilidade pelos crimes perpetrados.

RUY FABIANO É JORNALISTA E ESCRITOR

POLÍTICA/OPINIÃO: JOSIAS DE SOUZA

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CLAYTON






DILMA FURA FILA DO INSS
PARA OBTER APOSENTADORIA

A madame furou todas as filas servindo-se dos préstimos
 do petista Carlos Gabas, seu ex-ministro da Previdência

Blog do Josias de Souza – 01/10/2016 - 03:46

Menos de 24 horas depois de ter assinado, em 31 de agosto, a notificação do Senado avisando que seu impedimento fora aprovado, Dilma Rousseff já estava aposentada pelo INSS. Com a velocidade de um raio, ela obteve a remuneração mensal de R$ 5.189,82, o teto da Previdência. O tempo médio de espera para que um brasileiro comum consiga marcar uma data para requerer a aposentadoria é de 74 dias. Em Brasília, onde pedido de Dilma foi deferido, o suplício chega a 115 dias.

Dilma não precisou nem colocar os pés do lado de fora do Alvorada. Em notícia veiculada no site de Época, o repórter Bruno Boghossian conta que madame furou todas as filas servindo-se dos préstimos do petista Carlos Gabas, seu ex-ministro da Previdência. Na pele de pistolão da ex-chefe, Gabas entrou pelos fundos de uma agência da Previdência na quadra 502 da Asa Sul de Brasília. Estava acompanhado de uma mulher munida de procuração de Dilma.

A dupla se dirigiu a uma área restrita a servidores da repartição. Atendeu-os o chefe da agência, Iracemo da Costa Coelho. Encerrado o encontro, Dilma já estava formalmente aposentada. Não há nos computadores do INSS nenhum vestígio de que a presidente deposta ou seus prepostos tenham solicitado o agendamento que se exige dos cidadãos comuns.

Ouvidos, Dilma e Gabas afirmam que não houve privilégio ou tratamento diferenciado. Nessa versão, o atendimento ocorreu longe do balcão, numa sala de frequencia restritra a servidores por decisão do chefe da agência do INSS. Alegou-se, de resto, que o agendamento fora solicitado “meses” antes. Algo que o sistema informatizado da Previdência contesta.

Noutro procedimento fora dos padrões, o INSS realizou entre 8h42 e 18h43 do dia 10 de dezembro de 2015 notáveis 16 alterações na ficha laboral de Dilma. Tudo homologado por uma única servidora: Fernanda Cristina Doerl dos Santos, da Diretoria de Atendimento do INSS. Oito dias antes, o então presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) anunciara sua decisão de aceitar o pedido de impedimento de Dilma.

POLÍTICA/OPINIÃO: AUGUSTO NUNES

AUGUSTO NUNES É JORNALISTA





HADDAD FAZ BONITO NO RANKING
DOS CAMPEÕES DA REJEIÇÃO

O prefeito de São Paulo tem tantas chances
de continuar no emprego quanto Lula
de transformar-se no Papa Luiz 51

Por Augusto Nunes - 30/09/2016 às 18:55

Fernando Haddad tem tantas chances de conseguir um segundo mandato quanto Lula tem de transformar-se no Papa Luiz 51. Em compensação, vem fazendo bonito no ranking dos dez mais rejeitados (veja lista abaixo) entre todos os candidatos a prefeito em campanha nas capitais do país, sobretudo depois que cumpriu a ordem de associar a própria imagem a Lula, a Dilma e ao PT.

A mudança de rota garantiu a Haddad o extraordinário índice de 41%, inferior apenas aos inverossímeis 59% do baiano Da Luz. Ou seja: quatro entre dez eleitores paulistanos não votariam no atual prefeito nem mesmo se fossem submetidos a uma selvagem sessão de tortura. É uma marca e tanto para quem há pouco menos de quatro anos sonhava com o Planalto.

Candidata a prefeita do Rio pelo PCdoB, Jandira Feghali decidiu pedir socorro a Dilma Rousseff para conquistar a vaga que resta no segundo turno ─ o senador Marcelo Crivella já chegou lá ─, também disputada por Pedro Paulo e Marcelo Freixo. Com o primeiro comício estrelado pela ex-presidente, Jandira caiu de 8% para 6% nas pesquisas eleitorais.

Em contrapartida, saltou para o quarto lugar no ranking da rejeição. Com 38%, a candidata do PCdoB pode até ultrapassar Haddad. Para tanto, precisa programar uma caminhada pelo centro do Rio, de mãos dadas com Dilma Rousseff, seguida de outra discurseira num palanque em Copacabana da oradora que não diz coisa com coisa.

 rejeicao