quinta-feira, 7 de maio de 2015

CHARGES: DIRETO DA "BESTA"



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REGI – AMAZONAS EM TEMPO


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NANI – CHARGE ONLINE


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NICOLIELO – JORNAL DE BAURU


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SPONHOLZ – JBF



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THIAGO LUCAS – FOLHA DE PERNAMBUCO


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AROEIRA – BRASIL ECONÔMICO


ATRÁS DO JORNAL DA BESTA FUBANA 
SÓ NÂO VAI QUEM JÁ MORREU


CLÓVIS CAMPÊLO



UMA NOITE, UM GATO

Nietzsche. Foi assim que resolvi chamá-lo. Era um gato preto, completamente preto, que deu de me aparecer no muro do quintal, toda noite.
Vinha, comia o que eu lhe oferecia e se ia, sem mais nem menos. Independente, como todos os gatos.
Uma noite, veio e ficou. Talvez tenha se dado conta de que ali a comida seria farta e o ambiente acolhedor.
Confesso que de início pensei em lhe chamar de Mefistófeles, não só pelo susto que me deu no nosso primeiro encontro, negro dentro do escuro da noite, realçando apenas o brilho claro dos seus olhos, como também pela sua preferência noturna, fugindo sempre da luz do dia. Mefistófeles seria, assim, aquele que prefere a noite e que não ama a luz do dia.
A nossa convivência, porém, mostrou-me que de noturno e soturno ele nada tinha. Além dos ratos, nunca se preocupou em caçar nenhuma outra alma inocente.
Muito pelo contrário, era um gato afável e de bom relacionamento. Logo fez amizade com dois gatos que habitavam a casa vizinha, Heráclito e Empédocles. Não me pergunte, porém, o por que destes nomes. Talvez o meu vizinho, homem de bigodes fartos e respeitáveis, perambulasse pelos estudos filosóficos, pelos pilares do pensamento grego antigo, do pensamento pré-socrático. Tudo é possível, nesse mundo de Deus e do tinhoso.
Heráclito era um gato ainda jovem, de cor amarela, mariscado, arisco e desconfiado conosco, os humanos. Com Nietzsche, no entanto, deu-se bem. Gostava de vê-los caminhando juntos, no telhado, ao final da tarde ou simplesmente tomando banho de sol, lado a lado, na calçada, pela manhã.

CLÓVIS CAMPÊLO
 
Empédocles era mais velho e mais gordo. Também era mariscado e com matizes que variavam do preto ao cinza. Nunca se envolvia nas arruaças dos gatos vadios. Sempre estava equidistante e equilibrado. Confesso que também nunca o vi sobre os telhados em busca das fêmeas no cio. Era um gato meio estranho e reservado. Mas, relacionava-se bem com Nietzsche e isso, para mim, bastava.
Essa amizade heterogênea e inconsistente, entretanto, pouco durou. Uma noite, do mesmo modo como chegara, Nietzsche se foi. Depois de jantar sardinhas com arroz (sempre se recusara a experimentar a ração felina que eu comprara, induzido pela propaganda televisiva), bebeu um pouco de água, miou um miado qualquer e lançou-se sobre o muro para o que eu imaginava como sendo apenas mais um passeio noturno.
Foi a última vez que o vi.
Recife, 2010






NÚBIA NONATO

murilosv.wordpresss.com

PROPOSTA
Proponho para
os devidos fins
que o silêncio
se perpetue
diante da
inutilidade do
eco.
Que a ausência
embora sentida
seja menos dolorida.
Que as manhãs de
sol atenuem o
sofrimento mesmo
que seja fato 
e que a chuva
abençoada se
confunda com o
pranto.




quarta-feira, 6 de maio de 2015

HORA DA VITROLA: CAETANO




FELICIDADE
De Lupicínio Rodrigues

Felicidade foi-se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora

Lá onde eu moro tem muita mulher bonita
Que usa vestido sem cinta e tem na boca um coração
Cá na cidade se vê tanta falsidade
Que a mulher faz tatuagem até mesmo na pensão

Felicidade foi-se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora

A minha casa fica lá detrás do mundo
Mas eu vou em um segundo quando começo a cantar
E o pensamento parece uma coisa à toa
Mas como é que a gente voa quando começa a pensar

