segunda-feira, 20 de abril de 2015

GLÓRIA BRAGA HORTA

reservanatural.,com.br


BREVE E SUAVE ALIENAÇÃO

Quando sozinha me vejo, em noites frias e serenas, aproveito a ocasião
e, em completa indolência, tendo o controle remoto todinho pra mim, só
pra mim... ah, quão sorridente e feliz me vejo assim, sem política, sem filmes de violência, sem noticiários desagradáveis que passam na
maioria dos canais de televisão.

Seguro o afrodescendente aparelhinho - que agora é só meu,
completamente meu, a meu exclusivo comando - me estiro no macio sofá
do meu aconchegante cantinho e saio à procura de alguma bela canção no
canal de rádios da televisão. É difícil, mas a noite é só minha e
dele, o afro, e vou clicando devagarinho, e sem nenhuma pressa, acabo
encontrando boas canções. Quando a música seguinte não combina com
meu radiante coração, aperto os botões do meu morenão - que nessa
noite pertence a mim, exclusivamente a mim - e passo para outra
estação. (Prefiro rádio a vídeos ou cds, porque as músicas vêm de
surpresa e com mais variação.)

Algumas pessoas que conheço, se souberem disso, com certeza iriam
pensar: "Essa aí não quer mais nada na vida do que ficar estirada no
macio sofá do seu aconchegante cantinho ouvindo música, em plena
alienação, em vez de assistir aos noticiários na televisão, que
mostram a realidade fria e crua do mundo e de nossa nação. Aí, eu
diria a todos que pensam assim (felizmente, são poucos esses invejosos
irritadiços): Sim, vocês têm razão, podem fazer zombarias. Nem me
lixo!

Glória Braga Horta nasceu em Mutum-MG. 
É jornalista, poeta e cronista.
Dedica-se também à música popular (canto e teclado)
e às artes plásticas

E assim caminha a humanidade. Quando eu não estiver a fim de ver
black blocs em suas violentas manifestações ou de ouvir notícias de
homicídios, de pais matando filhos, de filhos matando pais,
roubalheiras, estupros, ouvindo mentiras em vez de verdades e outras
putas merdas mais, vou ficar bem estirada, confortavelmente e sempre
que me der vontade, no macio sofá do meu aconchegante cantinho,
acompanhada de mim mesma e do meu, nessas raras noites, inseparável
companheiro black controlzinho, ouvindo música em plena alienação... com
uma taça diáfana de vinho rubro na mão, belas flores na janela, uma
suave penumbra e um Céu de ilusão...,




sábado, 18 de abril de 2015

RAPIDÍSSIMAS (LXXV)

portalnacional.org

BULAS (I)
Como vou saber se tenho “hipersensibilidade aos componentes da fórmula?” Vão se catar. Nem o médico sabe.

BULAS (II)
Quem lê coisa dessas não toma remédio.

MÉDICOS
São todos ótimos desde que você não precise de seus préstimos.

DIETAS
A melhor é a que não precisa ser feita.

COISA FÁCIL
Encontrar trilhões de justificativas para justificar o injustificável.

É TUDO TÃO TOLO...
Se desesperar para quê?

A FILHA
Até que pensando bem ela era bem aprumadinha. Mas não era pra mim. Nem para você. Filha de coronel – compadre – é pra filho de major.

PROPAGANDA ENGANOSA
Essa saída não me leva a lugar algum.

SEJAMOS FRANCOS
O passar dos anos nos torna insuportáveis. Ou quase.

BICHO HOMEM
A gente sempre (ou quase sempre) sabe o que precisa ser feito. Mas, gente, como é difícil fazer o que não pode deixar de ser feito.



  

CHARGES: DIRETO DA "BESTA"

migueljc

MIGUEL – JORNAL DO COMMERCIO


AUTO_regi

REGI – AMAZONAS EM TEMPO


AUTO_nicolielo

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU

nani

NANI – CHARGE ONLINE

ATRÁS DO JORNAL DA BESTA FUBANA 
SÓ NÂO VAI QUEM JÁ MORREU


iotti

IOTTI – ZERO HORA


CLÓVIS CAMPÊLO



A SERPENTE E A MAÇÃ

Era só monotonia
a vida no paraíso,
tudo correto e preciso,
sem tristeza ou alegria.

Eis que um dia, de repente,
em pleno sol da manhã,
a suculenta maçã
desperta o olhar da serpente.

Por que, então, preservá-la,
negando-se ao prazer?
Mas, para poder prová-la

preciso será romper
a lei e não acatá-la,
desafiando o poder.


