segunda-feira, 25 de junho de 2018

CHÁ DAS CINCO: ADÉLIA PRADO

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AMOR FEINHO

Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero um amor feinho

IMAGENS: MORGAN WEISTLING



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Conhecido por suas pinturas figurativas realistas, de adultos e crianças em ambientes antigos, Morgan Weistling nasceu em 1964 e foi criado no sul da Califórnia. Antes de se dedicar à pintura, trabalhou, por catorze anos, como ilustrador de cartazes de cinema. 
***

A ÉTICA DO CRUZ-CREDO: A MERENDEIRA

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Foto: Arquivo Google


A vida de Ivani mudou da noite para o dia. Hoje, não há espaço vazio na pequena despensa de sua casa. Dá gosto de ver. A geladeira também está sempre cheia. Os pequenos, três, estão bem gordinhos, quase obesos. Ela e Nonô também engordaram um bocado. Ivani agradece a Deus todos os dias por ter lhe arrumado um emprego de merendeira na escola do bairro. O salário é coisa miúda, mas vale a pena. Vejam lá. Ela não perde muito tempo entre a casa e a escola nem paga condução. Motoristas de ônibus podem fazer greve que ela não está nem aí. Vai a pé. E nunca volta de mão abanando.

No início, ela ficava constrangida de levar para casa parte dos alimentos destinados às crianças da escola, todas pobrezinhas. Mas, depois de muito refletir, chegou às seguintes conclusões:

1.    Ora, se as crianças da escola são miseráveis, seus filhos também o são, também carecem de boa alimentação.

2.    Não foi ela quem tomou a iniciativa de surrupiar os alimentos da escola. Muita gente já fazia isso – e há muitos e muitos anos.

3.     Sozinha, não tem condições de impedir a lambança. Ao contrário. Ante sua recusa inicial de carregar os mantimentos, os colegas de trabalho e furto começaram a vê-la como uma espécie de dedo-duro em potencial.

4.    Se todo mundo faz, porque ela não faria? Ninguém é completamente abestalhado.

5.    E mais: safado mesmo é o responsável pelo setor. Ele põe a assinatura num papelucho que diz ter sido entregue um tanto de mercadorias, quando, na verdade, chegou pouco mais da metade.

6.    Por fim, sempre que o prazo de validade está prestes a vencer, Ivani faz questão de vender para os vizinhos os produtos por 20% do preço cobrado pelo mercadinho da esquina. É uma forma de ajudar os necessitados. Quando, por descuido, deixa vencer o prazo de validade, dá os produtos de graça à vizinhança.

Devota de São Francisco acredita que é dando que se recebe. Sente orgulho de ajudar os que mais precisam.

Orlando Silveira
Junho de 2018


terça-feira, 12 de junho de 2018

QUERIDAS, QUERIDOS:

O Facebook resolveu me botar de castigo. 
Durante sete dias não poderei postar nada.
Também estou impedido de me comunicar com os amigos.
Tudo por conta da foto abaixo, belíssima foto de Kazuo Okubo.
O Blog do Lando, no entanto, continuará sendo
atualizado normalmente.
Abraço.


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segunda-feira, 11 de junho de 2018

HORA DA VITROLA: ELIS (MAIORES SUCESSOS - 1 (COMO NOSSOS PAIS E O BÊBADO E A EQUILIBRISTA)

alemdaimaginacao.com
Em 2015, o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD) 
divulgou os resultados de uma pesquisa feita junto a emissoras de rádio 
e casas de festas, para saber quais as músicas interpretadas por Elis Regina
 que foram mais tocadas entre os anos de 2010 e 2014. Veja a lista:

COMO NOSSOS PAIS – BELCHIOR
O BÊBADO E A EQUILIBRISTA – JOÃO BOSCO/ALDIR BLANC
ÁGUAS DE MARÇO – TOM JOBIM
ALÔ, ALÔ, MARCIANO – RITA LEE/ROBERTO CARVALHO
CASA NO CAMPO – ZÉ RODRIX/TAVITO
FALSO BRILHANTE – VERSÃO ARMANDO LOUZADA
MADALENA – IVAN LINS/RONALDO MONTEIRO DE SOUZA
APRENDENDO A JOGAR – GUILHERME ARANTES
TIRO AO ÁLVARO – ADONIRAN BARBOSA/OSWALDO MOLLES
ROMARIA – RENATO TEIXEIRA


***


(1º LUGAR)

COMO NOSSOS PAIS
DE BELCHIOR



Não quero lhe falar
Meu grande amor
Das coisas que aprendi
Nos discos
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo

Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa

Por isso cuidado, meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado pra nós
Que somos jovens

Para abraçar meu irmão
E beijar minha menina na rua
É que se fez o meu lábio
O meu braço e a minha voz

Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantado
Como uma nova invenção
Vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
O cheiro da nova estação
E eu sinto tudo na ferida viva
Do meu coração

Já faz tempo
E eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Esta lembrança
É o quadro que dói mais

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais

Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências, as aparências
Não enganam, não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém

Você pode até dizer
Que eu estou por fora
Ou então
Que eu estou enganando

Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem

E hoje eu sei, eu sei
Que quem me deu a ideia
De uma nova consciência
E juventude
Está em casa
Guardado por Deus
Contando o seus metais

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais


(2º LUGAR)

O BÊBADO E A EQUILIBRISTA
DE JOÂO BOSCO E ALDIR BLANC



Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos
A lua tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel

E nuvens lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!
Louco!
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Pra noite do Brasil
Meu Brasil!

Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora
A nossa Pátria mãe gentil
Choram Marias e Clarisses
No solo do Brasil

Mas sei que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança
Dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha
Pode se machucar

Azar!
A esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar

***





Quem ouve Elis cantar, ainda que só pelas gravações que ela deixou, não tem como manter-se em desacordo com os que a consideram a melhor intérprete da Música Popular Brasileira. É como duvidar que Pelé seja o grande craque da bola, algo completamente fora de cogitação. Elis reuniu – e desenvolveu – todas as qualidades que fazem uma cantora marcar época. Senhora da técnica e dona de uma emoção irrefreável, exalava boa música por todos os poros. Com timbre vocal agradabilíssimo e afinação a toda prova, encarou de tudo. Não que fosse eclética, ainda que tenha aberto também esse flanco. Cantou samba, bolero, calipso, Bossa Nova, rock. Em cada gênero, firmava novas possibilidades de vocalização. E tinha uma força descomunal no palco. Ao vivo, arrebatava o público como uma Maria Callas. Costumava dizer que havia se apaixonado pelo som da própria voz. Ela e o Brasil, que não a deixaria marcar apenas a época em que vivera.

Elis continua sendo a maior referência para quem segue o ofício de cantar MPB, em um raro caso de reverência mítica – como Paganini para o violino ou Jimi Hendrix para a guitarra elétrica.

Essa devoção é alimentada não só pelos fãs da cantora, que são muitos, mas principalmente pelos compositores que ela gravou. Milton Nascimento afirma dedicar a Elis as canções que fez. Todas. Antenada aos talentos que emergiam enquanto a música popular era sacudida por festivais, protestos, Jovem Guarda, tropicália, Clube da Esquina e uma nova escola nordestina, Elis apostou em desconhecidos e fez com que se consagrassem nacionalmente. Venceu um festival cantando Edu Lobo (“Arrastão”), gravou o tropicalista Gilberto Gil, chamou a atenção para o mineiro Milton e sua turma de Belo Horizonte, lançou o cearense Belchior e imortalizou “Romaria” do paulista Renato Teixeira.

Enquanto estimulava jovens carreiras, jamais deu as costas para a tradição. Cantava Ataulfo Alves, João do Vale, Dorival Caymmi e Adoniran Barbosa. Cantou “Águas de Março” em dueto com Tom Jobim. Cantou o que era bom. E se não fosse, ficava.

Celso Masson
Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira




sábado, 9 de junho de 2018

IMAGENS: TARSILA DO AMARAL



Operários, 1933
Acervo dos Palácios do Governo do Estado 
de S. Paulo. Palácio Boa Vista (Campos do Jordão, SP)



Lagoa Santa, 1925
(Coleção Particular)



A lua, 1928
Coleção Particular - São Paulo/SP



O Sono,  1928
(Coleção Particular)


Antropofagia, 1929
(Fundação José e Paulina Nemirovsky - SP



Floresta,  1929
Coleção Museu de Arte Contemporânea da
Universidade de São Paulo (SP)



Cartão Postal, 1929
Coleção Particular


(Imagens e legendas: Templo Cultural Delfos)







Tarsila do Amaral (Capivari, 1º de setembro de 1886 — São Paulo, 17 de janeiro de 1973), pintora e desenhista, foi uma das figuras centrais da primeira fase do movimento modernista no Brasil, ao lado de Anita Malfatti. Seu quadro Abaporu, de 1928, inaugura o movimento antropofágico nas artes plásticas.

FOTOGRAFIAS: DAVID LAZAR (1)




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DAVID LAZAR

David Lazar é fotógrafo de viagens desde 2004, ano em que passou três meses na Tailândia, Índia e Nepal. Ele continuou viajando freqüentemente para países do Sul da Ásia, África e partes da América Central e do Sul. Quando não está viajando e fotografando, David, que possui um Master of Music em composição de filmes, trabalha como compositor, professor e intérprete de piano.

Em 2014, foi premiado como Melhor Fotógrafo de Cultura pela Garuda Airways. Foi o vencedor, em 2012, da Smithsonian Photography Contest na categoria de viagens. Em 2015, o inspirador livro 'Who Will I Become' foi lançado pela Growing Leaders Foundation, mostrando a fotografia de David de Trinidad e Tobago. Ele publicou recentemente um livro de mesa de café de seu trabalho de Mianmar intitulado "Myanmar A Luminous Journey", que agora está disponível para compra em todo o mundo.