Felicidade foi se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora

Na minha casa tem um cavalo tortilho
Que é irmão do que é filho daquele que o Juca tem
Quando eu agarro seus arreiros e lhe encilho
Sou pior que limpa trilho e corro na frente do trem

Felicidade foi se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora




Resultado de imagem para imagens caetano veloso


QUASE HISTÓRIAS (X)

sites.uem.br



NA CASA DO PAI

Na casa da mãe e do pai, sempre foi tudo muito suado. O pai trabalhava dobrado; a mãe economizava em dobro. Dava para o gasto. Comida nunca nos faltou. A mãe era especialista em picadinho – em omelete também. O “vício” do pai era comprar livros e mais livros, que as vistas cegadas já não lhes permitem ler. A mãe se foi. Que lástima. O pai está por aqui, conversando (às vezes) com seus fantasmas. Saudades daquele tempo.


PARKINSON

Chegou a pensar que enlouqueceria antes de o dia amanhecer. Pensou, não: teve certeza.

O pai o chamava ao quarto de hora em hora, no começo da madrugada. Depois, já no meio da madrugada, o tempo entre uma chamada e outra encurtou para meia hora. Não queria mais o cobertor, queria mudar de lado, queria ficar sentado, queria tomar água, queria o cobertor de novo e mudar de lado também, queria tirar a fralda, não estava na hora do café?

 Entre uma chamada e outra, ele se digladiava com seus fantasmas, chamava a polícia, chamava o ladrão, dizia palavrões que nunca disse acordado. O dia chegou. E o pai, após tomar os comprimidos matinais, perguntou ao filho:

-- Nesta noite, eu não dormi muito bem. E você?

(PS: Meu pai morreu em 04/05/2015)

CHARGES: DIRETO DA "BESTA"


paixao
PAIXÃO – GAZETA DO POVO


ATRÁS DO JORNAL DA BESTA FUBANA 
SÓ NÂO VAI QUEM JÁ MORREU



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NEWTON SILVA – CHARGE ONLINE



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LUSCAR – CHARGE ONLINE


iotti
IOTTI – ZERO HORA


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KACIO – CHARGE ONLINE



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                                                                AMARILDO - A GAZETA


AUTO_myrria
MYRRIA – A CRÍTICA


HOMEM DAS CAVERNAS



Não tenho GPS, nem quero ter. Pouco saio do bairro em que moro e trabalho. Se me perco, paro na padaria mais próxima, peço informação e engato uma conversa fiada com o primeiro que me der trela. Aprende-se muito em papos de balcão, principalmente o que não se deve fazer.

Meu celular é chinfrim. Sou do tempo em que telefone servia somente para falar o básico. E ponto. Não sou japonês, para tirar fotografia de tudo o que vejo pela frente. Não preciso estar online o tempo todo. Sou um desimportante assumido. Não ter importância já me incomodou. Hoje, não. É bom não ser nada.

Não gosto de vinhos. Prefiro destilados, embora não rejeite uma gelada.

Não desgosto da tecnologia – desde que os filhos me digam que botões apertar, para fazer isso ou aquilo. Esta cabeça fraca jamais compreendeu o que vai escrito em manuais. Nunca conseguiu avançar para além do índice.

Nada tenho contra quem pensa diferente, mas sempre gostei de mulher.

(outubro 2013)

COISAS DA VIDA

A PREVISÃO

Violante Pimentel é procuradora aposentada
 do Estado do Rio Grande do Norte

(POR VIOLANTE PIMENTEL) José Romeiro, um comerciante de Natal, gostava muito de música e era um pesquisador nato da música antiga, especialmente da "modinha". Também sabia dedilhar um violão, e gostava de se acompanhar cantando. Indiscutivelmente, era possuidor de invejável cultura musical, apesar de não ter formação acadêmica. Muito convencido, o comerciante fazia questão de se auto-elogiar, não esperando elogio de ninguém.

Chegou a publicar uma coletânea de modinhas, focalizando antigos compositores, como Catulo da Paixão Cearense. Desprovido de modéstia, dizia, abertamente, que se considerava o homem mais inteligente do Rio Grande do Norte. Mesmo sendo um homem íntegro, essa sua vaidade o tornava antipático aos olhos das pessoas ligadas à intelectualidade da cidade. Isso também incomodava até os seus amigos mais íntimos.