Recife, 2010

NÚBIA NONATO

solucaoperfeita.com

DESPERTAR

Revogo em mim maus

pensamentos, pragas,
xingamentos.
Revogo em mim os
queixumes, azedumes,
os lamentos.
Quedo-me diante de Ti
esvaziada, pelo avesso.
Num filete do que me
resta de dignidade
visto-me de humildade
me ancoro em teu porto
em busca de abrigo.
Na contramão do destino
se um dia eu reabrir meus
olhos, que seja o sol a
me forçar a ver, ou a
Lua a tecer em minha
memória, lembranças
da minha história.




sexta-feira, 17 de abril de 2015

FIM DA LINHA

www.estadao.com.br 



E nada mais foi dito, após a sentença inevitável. 

Os filhos se entreolharam comovidos que só, sob o olhar aflito, mas firme, da mãe. 

O velho também não disse palavra. 

Olhava o nada, sem lágrimas. 

Sabia que aquilo – sua interdição – não era maldade. 

Era inevitável.


FEVEREIRO/2014

CHARGES: DIRETO DA "BESTA"

AUTO_samuca

SAMUCA – DIÁRIO DE PERNAMBUCO


ATRÁS DO JORNAL DA BESTA FUBANA 
SÓ NÂO VAI QUEM JÁ MORREU


AUTO_jb

JORGE BRAGA – O POPULAR


AUTO_regi

REGI – AMAZONAS EM TEMPO


chico_caru

CHICO CARUSO – O GLOBO



MANCHETE DO TICO-TICO, UMA ODE À BELEZA DA FAUNA, DA FLORA E DOS COSTUMES NACIONAIS
o cantor, compositor, arte-educador e instrumentista Victor Batista apresenta disco inspirado na rica biodiversidade brasileira
Nos mais recônditos rincões do nosso país existem belezas diversas que só são observadas por aqueles que voltam seu olhar para a parte de dentro do Brasil e permitem-se observar tais cores e paisagens. Longe da selva de pedras dos grandes centros urbanos onde a natureza trava uma luta diária com a poluição, o interior do nosso país guarda riquezas diversas que expressam-se dos mais variados modos existentes. É nessa região que nossa fauna e flora permitem-se exibir um colorido estonteantemente atípico a partir de bucólicas e simplórias veredas, onde cada um dos mais ínfimos detalhes precisam ser observados e captados pela sensível lente da poesia e vindo a servir não apenas como inspiração para as mais diversas e originais manifestações artísticas neste rico e inspirador cenário, mas também como afirmação de nossa identidade a partir das mais genuínas raízes culturais. Na expressão desses valores muitos artistas acabam por abarcar de corpo e alma neste contexto e, munidos da sensibilidade que se é exigida, conseguem através de uma perspicácia ímpar traduzir tudo isso em letras, poesias e canções. Alguns nomes destacam-se neste contexto e acabam por tornar-se referência como é o caso deste artista nascido em Belo Horizonte que deu início a sua carreira em 1991 com os grupos Pára folclóricos Congá e Sarandeiros, ambos da UFMG e com o grupo musical Minadouro. Cantor, compositor, violeiro, pesquisador da cultura popular e contador de estórias, Victor Batista traz em sua bagagem diversas experiências para contar ao longo das mais de duas décadas dedicadas à música. Apesar do Curso técnica Vocal - Canto Lírico pela UEMG foi na viola que realizou-se e hoje traz no currículo, dentre outras vivências, a participação em diversos projetos, dentre os quais a participação na Orquestra Mineira de Viola e a produção e participação em vários projetos culturais pelo Brasil e exterior com os Grupos Quinteto Popular e Camerata Caipira. 
Atualmente radicado em Pirenópolis (GO) e com três álbuns lançados (o primeiro intitulado "Além da Serra do Curral" e lançado em 2004), Batista exerce inúmeras atividades voltadas para a música, dentre as quais um excelente trabalho como arte educador para crianças como iniciador à flauta doce; além de lecionar a viola caipira e o violão para jovens e adultos e vem procurando ao longo de sua carreira não deter-se a estigmas e rótulos, procurando compreender a essência da música brasileira de um modo bastante contemporâneo a partir dos mais variados temas, dentre eles as questões ecológicas. Pelo Brasil já este presente em diversos eventos levando em seu canto e na execução do seu instrumento um pouco das profundas raízes culturais do nosso país. Soma-se ao seu portfólio destacam-se o Encontro de Violeiros - Ribeirão Preto, Outono na Serra - Serra do Cipó, Virada Cultural de São Paulo , Projeto FUNARTE Interações Estéticas – “O Tao do Quintal” Uma Opereta Caipira Contemporânea – Pirenópolis -GO; 36° Festival de inverno de Itabira – MG, XIII Canto da Primavera 2012 – Pirenópolis - GO, Premio Rozini de Excelência em viola Caipira – BH; Flipiri 2011 – Pirenópolis - GO, Fórum Social Temático 2012 – Porto Alegre – RS. Ainda consta no currículo do artista mineiro a direção e participação nos CD’s: “Concerto Caipira” da Orquestra Mineira de Violas-2005; CD do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, intitulado “Cantares da Educação do Campo”- 2007 entre outras participações. Dentre os títulos de sua discografia ainda enumera-se dois projetos fonográficos: um lançado em 2012 junto à cartilha sobre Educação Ambiental da WWF cujo título “En’cantando com a Biodiversidade” e o mais recente, lançado em 2013, batizado de “Manchete do tico-tico”.
