sexta-feira, 1 de maio de 2015

CHÁ DAS CINCO: VINÍCIUS DE MORAES


INERPRETADO POR TAIGUARA



O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO

E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
- Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
E Jesus, respondendo, disse-lhe:
- Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.
Lucas, cap. V, vs. 5-8.


OPERÁRIOS - TARSILA DO AMARAL


Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão -
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

lisandromoura.worpress.com

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Exercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.

maodeobraonline.blogspot.com

E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:

Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.

Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
- "Convençam-no" do contrário -
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

mambahia.com

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

- Loucura! - gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
- Mentira! - disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.



FRASES: TRABALHO





Resultado de imagem para frases sobre o trabalho












A ARTE DE SIMONE GRECCO


















 



















Formada pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo (1972)
 e com diversos cursos de especialização nos Estados Unidos, 
Simone Grecco é uma artista plástica, cuja obra a todos encanta. 
No Brasil e no exterior.

Simone Grecco

Para entrar em contato com Simone, 
mestre em esculturas em arame, acesse


CHARGES: DIRETO DA "BESTA"

iotti

IOTTI – ZERO HORA



DRE

SPONHOLZ – JBF


ATRÁS DO JORNAL DA BESTA FUBANA 
SÓ NÂO VAI QUEM JÁ MORREU


AUTO_nicolielo


AUTO_fausto

FAUSTO – OLHO VIVO


AUTO_newtonsilva

NEWTON SILVA – CHARGE ONLINE


occs

SPONHOLZ – JBF







DALINHA



Dalinha Catunda é poetisa, cordelista e declamadora
www.cantinhodadalinha.blogspot.com
www.cordeldesaia.blogspot.com



E A CHUVA CHEGOU!

A chuva chegou de vez

Trazendo transformação

A saparada faz festa

Saudando a nova estação

O canto da passarada

Saúda a nova jornada

Que traz vida pro sertão.

***

O sertão trocou de roupa

Volta o tempo da bonança

Na paisagem brota o verde

Carregado de esperança

O rei sol faz feriado

E sertanejo animado

Prepara sua festança.

***

O açude já encheu

Da grota escuto a zoada

O rio já deu enchente

A água corre toldada

Diante da correnteza

Eu testemunho a beleza

Que chega com a invernada.



BRUNO NEGROMONTE

Em seu segundo volume, a série Pernambuco forrozando para o mundo presta uma singela homenagem a um dos compositores mais representativos da música Nordestina contemporânea
Por Bruno Negromonte
Com a primeira letra do seu nome artístico também escreve-se xote, um dos gêneros musicais ao qual sua obra está intrinsecamente ligada. Nascido na região cearense do Crato, Xico Bizerra teve a oportunidade de vivenciar toda a rica sonoridade que alimenta aquelas pairagens. O que o pequeno Francisco talvez não dimensionasse era o quanto aquela experiência influenciaria sua obra anos mais tarde quando já se encontrava longe do sopé da Chapada do Araripe.
A simploriedade destes primeiros anos, somado a um astuto, sonoro e poético modo de enxergar os mais ínfimos detalhes poéticos que o cercam deram ao compositor as principais credenciais e ferramentas para torná-lo uma espécie de bastião do apuro estético em defesa da nordestinidade em sua melhor potência. Vem do seu matulão o projeto Forroboxote e canções como “Se tu quiser”, “Oração do sanfoneiro”, “Tangendo a dor” e tantas outras. São xotes, baiões, valsas, forrós, e uma gama de ritmos, composições e parcerias que não param de crescer e que agora finalmente encontram-se sincretizados nesta coletânea que chega em comemoração aos quinze anos de estrada do compositor completados ao longo de 2015. 
Com o primeiro volume dedicado ao saudoso Dominguinhos, agora chegou a vez do selo Passadisco prestar essa homenagem a este nome que mostra-se a cada nova produção como um dos mais importantes, promissores e representativos compositores da música nordestina contemporânea. Difícil mensurar a sua relevância dentro do atual quadro do cancioneiro nordestino, no entanto, este segundo volume da série Pernambuco Forrozando para o Mundo arrisca-se, de modo bastante abrangente, e acerta na mosca ao prestar essa justa homenagem a quem tão bem vem construindo um mosaico sonoro onde se destaca a mais pura verdade e autenticidade sertaneja imergidas na seiva da poesia.
Com projeto gráfico de Ana Rios, as fotos (capa e luva) ficaram a cargo do acervo do médico Paulo Fernando Fragoso de Carvalho e Tom Cabral (encarte). A masterização de Delbert Lins (da Gusdel Estudio). O disco que conta com quinze canções, dentre elas uma versão inédita registrada pelo Projeto Sal do clássica "Se tu quiser", enumera um sem fim de importantes nomes da música nordestina, dentre eles Elba Ramalho, Dominguinhos, Marinês, Trio Nordestino, Petrúcio Amorim, Jorge de Altinho, Amelinha, Adelson Viana, Waldonys, Quinteto Violado entre outros.
O lançamento deste novo projeto do selo Passadisco acontecerá na próxima quarta-feira a partir das 19hs na loja homônima ao selo localizada no Shopping Sítio da Trindade, Estrada do Encanamento, 480. O endereço fica no Parnamirim, bairro localizado na zona norte da capital pernambucana, onde o obstinado, Fábio Cabral mantém o selo e a loja. Vale salientar que o projeto junino chega um semestre depois de Fabio "gerundiar" outro ritmo pernambucano, o frevo.
Eis as quinze faixas presentes no álbum "Pernambuco forrozando para o mundo - Volume 02":
01 - Se tu quiser - Elba Ramalho 
02 - Musa - Dominguinhos 
03 - Chico das águas - Quinteto Violado 
04 - Oração do sanfoneiro - Chambinho, Cezzinha, Targino Gondin, Waldonys e
Adelson Viana 
05 - Pé-de-saudade - Marinês 
06 - Jarrim de fulô - Santanna, O Cantador 
07 - Forró do bole bole - Trio Nordestino 
08 - Hoje tem forró - Silvério Pessoa 
09 - Baião vagamundo - Flávio José 
10 - Céu de baião - Amelinha 
11 - Esconderijo do amor - Trio Sabiá 
12 - Oferendar - Flávio Leandro 
13 - Aroma de alegria - Josildo Sá 
14 - Pelos cantos da casa - Maciel Melo 
15 - Vou deixar não - Irah Caldeira 
16 - Bom de prosa - Petrúcio Amorim 
17 - Você não quis - Adelmário Coelho 
18 - Oceano do querer - Jorge de Altinho 
19 - Tangendo a dor - Nádia Maia 
20 - Se tu quiser - Projeto Sal
Para conhecer este e outros títulos conheçam o website da loja: http://www.passadisco.com.br/