Estavam se aproximando as festas de Natal e Ano Novo. Terminava a década de 60 e as pessoas crédulas aguardavam, com ansiedade, as previsões dos videntes, sobre os acontecimentos que marcariam a vida da cidade e do país, no novo ano.

Uma conhecida vidente de Natal, "Mãe Jacinta", que morava no bairro das Rocas, fez suas previsões para o novo ano, e o principal jornal da cidade publicou a sua entrevista. Entre as previsões estava escrito que, no primeiro semestre do novo ano, morreria em Natal um grande vulto, uma das maiores culturas do Rio Grande do Norte, uma das pessoas mais ilustres da cidade. A notícia publicada no jornal se espalhou. A repercussão foi grande, e virou assunto principal em todos os lugares da cidade, inclusive nas mesas de bar. A vidente deixou claro que o óbito do grande homem ocorreria em Natal mesmo.

Não deu outra coisa... José Romeiro tomou para si a previsão de Mãe Jacinta",  e entrou em pânico. Antes que se concretizasse o agouro, preparou as malas e viajou com a família, imediatamente, para o Rio de Janeiro, até que passassem os seis primeiros meses do ano. José Romeiro somente apareceu em Natal, no segundo semestre de 1970. São e salvo!!!


domingo, 3 de maio de 2015

PARA RELAXAR

www.small-dreams.com


CAFÉ COM AÇÚCAR

Beira de estrada. 
O sujeito entra no boteco e pergunta quanto custa o cafezinho.
-- R$ 0,50 – responde o dono da espelunca.
-- E o açúcar? 
-- Que é que tem?
-- Quanto custa?
-- O açúcar é de graça, ora essa!
-- Então, me dê três quilos.

ESTRANHO AMOR

-- Que tipo de mulher você prefere – bonita ou inteligente?
O marido não titubeou:
-- Nem uma, nem outra. Amo você.

SORTEIO

-- Como eu faço pra ouvir um monte de velhinhas gritando “merda” ao mesmo tempo?
-- Fácil. É só gritar “bingo”!

ZERO A ZERO

E o sujeito não suportava mais o colega de trabalho. 
Enquanto dava um duro danado, o outro nada fazia. 
E recebiam a mesma coisa. Um dia perdeu as estribeiras:
-- Você sabia que a preguiça é pecado capital?
O folgado devolveu de primeira:
-- A inveja também. 

QUEM SERÁ O PAI?

Maria não conseguia engravidar. 
Foi ao médico, explicou seu caso. 
Ele pediu que ela tirasse a roupa e deitasse na maca, 
para que pudesse examiná-la.
-- Mas, doutor, gostaria que o filho fosse de meu marido!



(DE DOMÍNIO PÚBLICO)

ÚLTIMA FLOR DO LÁCIO

CENA 1

Sem tirar os olhos do computador, a colega perguntou ao colega ao lado, que também estava com os olhos grudados no monitor:

– É impretero ou impreiteiro?

Impreiteiro, com i depois do primeiro e.

– Droga! Vou ter que corrigir esse documento. Escreveram empreiteiro. Que saco! Fazem a coisa errada e depois a gente tem de corrigir. Custa perguntar, se não sabe?

José Ferrão

CENA 2

O chefe ignorante chegou, como chegava todos os dias – com pompas e circunstâncias e a falta de educação desde sempre cultivada. Foi logo informado do entrevero da véspera. Disparou um e-mail para o gerente:

– O que ouve?



Puta velha, o gerente tripudiou da ignorância arrogante:

– Não ouço nada.


CENA 3

E a disputa acirrada, quase irracional, do bilhar extrapolou: atropelou a gramática, ferrou a regência, jogou o pai dos burros no lixo.

– Animal, analfabeto: não se fala “nóis fumo”; o certo é nóis fomo. Tô errado, doutor? – quis saber o mais ignorante e grandalhão deles, do intelectual da redondeza, único que fazia todos os dias palavras cruzadas na Vila Invernada. Quase sábio.

– Os dois estão certos. A língua é um ente dinâmico, se me entendem. Os dois estão certos.

O cruzadista mais não disse. E pegou o caminho da roça. Homem prudente. (2013)