“Manchete do tico-tico” conta participações de vários artistas da cidade na qual o artista encontra-se radicado como o violonista Jerônimo forzani, o baterista Ricardo de Pina e o percussionista Sandro Alves. O projeto ainda conta com Mikaell, João e Miriam Colombini; Yasmim Queiroz, Rafael Augusto Nascimento Martins, Rudah Ribeiro, Simone Silva, Elaine Nascimento Rodrigues, Leif Illuvatar e das alunas do Centro de Artes e Música Ita e Alaor, preparadas pela professora de canto Mariangela Alves da Silva ao longo dos treze temas presentes no álbum. Essas canções apresentam temas diversos tendo sempre a viola como primeiro plano como é o caso das instrumentais "Natureza do Cerrado" (de autoria do próprio Victor), o medley "Mulher Rendeira" (domínio público) e "Asa Branca" (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira) e"Liberdade erudita: Beethoven e Vivaldi".
As dez faixas restantes abordam as raízes culturais mineiras como os pontos de capitão da guarda municipal do município mineiro de São Benedito; a fauna brasileira a partir de faixas como "Sementes" (em parceira com Marta Narciso) e a parceria com de Batista com João Bá que dá título ao disco procurando enaltecer um dos pássaros mais conhecidos e estimados do Brasil. Rincões como a Serra dos Pireneus não deixa de ser lembrado em faixa de mesmo nome, além dos costumes e paisagens interioranas que no disco são representados pelos versos e melodia do cantor e compositor tocantinense Juraildes da Cruz na faixa "Vida no Campo". Os fenômenos da natureza são lembrados em "Alvorada a aurora" (parceria com Pipo Neves) e "Céu mais lindo". O disco ainda conta com uma composição de Luiz Perequê ("Orelha de pau"), uma faixa em espanhol "Solo el amor", parceria do artista mineiro com Luis Enrique Mejia Godoy e "A peleja de Aninha contra o Reino da tirania", parceria com o poeta cearense João Bosco Bonfim.
Do álbum "Além da Serra do Curral", perpassando pelo projeto especial “En’cantando com a Biodiversidade” até “Manchete do tico-tico”, Victor Batista mostra que soube traçar um coerente caminho dentro do segmento musical que abraçou a partir de letras e melodias que valorizam não apenas o som da viola, mas também as tradições que envolvem o instrumento, a fauna, a flora e as raízes de sua gente. O seu canto pungente adorna de modo meticuloso os temas que apresenta sem deixar dúvidas que a o artista apesar de manter-se com os pés fincados nas tradições enxerga além do trivial, trazendo um significado alento para a cultura que defende. Uma arte que, mesmo com todas as adversidades existentes, mantém-se viva graças a personagens como ele, que mesmo ciente que existe o caminho das pedras mantém-se firme naquilo que acredita e defende. Deixo aos amigos leitores um trecho da participação do cantor, compositor e instrumentista no programa Sr. Brasil, apresentado por Rolando Boldrin:

quinta-feira, 16 de abril de 2015

RAPIDÍSSIMAS (LXXIV)

raquellmake.com

CERTEZAS?
Tenho poucas. Ainda bem. Essa “coisa” de certezas escraviza.  

CLARO QUE VOLTO
Não fui. Só fingi.

GAIOLA
Não precisava mais de abrigo. Queria voltar a voar.

TÔ FORA
Rimas fáceis não me interessam.

RIBALTA
O ex-grande ator não conseguia mais cumprir seu papel de farsante. Mas ainda se sentia a estrela da trupe.

PODERIA SER PIOR
Lá em casa o único que não deu certo fui eu.


ESCREVER PARA QUÊ?



Queria cometer um poema, um mísero que fosse.
Não sei versar.
Queria tecer um conto, uma crônica qualquer.
Sei fazer não.
Tropeço nas palavras, verbos e adjetivos ordinários me atrapalham. 
Romance?
Nem pensar.
A esse escriba faltam talento e fôlego.
E verve. 
E tanto mais.
Quem mandou estudar pouco, fumar demais? 
Que valia tem um homem que não sabe escrever?
Pensando bem: escrever para quê? (OS)